Because Of All

13 I Felt The World Turning Only For Us


Notas iniciais
(Yesterday To Tomorrow, Audioslave)
Demorou, mas finalmente consegui escrever. XD

Abri a porta. Eu realmente nem sabia quem era, numa segunda à noite. Dei de cara com o Lucas, o que eu realmente não esperava.

– Oi. – ele falou, parecendo desconfortável. – será que eu posso entrar? – assenti.

Sentamo-nos no sofá. A janela estava aberta e podia-se ouvir a noite calma claramente. Aquele misto de silêncio com o leve ruído de cigarras e... Corujas. Aquele som característico de natureza que tira o silêncio e o transforma em algo perfeito e agradável.

– Eu consegui a bolsa parcial. Agora só tenho que pagar menos de trinta por cento das mensalidades. – fiquei boquiaberta.

– Ai, meu Deus! – exclamei, abraçando-o. – Isso é muito bom!

– É, é sim.

– Quer dizer que agora você vai voltar a ficar com a gente? – impliquei.

– Sobre isso... – falou, desconfortável com o comentário. – desculpa estar mais afastado nas últimas semanas.

– Não tem problema, eu entendo. – a conversa estava séria e triste demais para uma notícia boa daquelas.

– Tem problema sim. – corrigiu Lucas. – Eu não quero me afastar de vocês.

– A gente não vai se afastar. – garanti, olhando com ternura em seus olhos. – temos história demais pra isso.

O comentário saiu um pouco estranho. Mas acho que ele entendeu o que eu realmente quis dizer.

– Espero que você esteja certa. – disse.

– Porque você está estranho ultimamente? – perguntei, tentando não soar rude.

Ele pareceu pensar por um segundo.

– Estou confuso.

– Tem a ver com a Sarah? – perguntei, surpresa que aquilo não doeu em mim. Ele fez que não com a cabeça.

– Não. – respirou fundo, calculando as palavras que usaria a seguir. – Tem mais a ver com você, na verdade.

Gelei.

– Porque a ver comigo? – eu ficara nervosa de repente.

– Sei lá. – aquela não era a resposta que eu esperava. – Acho que algumas coisas mexeram com a minha cabeça.

– Algumas coisas... Tipo, o Rick? – arrisquei. Aquilo estava tenso.

– Também. Não sei dizer, direito.

Assenti.

– A gente resolve isso, já resolvemos outras coisas antes. – tranquilizei-o, embora eu não estivesse NADA tranquila.

– Eu sei que sim.

Ficamos em silêncio por um tempo. Minha mente estava explodindo em pensamentos e dúvidas, e sei que a dele também estava.

– Então vocês dois estão... Ficando? – perguntou, cortando o silêncio constrangedor.

– Não sei. Acho que sim. – falei, engolindo a seco.

– Hm. Já são nove horas? – perguntou. Olhei o relógio e logo em seguida assenti. – tenho que ir. Amanhã acordo antes das cinco.

– Boa sorte. – sorri fraco. Ele já saía pela porta. – Ei. – chamei, enquanto ele ia. Olhou para trás. – Essa sua confusão... – perguntei de modo nervoso e constrangido. – tem algo a ver com amor?

Suspirou.

– Acho que não muito. – disse, entrando novamente e me dando um beijo estalado na bochecha. – Tchau, até amanhã no almoço.

De certo modo, aquela não era a resposta que eu esperava, e foi altamente decepcionante.

POV Lucas:

Tudo bem, o que eu disse não era verdade. Mas eu já tinha tirado algumas coisas que não queria que ela soubesse da minha garganta naquela noite. Não aguentaria que ela pensasse que eu ainda a amo se logo, logo ela estaria namorando com o tal Rick.

Além do mais, eu também não queria admiti-lo para mim mesmo.



Acordei no horário certo, mas com a cabeça latejando de sono e dor de cabeça. Fui até o Departamento de Direito e falei com o tal Coordenador Administrativo.

O cara era velho, e me deu ainda mais sono. Saindo de lá, encontrei Sarah.

– Oi, Luquinhas. – falou animada. – fiquei feliz que você conseguiu a bolsa.

– Desculpa ter tirado ela de você. – falei.

– Não tem problema. – ela disse, meiga. – Você merece.

Sorri, embora minha cabeça tivesse em outro lugar. Eu queria faltar o dia todo e ir para o quarto dormir. Mas não só isso ia fuder com a minha bolsa, mas eu também queria encontrar a Ana no almoço.

Merda.

Eu realmente não prestei atenção na aula. Minha cabeça latejava e eu dormia de olhos abertos.

Mas quando o sinal do almoço tocou, logo saí correndo. Sarah me encontrou no caminho. Eu nem fiz questão de dizer pra ela que ia almoçar com as garotas, porque no fundo eu queria causar ciúmes por meio dela.

Isso me fez sentir mal, mas no momento eu não ligava muito pra isso.



POV Ana:

Eu quase supliquei para o Rick não sentar comigo hoje, o que me fez sentir mal, e definitivamente ele também. Mas eu não queria machucar o Lu, porque ainda não tinha entendido o que ele quis me dizer no dia anterior.

Enquanto Bia falava sobre estar decepcionada de não ter encontrado com Jeremy ainda, vi Lucas chegando ao longe.

Com uma Sarah de bônus.

– Oi gente, podemos sentar aqui? – perguntou ele. Eu e Bia assentimos.

Eu queria dizer não, mas isso não seria muito legal da minha parte.

Lucas não parecia nem de longe tão chateado quanto na noite passada. Muito pelo contrário, ele parecia feliz. Sarah dava em cima dele, mas ele não percebia.

A garota não era legal. Mas ela também não era vadia.

Mentira, era sim. Ela estava se jogando total e completamente pra cima dele. E ela era falsinha.



– Oi, Ana. – Rick me abraçou quando entrei na sala para a aula da tarde. Eu não liguei, porque estava irritada.

– Oi. – falei, com uma voz emburrada.

– Tá tudo bem?

Me recuperei. Queria evitar o interrogatório.

– Sim. Senti sua falta no almoço só. – eu havia dito que Bia queria falar comigo a sós. Ele decidiu almoçar no Departamento mesmo.

– Sua fofa. – falou – Amanhã é meu aniversário.. Arregalei os olhos. Ele não havia dito nada, eu não tinha como saber.

– De vinte e quatro aninhos? – perguntei.

– Aham. No fim de semana eu vou pra Liverpool comemorar com a minha família, mas amanhã a gente podia fazer algo. – assenti.

– Só eu e você? – perguntei.

– Não sei. Pra mim parece uma boa ideia. – respondeu ele. Eu sorri.

– Ok, então.

– Me encontra no meu dormitório amanhã à noite. – assenti. Eu precisava mesmo descontrair. E também precisava comprar um presente.



Bati na porta. Ele estava sem camisa e de cabelo molhado. Perdi o fôlego.

– Oi, vou só por a camisa e já volto. – falou, saindo com pressa. Então voltou correndo, como que se lembrando de algo. – Ah, e você está linda. – beijou-me.

Ai, como ele era perfeito.

Eu entrei e sentei no sofá. Ele logo apareceu pronto, embora eu preferisse do outro jeito.

– Pode levantar, a gente não vai ficar aqui hoje. – disse, enigmático. Eu, porém, o fiz. Ao invés de descer as escadas para sair pelo campus, ele subia.

Eu simplesmente fui atrás, sem saber o que ele estava inventando. Os prédios de alojamento tinham três andares. Subimos até o terceiro andar, e ele então entrou por uma porta que dizia “Somente pessoal autorizado”.

– Ei! – chamei-o. Ele já subia mais um lance de escadas. – O que você está fazendo, seu louco? A gente não pode entrar aqui.

– Confia em mim. – disse apenas, sem virar para trás. Demos de cara com mais uma porta com o mesmo aviso. Ele a abriu.

E logo estávamos no telhado do edifício.

Ele me olhava, sorrindo.

– E aí, o que achou?

– Que você é doido! – falei, dando-lhe um tapa no ombro, porém com um sorriso no rosto. Aquilo não deixava de ser um gesto romântico.

– Doido por você. – falou, debochando do clichê. Eu abracei-o.

– Eu gostei. – admiti. Ele sorriu mais.

– Eu sei, é lindo. – estávamos abraçados, no telhado do prédio, olhando para as luzes do campus e o movimento lá em baixo. O lugar era lotado, mas, ali de cima, parecia que éramos só nós dois. – só não é mais que você. – olhou fundo em meus olhos.

– Feliz aniversário. – dei-lhe um beijo. – eu sei que ainda não disse isso hoje, mas decidi guardar pra um momento mais especial. E eu prometo que segunda te dou seu presente.

– Valeu a pena esperar. – deu-me mais um beijo roubado na bochecha. – E não precisa comprar nada. Você já é meu presente.

– Vou comprar sim. – disse, corando. Desviei o olhar, aproveitando que eu tinha a vista como desculpa.

– Ana, — começou, segurando a ponta de meu queixo e virando meu rosto em sua direção. Sua respiração atingia-me, de tão próximos que estávamos. – você é especial. E antes que eu perca uma oportunidade tão perfeita... Quer namorar comigo?

O mundo parou por um segundo. Ele olhava fundo em meus olhos com os seus, azuis e brilhantes.

Como resposta, apenas beijei-o por minutos intermináveis. Sentia um frio na barriga maravilhoso de estar naquela situação.

Afastamo-nos.

– Isso foi um sim? – perguntou, com expressão convencida.

– Não consegue descobrir sozinho? – debochei. – Sim, eu quero namorar com você, Rick.

Ele me beijou novamente. Cada momento que eu passava com ele era melhor que o outro. Já fazia um tempo que eu não sentia a aventura idiota, cega e surda, sem esperanças de cura, sem pressa, com urgência e sem lógica que era estar apaixonada.


Notas finais
Deixem um review para um mundo melhor :3