Because I Love You 2 .
18 Até chegar a seu coração.
Notas iniciais
“— Nico?”
Thalia estava tão linda daquela forma, com a testa franzida. Não deu para não ter pensamentos pervertidos naquele momento. Ela estava completamente inclinada sobre Nico. Suas mãos apertavam com força os pulsos dele contra o colchão e seus rostos estavam bem próximos. Nico podia sentir a respiração dela contra sua boca. Thalia estava meio ofegante, talvez pelo esforço que fizera por movimentos tão rápidos. Sua blusa escorregara por seu ombro direito que estava completamente exposto já que seu cabelo estava todo jogado ao lado esquerdo.
Ela ficava tão sexy daquele jeito.
— O que tá fazendo aqui? — Tornou a perguntar apertando com mais força seus pulsos.
Aquilo era tão erótico.
Nico finalmente saiu de seus pensamentos, podia jurar que estava de boca aberta, então tratou de fecha-la.
— Huhmdu... — Aquilo foi muito idiota. Mas por um segundo não conseguiu falar. Thalia virou seu rosto para o lado e franziu ainda mais o cenho.
— Huhmdu? — Seus olhos azuis pareciam tão confusos e inocentes... Tão fofa.
— Ah quer dizer... Eu, bem. Eu... — Suspirou derrotado. — Não sei o que dizer.
Thalia deu um sorrisinho de lado, finalmente parou de encara-lo e seus olhos voltaram a observar o quarto.
— Uau... Você acabou de invadir o chalé enquanto eu dormia? — Voltou seu olhar a ele com seu melhor sorriso debochado. — Isso é tão... Pervertido, Di Ângelo. Até mesmo pra você.
Nico devolveu o sorriso á altura do dela.
— Falou á garota que me atirou contra a cama e está sentada sobre mim agora mesmo. Mas que safadeza, Grace.
Thalia olhou para ele de cima abaixo, como se só tivesse se tocado do feito agora. Seu rosto corou.
Deuses! Ha quanto tempo não á via corar? Tão linda, tão adorável, tão, tão... ARG! Tão perfeita! Nico quase teve um ataque ali a observando, sentiu tanta vontade de beija-la.
— Desculpa... — Thalia finalmente falou, soltando seus pulsos. — E que meus reflexos... Bem, eles são meio malucos.
Nico sorriu. Por mais que ela tenha soltado seus pulsos permaneceu sentada sobre sua barriga. Seus rostos não estavam mais tão próximos, mas ainda assim sentia a respiração descompensada dela.
— É, eu me lembro bem. — Nico suspirou remexendo os pulsos sobre a cama. Queria sentir as mãozinhas de Thalia ali novamente. Tão quentes e macias. — Você me derrubou no estacionamento uma vez.
Thalia parecia um pouco surpresa, passou a mão sobre a testa e ficou um pouco em silêncio antes de continuar a falar:
— Ainda lembra disso?
— Mas é claro que sim. — A encarou com um pequeno sorriso de lado. — As memorias... São as únicas coisas que me restam. Sem elas não me restaria mais nada de você. É á única coisa que me mostra o quão real éramos. Me lembra de nós dois... É o que me mantém forte. É o que não me permite desistir.
Os olhos de Thalia vacilaram, seu rosto adquiriu um tom ainda mais rubro á respiração pareceu acelerar novamente.
— Pós... Pós não devia. — Finalmente falou, mas sua voz ainda estava fraca, falha. — Está no passado agora. — Thalia respirou fundo e levantou-se dele finalmente, mas antes que saísse por completo Nico a segurou pelo pulso e a jogou na cama, invertendo as posições.
Segurando-a onde antes Thalia o segurava. Os olhos dela se arregalaram completamente surpresos e seu rosto corou em conjunto. —Por ser tão pálida, quando Thalia corava seu rosto ficava vermelho por inteiro, não só as bochechas. Parecia que estava em um daqueles desenhos animados, a única coisa que faltava era aquela fumaça saindo das orelhas.
Nico sorriu, gostava de vê-la assim. Á deixava mais delicada sem aquele ar de marrenta que Thalia insistia em manter. — Embora também adorasse esse lado dela.
É uma relação meio bipolar. Eu sei.
— O-O que diabos está fazendo? — Thalia gaguejou. Seus pulsos e pernas remexeram-se tentando se soltar-se.
Nico usou suas pernas para imobilizar as dela e escorregou suas mãos sobre as de Thalia entrelaçando seus dedos, aproximou seus rostos perigosamente.
— “Está no passado agora” — Repetiu o que Thalia falara. — Por mais que diga isso. Seu coração... — Sussurrou. Uma de suas mãos escorregou pelo braço de Thalia, descendo por seu busto até tocar seu peito, com o dedo indicador Nico apontou para o local entre as costelas. — Ele sempre te entrega. Todas ás vezes. — Foi só Nico pronunciar tais palavras que o coração de Thalia pareceu ainda mais rápido. Tão acelerado e forte a ponto de sentir seu dedo levantar conforme ele bombeava o sangue. — Viu só... — Sorriu encarando-a nos olhos. — Ele acelera sempre que me aproximo. Acelera sempre que a toco. — Sua mão voltou a segurar a dela e Nico subiu seu corpo observando-a de cima.
Os lábios contraídos o rosto corado a respiração pesada... Tudo em Thalia a entregava.
— Por isso não importa Thalia. Você pode até trancar seu coração. Sabe... Com quantas portas quiser, quantos cadeados quiser, com quantas trancas quiser... — Nico inclinou-se sobre ela, aproximando seus rostos novamente, seus lábios a um dedo de distancia desta vez. As mãos de Thalia apertaram as suas. — Mas sempre estarei aqui... E irei derrubar porta por porta, cadeado por cadeado, tranca... Por tranca, Se for preciso. — Olhou-a nos olhos. — Até chegar a seu coração mais uma vez...
Thalia o encarava de maneira tão entregue e sôfrega que chegava a dar pena. Era como se Nico pudesse ver seu conflito interno, como se pudesse ver seu cérebro tentando encontrar uma resposta e sabia que se demorasse de mais Thalia encontraria. Então resolveu não permitir. Aproximou-se mais. O corpo dela já não resistia, não remexia-se ou tentava lutar contra. Os olhos dela se fecharam e seus lábios se entreabriram enquanto a respiração saia descompensada por eles.

Nico aproximou sua boca e ambos os lábio finalmente se encontraram e no mesmo momento, como se fosse ensaiado, ambos suspiraram. As mãos apertaram-se e seus batimentos pareciam sincronizados. Nico sentiu seu corpo arrepiar e conforme o choque subia por ele o calor o acompanhava. Aquilo era o quê? Somente um selinho demorado, mas estava quente, muito quente, o calor subiu a sua cabeça que de repente começou a doer.
Não queria dar atenção para aquilo, não queria se incomodar com a dor, mas sentiu algo escorrer por sua testa. Abriu seus olhos e o rosto de Thalia parecia espantado, as mãos dela soltaram-se rapidamente das suas e foram a seu peito onde o empurrou para trás. Nico caiu sentado na cama e sentiu tudo girar.
— San-... San-... — Thalia gaguejava, sua respiração estava falha, descompensada. Ela apontava em sua direção tentando dizer algo. — San- Sangue! — Finalmente falou.
Nico subiu a mão passando-a por sua testa e imediatamente sentiu-a molhar com algo, voltou até a altura dos olhos. E deuses! Era mesmo sangue. Sua visão ficou mais escura e olhou para Thalia novamente.
Ela parecia espanta, paralisada. Nico sentiu seu corpo fraco e seus olhos começaram a se fechar.
— Nico? — Thalia o tocou nos ombros. — Nicolas, ei... — Ela o sacodia.
Mas Nico não conseguia manter seus olhos abertos. Aquele mesmo sentimento de inutilidade estava lhe tomando, não tinha controle sobre o próprio corpo, assim como na noite da festa. Tudo tornou-se mais escuro e a voz de Thalia parecia a quilômetros de distancia, seu corpo desabou sobre o dela.
— Nico! — A voz de Thalia estava tão sôfrega que fazia seu coração se partir, queria levantar e dizer que está tudo bem. Deuses! Queria tanto voltar a beija-la, mas não conseguia mover um musculo se quer. A dor lancinante em sua cabeça só aumentava até ir embora junto de sua consciência.
( . . . )
Piper ainda estava sentada em uma das mesas do pavilhão. Todos os outros alunos já tinham ido embora, fazer alguma atividade ou algo assim. Até que as duas escolas estavam se dando bem. Tudo bem que tinham passado somente quatro horas juntas, mas quatro horas sem se matar?
Era um novo recorde.
Alguns alunos dos Romanos a chamaram para dar uma volta na praia (sim tinha até praia ali) Mas não quis ir. Por mais que adorasse o mar, não sentia vontade ou disposição para ir. Seu coração parecia pesado e aquela sensação de sufoco não sessava. Estava preocupada com Jason, ele disse que chegaria meio dia, mas já fazia horas e nada do loiro.
Pensou em ligar para ele, mas não queria ser uma namorada grudenta ou chata. De uns tempos pra cá, sempre que conversava com Jason era para falar de suas inseguranças ou reclamando da proximidade dele com Reyna. Não queria mais ser ciumenta, só que Jason não facilitava nem um pouco.
Suspirou pegando seu celular no bolso, apontou com ele para o céu enquanto encarava fixamente a tela. Nem uma mensagem, nem uma chamada, nem um sinal de fumaça se quer! O que custava dizer algo como: “Estou bem, não morri. Não se preocupe.” Será que era pedir de mais?
— Piper? — Ouviu uma voz chama-la. Aquela voz... Tão séria e superior tão... Arg! Bonita. Por mais que não gostasse, tinha de admitir até a voz de Reyna era bonita.
Mas que droga!
Abaixou seu celular e virou-se no banco encarando a menina a sua frente.
— Reyna, oi...
Por que Reyna estava falando com ela? Queria se gabar ou algo assim? Se vangloriar de sua vitória obvia?
— E então, como foi a viajem?
— Bem...
— Está gostando do acampamento?
Piper assentiu nem um pouco interessada.
— Sério? — Reyna fez uma careta como quem pensasse “não pode ser”. — Sem nem uma reclamação dos Romanos? Estão se comportando bem? Porque se estiverem flertando com você pode me falar, eles são muito tarados... — Sussurrou escondendo o rosto com a prancheta.
Piper sorriu. Assim como Jason dissera: Reyna parecia legal. Também não parecia uma vadia que vinha esfregar na cara que tinha roubado seu namorado. Ela provavelmente não era ciumenta também... Sentiu-se profundamente mal, talvez por isso Jason preferisse estar com ela.
— Não eles... Estão se comportando bem. E o acampamento é bem legal. — Forçou um sorriso.
Reyna franziu a testa como se tentar-se se convencer daquilo.
— Tem certeza que está tudo bem?
Piper a encarou com seu olhar mais convincente.
— Sim, tudo certo.
— Você não parece bem.
Legal, agora receberia conselhos de sua rival.
— Olha eu não quero me intrometer, e na verdade nem pretendo. — Reyna suspirou segurando a prancheta abaixo do braço. — Mas se tem algo de errado, acho que deveria falar com alguém. Guardar os sentimentos a si mesmo é sufocante. Falo por experiência própria.
Piper a observou e finalmente entendeu. Reyna não tinha pose de superioridade, ela era superior. Havia ignorado ela a todo o momento, mas mesmo assim Reyna estava ali... Disposta a lhe ajudar.
— E não estou pedindo para se abrir comigo, mas acho que devia chamar o Jason. — Completou, e no mesmo memento seu celular tocou. Reyna o pegou rapidamente em mãos. — Com licença. — Ela afastou-se um pouco e atendeu.
Piper assentiu enquanto suspirava encostando o rosto na palma das mãos. “Mas acho que devia chamar o Jason”.
Queria poder...
Mas, espera ai! Arregalou os olhos. Lembrou-se da mensagem do menino “Vou nó ônibus com Reyna”. Se Reyna estava ali... Quer dizer que ele também já havia chegado.
Mas então... Por que não veio falar comigo?
Se possível sentiu-se pior ainda.
— Piper. — A voz de Reyna a tirou de seus pensamentos, olhou naquela direção e a menina tinha feições serias no rosto. — Vou precisar de sua ajuda para algo, você fez primeiros socorros certo? Será que pode me ajudar?
— Claro. — Pensou em negar, mas Reyna parecia tão séria (mas que o normal) — Aconteceu alguma coisa?
— Um aluno... Parece que se machucou.
( . . . )
A única coisa que Jason conseguia pensar enquanto encarava Nico desacordado na cama envolto de sangue era: Como?
— Como isso foi acontecer? — Perguntou enquanto discava o número de Reyna no celular. Thalia parecia espantada seu corpo inteiro tremia e seus olhos estavam esbugalhados.
— Eu não sei ele... Ele de repente apagou.
— E começou a sangrar? — A encarou descrente.
— O quê? Acha que eu bati nele?
— Ah não sei não... Vocês estavam brigados, Nico entrou aqui e você só se defendeu. Com um pouco mais de força que o necessário...
— Não fiz isso! — Thalia gritou. Jason levantou os braços em rendição.
— Okay, calma, calma... — Reyna atendeu do outro lado. — AH... Alõ? Ah sim. Na verdade temos um problema... Minha irmã-...— Encarou Thalia que o fuzilou com o olhar. Pigarrou. — “Magicamente” — Corrigiu. — Um aluno da minha escola desmaiou e está sangrando muito. Será que pode me ajudar?
— Vamos leva-lo na enfermaria. Já disse. — Thalia insistiu, nervosa encarando o rosto pálido de Nico.
— É. Mas acontece que não tem ninguém lá. Passei hoje cedo e estava vazio. — Jason sussurrou. — Ah não Reyna não era com você, mas... Serve. Ouviu? Sim está vazia...
— Piper sabe primeiros socorros. — Thalia falou depois de algum tempo em silêncio. Seu rosto continuava fixo em Nico que estava com a cabeça apoiada em seu colo. — Peça ajuda á ela.
— O quê? Piper sabe primeiros socorros? — Jason franziu o cenho.
Thalia assentiu.
— Ah sim, Reyna ela sabe. O quê? Ela está ai? Ótimo! Então a chame pra cá. Okay, tchau. — Desligou encarando Thalia fixamente. — Sério isso?
— Sim. Ela fez um curso. E quer ser cirurgiã alias, devia saber disso já que ela é sua namorada.
Jason arqueou as sobrancelhas.
— O quê quer dizer com isso?
— Quero dizer que devia se calar. — Thalia o fuzilou com o olhar. — Nico está sangrando e você não parece nem um pouco preocupado. Está ha um passo de perder sua namorada e não parece nem um pouco preocupado. Está agindo feito um idiota e adivinha só... Não parece nem um pouco preocupado.
Jason encolheu os ombros enquanto processava tudo o que Thalia lhe dissera.
— É claro que me preocupo. Só acho que duas pessoas desesperadas não ajudariam em nada. E o que quis dizer com: “Próximo de perder a namorada”.
Thalia não lhe respondeu, continuou a manter a cabeça de Nico levantada sobre seu colo, esse que a essa altura já estava coberto de sangue. Mas naquele momento... Aquilo não importava nem um pouco.
— Thalia, o que quis dizer com próximo de per-...
Assim que abriram a porta Jason parou de falar, desencostou-se da parede e encarou as duas meninas que acabavam de entrar no quarto. Seus olhos se encontraram aos de Piper. Jason sorriu, mas ela permaneceu séria agachando-se ao lado de Thalia. O sorriso sumiu de seu rosto.
O que foi isso?
— O que aconteceu com ele? — Piper tocou o rosto de Nico.
Thalia pareceu ainda mais nervosa.
— Ele apagou Pipes, simplesmente... Do nada começou a sangrar e apagou. — A voz dela estava falha.
— Onde começou a sangrar?
Thalia apontou para a cabeça do menino. Piper puxou o rosto de Nico para seu colo e observou um pouco mais de perto.
— Ahn... Entendi. Pontos.
— Pontos? — Thalia a observava fixamente, revezando o olhar de Nico a ela.
— Pontos. — Repetiu. — Os pontos abriram.
— É isso... Isso é grave?
Piper negou.
— Não eu... Acho que posso dar um jeito. Só preciso de um local mais claro e bem... Material estilizado...
Thalia assentiu diversas vezes, tentou levanta-se, mas cambaleou para o lado. Reyna a segurou antes que caísse no chão.
— Está tudo bem?
— Não... Sangue eu. Preciso sair. Sair daqui. — Thalia apontou para a porta. Reyna assentiu ajudando-a no percurso.
— Jason. Ajude Piper a leva-lo para a enfermaria. Lá tem tudo o que ela precisa.
Jason assentiu aproximando-se de Piper, agachando-se ao seu lado e novamente tentou olha-la nos olhos, mas Piper não permitiu.
— Eu levanto por aqui e você as pernas okay? No 3. — Perguntou ela. E antes que Jason dissesse uma palavra se quer começou a contar. — 1.2..3 — E fez força.
. . .
Ambos levantaram Nico e seguiram até a enfermaria. Uma roda de alunos se fez presente do lado de fora. Muito nem se quer conheciam Nico... Só eram curiosos de plantão. Thalia se encontrava vomitando em algum canto nesse momento e Piper estava refazendo os pontos na cabeça de Nico.
Jason nunca havia ficado tão impressionado. Ela parecia tão esforçada, tão séria e determinada. Nunca tinha visto ela assim...
— E, pronto... — Afirmou suspirando. Tirou as luvas descartáveis que estavam com um pouco de sangue e jogou-as no lixo. — Acho que deu.
— "Acho"...
Piper sorriu prendendo seu cabelo em um rabo de cavalo novamente, já que no meio da confusão havia se desfeito.
— Fiz o possível. Não sou nem uma especialista. Mas acho que ele vai sobreviver. — Encostou-se em uma das macas.
Jason a observou por um tempo. Aqueles olhos lindos e quase indescritíveis. Sério... Nunca soube dizer qual era a cor. Nunca soube dizer se eram verdes ou azuis, confundiam-se até com castanho algumas vezes. A pele morena e a boca pequena e delicada. Seus cabelos impecavelmente lisos daquele castanho claro incrível presos ao rabo de cavalo.
Aproximou-se um pouco dela e tocou-a no rosto. Sua pele era tão macia e delicada. Piper subiu os olhos em sua direção, mas aquele brilho alegre não estava presente neles. Pelo contrario, parecia infeliz. Recuou seu rosto e afastou-se um pouco.
— Vou avisar á Thalia que ele está bem.
Jason assentiu.
— Certo.
Piper sorriu de lado e saiu do lugar. As botas batiam contra o piso de madeira avisando a distancia a qual os passos já estavam. Jason sentiu-se estranho. Como se a cada paço que ela dava para fora dali, também era um passo distanciando-se dele.
Mas por que aquela sensação?
Novamente pode escutar barulhos de passos no chão de madeira. Arrumou sua postura e sorriu encarando a porta. Mas... Piper não estava ali. Somente Thalia. E ela parecia terrível.
— Ah. — Bufou revirando os olhos. — Vamos saia logo daqui. — Thalia resmungou apontando para a porta.
— Hã?
— Você não quer estar aqui. Então simplesmente saia. — Falou. Sua voz soava cansada e entediada. — E acho melhor procurar por Piper e consertar a merda que está fazendo. Ou então... — Aproximou-se dele. — Deixe-a ir.
— O quê?
— Olha, Jason. Piper é minha melhor amiga, ela é delicada, frágil e inocente de mais... Então pare de fazer merda. Pare de machuca-la ou vai acabar estragando tudo, vai acabar perdendo ela e pode acreditar... Não ficarei do seu lado.
Jason franziu o cenho confuso.
— Do que está falando?
Thalia sorriu descrente.
— Descubra por si só. — O desafiou. — Mas se continuar a machuca-la, serei á primeira a interferir. Protegerei Piper de todos que tentarem feri-la. Porque de todas as pessoas no mundo... Ela é a única que não merece sofrer. E farei isso... Mesmo que seja você.
Jason encolheu-se. O que fez de tão terrível assim para Piper e até mesmo Thalia estar tão brava?
Nico resmungou na maca e Thalia finalmente parou de encara-lo. Ela seguiu até a mesma e sentou-se em um banquinho que havia ali. Observou com cuidado o rosto do menino enquanto dormia. Sua mão subiu com mais cuidado ainda a sua testa, e mexeu no cabelo que caia acima de seus olhos. Thalia deu um pequeno sorriso, voltando a olhar para Jason em seguida.
— Ainda está aqui? O que está esperando em? Tem somente até o fim da noite para se redimir. Se não... — Thalia sorriu, um sorriso tão maligno que assustaria até mesmo o pior serial killer. — Finalmente irei interferir nisso. E você não vai gostar nem um pouco...
Jason sentiu um choque passar por sua espinha e achou que era melhor fazer o que ela dizia. Correu para fora da enfermaria e seguiu percorrendo o acampamento.
Precisava encontrar Piper, precisava descobrir o que tinha de errado, não... Não podia perdê-la.
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