Because I Love You 2 .
41 Lucky guy.
Notas iniciais
Vrrrrrn... Vrrrrn... Vrrrn...
Calypso conseguia ouvir, mesmo que bem distante, era o som de algo vibrando brevemente sobre uma superfície plana. Mas estava tão cansada e sonolenta que resolveu ignorar, fingiu que o barulho incomodo, era apenas algum fruto de seu sonho e tentou voltar a dormir, rolando na cama. Seu corpo virou-se lentamente sobre o colchão macio até que o ombro direito chocou-se contra o corpo ao seu lado.
Levantou-se em um sobressalto e puxou consigo o lençol fino, segurando-o com os braços juntos, na altura dos seios, cobrindo sua nudez parcialmente e descobrindo o segundo corpo deitado á cama. De repente seu sono havia se esvaído.
Ainda um pouco espantada observou mais devidamente a silhueta masculina, agora, completamente exposta e largada sobre o colchão. Luke estava de bruços, um dos braços abaixo do travesseiro e o outro caindo da cama, quase tocando ao chão. Suas costas largas e definidas marcadas por alguns vergões vermelhos, bem claros e fracos, mas estavam ali. Ele ressonava calmamente, sua respiração ruidosa e grosseira deixando claro que estava em um sono profundo.
Calypso encontrava-se um pouco chocada. Tudo acontecera tão rapidamente na noite passada e no fim, Luke havia realmente ficado com ela. Aquilo a fez questionar muitas coisas, sobre o caráter do rapaz e sobre seu próprio caráter — havia feito loucuras ontem, coisas que jamais imaginou fazer. Mas o tópico principal que rondava seu cérebro era claramente aquela pergunta: Como estamos agora?
Seus pensamentos tornaram-se turvos e confusos quando o olhar desceu um pouco mais pelo corpo nu do rapaz, desposto relaxadamente sobre a cama. Calypso tombou um pouco da cabeça para a direita e estreitou os olhos para observar mais atentamente aquela área.
Bela bunda...
— Já acordou?
A voz estava rouca e baixinha. Luke despertava aos poucos, se espreguiçando enquanto resmungava alguma coisa. Ele recolheu ao braço que estava pendido para o chão e o colocou junto ao outro, embaixo do travesseiro. Seus olhos estavam apertadinhos, quase fechados, quando foram direcionados a ela. Mas Calypso conseguira distinguir perfeitamente o tom de azul completamente diferente das outras vezes. Estava mais claro. Quase reluzindo, como um céu sem nuvens em uma manhã quente.
— Sim, agora a pouco.
Sorriu mordendo o lábio inferior para tentar se conter. Era tão estranho olhar para ele ali, em sua cama, acordando e falando com aquele tom rouco e terno depois de tudo o que haviam passado.
Ainda demoraria a cair à ficha de que a noite passada havia mesmo acontecido. Conhecera um Luke completamente diferente ontem, ele se mostrou tão atencioso e carinhoso durante toda a noite. Pouco depois de dizer que gostava dela, Luke a conduziu para o quarto em seu colo, á colocou sobre a cama de forma delicada e a tomou de forma que nunca havia feito antes.
Foi diferente, algo estava diferente na maneira com que a olhava e a tocava. Sem um pingo de presa ou grosseria. Claro que Calypso gostava de quando ele era grosseiro e apressado, mas era bom varear, era bom sentir-se desejada de maneira carinhosa, sentir-se cobiçada pelos olhos azuis escuros, atenciosos.
A forma que ele a tratara noite passada estava ajudando ainda mais naquela maldita pergunta que insistia em tomar seus pensamentos. O que seria deles a partir de agora?
— Huh... Então é mesmo verdade o que dizem. Gatas acordam cedo.
Sorriu incrédula pelo flerte barato logo pela manhã. Mesmo quando sonolento, o rapaz permanecia galanteador.
Luke moveu aos ombros e murmurou algo quando os ossos estalaram, em seguida girou na cama e levantou-se, sentando-se de frente a ela. Ele ainda estava sem roupas, o que fez com que a loira sentisse completamente envergonhada, sem saber ao certo aonde olhar. Preferiu manter então os olhos em suas próprias mãos, que seguravam o lençol fino de encontro ao corpo. Já Luke parecia completamente confortável, se quer privou-se de se aproximar ainda mais e tocar sutilmente seu queixo, levantando com a ponta do dedo indicador, até tê-la com os olhos fixos nos dele.
— Bom dia... — Sussurrou e seus lábios chocaram-se aos dela em um longo selinho, que pretendia aprofundar, mas Calypso não deixou, afastando-se assim que notara as intenções do rapaz.
— Ainda não escovei os dentes. — Assumiu e fez uma careta, por conta da vergonha.
Luke amava o fato de a pele clarinha dela transparecer tão fácil seu humor. Agora, por exemplo, as bochechas estavam completamente coradas. Vermelhinhas e fofas.
— Como se eu ligasse... — Aproximou-se novamente, ignorando por completo a distancia que a garota havia tomado estantes atrás por precação. Tocou-a sutilmente sobre as mãos e a fez soltar lentamente o lençol que cobria suas curvas bem desenhadas. — Eu realmente não me importo com seu mau hálito ou com o cabelo horrível...
Calypso torceu o nariz, insatisfeita com o comentário do garoto, fazendo-o sorrir.
— Acha mesmo que me importou com isso? Se eu procurasse por motivos para fugir de você, teria o feito ontem, quando lhe baixou a Ronda Rousey. Ainda sinto seus dedos em meu rosto, sabia?
— Me desculpe por isso...
— Não tem problema, eu gosto de mulheres selvagens.
Rosnou e mordeu-a no lábio inferior. Calypso gargalhou e negou com a cabeça, afundando suas mãos por entre os fios — cor de areia dos cabelos dele, trazendo-o para perto.
Nunca pensou que esse lado de Luke existia. Tão fofo e cuidadoso. Sentiu-se bem com ele mesmo que estivessem ambos ali, completamente despidos. Pela primeira vez não pairava nenhuma tensão sexual no ar. Havia algo a mais.
Permitiu ter seus lábios beijados pelo rapaz — corretamente desta vez, confiando que não teria mesmo problemas seu mau hálito matinal.
Ficaram um tempo daquela forma, beijando-se somente. Sem mãos bobas ou discursões. Até que o mesmo som de vibração se repetiu, cortando o silêncio do ambiente.
Luke bufou e quebrou o contato de seus lábios quando jogou-se para trás, caído sobre o colchão, seus braços esticados acima da cabeça. Calypso apenas sorriu de seu mau humor e levantou-se, indo até a estante. Desta vez sem se preocupar em pegar o lençol.
Caminhou pelo quarto e pegou seu aparelho celular, que estava encima de uma pequena prateleira na outra extremidade do cômodo. A tela brilhava no canto superior, por conta de uma nova notificação. Ela desbloqueou a tela e clicou sobre o ícone de seu perfil social.
“Leo Valdez está em um relacionamento sério — Hoje ás 2:00 ”
Calypso pensou que se sentiria mal ao ver que seu ex havia seguido em frente. Mas, na verdade, o máximo que conseguiu sentir com á noticia foi surpresa. Surpresa e admiração por pensar que Leo havia mesmo conseguido a façanha de fisgar Reyna Ramirez.
Deu um Like na publicação e bloqueou o aparelho novamente, colocando-o de volta ao devido lugar. Ia vira-se para tornar a cama, mas parou assim que sentiu um corpo colidindo lentamente ao seu e braços fortes evolveram-lhe a cintura.
— O que era? — Luke perguntou em um sussurro enquanto distribuía beijinhos por toda a extensão de seu pescoço.
Calypso fechou aos olhos. Suspirou longamente por conta de um ou dois arrepios que dominavam seu corpo, subindo desde a espinha até alcançar-lhe a nuca.
— Nada de importante...
Respondeu apenas e virou-se de frente a Luke. Suspirando longamente ao observá-lo de tão perto. Seus olhos azuis eram tão lindos pela manhã.
— Nada de importante? Não acredito que meus beijos foram interrompidos por nada de importante...
Sorriu e ficou na ponta de seus pés, para que pudesse abraça-lo na altura dos ombros.
— Você já se vestiu, é? Pensei que teríamos um pouco de ação logo pela manhã. — Sussurrou assim que notou a presença de um tecido no corpo do rapaz, privando-a de tocá-lo diretamente.
As laterais de seus lábios se curvaram em um sorriso malicioso. Aquele sorriso branco e reluzente, tão safado que causava pensamentos devassos até mesmo a uma freira.
— Bem, eu posso tirar de novo se for um problema. Não seria nenhum esforço. — As mãos grandes dele desceram por seu corpo, apalpando e alisando cada curva que lhe era atribuída. — Ou eu posso apenas lhe dar ação sem ao menos tirar minhas roupas...
Sua voz terrivelmente obscena, enquanto as mãos pousavam na bunda da garota, onde deu um forte aperto.
Calypso sorriu e mordeu o lábio inferior, fechando aos olhos para apreciar melhor o contato.
— Me parece uma... Ótima ideia.
— Parece, não é? — Os lábios de Luke lhe beijaram o topo da cabeça e as mãos do rapaz tornaram a sua cintura. Um contato tão calmo e delicado que até á espantou. — Porém, pode esperar até mais tarde. Que tal, saímos um pouco e aproveitarmos o Natal em NY, agora?
Foi impossível conter a surpresa, seus olhos deviam estar terrivelmente arregalados naquele momento. Luke recusando Sexo?
— Quem é você e o que fez com o meu cafajeste?
O menino gargalhou e puxou-a brutalmente para perto. Calypso suspirou em resposta.
— Se quiser eu posso trazê-lo de volta agora mesmo...
— Não! Tudo bem! — Sorriu, afastando-se dele, fugindo das mãos do menino que já voltavam a apalpar-lhe o corpo. Suas pernas meio bambas pela pegada repentina. — Eu adorei a ideia de sairmos. Vou só tomar um banho, pode ser?
— Pode. Claro que pode. Desde que eu esteja lá... Não vejo problemas.
Calypso sorriu e estendeu a mão a ele, que rapidamente a segurou.
Sentia-se estranhamente feliz. Eles não haviam, em momento algum, conversado sobre o que seria a partir dali, sobre como estavam, mas parecia bom daquele jeito... Desde que tivesse esse Luke todos os dias, rotular a relação tornava-se apenas um detalhe bobo e superficial.
De mãos dadas seguiram até o banheiro. Calypso observando o menino despir-se novamente usando apenas uma das mãos enquanto a olhava de maneira maliciosa, mordendo o lábio inferior assim que teve seu corpo prensado contra o vidro embasado do Box.
Aquele seria um longo banho...
( . . .)
“Você desistiria de sair da cidade e ficaria comigo?”
Nico permaneceu imóvel. O rosto de Thalia a centímetros do seu. Os olhos azuis vidrados em sua direção, encarando de maneira intensa e profunda. Ela havia mesmo dito aquilo? Esperara tanto por aquelas palavras que ao finalmente ouvi-las, algo dentro de si pareceu parar de funcionar.
Pensou ter imaginado, sim, com certeza fora tudo fruto de sua imaginação iludida e desesperada. Pois Thalia jamais diria aquelas palavras. Ele não tinha mais fé. Tudo estava acabado. Por isso permanecera imóvel, esperando que as palavras reais fossem ditas. Esperou que Thalia enlouquecesse e o manda-se embora, que o empurrasse ou até mesmo lhe direcionasse mais da sinceridade fria e acida.
Mas nada. Nada aconteceu por longos e longos minutos. Somente o silêncio dominava os quatro cantos daquele cômodo até que Thalia finalmente investiu sobre ele. Ao contrario do que Nico imaginou, não para lhe bater ou empurra-lo. Thalia o abraçou.
Ela o puxou para perto e seus bracinhos magros o rodearam na cintura enquanto a testa era pressionada lentamente contra seu peito. Ela respirou fundo e prosseguiu:
— Nada de mentiras. Sempre a verdade sincera e concreta, sem rodeios. Resposta imediata e direta. Será que pode me responder?
Seu coração acelerava. Batia forte. Forte pra valer, castigando as costelas. Em sua cabeça um turbilhão de pensamentos brigava por espaço: Bianca e a proposta, seu pai, Rachel, Percy e todos os seus amigos. Já havia decidido ir. Afinal, o que seria de sua irmã sozinha em uma cidade nova e completamente diferente? Mas... No momento, nada daquilo poderia ter menos importância. Nico simplesmente bloqueou qualquer pensamento ou confusão, bloqueou todas as coisas que lhe causavam desconforto, por menor que fosse. E sem ao menos querer. Fora algo instantâneo, seus neurônios agindo assim por si só. Ignorando tudo ao redor e focando simples e exclusivamente nas palavras tão esperadas e, finalmente ditas, pela garota de olhos azuis elétricos.
Mesmo depois de tanta atenção que direcionava ao cérebro para que respondesse a pergunta de Thalia, não conseguia pronunciar nada coerente. Sua língua parecia enrolada dentro da boca, presa e incapaz de trazer sentido a um ruído se quer. Por isso agiu. Lembrou-se do que costumava ouvir desde a infância, aquela historia de que um simples ato/gesto fala mais que mil palavras. Esperava que Thalia entendesse o grito desesperado do seu corpo ao agarra-la também, lançando-a para cima em um abraço apertado.
Ao primeiro momento ela pareceu surpresa e até mesmo assustada. O corpo esbelto tombando para frente por conta de o puxão brusco de Nico, as mãos apoiando-se sobre seus ombros graças aos reflexos e o rosto pairando pouco acima do dele. Seus olhos azuis arregalados, espantados, tornando a normalidade aos poucos quando encontrara os castanhos de Nico.
Novamente aquela ligação. Novamente aquela conversa. Milhões e milhões de palavras sendo ditas sem que ao menos uma fosse pronunciada em voz alta. Thalia havia entendido seu recado. O sorriso largo e branco estampado ao rosto dizia isso. Suas covinhas ao lado dos lábios e aquele aperto no cantinho dos olhos, dizia isso. A forma como sentiu o coração dela acelerar, entrando em uma mesma orquestra destrambelhada junto ao seu, dizia isso. Mas mesmo assim, apenas por precaução.
— Eu amo você. É claro que fico.
Sorriu enquanto deixava-se afogar na imensidão que eram os olhos azuis a sua frente, observando-os mudar de cor como em um passe de magica. De repente mais claros e ternos do que nunca. Sorriu enquanto seu coração se aquecia, enquanto seu corpo apreciava o contato e calor oferecidos pelo dela, mesmo que em um gesto tão inofensivo e sincero. Sorriu de maneira que não fazia a tempo, de maneira que só conseguia quando estava ali. Ao lado de Thalia Grace mais uma vez, de onde nunca devia ter saído.
Depois que o conflito inicial fora resolvido, Nico parecia o total oposto. Se antes não conseguia formular uma palavra, agora elas vinham aos montes. Tudo o que havia guardado por meses, tudo o que havia contido ou se privado de dizer — seja pela ausência de memoria dela ou pelo simples fato de Thalia o ignorar — Palavras e mais palavras: o sufocando, querendo sair todas de uma só vez. Nico passou a coloca-las para fora, pois sentia que explodiria se não o fizesse:
— É claro que fico... Eu, tudo o que eu mais quero é ficar. Deuses! Thalia. Você não sabe o quanto esperei para ouvir isso e...
Ele tagarelava e tagarelava, mas a verdade é que Thalia só havia escutado até o “É claro que fico”. Todo o monologo depois daquilo se tornou turvo e confuso, sem a menor importância. As palavras sequer chegavam a seus ouvidos. Já tinha sua resposta, ele ficaria, estaria com ela, por ela. Pela primeira vez alguém havia ficado.
Seus olhos banharam-se com lagrimas quando o nariz passou a pinicar sem parar, o queixo se contraiu e sua garganta pareceu comprimir. Queria chorar. Sim, naquele momento seu corpo implorava por uma descarga emocional, exausto de mais, finalmente rendido, salvo de tanta pressão. Mas Thalia escolheu apenas ignorar aquele e atender ao outro pedido, ao outro desejo que lhe consumia o peito, que esquentava o estomago e fazia as mãos soarem em nervosismo. O desejo de beija-lo. Nem se importou com o fato de que Nico ainda falava, simplesmente o beijou, calando-o da melhor maneira possível.
Seus lábios sedentos contra os dele, esperando acalentar o nervosismo transparente, esperando salva-lo daquele sentimento de culpa, de magoa. Sabia que teriam de conversar, aquilo era claro. Tantas coisas aconteceram, tantos meses distantes, tantos atos e tantos arrependimentos. Era obvio que teriam de discutir sobre, mas poderiam fazer aquilo depois, teriam todo o tempo de mundo.
Nico parecia surpreso. Um gritinho esganiçado escapou por entre os lábios quando seu corpo tombou, dando dois passos para trás por conta do desequilíbrio causado pelo impulso repentino de Thalia, ao agarrar-lhe os cabelos. Os cotovelos dela estavam apoiados em seus ombros; às mãos enfiadas por entre seus fios de cabelo, na altura da nuca, fazendo uma pressão maravilhosa, numa tentativa de fazê-lo corresponder.
E ele correspondeu. Apertando-a com força nas coxas, fazendo com que entrelaçasse ainda mais as pernas ao redor de sua cintura. Thalia sorriu entre o beijo e, Nico estava de olhos fechados, mas poderia apostar que era um daqueles malditos sorrisos lascivos e convencidos. Cambaleou com a ela em seus braços, esbarrando em algumas cadeiras próximas ao balcão, até conseguir coloca-la sentada sobre o mesmo.
Seus lábios se separaram aos poucos. Ainda de olhos fechados, Thalia sorriu. Diminuiu o aperto das pernas ao redor do quadril de Nico, quando as mãos dele abandonaram suas coxas, apoiando-se agora no balcão. Uma a cada lado de seu corpo. Ela respirou fundo e encostou sua testa a dele, as mãos desceram da nuca e passando agora a acaricia-lo os ombros descobertos. Ela abriu os olhos e o encarou. Seu lábio inferior escorregando aos poucos para cima, ocultando-se na boca enquanto os dentes brancos o mordiam lentamente, pressionando a carne sensível. Fazendo Nico ofegar, somente em apreciar.
Somente em olhar para ela, em seus braços mais uma vez. Somente por ver os lábios vermelhos inchados e saber que havia sido ele a causar-lhe aquilo, ninguém mais. Perdeu-se em seu intimo enquanto deixava-se levar e encantar por cada canto do rosto de Thalia e sem que ao menos quisesse, deixou escapar em um murmúrio baixo, quase inaudível:
— Você me ama novamente?
Os olhos da menina pareceram confusos quando Nico se afastou um pouco, surpreso consigo mesmo pelo que havia perguntado. De imediato uma angustia o tomou e quis no mesmo momento poder voltar atrás. Droga. Deixou-se levar pelo clima e acabara fazendo burrada. Não queria pressiona-la a nada, deixa-la desconfortável logo quando fizeram as pazes? Com certeza não desejava aquilo, e já se preparava para pedir desculpas quando os braços dela lhe rodearam o pescoço e o puxaram para perto mais uma vez.
Os narizes se tocaram em um sutil contato quando Thalia deu inicio a um beijinho de esquimó, fazendo Nico suar frio cada vez que as bocas ficavam próximas, e então se afastavam novamente; ás respirações misturando-se no ar: quentes, agitadas, ofegantes; seus olhos fixos nos dela quando Thalia sussurrou da mesma maneira que fizera anteriormente:
— Eu nunca deixei de amar...
Sua voz tão baixinha e calma, carregada com uma pequena porção de divertimento. Ela o beijou antes que Nico dissesse mais alguma bobagem, antes que ele começasse a falar e falar sem parar e quebra-se ao clima. O beijou de maneira calma ao inicio, mas aumentando a intensidade conforme sentia mais necessidade. Seu corpo esquentando como na noite anterior, algo crescendo por entre as entranhas. Um desejo, uma fome que só Nico seria capaz de saciar.
O puxou pela nuca e tornou a aperta-lo em volta da cintura, passando a mover seus quadris lentamente contra ele, fazendo-o suspirar e ofegar em meio ao beijo. Seus lábios cada vez mais rápidos, as cabeças virando-se vez ou outra para dar mais intensidade ao contato, suas línguas dançando juntas, em sincronia.
Nico subiu rapidamente as mãos pelo corpo de Thalia, infiltrando-as pela jaqueta de couro. Contornou com cuidado e lentidão cada uma das curvas maravilhosas que as mãos entravam em contato, apreciando as pequenas elevações na pele, causadas pelos arrepios. Thalia gemeu baixinho e mordeu-o no lábio inferior, fechando aos olhos quando os dedos gelados dele tocaram-na sobre uma área sensível dos seios.
Ela ofegou e suas unhas bem feitas, fincaram-se na nuca dele.
— Com mais força, por favor. Os aperte com força.
Sôfrega e frágil, sem um vestígio se quer da Thalia imponente de sempre. Ela estava se derretendo na palma de suas mãos e Nico não estava diferente. Era como se ambos os corpos reagissem com o dobro de intensidade. Ficaram tanto tempo longe um do outro, que por menor que fosse o contato... Era uma explosão tão grande, que chegava a ser até mesmo vergonhosa a situação que se encontravam só com alguns beijos.
Nico atendeu ao pedido dela, cansado de fazer as coisas com calma e paciência. Apertou a carne macia com força e Thalia gemeu em resposta, sua cabeça tombando para trás, o pescoço ficando completamente exposto com o movimento. Não perdeu tempo e aproximou a boca da área, distribuindo beijos sobre a pele alva, marcando-a com os lábios e dentes. Sua mão apertando da maneira que ela desejava, acariciando-a com maestria.
— Isso... — Thalia ofegou e tornou a subir a cabeça.
Seus olhos focalizando aos poucos os de Nico, a boca aberta com a respiração cortada. Ela afundou as mãos em seus cabelos novamente e passou a impulsionar com mais força, jogando seus quadris contra ele. Suas intimidades se pressionando ainda por cima da ultima peça de roupa que os cobria.
Nico rosnou e apertou os olhos. Thalia conseguia o deixar louco com somente aquilo. Quando tornou a abri-los, sua paciência já havia se esvaído completamente. Afastou as mãos do corpo dela e antes que Thalia resmungasse pelo feito, agarrou-lhe a jaqueta de couro e jogo-a longe. Nunca havia achado tal peça tão desnecessária.
Sua boca encheu-se d’agua, salivou por antecedência só por tê-la visto com o busto exposto. A pele branquinha e sensível de seus seios, arrepiada, os mamilos excitados e durinhos. Nico ofegou e aproximou o rosto da área, cobrindo um deles com seus lábios, ouvindo o gemido rasgado fugir da garota, em aprovação. As mãos dela indo aos seus cabelos quase de imediato, pressionando-o, pedindo por mais.
E ele daria mais. Daria tudo o que estivesse á seu alcance para tê-la satisfeita em seus braços, para vê-la feliz. Faria qualquer coisa para que Thalia sorrisse como fizera ha minutos atrás, novamente. Aquele sorriso sincero: sem mascaras, sem modo de defesa, sem mais jogos. Somente a Thalia por quem havia se apaixonado. Não conseguia acreditar que a tinha em mãos mais uma vez.
Afastou sua boca de um dos seios dela e correu com a língua sobre pele, que aos poucos já ia ficando coberta por uma fina camada de suor. Apreciando seu sabor. Subiu da clavícula a jugular, arrastando a língua úmida pela área, fazendo questão de roçar os dentes, vez ou outra assoprando uma pequena quantia de ar só para vê-la enlouquecer. Thalia ofegava e gemia baixinho, quase como um filhote de gato. As unhas bem feitas fincadas em seu couro cabeludo assim que Nico ousou descer mais uma das mãos.
Agarrou-lhe a coxa direita com vontade, escorregando a palma aberta sobre a pele, o polegar acariciando o interior perigosamente próximo a parte em que mais fervia no corpo da garota. E fervia muito, de maneira que conseguia sentir o calor só em estar próximo. Queria toca-la de uma vez, mas também queria ouvir a voz dela naquele momento. Rouca, baixa, carregada de tesão.
— Você está pronta pra mim? Quer que eu continue?
Mexia ao polegar lentamente, em pontos propositais. Sentia as pernas de Thalia pressionando-o mais forte na cintura, provavelmente querendo calar aquela sensação. Sempre impaciente. Nico subiu sua outra mão até o seio dela, e passou a toca-lo calmamente, alisando a protuberância.
— Ah sim... Estou. Faça de uma vez, Di Ângelo. Eu odeio tan-to quando provoca desse jeito...
Nico sorriu e gemeu em conjunto. A voz de Thalia era tão atrativa, ao mesmo tempo em que soava terrivelmente ameaçadora. Ela era o melhor dos dois mundos. Não iria mais enrolar. Desceu seus dedos até toca-la sobre o tecido fino da calcinha e mordeu o lábio ao senti-lo completamente molhado. Ela realmente estava pronta.
Mas antes mesmo que pudesse livra-la daquela peça incomoda, algo ainda mais inoportuno aconteceu. A campainha tocou. Nico parou no mesmo momento e, Thalia rosnou, enfurecida. Se havia um som no mundo que ela odiava — Além do Skype, claro— era o som da campainha. Já havia deixado claro para todos os seus conhecidos baterem na porta quando forem chama-la e, bem, isso era o de menos. Thalia nem sabia quem estava ali, mas já odiava em dobro por interrompê-la.
— Acho que a campainha tocou... — Nico falou o obvio e ela assentiu, embora os quadris não sossegassem.
— Uhum... — O olhar estava fixo na mão dele, que permanecia entre suas pernas. Thalia parecia querer manipula-la com pensamentos para que finalmente a tocasse.
— Não vai atender?
Ela negou com um movimento de cabeça e finalmente o olhou nos olhos.
— Tenho coisas mais importantes para fazer. — Respondeu enquanto inclinava-se tentando beija-lo.
Algo em seu interior dizia que aquela situação era cômica, embora não sentisse vontade de sorrir ao encarar o rosto dela tão entregue daquela maneira. Permitiu ser beijado e retribui de imediato, com gosto. Afinal, se a própria dona da casa não se importava, por que ele se importaria? Agora as duas mãos estavam nas coxas dela, mantendo-as separadas o suficiente para que pudesse toca-la devidamente, e assim que Nico o fez, novamente a campainha tocou.
Thalia tentou permanecer com o beijo, mas o som irritante permaneceu, vezes e vezes seguidas. Cortando completamente o clima. Por fim, ela desistiu, rosnando enquanto o empurrava delicadamente sobre os ombros fazendo seus lábios se descolarem.
— Eu volto já, tá? — Perguntou e, mesmo com o transtorno transparecendo nos olhos, sua voz soou doce.
Nico assentiu, bobamente. Suspirou ao vê-la descendo do balcão em um salto, caminhando pela cozinha com passos pesados enquanto resmungava algo. Usando somente uma calcinha.
— Eu sou um maldito cara de sorte... — Murmurou enquanto apoiava os cotovelos no balcão.
Apreciou o gracioso movimento dos quadris — e bunda — de Thalia, conforme subia aos degraus da escada rotatória, até sumir no andar de cima. Sim, Nico com toda a certeza era um maldito cara de sorte. Independente do que acontecera no passado, independente do que sofrera e fizera para tê-la de volta. Porque a tinha de volta. Isso era tudo o que importava. E, já havia esperado tanto, que alguns minutos gastos atendendo a porta parecia algo tão bobo. Nico sorriu para o vazio, imerso nos próprios pensamentos.
. . .
Após alguns minutos lá encima, Thalia tornou a cozinha trajando apenas uma longa camisa de banda. A barra da peça escura e desgasta de roupa cobria até o meio das coxas dela e, as mangas, até os cotovelos. Thalia estava nadando naquilo. Caberia ali, numa boa, duas dela. Mas ainda assim tudo o que Nico conseguia pensar enquanto a observava cruzar o arco que separava a cozinha da sala em passos pesados e resmungos, enquanto afundava as mãos nos cabelos revoltos em uma tentativa falha de arruma-los era: Sexy.
Adorava o fato de ela conseguir ficar sexy de qualquer maneira. Seja usando apenas jaqueta de couro e calcinha, ou trajando somente uma blusa quatro números maior que ela. Thalia ficava absurdamente sexy. Talvez por não tentar ser, ela simplesmente era.
Tratou de desfazer imediatamente seus pensamentos de minutos atrás. Desperdiçar seu tempo precioso com Thalia, atendendo a porta? Aquilo era absurdamente doloroso.
Torceu para que fosse apenas o porteiro a requisitando, quem sabe para desejar feliz natal? Sim. Desejar feliz natal e sair dali. Bem rápido.
Seu nível de desespero era tanto que desejou o porteiro tarado ali.
Desencostou-se do balcão e a seguiu até a sala, observando-a já de frente a porta. Thalia estava na ponta dos pés enquanto olhava o corredor, através do olho magico.
— Ou merda... — Ela sussurrou e logo tapou a boca.
Seus olhos se apertaram, suplicando silenciosamente para não terem a escutado. Mas escutaram. E não demorou mais que um segundo para que gritassem do outro lado.
— Eu sei que você está ai, sua branquela! — Annabeth rosnou. — E vou ficar aqui, fazendo uma orquestra de campainha até que me atenda!
Ela estava enfurecida. Sabia o quanto aquilo irritava Thalia e era justamente por isso que estava fazendo. Seu dedo indicador movendo-se incansavelmente sobre o pequeno botão. Ela apertava e soltava, mantendo mais pressionado em alguns momentos e logo seguindo a apertar rapidamente. Sem padrões.
Thalia respirou fundo e o encarou sussurrando um “socorro”, virou-se de encontro a porta novamente e sua mão envolveu a maçaneta bem lentamente, como se estivesse prestes a cortar o clássico fio vermelho de uma bomba. Thalia a abriu. Mas não por completo, apenas o suficiente para que sua cabeça passasse pela brecha. O som sessou. Ela sorriu.
— Olá.
— Sua cínica... — A loira ralhou enquanto observava a cara deslavada da melhor amiga. — Eu devia era lhe dar umas boas palmadas por ter faltado á maldita festa. É bom que tenha motivos, Thalia. Ótimos motivos.
E eu tenho. Apenas pensou.
— Eu, hum... Esqueci?
Annabeth ficou em silêncio. Seus braços estavam cruzados na altura dos seios e o rosto carregava uma expressão indecifrável. Os olhos cinzentos vagueavam, corriam por cada canto que a brecha da porta deixava visível em Thalia e essa gemia em frustração, mesmo que silenciosamente, sabendo que era alvo da própria encarnação de Sherlock Holmes, mais uma vez.
Sabia que ela iria capitar. Annabeth era simplesmente uma ninja quando se tratava de decifrar as pessoas. Ninguém escapava do olhar da penitencia. Ninguém. E com Thalia não foi diferente.
Um minuto. Aquele foi o tempo que levou para que o rosto da loira, até então inexpressivo, ganhasse traços de espanto. A boca aberta e os olhos arregalados. Thalia gemeu e fechou aos olhos esperando pelo fragrante.
— Sua vadia! Você estava transando?!
E lá estava. Ninja. Como ela fazia aquilo?
— Claro que não, Annabeth... — Até tentou mentir, mas sabia que não conseguiria. Olhou para a loira e suspirou. — Certo... Eu estava.
— Eu não acredito!
As mãos dela vieram tão rápidas que Thalia ao menos conseguiu desviar, recebendo diversos tapas na altura dos ombros.
— Au, ai, ai! Para com isso!
— Eu não. Acredito. Que Você... — A cada pausa era uma nova parte de Thalia que queimava pela bofetada — Me deixou. Para transar, Thalia Grace! O que aconteceu com a lei das amigas antes dos garotos?
— Essa lei sequer existiu entre nós. A única lei feminina que sigo é aquele de ir juntas no banheiro, e só. — Defendeu-se deixando seu corpo inteiro passar pela porta, fechando-a atrás de si. — E eu sinto muito, sei que dei mancada. Eu devia ter ido á festa, prometi a você que iria e já estava até pronta quando Ni-...
Mordeu a língua e calou-se, desviando o olhar. Mas sabia que não adiantaria de nada. A sobrancelha de Annabeth se arqueou e foi questão de segundos para os olhos se arregalarem.
— Ni... Espera ai... Você e o Di Ângelo. Ai meu deus.
Thalia suspirou e apoiou a mão na testa tentando agir naturalmente. A verdade é que não estava pronta para essa conversa ainda, ela sequer havia falado com Nico sobre isso.
— Meu deus! Meu deus! Eu não acredito... Vocês transaram? Ele... — Um sorriso malicioso tomou o rosto da menina e Thalia soube no mesmo momento que estava fodida. — Nico está ai ainda, não é?
— Ele não... — Suspirou derrotada ao encarar o olhar debochado da outra. — Ele está.
Annabeth sorriu largamente e mesmo que Thalia quisesse manter sua postura, conter-se era difícil quando estava sim, muito feliz. Sorriu também. E sua amiga lhe encarou da maneira mais terna possível.
Naquele instante Thalia soube que havia sido perdoada.
. . .
Nico estava no segundo andar da casa neste momento, provavelmente tomando um banho. Thalia o havia mandado subir, o rosto completamente corado de vergonha, logo após adentrar o apartamento com Annabeth em seu encalço. Claro que ao notar o estado do ambiente a loira não conteve suas piadinhas, o que rendeu a ela ótimas gargalhadas e a Thalia apenas constrangimento.
— Sério. Vocês deviam evitar fazer sexo selvagem em datas como o Natal.
Aquela foi á conclusão da Chase, logo após sentar-se no sofá ainda sem fôlego por conta das risadas. Thalia somente suspirou e acompanhou a amiga, sentando-se ao seu lado. As pernas cruzadas sobre o estofado, os cotovelos apoiados nas coxas e o rosto nas mãos.
— Será que podemos mudar de assunto? Por favor.
Os olhos cinzentos da loira vaguearam pelo cômodo devastado, observando atentamente cada parte fora do lugar.
— Desculpa, mas é difícil pensar em alguma outra coisa com esse senário todo ao redor. Me sinto na cena do crime... — E então de repente ela levantou. Um salto tão rápido que só após um tempo Thalia digerira a ação. Annabeth apontou para o acento que anteriormente ocupava e arregalou aos olhos. — Espera, vocês não...
Thalia ficou completamente vermelha pela decima vez naquela conversa.
— Oh meu deus, não! Argh... — Bufou e afundou o rosto nas mãos. — Será que pode só sentar e me falar o motivo de estar aqui? Não acho que veio em pleno natal só para me matar. Você geralmente respeita os feriados.
— Você está certa, não vim só por isso. — Voltou a se sentar, mas o olhar continuava apreensivo. Seus olhos semicerrados enquanto tateava bem o couro negro.
— Da para parar de apalpar meu sofá, e falar de uma vez?
— Okay. Estou aqui porque preciso de moradia. — Um biquinho adorável surgiu em seus lábios enquanto dizia aquilo.
Thalia franziu a testa e se endireitou sobre o sofá, aproximando-se mais da amiga.
— Como assim precisa de moradia? O que aconteceu?
— Bem, como planejado eu contei a verdade toda para minha família ontem, sabe? Sobre Percy.
— Sim, sei. — Teve de sorrir, estava feliz por sua amiga ter feito aquilo. Thalia odiava segredos. — Mas se contou, por que está assim?
— Porque a minha mãe também me fez uma surpresinha de natal.
— Esse “surpresinha” não me soou bom como ingressos para um show.
— Essa surpresinha está mais para uma entrada ao castelo dos horrores. — Suspirou a loira, apoiando a cabeça no estofado do sofá.
— Eu gostaria de uma entrada para o castelo dos horror... — Parou de divagar assim que Annabeth tornou a lhe encarar, seriamente. — Okay, desculpa. Qual foi a surpresinha?
— Ela e Poseidon vão se casar.
Foi sua vez de saltar sobre o estofado.
— Ela e Poseidon vão o que?!
— Isso mesmo, casar. Juntar as escovas. Pendurar as chuteiras. Essas coisas...
— Mas... Eles... Meu deus. Vai rolar mesmo incesto? — Annabeth lhe fuzilou com os olhos, porém, Thalia não se importou. — Eu sou tão incrível! Tipo um oraculo. Devia desistir da faculdade e investir nisso. Acha que o Xavier vai vim aqui me recrutar?
— Eu vou bater em você, Thalia. De verdade.
Voltou a sentar no sofá e levantou os braços em rendição.
— Foi mal. Nunca mais falaremos sobre meus planos futuros, se isso lhe incomoda. Insensível.
Annabeth investiu sobre ela em um salto, mas Thalia levantou-se antes que fosse atingida. Correndo para a porta em seguida, onde alguém acabara de bater.
— Isso que eu chamo de ser salva pelo gongo. — Esbravejou a loira, lhe atirando uma almofada. — Odeio você.
Thalia sorriu e abaixou-se o suficiente para que o material fofinho passasse zunindo sobre sua cabeça e se choca contra a madeira, logo atrás.
— E eu lhe amo muito.
Virou-se para a porta e abriu-a rapidamente, sorrindo largamente ao reconhecer a pessoa ali.
— Pipes! — Exclamou e abriu os braços para recebê-la em um contato carinhoso.
Piper devolveu ao abraço sorrindo nervosamente.
— O que aconteceu com você?
— Hã? — Thalia ainda estava de olhos fechados enquanto apreciava o contato.
— Você. Tá estranha, sei lá. Feliz. — Elas se afastaram e a menina observou bem Thalia antes de prosseguir. — Você estava transando?
Annabeth gargalhou lá atrás e Thalia bufou dando as costas a amiga, ignorando sua pergunta por completo.
— Está na cara não, é? — Quis saber a loira.
Piper pareceu chocada enquanto adentrava ao cômodo, fechando a porta atrás de si. Seus pés chiaram contra o chão, assim que pisou sobre o que restara dos porta-retratos.
— Ai meu deus! — O corpo moreno deu um giro pelo centro do cômodo enquanto olhava em volta. — O que aconteceu aqui? Um terremoto?
— Eu acho que está mais para sexo natalino. — Sugeriu Annabeth, o que fez a outra sorri pela memoria da noite anterior. Ela havia dito aquilo. — Ou melhor, um sexo selvagem natalino.
— Será vocês que podem mudar de assunto, por favor? — Thalia esbravejou, impaciente. — Um que não inclua minha vida sexual.
Piper levantou os braços em rendição e caminhou até o sofá. Ela chegou a abaixar seu corpo, mas antes de sentar-se ao lado de Annabeth, parou. O olhar relutante foi direcionado a Thalia, enquanto apontava para o estofado.
— Vocês não...
— Eu desisto! — Rosnou e lançou uma almofada em sua direção, acertando-a em cheio no rosto. Piper gritou e tombou para trás. Annabeth apenas ria da situação em si. — Vocês são amigas horríveis.
— Falou a Sra. Presença. — Zombou a loira.
— Eu só queria me certificar de que não estava sentado no filhinho de ninguém. — Defendeu-se Piper.
— Argh! Isso é nojento. — Annabeth gargalhou e Thalia apenas choramingou enquanto deixava seu corpo cair sobre a poltrona, exausto.
— O que eu fiz pra merecer isso?
— Pare de resmungar, Cara de Pinheiro. Enquanto a você, Annie. Já contou tudo para ela?
— Tudo o quê? — Thalia apenas abriu os olhos, sua cabeça ainda tombada pelo braço da poltrona. — Sobre o incesto? Sim, ela contou.
— É. Sobre ele e o fato da minha tia jogar um disco de vinil na minha cara.
— Sua tia o quê? — Thalia gargalhou. — Hardcore.
— Não é hard... Não é nada do que você falou, tá? Ela poderia ter me acertado em cheio.
— Mas por que ela fez isso?
— Porque a minha mãe pegou o namorado dela, algo assim...
Thalia endireitou-se na poltrona, e fitou as amigas de frente. Seu rosto mais sério agora.
— O namorado dela? Apolo, você quer dizer?
— Sim. Como que você...
— Eu o conheço. — Thalia interveio. — E acho completamente estranho o fato dele ficar com sua mãe. Tem certeza disso?
— Sim, eu tenho. Eles desceram de mãos dadas pouco depois da minha tia passar cuspindo fogo pela porta.
— Uau. Bem, eu disse que não daria certo reunir nossas famílias em uma casa... É quase como jogar um fosforo aceso em um poço de gasolina e pedir para que um incêndio não aconteça. Impossível.
Piper deu de ombros e Annabeth apenas confirmou com um aceno de cabeça. Aquilo era um fato.
A campainha novamente tocou e Thalia recusou-se a abri-la, alegando estar morta de cansaço. Annabeth fez uma ou duas piadinhas ligando á exaustão da amiga á noite anterior e logo em seguida foi até a porta. Ela ainda sorria enquanto abria a mesma, mas seu sorriso desapareceu aos poucos ao fitar as três pessoas paradas no corredor.
— Mãe? Tia Dite? O quê...
Ela não sabia ao certo do que se tratava, mas só por precaução, se livraria de todas as caixas de fósforo da casa.
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