Because Of All
16 So I Can Sleep Tonight, Despite What I've Seen
Notas iniciais
Enjoy!
– Ana? – perguntou, também surpreso.- Esse... Esse não é o dormitório da Bia?
– É. – eu ainda estava boquiaberta. – Eu só estava passando. Caralho! O que você está fazendo aqui? – abracei-o. Ele continuava magricela.
– Dani? – Bia apareceu correndo de dentro de seu quarto. – Você não vinha só semana que vem? — Ela pulou em cima dele com um abraço.
– É, mas houve uma mudança de planos.
– Como assim? Vocês combinaram de se encontrar? – eu perguntei, incrédula.
– Era pra ser uma surpresa. Só a Bia sabia. – comentou.
A verdade é que eu amava esses momentos de reencontro de velhos amigos.
– Danilo? – ouvi a voz de Lucas e foi quando percebemos que ele estava na porta.
– Caralho! – Dani cumprimentou-o. – Você mudou muito.
– Você também mudou. – comentou. Ele não parecia muito feliz. Dani sempre fora simpático com Lu, mas ele tinha bastante ciúmes dele quando estávamos na escola.
Bia tinha uma garrafa de vinho. Como a tal da Rebekah só ia aparecer depois das onze, passamos a noite conversando.
– Até quando você fica, Dani?
– Amanhã à noite eu vou pra Londres. – disse ele, apoiando sua taça na mesa de centro.
– Mas onde você vai passar a noite? – perguntei.
– A Bia me convidou para ficar por aqui.
– Mas e a Rebekah? – indaguei. Bia pareceu lembrar-se.
– Não tinha pensado nisso.
– Pra mim não tem problema, eu não divido o quarto com ninguém, pode dormir lá. Você dorme na minha cama e eu, no sofá. – ofereci.
– Eu aceito o convite. – sorriu com a cortesia. –Mas eu durmo no sofá e você fica com sua cama. – ele insistiu.
POV Lucas:
Eu dormi mal aquela noite.
Na verdade, eu nem dormi. Como eu poderia se o garoto que dava em cima da Ana no colegial estava dormindo no quarto dela?
Sei lá, eu imaginei o que poderia acontecer para os dois matarem as saudades...
O que eu estava fazendo? Ela tem namorado. O que quer dizer que ela não pode fazer nada e, principalmente, que eu não posso pensar nela.
Certo?
POV Ana:
– Oi. – Rick chegou, dando-me um selinho. Olhou para Bia, e então para Dani. – Oi, cara. Tudo bom? Oi, Bia.
– Oi, Rick. – Bia disse.
Dani olhou-o por um tempo.
– Esse é o namorado, é? – falou em português. Eu assenti, corando de leve. Eu havia falado dele para Dani na noite anterior – Oi, prazer. Eu sou o Danilo, amigo de infância.
Os dois conversaram por alguns minutos, e estavam se dando bem.
– Oi, gente! – ouvi a voz de Sarah com falsa empolgação. Ela estava de mãos dadas com Lucas. Encarei as mãos dos dois por alguns instantes.
Nos cumprimentamos. Lucas apenas sorriu.
Filho da mãe.
Enfim, acabamos de almoçar e eu e Rick fomos à academia. À noite havíamos combinado de nos encontrar para nos despedir de Dani.
– Tchau, Bia. – ele a abraçou, e ela quase esmagou o pobrezinho. Só faltava ele se despedir de mim.
– Tchau, Ana. Brigada por me aceitar no seu dormitório. – demos um abraço forte. Por algum motivo um ataque de idiotice me fez tentar dar um abraço caloroso nele para deixar o Lucas irritado. Mas eu não cheguei a ver se funcionou.
Provavelmente não.
Ele agora estava com a Sarah.
– Bom dia. – ouvi a voz de Rick e senti um selinho sobre meus lábios. Só então abri os olhos. Ele tinha feito a barba, o que o deixava menos bonito, mas ainda delicioso, claro.
– Bom dia.
Tentou me agarrar, puxando-me pela cintura.
– Agora não. – falei. Minha cabeça latejava, eu simplesmente não estava a fim. Olhei para sua cara de cachorrinho pidão e senti um pouco de pena. – estou com dor de cabeça.
Ele beijou o topo de minha cabeça.
– Isso é desculpa de casado. – falou simplesmente, brincando, e então levantou-se e foi para a cozinha, pelado mesmo. Eu coloquei uma roupa e o segui.
Tomamos café, um iogurte e torradas.
– Coloca aquela sua blusa preta que você usou sexta. – pediu ele, com um esboço de malícia no olhar e no sorriso. – Você fica ainda mais gostosa com ela.
– Tá lá no seu quarto. – falei. Nós dois basicamente revezávamos onde íamos dormir, então era mais prático (e discreto) deixar algumas roupas no dormitório dele também.
– Poxa... – fez um biquinho fofo. – Porque você tá com dor de cabeça?
Pensei no que eu devia falar.
– Sei lá... – optei por dizer no final. Inventar uma desculpa estava fora de questão. Eu não sei mentir. Falar a verdade então, era pedir pra me fuder. Eu não queria nem falar pra mim mesma, muito menos pro Rick.
– Queria conversar, bebê? – fechei a porta. Ela assentiu, e abriu espaço pra eu sentar no sofá. Na TV passava um filme qualquer do telecine, e no seu colo tinha um pote, não de pipoca, mas de sorvete. – Porque você tá comendo sorvete do pote?
– Porque a minha vida é uma merda. – ela disse, com uma voz normal, como se dissesse “Hoje vai chover.”.
– Por quê?
– O Jeremy não veio falar comigo de novo, sabia? Daí outro dia eu encontrei ele no campus e perguntei se ele não queria sair de novo ou sei lá... – ela parou de olhar para a TV e olhou pra mim. – Sabe o que ele disse? Que não tava interessado nesse tipo de coisa.
Seus olhos começaram a lacrimejar.
– Eu mereço, né? Sempre que aparece um fofo na minha vida ele é filho da puta no final. – sequei uma lágrima. – Sempre acontece comigo. Porque eu fui burra de pensar que ia ser diferente?
Sua voz estava tão chorosa que doía em mim.
– Aliás, porque eu fui burra de me jogar tão rápido pra cima dele. Eu me deixei apaixonar tão rápido. Porque eu sempre faço isso?
Ela pegou uma colher enorme de sorvete e colocou toda na boca. Ficou soluçando por um tempinho, enquanto eu secava as lágrimas que teimavam em cair de seus olhinhos negros.
– Ei, olha pra cá. – virei seu rosto do sorvete para mim. – Para com isso, tá? Não é sua culpa ter se apaixonado rápido, nem por um idiota. Você não escolhe, ok? – falei com uma voz firme, porém consoladora.
Ela fungou.
– Se não aconteceu, Bi, é porque não era pra ser, ok? Pensa positivo. É melhor ter acabado agora do que acabar depois, quando você já estivesse mais apaixonada e envolvida. – ela assentiu. – Esse tipo de pessoa não se perde, se livra.
E por um tempo considerável, aquela rotina de desabafar e consolar se repetiu. É, acho que a gente nunca ia mudar, mesmo.
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