Eu estava deitada com o rosto inchado e vermelho. Tudo isso era demais para mim. Loucura é pouco. Como eu nunca soube? Como as pessoas não percebem a existência de tais demônios? Eu precisava salvar pessoas inocentes e vítimas desse mundo estranho. Por mais que eu não tivesse noção de como minha vida seria daqui para frente isso seria o certo, treinar e caçar esses monstros que matam filhos, amigos, pais... Talvez isso fosse uma bênção, afinal, a minha família, entre bilhões, foi a escolhida para fazer esse ato de bondade aos outros. Esse era um jeito de pensar no qual me reconfortava. Eu não tinha culpa. Ninguém tinha. O problema é: a minha vida normal se foi. Meus sonhos e projetos por água a baixo. Ninguém precisava me dizer isso, eu não precisava ler nenhum manual de instruções. Está na cara que de normal minha nova vida não terá nada.

- Posso entrar?

- Claro, Bekah. – Ela entrou silenciosamente no meu quarto e colocou os livros que estavam dentro de uma caixa em cima da minha mesa de estudos. – Como voce consegue? – ela balançou a cabeça. Não havia entendido minha pergunta vaga. – Como consegue levar a sua vida normalmente?

- Na verdade, eu não levo minha vida normalmente, Kath. Eu treino todos os dias, já li e ainda leio muitos livros sobre as táticas de como matar um vampiro, sobre os nossos antepassados... Isso é normal pra você? E olha que eu ainda não senti se já posso caçar. Quando eu ter essa certeza, as coisas só vão piorar para mim. E o corredor de ‘’tenho uma vida normal como a de uma jovem de 19 aninhos’’ vai se estreitar mais e mais. – Ela se sentou ao meu lado e segurou meus ombros. – Mas eu não posso reclamar, sabe porque? Eu tenho uma família que me apoia e estou fazendo o bem ou pelo menos irei. Fui escolhida e nada na vida é por acaso. Vai por mim, irmã...

- É tão difícil. Eu não sei o que fazer. Como posso manter segredos dos meus amigos? Do meu namorado? Isso parece uma missão impossível.

- Hey, pare com isso, garota. Você é forte e inteligente. Vai saber como lhe dar com isso. – Ela sorriu ternamente olhando em meus olhos perdidos, com medo e cheios de lagrimas. – Eu tive sorte com Jeremy. Ele já sabia sobre isso, por mais que a família dele não o obrigue a seguir esse caminho.

- Então, ele e até Ashley serão vampiros? – eu perguntei assustada.

- Não! Só nos temos esse risco. Fomos amaldiçoados. Os Lockwoods, assim como outras famílias, podem escolher se querem seguir esse caminho e fazer o bem salvando a humanidade ou não. Entende?

- Claro. E muitos escolhem a caça?

- Sim, por incrível que pareça. – eu assenti e olhei para baixo.

- O que você quis dizer com o sentir?

- Você deve matar o seu primeiro vampiro só quando estiver preparada, e não pode parar mais. E o que determina isso não é o tempo de treino ou algo do tipo. É o seu coração, os seus sentimentos e instintos. Não é fácil matar alguém, Katherine, mesmo que seja um demônio.

- Acho que eu nunca estarei preparada para isso. – eu me sentia fracassada, talvez eu não fosse forte o suficiente, tanto físico quanto psicologicamente.

- Só não desista. – Eu assenti com um sorriso torto e sem graça. – Leia os livros. – Antes que ela se levantasse, eu, com toda a minha força, abracei-a.

...

‘’Corpos drenados sem uma gota de sangue. Mordidas no corpo das vitimas, normalmente pegas próximo ao bosque. A cidade não era a mesma. As pessoas tinham medo de sair sozinhas de casa no período noturno. O xerife Forbes proibiu que mulheres e crianças andassem sozinhas mesmo com o sol sob nossas cabeças. Dizia-se que os demônios haviam evoluído. Andavam sob o sol sem serem queimados, talvez isso envolvesse alguma bruxaria, e já se passavam como humanos sem serem percebidos. Os cara pálidas estavam de volta. Finalmente, minha família iria ter algo pelo o que realmente lutar. Havia chegado a nossa tão esperada hora de erradica-los.’’ — 14 de janeiro de 1864.

Eu fechei o diário do meu ancestral e peguei o meu celular. Três mensagens. Duas chamadas perdidas e uma chamada de voz. Eu não queria falar com ninguém. A única coisa que eu queria era ficar em meu quarto lendo essas coisas bizarras que um dia chamei de lenda ou historia de terror para crianças no hallowen. Em apenas um dia eu havia aprendido muito. Parecia que eu já não era a mesma. Eu estava mais madura. Séria, talvez. Eu me lembro de quando Rebekah fez seus 18 anos. As minhas tardes não eram as mesmas, antes ficávamos o dia todo tagarelando, assistindo seriados e fazendo besteiras na cozinha. Íamos com frequência á fazenda... Mas tudo mudou. Ela começou a ficar trancafiada em seu quarto e tinham livros que ela não me deixava nem tocar.

Agora eu entendo tudo porém ainda havia uma dúvida. Stefan. O meu coração doía só de pensar na possibilidade dele ser um vampiro. Talvez eu estivesse delirando. Com tudo que eu estava precisando absorver, acreditar nessa possibilidade, soa normal. Segundo uma enciclopédia a fraqueza de um vampiro é o sol e existe uma planta chamada verbena que protege os humanos da compulsão e é tóxico para tais demônios. Sim. Compulsão. Um vampiro pode hipnotizar alguém, pedir para dizer algo e fazer algo sob a compulsão e não lembra disso depois. A não ser que ele morra e a hipnose será quebrada. A única forma de matá-los é enfiando um estaca de madeira em seu coração. Isso era o pouco que eu sabia. Talvez era o que eu precisava saber até agora.

Um dos diários citava que os demônios ficavam com a pele em chamas e os olhos ardendo quando viam sangue. Era praticamente impossível um vampiro resistir ao tentado. E quando eles atacavam suas presas ficavam mais afiadas, seus olhos esbugalhados e veias saltadas pelo rosto. Era exatamente o que eu vira em Stefan.

...

♫

- Precisamos conversar. – Encostado na porta, Damon olhava para Rebekah. Ele estava preocupado.

- É. Eu sei. – Ela se sentou na cama. – Entre e feche a porta. Com a chave, por favor.

- Tudo isso é medo? – ele fez o que Bekah disse e se sentou ao lado dela.

- Talvez. – Ela sabia que eles não iriam apenas conversar. Damon apertou as pernas de Rebekah com uma de suas mãos enquanto a outra estava em seu rosto. – Damon... Para. – Ela sorriu.

- Eu não consigo ficar perto de você e não poder te tocar, Rebekah. – Ele a olhava preocupado, seus lindos olhos percorriam o rosto dela. Rebekah deu um beijo casto nos lábios finos de Damon.

- Vamos conversar agora. Depois teremos tempo para outras coisas, certo?

- Certo. – Ele sorriu e comportou suas mãos. – Eu percebi na noite passada de que você ainda tem fortes sentimentos pelo Jeremy.

- Damon, o Jeremy é passado...

- Não é, sabe por que? – Ela o olhava confusa. – Porque eu e você não existe, Rebekah. Isso é só entre nós.

- Mas Damon eu gosto de você de verdade e eu não vejo motivos para complicarmos nossa situação. E sim, eu ainda sinto algo pelo Jeremy. Ele fez parte da minha vida. Parte de mim! Só que agora eu tenho que esquecê-lo e eu tenho que agradecer a você. Você me faz esquecer ele, Damon. No dia em que meu mundo caiu, você apareceu de repente como um herói e... Eu gosto tanto de você. – As mãos de Rebekah estavam agarradas ao pescoço de Damon.

- Esse é o problema Bekah, você não vê? – Damon a olhava de um jeito inquieto. -Eu tenho medo que esse gostar vire amar. Porque eu acho que é isso que está acontecendo comigo. Nós não podemos ter algo mais do que temos Rebekah. E eu sei que algum dia você vai querer algo há mais. Assim como eu.

- Não, Damon... Por favor.

- Nós. Impossível. O que seus pais vão pensar disso? O que todos irão pensar?

- Teremos um ao outro e é isso que importa. Esqueça tudo, Damon. – Ela o beijou e ele retribuiu.

- Porque você faz isso comigo? – Damon se rendeu e eles se beijaram de novo. Eles já estavam deitados e colados um no outro.

- A propósito eu ia esquecendo de te dizer que eu acho que você deve conversar com a Lydia. Ela não tem culpa de ter um otário como o Jeremy colado no pé dela.

- Shhhh! – Rebekah tapou a boca de Damon. – Eu farei isso depois. Mas agora eu quero só você.

...

Em um dos diários de Finn tinha o que eu exatamente queria saber. Dizia o porque que a minha família havia sido amaldiçoada, a explicação era: o amor proibido entre uma jovem robusta e diferente e o filho caçula de uma bruxa Mikaelson.

‘’Trevor estava diferente segundo sua mãe, uma poderosa bruxa do século 17, ele estava mais feliz e voltava tarde da taberna. Não era mais o mesmo. A bruxa Cecília resolveu investigar os fatos e descobriu que seu filho passava as noite com uma mulher linda. Corpo bem desenhado, roupas finas, pele marmorizada e cabelos cacheados. Cecília foi mais fundo descobrindo o segredo mais obscuro da moça. Ela era uma vampira. E o que essa mãe desesperada mais queria era livrar seu filho desse demônio. Mas isso não foi possível. Trevor impediu a mãe de protegê-lo, afinal ela já sabia o tal segredo de Rosalie e ele queria ser como ela. O maior problema era que a família de Trevor, sendo Mikaelsons, sempre honrou seus deveres como caçar seres sobrenaturais e ajudar a humanidade a seguir em frente sem a intervenção dessas criaturas. Cecília deixou seu filho ir embora com Rosalie. Mas para esse erro não ser cometido nas próximas gerações ela lançou um feitiço afetando até a ultima linhagem da família. E o pior castigo é você se tornar o seu pior pesadelo (...)’’

Essa maldição existe por um ato egoísta de um garoto e de uma vampira. Mas foi por amor. Eu só espero que eles tenham sido felizes após isso... É possível eles ainda estarem vivos. Por um instante eu tive vontade de conhecê-los... Mas essa vontade se passou tão rápido quanto ela chegou. Talvez seria horrivel eu conhecer as pessoas que desgraçaram a vida de muitas pessoas, inclusive a minha. Eu não quero me tornar o meu pior pesadelo e vou lutar por isso.

...

- Posso entrar querida? — interrompeu minha mãe suavemente. Eu estava concentradíssima lendo um manual de instruções sobre seres sobrenaturais. Eu apenas lancei-lhe um sorriso e ela parou ao meu lado. — Você deveria tirar esse pijama minha filha a propósito tem alguém muito especial lá embaixo. — As únicas pessoas especiais para mim que nao eram minha familia era Ashley, Caroline e... Stefan!

- Espere, ele está aqui? — Eu murmurei incrédula enquanto fechava o livro e me levantava da minha cadeira de couro branca.

- Stefan tem um grande poder sobre você. Só ele para te fazer sair desse quarto... Desde sábado Katherine, hoje é segunda-feira! Graças Santo Stefan. — minha mãe sorria como se tivesse acontecido um grande milagre.

- Menos Meredith! — eu estava indo ao banheiro e minha mãe me abraçou de surpresa. Eu a abraçei de volta.

- Ele está na varanda, querida.

Como minha mãe havia dito, Stefan tinha poder sobre mim. A minha vontade de vê-lo era maior do que qualquer coisa. Até do que minha nova obsessão. Eu não acreditava nisso... talvez seria natural que acontecesse, afinal agora eu estava cercada por toda a blablação de maldição, vampiros, bruxas e lobisomens! Agora, talvez eu até entenda Damon e meu pai.

♫

Eu abri a porta e dei de cara com Stefan sentado na escada. No momento em que vi sua imagem eu não pude ficar enrijecida e com dúvidas sobre a espécie do meu Stefan, era como se todos os meus problemas tivessem sumido e o único problema existente era a nossa distância de alguns passos. Ele se levantou e veio até a mim.

- Hey... — antes que ele dissesse mais alguma coisa eu o abracei o mais forte que pude e inalei o seu cheiro. O cheiro que me embriagava. O cheiro que eu mais amava no mundo. Ele enterrou seu rosto em meu cabelo loiro ondulado.

- Eu senti sua falta. — sussurrei enquanto ainda estavamos abraçados.

- Eu também.

Nos sentamos nos degraus da escada principal da varanda branca e cinza. Desde o meu aniversário minha família estava na casa da fazenda porque meus treinos iriam se intensificar mais e aqui é o melhor lugar para isso.

- Eu não acredito que veio aqui na fazenda só para me ver...

- Você não responde minhas mensagens de texto e não atende minhas ligações. Eu tinha outra escolha? — ele me interrompeu e falou de um modo um pouco grosseiro e eu via preocupação em seu olhar. Ele colocou uma de suas mãos em meu rosto. Ah! O seu toque...

- Me desculpe, Stefan. — eu coloquei minha mão em cima da dele. Por um instante me senti culpada por estar escondendo tantas coisas do meu namorado e por ter pensado que ele seria um vampiro... De repente, essa hipótese maluca, ou não muito maluca, desapareceu. Eu podia sentir o calor do seu corpo, o seu toque delicado em meu rosto, nosso primeiro beijo, nossa primeira noite de amor, sua preocupação sempre exagerada comigo e sua simpatia e educação com as pessoas que eu me importo. Como esse homem que eu amo tanto poderia ser um criatura das trevas? — Me desculpe, por favor. Eu... Bom, eu precisava de um tempo para mim. Tem coisas que eu preciso te contar e que eu não sei se vou conseguir lidar com isso sozinha. Eu preciso de você. Mas tenho medo da sua reação. — eu baixei a minha cabeça. Eram tantas coisas para contar á ele. Eu nao sabia por onde começar. Eu nao sabia se deveria começar isso e envolve-lo nessa história. — Só que esse não é o momento certo. Eu não estou preparada e acho nem você esta.

- Ahn... Tudo bem. — ele me lançou um sorriso nervoso. Stefan estava incomodado com alguma coisa. — Agora nós dois estamos kits?

- Acho que sim. Agora somos dois misteriosos, certo? — ele me deu um beijo curto e eu segurei seu queixo.

- Eu queria fazer melhor mas não é uma boa idéia aqui...

- Hm, eu concordo com você senhor Wasilewski. Meu pai é um pouco possesivo. Tenha cuidado! — nós dois sorrimos um para o outro como um casal apaixonado, afinal, era o que éramos.

- Vai na aula amanhã? Caroline está pirando e a Ashley... não demonstra mas sei que também está.

- Irei, já estou melhor porque te vi, Stefan. — eu segurei a mão dele. — Elas estão pirando porque eu nao fui á aula?

- E porque você não se comunicou com elas esses dias. Não tiro a razão delas. — Stefan falou amigavelmente.

- É como se eu estivesse fugindo, sabe? Sei que vou ter que contar tudo á elas e a você e não vai ser fácil para ambos os lados e já está sendo tão dificil para mim que... Ah! Eu vou ter que enfrentar isso. — Eu já estava começando a chorar e Stefan passou seus braços em minha volta.

- É assim que as coisas são, Kath. E você me tem para te ajudar a superar qualquer coisa. Eu tenho certeza que suas amigas te ajudarão também.

- Eu estou com medo, Stef.

- Vai ficar tudo bem. – Stefan beijou o topo da minha cabeça e começou a se mexer um pouco inquieto. Com dificuldade, ele pegou uma caixinha verde-água aveludada do seu bolso. – Ufa! Achei que tinha esquecido em casa. – Ele sorriu e enxugou com seu dedo uma lágrima que ainda estava na minha bochecha.

- Meu presente!

- Abra. – Eu tomei a caixinha da mão de Stefan e a abri com cuidado. Havia um anel prata com uma pedra lápis-lazúli e ao redor da pedra, algumas ornamentações. Parecia ser uma relíquia e era lindo.

- É lindo. – eu olhei nos olhos de Stefan e em seguida o beijei. – Obrigada.

- Posso...? – Stefan pediu a minha mão, a segurando com delicadeza, ele pegou o anel e colocou no meu dedo onde se usa uma aliança. Seria um anel de compromisso ou algo do tipo? Eu olhava atentamente cada movimento que ele fazia. Depois de coloca-lo, Stefan beijou cada um dos meus dedos e depois me deu um grande beijo. Eu suspirei e o abracei. – Te amo, você é minha.

Eu também te amo, e eu sou só sua sua. – Nossos olhos brilhavam. – Tenho uma pergunta... – Ele me olhou, interessado. – Por um acaso seria um anel de compromisso?

- Eu quero que quando olharem para você vejam que já tem alguém então... Sim, é um anel de compromisso. – ele sorriu deixando a mostra seus grandes dentes brancos. – Tem problema?

- Problemas? Claro que não, Stefan. – Ficamos abraçados olhando o por do sol. O céu estava com cores misturadas, laranja, branco, e um tom de azul mais parecido com roxo. Tudo o que eu queria era concretizar esse momento para sempre. Ficar ao lado do meu amor, olhando o por do sol sem a interrupção de ninguém. Como eu amava esse garoto.

...

Stefan havia ido embora. Toda a minha energia tinha voltado. Eu queria voltar para a escola. Eu queria ver minhas amigas. Quem sabe mesmo com o novo mundo que descobri eu não conseguisse ter um pouco da minha vida antiga e normal? Iria tentar e iria conseguir reconciliar esses dois mundos. E quando eu digo que mudei é apenas em relação a maldição e a caçada, treinos e etc. Porque eu ainda tinha os mesmos sentimentos em relação á Stefan e as minhas amigas. A minha responsabilidade em família havia crescido muito, eu sei, mas eu não deixaria isso estragar a outra parte da minha vida, irei cuidar disso.

‘’No Mystic Grill daqui a uma hora. Estão dentro? Xoxo’’

Ashley Said: ‘’Olhem só quem apareceu. Sumida! Temos muito o que conversar, estarei lá, Kath. Xoxo’’

Caroline Said: ‘’ Katherine, é você mesma? Omg, não acredito. Estou com saudades... Estou indo para o Grill agora mesmo. Xo.’’

…

♫

- Que anel é esse? – Caroline segurou minha mão e ficou analisando o anel, fascinada aparentemente.

- É o presente que eu ganhei do Stefan.

- Vocês vão casar ou algo do tipo? Porque para estar usando uma aliança pode ser um pouco cedo, certo?

- Caroline! – Ashley olhou de cara feia para Care e depois olhou para mim tentando se desculpar pela nossa amiga.

- Tudo bem, Ashley. Você acha que eu não estou acostumada com a indelicadeza e intromissão da Caroline? – Eu suspirei, tomei um gole do meu chocolate quente e continuei – Eu sei que pode parecer estranho mas o que eu e Stefan temos juntos é algo, – As palavras haviam fugido da minha boca. – bom, é algo diferente do que vocês podem imaginar. Isso me consome de tal maneira...

- Tá, mas é um anel de noivado ou não?

- Caroline! – Eu e Ash gritamos em coro. Todo o Grill olhou para a nossa mesa e de algum jeito quase impossível Care corou.

- Me desculpem, mas, Katherine, você não me respondeu ainda...

- Não é um anel de compromisso. É apenas um anel com um enorme valor sentimental. Para mim e para Stefan é como se fosse uma marca da nossa inquebrável relação, pra nós pode até ser um anel de compromisso.

- Tá então não é, mas pra você é?

- Isso.

- Okay, meninas. Agora, preciso falar sobre uma coisa... – Ashley fez suspense. – O baile está chegando! Temos mais ou menos 3 semanas.

- Nossa, no meio de tantas coisas eu havia esquecido completamente do baile. Afinal, qual será o tema?

- Guerra de Secessão, século XIX. Vocês podem imaginar os vestidos?

- Era o que eu imaginava. Não, eu não posso imaginar os vestidos, vão ser lindos.

- Oh meu Deus! – Caroline deu um gritinho. – Eu preciso ganhar como a rainha desse baile.

- Você sempre ganha, Care.

- Só porque vocês duas nunca querem concorrer. Ainda bem, assim eu tenho o meu posto garantido! — Ela brincou.

- Por favor Caroline! E os seus acompanhantes, damas?

- Então Katherine, tenho um probleminha. – Caroline ficou mais séria e entrelaçou as mãos nervosamente. Eu a olhei atenta mesmo sabendo que poderia ser algo fútil e fácil de se resolver. – Matt me convidou! Pronto. Falei.

- Hm, eu não vejo problema nisso, Care.

- Não mesmo?

- Não. Eu estou em outra e é normal que Matt também esteja. – eu sorri para ela, tentando acalma-la.

- É que eu sei o quão importante ele foi pra você, Kath. E sem dúvidas você foi para ele também.

- Está tudo bem. Vamos nos divertir no baile. E você Ash? – eu disse apertando os ombros da minha melhor amiga.

- O que acha do Stiles?

- Até que enfim ele teve um grande passo no relacionamento de vocês.

- Relacionamento? Mas eles nem se beijaram. – Caroline cuspiu as ultimas palavras.

- Vão se beijar no baile ué... Ou antes. – Eu havia tido uma ideia. Uma festinha antes do tão esperado baile para eles ficarem mais íntimos. Adorava ajudar minhas amigas em especial quando se trata de garotos. E no caso de Ashley Lockwood, bom, ela não dava muita moral pro Stiles. Primeiro porque ele era mais velho e ela achava isso estranho e segundo porque ele era o melhor amigo do irmão dela. Ash sempre foi mais quieta e reservada. Mas eu sabia que ela já estava cansada de bancar a difícil pro Stiles. Ele era tímido, fofo e encantador.

- Katherine Mikaelson, se te conheço bem, o que está tramando?

- É segredo, tudo bem? – todas sorrimos. Como era bom estar no meio dessas duas garotas que me faziam sentir-se tão bem comigo mesma. – Olhem olhem, as minhas melhores amigas vão ter um suposto encontro com os irmãos Donovan!

- Só não vamos fazer rodízio ein Care, sou ciumenta.

- Pode deixar Ash. Eu também sei ser ciumenta. – Caroline fuzilou Ashley e depois imitou a pata de um gatinho. Caimos na gargalhada. Ela tinha as unhas compridas e pintadas de rosa chiclete. Típico Caroline Forbes.

- Parecem que tantas coisas aconteceram hoje... Só porque eu não fui ao colégio – eu bufei.

- Isso para você aprender!

- Ouch!

- Chega vocês duas! – Ashley nos interrompeu. – Katherine, porque não foi a aula e porque nos ignorou no domingo? Eu e Care precisamos saber e você precisa ficar sabendo que, independente do que for, estamos aqui para te ajudar e pode nos contar tudo, okay? – Caroline assentiu e Ashley soltou um sorriso nervoso.

- Algumas coisas aconteceram e eu irei contar á vocês. Tudo. Mas não agora. É tudo muito recente para mim, um turbilhão de coisas que eu preciso resolver primeiro. Podem ficar tranquilas.

- Podemos? – Caroline segurou minha mão.

- Claro. Logo vocês saberão de tudo.

...

♫

- Então é verdade. – Lydia deu um pulo e se virou. Ficou pálida ao ver que era Rebekah que estava a sua frente.

- Rebekah! Me assustou. – Lydia colocou a ultima mala no bagageiro. – Sim, eu vou me mudar.

- Desculpe. – Bekah baixou a cabeça. – Nós precisamos conversar.

- A casa não está vazia, a Bonnie vai ficar. Podemos entrar e se sentar no sofá. Vamos.

As duas entraram na casa. Algumas coisas que Rebekah sempre vira não estava mais no lugar. Provavelmente Lydia já devia ter colocado em alguma caixa. Aquela sala fez Rebekah se lembrar de Jeremy segurando a mão de Lydia, a discussão, ela correndo na chuva e encontrando o primo Damon. Elas se sentaram no sofá amarelado. Se olharam como se uma tivesse pena da outra. E em um passe Lydia abraçou Rebekah de surpresa.

- Eu só quero ir embora sabendo que você me perdoa, Bekah. – Lágrimas brotavam nos olhos das duas amigas. – Eu preciso disso.

- Mas é claro que eu te perdoei! – Desta vez foi Rebekah que abraçou-a. – Eu só não conseguia admitir isso. Sabe que sou orgulhosa, Lyd.

- Tudo bem, tudo bem... – Lyd soltou um sorriso. Ela estava aliviada.

- Você precisa ir? É necessário? – Rebekah enchugava as lágrimas, que já estavam secando, com a manga da sua blusa.

- Sim, Bekah. Eu sou uma bruxa. Preciso trabalhar nisso. Mas não em Mystic Falls.

- Uma bruxa? – Rebekah sabia sobre bruxas e magos mas jamais imaginaria que sua melhor amiga seria uma. – Eu não posso acreditar... Você tem certeza? Porque nunca me contou?

- Claro. – Lydia sorriu. Ela olhou para quatro velas enfileiradas sobre a mesa de centro da sala em que estavam e em um piscar de olhos ela as ascendeu.

- Uau! – exclamou surpresa. — Eu sei sobre bruxas, a propósito, uma de minhas ancestrais foi uma.

- Você deveria ser também, Bekah. – Os olhos de Lydia brilhavam.

- Não, Lyd. Uma pessoa não pode ser um demônio e ter os poderes puros da terra a seu favor. É impossível.

- O que você quer dizer?

- Minha família, há gerações, carrega o gene vampírico... – Rebekah contou tudo sobre a maldição dos Mikaelsons. Lydia já sabia sobre a existência de seres sobrenaturais e que haviam famílias que treinavam para esse combate. Rebekah havia contado tudo á ela antes da briga. E agora, ela sabia do principal. A maldição. Era uma coisa de bruxa que Lydia tinha o direito de saber.

- Muito interessante! Eu adorei a historia. Rebekah, nada é por acaso. Você tem um grande dever na Terra. – Lydia segurou as mãos da amiga. Ela estava cheia de entusiasmo.

- E você deve ficar por isso! Para me ajudar, amiga. Você é uma bruxa e, desculpe mas, você nasceu para ficar no meio de coisas sobrenaturais. Não fuja!

- Eu não estou fugindo. Mas eu preciso deixar Mystic Falls por um tempo. Eu não estou indo para uma faculdade comum. Eu preciso aprender sobre mim e meus feitiços e vou voltar mais forte do que nunca caso minha cidade esteja em perigo.

- Eu não posso perder a minha melhor amiga. – Rebekah estava desamparada. A sua única e melhor amiga que restara estava indo embora. Ela não podia acreditar que não a aproveitou nesses últimos dias. ‘’Porque eu fui tão cabeça dura? Porque não acreditei nela e em Jeremy?’’, pensava Rebekah. Ela sabia que não poderia impedir Lydia, afinal, sua amiga estava fazendo o certo. Ela precisa se encontrar no mundo e descobrir o seu interior. A sua bruxaria. E cedo ou tarde Lydia voltaria.

- Você não vai. Bekah, veja, você está aqui dentro. – Lydia colocou a suas mãozinhas delicadas em seu coração. – Você sabe que isso é preciso. Logo voltarei.

- Tenha cuidado, Lyd. Esse nosso mundo não é fácil. – Elas se abraçaram ternamente. – E me desculpe por não ter acreditado em você. Como pude ser tão estúpida?

- Você não foi estúpida. Qualquer um faria o mesmo, minha amiga. – Lydia estava mais madura. Não era mais a garotinha que passava o dia todo fazendo as unhas e se preocupando em ter o corpo perfeito e com seus namorados. Ela tinha novos deveres á serem cumpridos. – Me desculpe por tudo também.

...

Já era tarde. E eu ainda lia sobre vampiros. A cada palavra, uma nova duvida, um novo questionamento. E por mais que, mais cedo, eu tivesse excluído a hipótese de Stefan ser um monstro ainda havia uma duvida. Lá no fundo eu sabia que havia, e sempre haveria. Eu deveria tirar minhas próprias conclusões. E com o próprio Stefan. Mas eu sabia que quando nos víssemos no dia seguinte, quando ele me abraçar, me beijar e dizer bom dia, toda a minha duvida e coragem irão sumir. E a única certeza que eu terei é: preciso me afundar nos braços do meu amor. Mas para haver confiança, não se pode ter duvidas. Eu devia encarar a realidade e conversar com ele. Sei que seria o certo. Talvez o que realmente me impedisse de desafiar Stefan seria descobrir a verdade. A coisa que eu mais temo. A resposta dele.

Notas finais
-> Playlist ♪♫:
1. As long as you love me - Justin Bieber
2. Thousand Years part 1 - Christina Perri
3. Wings - Little Mix
4. Medicine - Daughter