Notas iniciais
Não questione, somente leia.

Três horas de viagem de carro para o aeroporto mais próximo da cidade onde eu estava... Não fez tanta diferença ao chegar, tivemos que esperar mais duas horas por causa do atraso da aeronave.
Ao final da viagem, a bunda fica quadrada, ao espreguiçar as pernas ficam bambas e a cabeça dói... Viagem na econômica é assim, pra vocês, pessoas ricas que nunca viajaram em outra categoria a não ser primeira classe. Abrindo meus olhos, cocei minha barba e olhei o corredor. Bebês chorando, crianças reclamando, idosos ainda dormindo... Sentei novamente, muito cansado e com a sensação de que tinha esquecido de algo. Foi assim que terminei minha viagem, agradeci a Deus por ter me guardado nessa viagem, e explodi...

Doze minutos depois, o detetive Bethoveen é chamado na delegacia.
— Beto! Aconteceu de novo! — exclamou Ismênia, que também é detetive, só que da polícia. Ficou conhecida como Meni pelos colegas de trabalho.
— Tentaram tirar o recheio da sua bolacha de novo? — disse Bethoveen enquanto bebia seu copo com água (ele é ventríloquo).
— Quê? — indagou Ismênia, achando que tinha malícia em seu comentário, mas não teve certeza se Bethoveen quis dizer aquilo mesmo — Não!... Sim... Não! Ah! Pare de me confundir!
— Causo isso nas mulheres...
— Não só nas mulheres... — disse Tenente Subo, aparecendo na sala com uma expressão de dúvida. — Já começaram a pesquisar?
— Estava contando a ele agora, senhor — disse Ismênia.
— Ótimo, estarei em minha sala quando terminarem.
— Beleza — disse Beto, terminando de beber seu copo — Onde estávamos?
— Um homem-bomba explodiu no aeroporto novamente — explicou Ismênia.
— Novamente?
— Sim, novamente...

Foram à cena do crime. Lá nada tinha a mais além de destroços do avião.
— Hm...- pensava Bethoveen. Nunca havia visto um avião em destroços antes, principalmente sem nenhum corpo. Isso o intrigou...
Os únicos vestígios de tripa que existiam eram do homem-bomba, sabia disso pois haviam kibes por perto. Mas por que ele explodiria sem motivo? Sem levar ninguém?
— E então? — perguntou Subo. — Já entendeu por que te chamamos? Cadê os corpos?
— Uma questão e tanto, Sr. Orno...
Bethoveen atravessou a faixa de segurança, examinando o acidente.
— Isso me intriga tanto que declaro que ele dormiu na viagem e esqueceu de explodir na hora certa. Pronto, resolvido, até a próxima.
Subo ficou surpreso com sua falta de empenho. Antes que pudesse xingá-lo, Ismênia o atrapalhou.
— É, até que faz sentido... Concordo com você, caso encerrado.
E assim, detetive Beethoven concluiu mais um caso impossível.

Notas finais
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-Daniotti
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.