Because Of You
3 A stranger in my home
Notas iniciais
Fiquei vermelha, todos os alunos se viraram para me ver, eu estava “no mundo da lua”. Depois que o professor chamou a minha atenção. Tive que fazer a mesma coisa que faço todos os dias. Fingir que presto atenção na aula, mas mesmo assim ainda encabulado no que Sebastian iria me dizer.
–Alunos. Quero que prestem atenção agora. Principalmente você Sophia dos Santos. Passarei um trabalho e será individual quero que vocês peguem um texto de algum escritor que faça sentido com a sua personalidade, quero que tragam para a próxima aula. Estão dispensados.
Sebastian havia se levantado e ido para a porta rapidamente, quando ele estava por sair o chamei. Ele olhou para trás com um sorriso meigo em seu rosto e veio em minha direção. Naquele instante não pude conter o riso, ele tinha um sorriso incomum, que não havia visto no rosto de outra pessoa, me senti envergonha com aquele pensamento.
–Por que você está rindo?
–Não, nada — sorri novamente e senti minhas bochechas corarem.
–Viu só, sorriu de novo.
–Okay, mas o que você queria me dizer?
–É que eu fui convidado para ir a uma festa amanha, e queria saber se você gostaria de ir comigo?
–Eu tenho que ver, se posso ir. Mas qualquer coisa eu te ligo.
– A festa ainda será no sábado. Nós não teremos aula no outro dia.
–Eu não sei, mas você pode me passar seu numero qualquer coisa eu te ligo e vejo se poderei ir — ele pega minha mão e lá escreve o numero de seu celular.
–Depois te aviso.
–Okay, estarei esperando, você ligar e me dizer que sim.
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Sai da sala e fui direto para a mesa em que eu sempre fico com a Alice, Christian e Lucas, todos eles já estavam sentados lá.
–Nossa que demora o que estava fazendo? Estava com aquele garoto novo? –pergunta Lucas para mim fazendo uma feição de inocente, como se o assunto naquela mesa não fosse sobre mim, antes de eu chegar.
–O nome dele é Sebastian. E eu demorei, pois havia perguntado uma coisa para ele, sobre o trabalho de literatura. –menti, pois me senti envergonhada, e não havia necessidade de falar uma coisa singela como essa.
–Claro, nós sabemos suas reais intenções com este rapaz. –Lucas piscou para mim.
–Lucas eu não tenho nenhuma intenção que não seja o acadêmico com o Sebastian.
–nós sabemos as suas intenções — Alice fala em alto e bom som e ele acaba por surgir atrás dela e ouve.
–Olá, que intenções que a Sophy tem? – ele sorri para mim.
–eu não tenho nenhuma intenção.
–sente-se Sebastian – diz Christian.
–E ai o que você e a Sophy realmente conversaram para demorar tanto. –pergunta Alice e me chuta por de baixo da mesa.
–Eu já disse que eu e o Sebastian conversamos sobre o trabalho de literatura. Não é mesmo?
–sim...
Ficamos todos em silencio. Eu já estava com muita vergonha, pelas perguntas. E ainda Sebastian acaba por se sentar bem ao meu lado. Resumindo fiquei tímida por duas razões: as perguntas e o Sebastian ao meu lado. Logo depois bateu o sinal para irmos as nossas salas eu e Christian iria para minha turma de história e a Alice, o Lucas e o Sebastian iriam para a turma de biologia.
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Cheguei a minha casa e fui direto fazer o meu trabalho de literatura, fiquei mais de 1 hora à procura do texto ideal. Até que eu achei um texto:
“Eu não sou fácil de conviver. A primeira coisa que me veio em mente no primeiro encontro. Devia tê-lo avisado. Acho que não estava à procura de adrenalina e ele mal sabe a montanha russa em que se meteu. Não tenho a habilidade de calar, sou tipo aquela boneca com defeito que você no inicio procura onde desliga, procura a pilha, e quando nada dá certo dá vontade de tacar na parede. A verdade é que tenho a boca maior que qualquer outra parte do meu corpo, exceto meu coração. Falo, falo, falo o que devo e até o que não devo falar. Encho o saco, sou chata, mas não levo desconfiança ou desaforo pra casa. Se fosse avisá-lo de todos os meus defeitos, diria também que amo demais… demais da conta mesmo, daquele jeito que pede todas as atenções, suga de você todos os carinhos, desejos e pensamentos. Mau humor matinal? Isso pra mim é lenda, meu mau humor não tem hora, aprenda a conviver com ele e com milhares de outras coisas que com o tempo descobrirá. Sou perceptiva, persuasiva e perfeccionista. Mimada, ciumenta, implicante e irritante… muito irritante. Faço a limpa na tua mente e no teu coração… esqueci de mencionar que sou espaçosa e possessiva? é. Se eu disser que sim, é sim. Se eu disser que não, preste atenção pode ser um sim. Mas mesmo com um milhão de avisos alarmando em minha cabeça, disse apenas ‘Prazer em conhecê-lo’. Deixando-o achar que também seria um prazer me conhecer.”
Só havia uma coisa que não se encaixava comigo que não estou apaixonada por ninguém, mas isso eu explicarei para o professor. Ouvi o barulho da porta e estava sozinha em casa, desci as escadas e vi minha mãe. Logo naquele momento lembrei que eu tinha que perguntar uma coisa a ela. Sobre a festa.
–olá mãe, tudo bem?
–tudo sim. E com você? O que fez de bom hoje no colégio.
–Eu estou bem, não fiz nada de tão interessante hoje. Ah e mãe o Sebastian me convidou para ir a uma festa com ele, eu posso?
–não sei, aonde será esta festa?
–então isso eu não sei, terei de ver com ele, pois ele não me disse onde seria esta festa.
–ligue para ele e pergunte, dependendo de onde acontecerá. Eu posso deixa-la ir.
Minha mãe me olhou com a sua expressão facial de sempre: “sei que vocês são apenas amigos, na minha época isso não se chamava amizade e sim o começo de um namoro”.
Subi as escadas e fui ao meu quarto, deitei em minha cama e fiquei pensando em toda minha vida. Eu já pensei em me matar uma vez, será que isso valeria realmente apena? Até que o barulho da porta do meu quarto interrompe meus pensamentos. Era minha mãe.
–já ligou para o Sebastian?
–ainda não liguei. Mas vou ligar agora.
–okay, estarei lá em baixo na cozinha, me avise onde será esta festa e posso pensar se lhe deixarei ir.
Esperei minha mãe descer as escadas para poder ligar para o Sebastian. Quando ouvi que ela já havia descido e ela não poderia me escutar peguei meu celular e disquei o numero que estava em minha mão. Ele atendeu no terceiro toque.
–olá – disse eu.
–oi, pensei que você não ligaria. E então sua mãe deixou?
–é sobre isso que eu te liguei. Minha mãe quer saber onde será esta festa, dependendo de onde for eu poderei ir.
–Ah, a festa será na casa do Eduardo do 2° ano. A três quadras da minha casa.
–okay, falarei a minha mãe e te mando uma mensagem avisando. Tchau.
–Estarei esperando. Tchau.
Desci as escadas fui direto à cozinha e minha mãe estava ligando para a pizzaria. Ela me olhou e sorriu e fez um sinal com sua mão para eu esperar um minuto, ela estava pedindo pizza metade frango com Catupiry e calabresa. Logo em seguida ela desligou o telefone.
–mãe a festa será na casa do Eduardo do 2° ano três quadras a cima da casa do Sebastian.
–e quem é esse Eduardo?
–é o aluno do colégio que está no segundo ano.
–serio? Nossa não me diga se você não me informasse eu não saberia. –minha mãe revira os olhos e faz uma voz sarcástica.
–é um aluno, amigo do Sebastian.
–você pode ir, mas até às 23h quero que esteja aqui.
–okay.
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Peguei meu celular em cima de minha cama e mandei uma mensagem para o Sebastian.
“Olá novamente, minha mãe autorizou, mas tenho que estar em casa até às 23h.”
Ele rapidamente me respondeu.
“Que bom. Então passo ai em sua casa às 18h, pode ser?”
“pode ser.”
Lembrei que não havia contado nada a Alice e desde os nove anos de idade nós havíamos feito uma promessa. De nunca esconder nada uma da outra.
Mandei uma mensagem a ela escrita assim:
“ei preciso te contar uma coisa. Sebastian me convidou para ir a uma festa junto com ele amanha, ele virá me buscar as 6h.”
Mal deu tempo para eu enviar a mensagem e ela já me respondeu.
“O QUÊ? E você não me conta isso antes?”
“é que eu não sabia se eu iria mesmo. Mas depois da festa te conto se acontecerá algo. Okay?”
“mas é óbvio que você vai me contar. Não ouse ficar fazendo segredo comigo, entendeu?”
“hahaha, vou sair tenho que estudar para a prova de biologia.”
“tchau.”
Deitei-me em minha cama peguei o livro, só que na hora em que abri na pagina minha mãe me chamou para comer pizza. Desci as escadas e fui jantar com ela.
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Eram 17 horas. E estava me arrumando para sair com o Sebastian pela segunda vez. E no domingo seria meu aniversário, de 16 anos. Pouca gente sabia.
Minha mãe tinha ido trabalhar. Eu estava sozinha me arrumando, de repente ouço o barulho da campainha. Era muito cedo para ele já ter chegado, achei estranho. Quando abro a porta vejo um homem esguio e estava cheirando a bebida alcoólica.
–Olá, garota adorável, poderia me deixar entrar? –ele estava com uma aparência horrível. Despenteado, sujo e com o halito de dar nojo.
–Desculpe, mas eu não lhe conheço e não poderei deixa-lo entrar. –tentei manter minha voz sem vacilar. Mas era difícil, o medo estava comigo, ao meu lado e a situação não ajudava.
–Já que você não me conhece, deixe-me entrar e assim poderemos nos conhecer melhor — Ele veio se aproximando, e se encostou perto da porta pronto para entrar. Então tentei fechar a porta rapidamente, mas ele foi mais ágil. Empurrou a porta e entrou sai correndo subi as escadas e tranquei-me no quarto de minha mãe. Ouvi-o me chamando – Ei moça não precisa se esconder. Eu não farei nenhum mal a você, não tema. – ele ficou falando, enquanto isso peguei meu celular que estava em meu bolso e mandei a seguinte mensagem a Sebastian.
“tem como você vir aqui em casa agora? Um homem entrou aqui e estou escondida no quarto de minha mãe, por favor, venha depressa.”
Ele forçou a porta do quarto de minha mãe e gritou.
–Até que enfim eu achei você, abra a porta – vendo que eu não respondi nada ele falou em um tom irritado –é melhor você abrir esta porta caso contrario terei que arrebenta lá e não será bom pra você. – estava pedindo a Deus que Sebastian chegasse logo e me tirasse dali.
Fui para perto do closet da minha mãe, mas lá não dava para me esconder. No banheiro também não então fui para a sacada, mas era muito alta não havia maneira para descer de lá se não fosse por uma escada, mas não havia maneira. Quando olho diretamente a Rua em busca de socorro vejo Sebastian correndo pra me ajudar, graças a Deus. Nunca me senti tão bem.
Até que a porta faz um barulho como se estivesse pronta pra quebrar em duas, corri para o closet da minha mãe, e enviei a seguinte mensagem a Sebastian:
“cuidado ele parece-me estar bêbado, estou escondida no closet, a porta do quarto da minha mãe e a terceira da direita.”
Foi quando escutei barulhos de socos e chutes, a porta se quebrou e eu estava a ponto de gritar. Queria sair correndo, mas se tentasse com toda a certeza ele conseguiria me pegar e tentar fazer algo comigo.
–Ei menina linda, sai de onde estiver. Pois se eu te achar, pode saber que será muito pior pra você.
Queria sair dali o mais rápido possível, mas não conseguiria então tentei ao máximo fazer silêncio e esperar o Sebastian. Foi então que escuto outro barulho, só que muito alto, era de tiro. O homem atirou no Sebastian? E agora, o que eu faço?
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