Because Of You
1 Everything has a beggining - Prólogo
Notas iniciais
Livinia POV
Flash Back — On
Acordei tarde o bastante para pular o café e almoçar logo, afinal era domingo e não havia ninguém em casa. Meus pais haviam viajado para uma segunda lua de mel depois de tantos anos e eu fiquei em casa curtindo a independência. Não que eu não goste de ficar com meus pais, mas ficar sozinha em casa me deu um ar de maturidade, aliás, eu tenho 19 anos e moro ainda com meus pais. O que é estranho, pois já tenho um apartamento. Mas se eu sair terei de pagar todas as despesas da casa, e ainda não recebo um salário muito bom.
Peguei alguns congelados na geladeira e coloquei todos no micro-ondas. Almocei rápido e fui logo tomar um banho para encontrar a Claire, minha melhor amiga. Fazia dias que não falava com ela, pois ela só fica grudada no novo namorado dela, e não me procurava. Tentei tirar ela das garras dele com o argumento de que queria ajuda no assunto da faculdade.
Enquanto tomava banho percebi que meu celular havia tocado quatro vezes, mas não pude atender. Quando me vesti, peguei o celular e vi que todas as ligações eram da minha tia, então retornei a ligação:
– Alô, tia?
– Livi, por que não atendeu? — tia Alice parecia um tanto nervosa.
– Estava no banho e o celular estava na minha cama. Aconteceu alguma coisa?
– Os seus pais... Encontre-me no hospital da Rua Urtica com a vinte e um.
Desesperei-me mais ainda quando ela disse para eu levar uma peça de roupa limpa para cada um. Coloquei tudo em uma mochila e fui voando para lá. De início me enrolaram na recepção para eu não subir, mas logo consegui a autorização. Achei estranho ao ver que o andar que me mandaram subir era o necrotério, e encontrei minha tia sentada nas cadeiras de espera, percebi que suas pernas estavam a tremer de nervosismo. Quando me viu, correu e me deu um longo, e apertado, abraço. Sentamo-nos nas cadeiras e ela tentou parecer relaxada, mas não conseguiu, então foi direto ao ponto:
– Livi, seus pais estavam para voltar amanhã, mas houve um contratempo e eles precisaram voltar nessa madrugada. Estranho dizer isso para você, mas o avião quando foi pousar errou a pista e pousou em cima de diversas casas, não sei se você viu o jornal, mas disseram que o piloto era desconhecido. — ela disse tão rápido que não consegui assimilar tudo. — Bom, eles foram reconhecidos e ligaram para minha casa de primeira, então eu me responsabilizei em te avisar.
– Espera um pouco tia Alice, eles estão bem? — tentei soar mais calma.
– Essa é a pior parte, com a queda em cima das casas, nenhum passageiro sobreviveu. — ela começou a chorar.
Sabe quando você sente um vazio dentro de você? Quando você sente que o chão não está mais lá e você tem que encontrar um jeito de continuar de pé? Eu me senti assim. E antes que minha tia dissesse qualquer coisa me levantei encharcada em lágrimas e disse em disparada tentando seca-las:
– Já fizeram o enterro?
Erick POV
Acordei com a minha mãe batendo na minha porta de manhã cedo, sim, eu ainda moro com ela. Meu pai havia viajado para “negócios” e eu tinha que ficar com a minha mãe. Meus pais eram divorciados e eu tinha que escolher com quem morar, então depois de tantas brigas decidi morar com meu pai. Abri a porta com uma cara de reprovação para ela, mas acho que não funcionou, ela adentrou no meu quarto e abriu as janelas. Em seguida, sentou na minha cama e pediu pra eu sentar lá também:
– O que o seu pai estava fazendo no voo de Chicago? Ele não estava em Seattle? — quis fazer as mesmas perguntas a ela.
– Ele disse que estava indo para Seattle, não sei nada sobre Chicago. — eu realmente não sabia — Mas o que isso tem haver comigo e me acordar às seis e meia da manhã?
– O voo de Chicago para Los Angeles, não terminou muito bem. Está dando no noticiário. — peguei o controle da televisão e dei a ela.
“- O voo que saíra nessa madrugada de Chicago para Los Angeles sofreu um grave acidente não deixando nenhum sobrevivente.”
– Sim, mas o que tem isso? — continuei sem entender, pois ela me repreendeu.
“- Segundo fontes o piloto passou minutos sem se comunicar com o aeroporto e não teve autorização para pouso, sendo assim, ele era um desconhecido.”
Passei a entender algumas coisas. Mas como assim? Meu pai estava nesse voo?
“- O piloto não chegou a embarcar, assim que chegou a sala de embarque a aeronave já estava dando sinal de voo. Tudo seria culpa do copiloto, pois ele se encontrava na nave. A voz do copiloto não foi reconhecida em momento algum durante o voo, era a voz do piloto desconhecido.”
– Ainda não sabe quem é? — minha mãe fez que não com a cabeça.
“- Os passageiros que estão sendo encontrados e reconhecidos estão tendo suas famílias avisadas. Se algum familiar seu estava nesse voo saiba informações no número aqui embaixo.”
– Ligaram para mim mais cedo, avisando que seu pai estava nesse voo. — ela pareceu triste, mas não chorou. Já eu? Pode-se dizer que eu desabei em choro por um bom tempo. Deitei em minha mãe e ela fez cafuné em minha cabeça.
– Amor, o enterro é nessa tarde, sua vó ligou para avisar. Você vai querer ir? — fiz que sim com a cabeça. Então ela saiu do meu quarto e pediu para que eu tomasse um banho para relaxar.
Livinia POV
– Será nessa tarde. Seus avós estão tomando conta dos preparativos. — Assenti e me sentei novamente. Respirei fundo e continuei.
– E como será agora? Eu terei que morar sozinha, mas eu não recebo tanto dinheiro assim.
– Pelo o que eu procurei saber, você receberá a aposentadoria que eles receberiam. Mas é só por dois anos, até você ter um salário fixo e que dê para se sustentar.
– Poxa... Tudo bem. — não, não estava tudo bem, eu queria meus pais, só isso.
Os preparativos do enterro foram bastante rápidos, quando olhei para o relógio percebi que só tinha tempo para trocar de roupa e esconder a cara de choro.
Cheguei na minha casa sentindo falta dos jogos de futebol que assistia com meu pai nas tardes de domingo, minha mãe a reclamar dos gritos, mas sempre que havia um gol ela vinha comemorar com a gente. Acabei chorando ainda mais depois desse pensamento.
Achei um vestido preto muito simples no meu guarda-roupa, seu tamanho era antes do joelho com a gola em “v.” Não me importei com o calor que Los Angeles fazia, o vestido tinha mangas compridas e coloquei o primeiro salto alto que vi, e por ultimo, passei uma maquiagem bem básica. Estava pronta.
Erick POV
Durante o banho tentei raciocinar o tempo todo o que meu pai estava fazendo ali. Eu não poderia continuar a viver com essa incerteza, eu precisava saber o motivo. Depois de algumas horas depois do banho e fui comer alguma coisa, pois já se passava do meio dia.
Lembrei que o enterro era durante a tarde e precisava de uma calça preta, que só tinha em casa. Pedi o carro emprestado a minha mãe e fui até lá. Cheguei em casa e ela continuava do mesmo jeito, exceto por um monte de papéis que encontrei em cima da mesa. Encontrei primeiro um bilhete.
“Filho tive que viajar para Chicago de última hora, então sei que quando chegar em casa verá meu bilhete, Se cuida. “
Peguei a calça e algumas coisas necessárias para passar mais dias com a minha mãe. Minha casa não era tão longe da minha mãe, mas eu queria passar um tempo com ela.
Voltei para casa e contei tudo a minha mãe, ela me abraçou e tentou me conscientizar que ia ficar tudo bem agora. Mas não deu certo. Subi e me vesti, já eram quase quatro horas e o enterro era às quatro e meia.
Livinia POV
Por mais que eu estivesse destruída, passei a missa toda rezando por eles e pedindo para que Deus me guia-se. A missa foi linda e havia diversos amigos e parentes, vizinhos e funcionários da empresa, tantas pessoas que passei quase uma hora falando com todos e pedindo pêsames a mim.
Seguimos para o cemitério onde enterraram o corpo. Chorei bastante e como em filmes, joguei uma rosa branca em cada caixão antes de enterra-los. Muitas pessoas continuaram lá conversando, mas eu não aguentava mais aquilo e fui caminhar pelo cemitério.
Erick POV
Não houve missa, meu pai não tinha muitos amigos, então só foram os parentes. Após enterrar continuaram todos ali, conversando sobre como isso foi acontecer, o que eu achei disso, e diversos outros assuntos que eu não aguentava mais ouvir. Distanciei-me um pouco e avistei um banco onde havia uma garota sentada. Ela tinha longos cabelos castanhos avermelhados e estava usando um vestido preto, que realçava a sua pele branca. Não pude ver a cor de seus olhos até eu perguntar:
– Será que eu poderia me sentar aqui? — nesse mesmo instante ela olhou para mim e percebi que estava chorando, mas no meio de lágrimas percebi que seus olhos eram verdes, quase azuis. Ela assentiu e enxugou a lágrima que caiu.
Minutos de silêncio se passou, até que ela quebrou o gelo.
– Perder parentes é muito complicado não é? — a voz dela saiu muito baixa, mas consegui entender.
– Sim, principalmente quando esses parentes são seus pais.
– Você perdeu seu pai? — ela parecia melhor, sua voz estava menos fraca e já não estava mais chorando.
– Sim. É difícil cair na real.
– Realmente. Eu perdi os dois, meu pai e minha mãe. — mais uma lágrima caiu.
– Poxa, meus pêsames por eles.
– Pelo seu pai também. — ela deu um sorriso fraquinho para mim.
– Bom, a vida segue. Nem te perguntei o seu nome.
– Livinia, meu pai queria Lavínia e minha mãe queria Lívia. Acabou dando nisso. — ela riu — E o seu?
– Ficou lindo Livinia. O meu é Erick. Não sei por que escolheram esse. — ela sorriu.
– Seu nome é lindo também. — sorri.
Nesse momento minha mãe acenou para mim dizendo para irmos embora.
– Acho que tenho que ir — fiz beicinho e ela riu.
– Vou indo também. — nos levantamos na mesma hora. — Foi um prazer te conhecer.
– O prazer foi meu. — fui andando e me virei para vê-la indo, ela se virou também e me deu um tchauzinho com a mão, retribui.
Cheguei em casa pronto para recomeçar minha vida.
Livinia POV
Cheguei em casa pronta para começar novamente a minha vida.
Flash Back — Off
Notas finais
xoxo
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