Because, I Love You II.
20 Vida nova.
Notas iniciais
POV Tony.
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Eu deixei a Ana em casa depois de garantir para ela que eu estava bem, ela sorriu e entrou em casa, eu andei pelo seu gramado até o meu carro parado em frente ao jardim e entrei no mesmo, fui dirigindo até o meu apartamento enquanto as lágrimas desciam pesadas e constantes.
Eu tive que parar o carro uns minutos antes, porque eu não conseguia enxergar mais nadar, as lágrimas cobriam completamente minha vista e eu precisava vê-la, precisa tocá-la para saber que nada daquilo tinha sido em vão.
Dei meu volta e dirigi novamente até o hospital, a enfermeira me olhou, ela já me conhecia e sorriu de lado.
- Eu quero ver a minha filha. – eu disse para ela.
- Ela ainda é muito pequenina. – ela disse baixo.
- Eu só preciso vê-la, segura-la dois instantes. – eu a olhei com os olhos cheios de lágrima e ela me levou até o berçário, me fez lavar as mãos e colocar uma roupa verde e meio estranha. – cadê ela? – eu disse olhando para aquele monte de criança naquelas caminhas.
- Aqui. – ela disse voltando com uma criança enrolada em cobertor rosa, muito pequeninha, ela dormia.
Eu estiquei meus braços e a segurei meio desajeitado no meus braços grandes e largos. Eu podia sentir seu peito subindo e descendo em uma respiração sincronizada, ela tinha os cabelos claros em um tom de mel como os meus e eu aproximei o rosto do dela, encostando meu nariz no seu.
- Filha... – eu sussurrei, um grande bolo se formou na minha garganta, ela abriu os olhos devagar e eles eram grandes, como duas amêndoas.
Ela me encarou por alguns segundos e então começou a chorar. Fiquei em pânico.
- Ela tá chorando! – eu disse desesperado, a enfermeira sorriu.
- Faça-a a parar de chorar. – ela disse me olhando.
- Como eu faço isso? – eu disse ainda mais desesperado.
- Assim. – ela pegou uma mamadeira bem pequenininha e deu na minha mão. – dê mamadeira para ela.
- Dar mamadeira pra ela? – eu disse confuso.
- Sim, senta aqui e dê mamadeira para ela. – ela apontou para um banco, eu sentei no banco e ela não parada de chorar nunca.
Eu aproximei a mamadeira da sua boca e ela começou a chupar freneticamente. Seus olhinhos me encarando fixamente, eu abaixei meu rosto até o dela e ela levantou a mãozinha colocando meu rosto, senti o calafrio me subindo da cabeça aos pés.
Em seguida senti meu coração batendo mais rápido, como se nada pudesse o parar e um sentimento irradiando do meu coração para o meu corpo, eu e encarei por alguns segundos e então eu soube, ninguém poderia amar alguém mais do que eu a amava. Aquela criança tão pequeninha, a minha filha, era uma parte de mim formada, era uma parte de mim física! Ela estava vida, mesmo que a Alexia havia morrido para dar a luz a minha filha, ela ainda estava ali. Presente nela, e eu faria jus a sua morte.
Eu cuidaria da nossa filha como se ela fosse a maior tesouro do mundo. E ela era.
Ela adormeceu alguns minutos e ainda sugava a mamadeira com veemência, a enfermeira estendeu os braços e eu a olhei.
- O que? – perguntei.
- Você já segurou ela. – ela sorriu.
- Mas eu acabei de pegar. – fiz cara de dó.
- Ela precisa ir para o berçário. – ela me encarou e sorriu de lado, eu olhei para a Esther mais uma vez e sorri.
- Ela parece comigo né? – eu disse ainda a olhando.
- Bastante. – ela disse sorrindo. – como ela chama? – eu a olhei.
- Esther. – eu sorri largo e a enfermeira me encarou.
- É lindo o nome. – ela piscou e eu voltei a olhar para a Esther.
- Papai vem te ver amanhã meu amor. – eu beijei sua testa lentamente e a enfermeira pegou ela dos meus braços e sumiu para a outra sala, não demorou nem dez minutos e ela voltou.
- Vamos? – ela perguntou.
- Vamos. – eu disse suspirando e a seguindo.
Eu sai da sala, tirei a roupa e ela jogou fora, em seguida eu caminhei até o vidro que dava para o berçário e vi minha filha dormindo no sono dos anjos naquela incubadora.
Fiquei ali alguns minutos até o meu estomago dar sinais que estava com fomo e meus olhos começarem a pesar, ainda tinha o funeral da Alexia e seu enterro e eu gostaria de estar um pouco melhor do que um zumbi.
Andei até o carro, dirigi até em casa, comi qualquer coisa que encontrei jogada por ali e depois deitei no sofá adormecendo.
~.~
Estava tudo escuro demais, eu ouvia vozes atrás de mim, mas não conseguia sair do subconsciente, eu queria acordar, mas não conseguia.
- Tony... – ouvi uma voz distante, eu me virei.
- Quem tá aí? – eu disse olhando para os lados, a Alexia apareceu na minha frente e eu levei um susto. – você está morta? – eu perguntei levantando minha mão para toca-la, eu senti sua pele quente e ela segurou minha mão e sorriu fechando os olhos em seguida.
- Tony, você precisa cuidar da nossa filha... – ela disse abaixando a minha mão e abrindo os olhos.
- O que você acha que eu vou fazer? – eu disse irônico e ela sorriu.
- Com a Ana. – ela disse baixo.
- A Ana me odeia, se você não se lembra. – eu disse com uma pontada de dor no coração.
- Ela te ama. – ela sussurrou me puxando para andar, aos poucos fomos saindo da escuridão para um jardim todo lindo, nós andamos até uma árvore e sentamos nas raízes dela.
- Escuta, eu também estou morto? – perguntei confuso e receoso pela resposta, ela riu alto e encostou a cabeça no meu ombro.
- Não, você apenas está sonhando. – ela riu baixo.
- Ah sim. – eu disse suspirando aliviado, comecei a avaliar a vista, era estranho porque se eu colocasse o pé há pelo menos uns dois metros dali, eu estaria entre a luz e a escuridão, no sentido literal da palavra.
- A Esther é o seu elo com a Ana. – a Alexia disse baixo depois de uns minutos em silêncio.
- A Esther é nossa filha Alexia, ela é nosso elo. – eu disse a respondendo ainda encarando a escuridão.
- Não é bem isso que eu estava falando. – ela suspirou irritada.
- É o que então? – eu virei o rosto para olha-la.
- Tudo gira em torno da Esther agora. – ela olhou para frente. – a Esther é o que vai te ligar a Ana para sempre. – ela virou o rosto para me olhar e sorriu.
- Então quer dizer que o destino deu uma folga e parou de me foder? – eu sorri pelo meu humor irônico, ela revirou os olhos.
- Eu quero dizer que tudo que vai acontecer na sua vida agora é por causa da Esther, inclusive... – ela parou de falar.
- Inclusive? – eu perguntei curioso.
- Não posso falar, eu só vim pedir uma coisa. – ela disse baixo.
- Ah, odeio isso! – eu estalei os lábios. – eu e a Ana vamos ficar juntos? – eu perguntei encarando, ela deu de ombros.
- Quem sabe? – ela sorriu e virou o rosto.
- Você sabe! – eu disse cruzando os braços, ela virou o rosto pra mim e riu.
- Eu quero que você leve a Esther para o seu apartamento do centro. – ela disse séria.
- Eu estava pensando em levar pra casa da minha mãe. – eu disse franzindo os lábios.
- Não, você tem que levar ela pro apartamento do centro! – ela disse me encarando.
- Mas porque? – eu disse confuso.
- Para de perguntar! – ela disse irritada. – você vai fazer isso, não vai? – ela sorriu.
- Vou. – revirei os olhos. – aliás, quando nossa filha sai daquele hospital? – ela olhou no relógio.
- Daqui a dezoito horas. – ela afirmou e depois me olhou.
- Hum, ok. – eu a olhei e ela sorriu, levantei minha mão até o seu rosto e acariciei o mesmo. – vou sentir sua falta.
- Eu também. – ela disse chorosa. – principalmente da minha Esther. – ela abaixou a cabeça e eu a abracei.
- Você não podia me abandonar. – eu disse acariciando seu cabelo.
- Eu não queria, mas eu estava tão cansada... – ela sussurrou baixo.
- Me desculpa? – eu perguntei.
- Vou pensar. – ela disse sorrindo e eu beijei sua testa. Ficamos abraçados durante um tempo e ela me olhou. – você precisa ir. – ela disse fazendo bico.
- Ah, mas já? – eu disse baixo.
- É. – ela fez bico. – quando você acordar você não vai lembrar de quase nada. – ela me encarou.
- Então como vou saber que tenho que levar nossa filha pro apartamento do centro? – eu perguntei.
- Disso você vai se lembrar idiota! – ela bateu na minha testa. – agora vai. – ela se levantou e estendeu a mão pra mim, eu segurei sua mão e começamos a andar de volta para a escuridão.
- Eu não posso ficar aqui mais um tempo? – eu perguntei fazendo bico antes de entrar na porta que ela me indicava.
- Não, você tem que ir no enterro. – ela disse sorrindo.
- Droga. – eu fiz careta.
- Diga palavras bem bonitas e não me chame de chata! – ela me bateu de leve.
- Eu não vou te chamar de chata. – eu fiz bico e mostrei a língua, ela sorriu. Ficamos no encarando por algum tempo. – eu amo você Alexia. – ela sorriu.
- Eu te amo também. – ela ficou na ponta dos pés e eu abaixei o corpo pra ela me dar um beijo na testa. – cuida da nossa filha. – ela disse no meu ouvido.
- Com a minha vida. – eu sussurrei de volta e abri a porta.
~.~
— Tony! – alguém estava me cutucando. – acorda... Ei! – eu abri os olhos com dificuldade e vi a minha mãe me sacudindo.
- Oi. – eu sussurrei e me sentei no sofá, minha cabeça começou a rodar.
- O velório, vamos? – ela estava toda de preto e eu encostei a cabeça no encosto da cabeça.
- Vou só tomar um banho. – eu disse me arrastando até o banheiro.
Eu tinha sonhado com alguma coisa com a Alexia, mas não conseguia me lembrar o que. Forcei minha memória no banho, mas não me veio nada, a não ser algo sobre a nossa filha estar em casa daqui a dezoito horas.
Deixei esse assunto pra lá e vesti uma camiseta preta, as botas de couro e a calça jeans preta, peguei minha jaqueta de coro e um óculos de sol para disfarçar as olheiras de várias noites mal dormidas.
Minha mãe me esperava lá embaixo e nós fomos juntos para o cemitério, ela fez questão de enterrar ela no jazigo da família.
O corpo estava sendo velado em uma das capelas e já estava cheio de pessoas, a irmã dela estava em um canto encostado com sua mãe e ambas choravam muito, aquilo cortou o meu coração, a Ana estava parada perto da Alanis com o Matheus e a Maria, os quatro estavam conversando baixo e me lançaram um sorriso quando me viram, eu retribui com algo que estava bem longe de ser um sorriso, eu andei até o caixão e pude ver seu rosto intacto ali, ela estava linda como sempre.
Não contive a emoção e algumas lágrimas começaram a cair.
- Ei. – eu em debrucei sobre o caixão. – você tá linda. – eu sussurrei baixo. – eu fui ver nossa filha... – o lugar ficou todo silencioso. – ela sente sua falta... – eu abaixei a cabeça e comecei a chorar, ouvi um choro um pouco mais alto. – todo mundo sente sua falta. – senti um par de braços no meu ombro e quando virei o rosto vi a Ana do meu lado.
- Vem? – ela me chamou, eu deixei ela me puxar até fora da capela onde eu pude respirar um ar fresco.
- Nunca vou me perdoar. – eu disse chorando ainda.
- Ela odiaria ver você se culpando. – ela limpou as lágrimas que caiam.
- Eu fui ver a Esther. – eu sussurrei, ela sorriu. – ela é linda... – eu abaixei a cabeça.
- Parece com você mesmo. – ela sussurrou.
- Ana, eu preciso... – ela colocou o dedo na minha boca e aproximou o rosto do meu.
- Shiu, não fala nada... – ela acariciou meu rosto. – agora não é hora de falar nada. – eu assenti e ela me abraçou com força. – vai ficar tudo bem, tudo bem. – ela acariciou meus cabelos e eu realmente senti como se por um momento tudo fosse ficar realmente bem.
O resto do velório foi uma tristeza só, por vários momentos eu não consegui me segurar e cai no choro, mas estava tudo bem.
A pior parte foi a hora do enterro, a mãe dela se jogo em cima do caixão e pediu para ser levada no lugar da filha, aquilo partiu o meu coração e eu me senti ainda mais culpado, minha mãe e meu pai oferecem condolências a família da Alexia e falaram que qualquer coisa estaria disposto a ajudar, inclusive sobre a questão financeira.
- Nós queremos saber com quem vai ficar a criança. – a irmã da Alexia disse me olhando.
- Comigo é obvio. – eu disse sério.
- Você mal cuida de você. – a Leticia disse séria.
- Cuidei muito bem de você. – eu disse irônico e ela cerrou os olhos.
- Aqui não é lugar para vocês discutirem isso! – o pai da Alexia disse nos olhando. – queremos ter a certeza que a criança... – eu o interrompi.
- Esther. – eu disse o olhando.
- Claro, que a Esther vai ser bem cuidada. – ele me encarou.
- Quem melhor pra cuidar da minha filha do que o próprio pai? – eu disse cruzando os braços.
- Veremos isso depois. – a Leticia disse me olhando.
- Vai fazer o que? Entrar na justiça e pedir a guarda da minha filha? – meu rosto foi ficando vermelho e o Augusto segurou meu braço.
- Para com isso Tony. – ele disse baixo.
- Se for preciso sim! – ela disse me peitando.
- Então experimenta fazer isso! – eu disse alto. – experimenta!
- PAREM COM ISSO! – a mãe da Alexia gritou. – respeitem a minha dor, minha filha acabou de morrer. – ela disse com lágrimas nos olhos.
- Desculpa mamãe. – a Leticia afagou seu ombro.
- A senha é bem vinda na minha casa a hora que quiser dona Lídia. – eu a olhei. – para ver a minha filha, é só avisar. – ela sorriu em agradecimento e saiu andando com o Caio.
- Nós ainda temos que acabar essa conversa. – a Leticia cerrou os olhos para mim.
- Mal posso esperar. – eu disse sorrindo ironicamente e de braços cruzados.
- Vamos embora, vem? – a Ana soltou os meus dois braços e eu amoleci, fomos o caminho todo em silencio, ela foi dirigindo o carro até o apartamento, minha mãe perguntou várias vezes se eu queria ficar na casa deles, mas eu afirmei que não.
Queria ficar sozinho, ou melhor, na companhia da Ana.
Quando ela estacionou o carro meu celular tocou. Eu atendi na hora.
- Alô? – perguntei com uma voz e cansaço extrema.
- Gostaria de falar com o Antony Albuquerque? – uma voz de mulher disse do outro lado da linha.
- É ele, quem está falando? – a Ana me encarou.
- Oi, é do Hospital Santa Maria, queremos avisar que a sua filha já está de alta. – eu sorri largo.
- Eu vou pegar ela agora. – eu afirmei sorridente.
- Estamos esperando. – desliguei o celular.
- O que? – a Ana perguntou confusa.
- Minha filha tá de alta. – eu disse a olhando.
- Oh, vamos busca-la então! – ela ligou o carro e saiu do prédio novamente, o caminho pareceu demorar uma década, e quando finalmente chegamos no hospital eu quase sai correndo junto com a Ana.
Eu sei que eu devia ter ido em casa, pegado as roupas dela, trocado de roupa, mas eu não aguentava mais, precisava vê-la, mostra-la para a Ana.
Eu dei os meus documentos na recepção, mostrei a certidão de nascimento dela que meu pai tinha ido tirar e ela me levou até o berçário, em seguida a enfermeira que eu tinha visto no dia anterior veio trazendo minha filha nos braços com uma mala rosa, provavelmente a mala que a Alexia já tinha preparado.
- Cadê, me dá! – eu disse estendendo os braços para aquele corpinho pequeno a macio.
- Você precisa me acompanhar para assinar uns papeis primeiro, dê a criança a sua namorada... – a Ana sorriu de lado e eu a olhei, ela andou lentamente até a enfermeira e pegou a Esther nos braços, ela era tão habilidosa.
Ela sorriu enquanto olhava ela. Eu não conseguia tirar os olhos das duas mulheres da minha vida.
Ela levantou os olhos pra mim.
- Pode ir. – ela assentiu e eu acompanhei a mulher até uma mesinha onde assinei um monte de documentos e depois voltei para perto das duas, a Ana cantava algo bem baixinha para a Esther enquanto a balançava e andava de um lado para o outro. Eu me aproximei delas.
- Vamos? – eu perguntei a olhando, ela não tinha notado minha presença ainda e pareceu assustada quando me viu.
- Vamos. – ela assentiu e saiu andando na frente. Eu achei impressionante, o fato dela estar com um sapato que mais parecia uma tortura do que um sapato para mim e estar andando perfeitamente normal segurando uma bebê no colo.
Além do fato dela ficar linda segurando a minha filha.
Ela entrou no banco de trás a segurando e eu no banco do motorista, virei o rosto para ela.
- Eu nem sei como agradecer. – eu sussurrei.
- Não agradeça. – a Ana ainda olhava para a Esther. – nós leve para casa, compre leite, fraldas e roupinhas. – ela me encarou sorrindo. Eu retribui o seu sorriso e liguei o carro.
Aquela sensação de estar cumprindo o meu dever, aquela sensação de estar fazendo a coisa certa. Era assim que eu estava me sentindo.
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