Because I Love You .
46 Pude sentir seus sentimentos.
Notas iniciais
Nico acordou poucas horas depois. Levantou-se da cama ainda meio desnorteado e escorregou sobre ela, sentando-se na beirada. Respirou fundo passando as mãos por ambos os olhos tentando assim amenizar o ardor que sentia ali pela noite mal dormida.
Não conseguiu dormir direito, não parou de pensar em Thalia um segundo se quer. Pensava em como ela era linda, em como seus olhos brilharam a luz da lua, em como aquela blusa regata a deixava incrivelmente sexy e em como... seus lábios ficaram próximos noite passada.
Sabia que não resistiria, ficar com ela naquela casa por mais uma noite seria uma missão impossível, bom... ao menos sem agarra-la. Por isso, resolveu que o melhor seria cair fora.
Levantou-se da cama e caminhou até o corredor em passos lentos e discretos. Não queria acordar Jason e muito menos Thalia, só em pensar nela com uma carinha de sono, sorrindo enquanto coçava seus olhinhos e lhe dava um sonoro bom dia, só em imaginar... o coração de Nico chegava a acelerar.
Suspirou e piscou algumas vezes tornando a realidade, demorou alguns segundos para lembrar o que estava fazendo, mas assim que aconteceu, voltou a caminhar em direção ao banheiro.
Assim que empurrou a porta branca entrando no espaço, deu de cara com suas roupas penduradas na porta do box. Caminhou até elas e pegou seu celular em um dos bolsos da calça, conferindo as horas. 11:34. Já estava bem tarde, mas duvidava muito que alguém estivesse acordado uma hora dessas em pleno domingo. Guardou novamente o celular e calçou seus tênis all-star que encontravam-se no chão, ao lado da porta; Pegou as roupas em mãos e saiu do banheiro, seguindo até o fim do corredor, descendo a escada rotatória.
Chegou à cozinha da casa e com os passos igualmente lentos foi até a sala, conferindo se ela estava vazia, e assim como no cômodo anterior, estava. Todos ainda deviam dormir como suspeitava. Nico tornou a cozinha e foi até um dos balcões, abrindo a primeira gaveta em busca de alguma sacola para suas roupas. Passou um bom tempo vasculhando, já estava se sentindo um stalker quando finalmente encontrou uma com dizeres “Ecologia é Ecolegal!” e um grande polegar fazendo o sinal de positivo ao lado. Teve de sorrir imaginando Thalia com aquela coisa, mas logo tratou de se recompor, colocou as roupas dentro da sacola e caminhou até a sala.
Assim que chegou ao centro dela, onde encontrava-se o grande tapete branco e felpudo, Nico teve de se esticar ao limite para passar por ele sem que pisasse. Usou a estante como apoio e seu olhar foi de encontro aos porta-retratos sobre ela, um em especial chamou sua atenção.
Havia três crianças na foto, abraçadas e sujas de tinta. A do meio Nico obviamente reconheceu, aqueles olhos azuis eram inconfundíveis. Thalia estava com os braços ao redor das duas outras crianças. Ela sorria largamente e como sempre era encantador, nunca havia visto um sorriso tão lindo quanto o dela. Seus olhos azuis estavam apertadinhos e as sardas pareciam ainda em maior quantidade, salpicadas por seu rosto, que estava levemente corado, como se houvesse corrido uma maratona pouco antes de tirar a foto; suas bochechas estavam pintadas de azul em um lado e laranja do outro, com um índio, um índio lindo e fofo, que dava vontade de apertar.
Olhou para a outra menina da foto, que estava ao lado direito de Thalia, assim que bateu o olho a reconheceu. Os cabelos loiros presos em um rabo de cavalo, a pele ligeiramente bronzeada e os olhos intensos e cinza. Aquela com toda a certeza era Annabeth. Ela também sorria e tinha ambas as bochechas pintadas, cinza e laranja eram as cores. Annabeth segurava uma plaquinha de madeira nas mãos “melhor trabalho em equipe” estava talhado nela.
Nico sorriu, elas eram tão fofinhas, nunca pensou em Thalia e Annabeth juntas quando criança, mas ficara feliz em ver aquela foto. Ganharam um premio de melhor trabalho em equipe, isso provava o quão unidas eram.
Passou seu olhar ao único garoto da fotografia, o que estava ao lado esquerdo de Thalia, segurando-a na cintura e com os dedos da outra mão fazia o sinal de vitória. Seu sorriso sumiu no mesmo momento. Pegou o porta-retratos na mão e olhou um pouco mais de perto, também reconhecia aquela criança... os cabelos loiros e os olhos azuis claros, o sorriso malicioso nos lábios como se acabasse de pregar uma peça em alguém. Aquele era Luke. Sentiu-se terrivelmente desconfortável.
Por que Thalia tinha uma foto de Luke?
Sentiu-se terrivelmente mal, nunca pensou em Thalia tão feliz assim ao lado de Luke, em sua cabeça a única coisa que conseguia imaginar quando juntava os dois era: dor, magoa, tristeza. Aquela realidade foi como um tapa na sua cara.
— Bu... — Sussurraram ao pé de seu ouvido, o corpo de Nico arrepiou-se completamente, dos pés a cabeça.
Saltou para frente pelo susto e quase deixou o porta-retratos cair no chão, mas por polco o segurou. Olhou para trás com o coração ainda acelerado. Sua boca se abriu ligeiramente enquanto observava Thalia de cima abaixo. Deuses! Até depois de acordar ela conseguia ser perfeita. Seus olhos estavam sem maquiagem e os cabelos desgrenhados, o rosto estava meio vermelho por ter acabado de levantar, mas ainda assim... continuava maravilhosa. Usava somente uma blusa do The Pretty Reckless que ia até a metade de suas lindas coxas.
Aquela grande cruz/seta apontando para baixo, ai, ai...
Ficaria o dia inteiro encantado com tamanha beleza, entretanto a voz de Thalia lhe arrancou de seus pensamentos:
— Mas que coisa feia em? — Ela sorriu arqueando suas sobrancelhas. — Curiando as minhas coisas.
Nico franziu a testa e semicerrou os olhos.
— Bem, eu não estava curiando...
Thalia sorriu novamente e coçou seus olhos de um jeito muito adorável, exatamente como imaginou em suas fantasias minutos atrás.
— Tudo bem, estou só brincando. — Parou de coçar seus olhos e se aproximou um pouco. — Agora deixe-me ver o que você não está curiando.
Nico sorriu sem jeito e estendeu a mão, mostrando a ela o porta-retratos.
Thalia olhou para a foto e seu olhar tornou-se distante.
— Ah... esse dia, ele foi incrível. — Disse, ainda imersa naquela esfera de distancia.
Nico sentiu certo ciúme, qual era daquele olhar distante? E por que ela tinha uma foto de Luke?! Thalia devia odiá-lo pelo que ele fez.
— É... — Forçou um sorriso. — Dá para perceber pela forma como sorriem, você e Annabeth, certo?
Ela assentiu ainda encarando a foto.
— E quem é este aqui? — Tocou o rosto de Luke, como se não o conhecesse. O olhar de Thalia finalmente mudou, ela parou de encarar a foto e olhou para Nico.
— Esse é Luke.
— E o que ele era seu?
A sobrancelha direita dela se arqueou e um sorriso malicioso tomou sua boca.
— Está com ciúmes, Di Ângelo?
Sim.
— Claro que não...
Thalia sorriu.
— Luke era meu amigo, na verdade, era nosso melhor amigo. — Falou apontando para Annabeth. — Mas acabou que nos separamos com o tempo...
Nico assentiu.
— Entendo... vocês brigaram? — Tentou controlar o ciúme em sua voz, não queria deixar transparecer novamente.
— Na verdade foi mais serio que uma mera briga.
— Então por que tem uma foto dele? — Finalmente a deixa para a real pergunta que queria fazer.
Thalia sorriu e coçou sua cabeça, pensativa.
— Eu não sei, gostava muito de Luke e não posso simplesmente fingir que ele nunca existiu. Sabe, este momento — Thalia tocou a foto, — foi um momento bom, na verdade, um dos melhores. Essa foto retrata o fim de uma parte escura em minha vida. Foi pouco tempo depois de a minha mãe morrer, eu não sorria há um bom tempo... então, eles me fizeram sorrir.
Nico encarou Thalia ainda um pouco triste. Podia ver pela expressão dela, aquela lembrança machucava, machucava porque era boa de mais.
— Por mais que eu não queira assumir, Luke me trouxe luz. Ele e Annabeth me ajudaram quando mais precisei, então, é por isso que tenho esta foto. Para lembrar os momentos bons. — Thalia sorriu e pegou o porta-retratos das mãos de Nico. — Porque esse é um dos maiores problemas do ser humano, ele só consegue enxergar o mau. — Colocou-o sobre a estante novamente. — Mas não existiram somente coisas ruins com Luke, existiram também coisas boas, momentos extraordinários que merecem ser lembrados, independente dos fins.
Nico assentiu, perguntou-se se aquilo valeria para ele também. Se contasse toda a verdade para ela, será que Thalia ainda assim, guardaria os momentos bons?
— Mas então... — Ela falou depois de alguns segundos em silêncio. — o que está fazendo acordado uma hora dessas?
— Há, bem... eu estava de saída.
— O quê?
— Olha, Thalia. Eu agradeço muito, serio, por tudo. Por me dar um teto e mostrar o quão maravilhosa uma chuva de meteoros pode ser. Obrigado por me ajudar, mas preciso ir.
— Não entendo, se o que fiz foi tão bom, por que vai?
Porque não posso ficar perto de você sem que queira te jogar contra aquela cama enorme e macia, fazê-la minha, finalmente dando uma utilidade para aquele espelho no teto, assistindo a cada retorcer de prazer que seu rosto e corpo daria.
— Há, bem... acho que já incomodei de mais. — Forçou um sorriso.
— Não está me incomodando. — Ela parecia triste.
— Você pode falar que não estou, mas sei que estou sim. — Thalia ia discutir, mas Nico foi mais rápido. — Devolvo as roupas e a sacola logo, tá?
Ela negou com a cabeça.
— Pode ficar, não é como se eu precisasse.
— Ainda assim vou devolver...
Thalia bufou frustrada.
— Você não precisa ir. É sério, quero que fique.
Nico não pôde conter o sorriso.
Por que tinha de ser tão fofa?
— Eu tenho que ir...
— Bem, ao menos não coloque a culpa em mim, já que estou pedindo que fique.
Nico suspirou.
— Certo, então eu vou porque tenho de fazer coisas minhas coisas de espião secreto. — Thalia deu um risinho e aquilo já foi o suficiente para deixa-lo feliz. — Agora eu preciso ir, meu país precisa de mim...
Novamente um pequeno sorriso embora seu olhar fosse triste.
— Se é o que quer, não posso impedir.
Nico sentiu-se triste também, queria poder ficar, mas nesse exato momento já sentia uma vontade louca de abraça-la e consola-la, tinha de ficar longe, era mais seguro.
— Então... — Suspirou caminhando até a porta e a abrindo, Thalia o seguiu encostando-se ao batente. — Tchau, e mais uma vez... obrigado por tudo.
Ela negou com a cabeça.
— Não foi nada e se precisar, sabe onde moro, estarei aqui.
Assentiu virando-se, pegou seu skate ao lado da porta e seguiu até o elevador, apertando o botão “T” e esperou até que as portas se fechassem. Seus olhos cruzaram com os de Thalia no curto espaço de tempo em que as portas iam de encontro uma a outra, seu coração acelerou e teria feito uma loucura se ás portas não o privasse assim que fechadas.
Respirou fundo e encostou suas costas na parede tentando organizar seus pensamentos. Aqueles sentimentos eram arrasadores. Pegou seu celular no bolso e colocou os fones em seu ouvido, dando play a uma musica aleatória. Deixou-o com o volume no máximo, para que o som o privasse de pensar em qualquer coisa, mas a musica não ajudava muito.
How long have you been gone?
And the cold winter's aged
The soft of your face
And I can't move on
My good morning sun
Fish from early hunt
I wake but you're gone
Teve de suspirar, aquela musica piorava tudo, só a colocara para não pensar em Thalia, mas ela estava fazendo o total oposto. Lembrou-se do primeiro beijo que deram, aquele que fora desafiado por Thalia, lembrava perfeitamente de suas palavras “E então, estou aqui com a minha boca a centímetros da sua, e você não vai fazer nada?”.
Sorriu. Thalia com toda a certeza não era uma garota normal.
O elevador apitou e deu um tranco, enquanto suas portas se abriam.
Nico suspirou saindo de lá. Caminhou até o grande pátio e agradeceu mentalmente pelo tal porteiro não estar ali, aquele cara... sempre que tinha uma chance flertava com ele e isso o deixava, hm... desconfortável?
Colocou seu skate no chão e deu impulso saindo dali. A música ainda tocava deixando tudo meio surreal. Não prestava atenção em nada a sua volta, somente a sua frente, em seu caminho, descendo rapidamente a rua com o skate. Pretendia voltar a sua casa, mas não pretendia falar com seu pai, sabia que ele não estaria lá uma hora dessas e era justamente por isso que estava indo.
Em poucos minutos chegou. Como no meio da discursão jogou a chave contra seu pai, não daria para entrar pela porta da frente. Por sorte, quando criança construíra uma “passagem secreta” fazendo um pequeno buraco na lateral do muro, que ficava oculto pelas diversas flores do jardim que havia de frente a construção.
Pegou seu skate em mãos e caminhou pelo gramado por um tempo, não lembrava perfeitamente de onde furara o muro então demorou até encontrar, não usava aquilo fazia bastante tempo, na verdade, quem mais usava aquilo eram as “amigas de Nico” em suas visitas noturnas.
Se é que me entende.
Encontrou a passagem atrás de uma dúzia de rosas, tirou-as da frente e se ajoelhou passando pela pequena passagem no muro.
Menor do que se lembrava.
Quase ficou preso, mas no fim conseguira chegar ao outro lado. Caminhou por seu quintal, o quintal da casa que vivera por toda sua vida, entretanto, a única coisa que conseguiu pensar assim que viu sua piscina... foi em Thalia. Aquele beijo que compartilharam, o sentimento arrebatador que lhe dominara fazendo-o nadar desesperadamente em sua direção.
Suspirou e tirou os fones do ouvido, aquela música com certeza não estava ajudando. Parou de encarar a piscina feito um retardado e se concentrou no que tinha de fazer. Olhou para o alto, em direção ao quarto, como sempre sua janela estava aberta. Sorriu, já tinha um jeito de entrar na casa, mas e o jeito para subir até a janela?
— Tudo bem... — Respirou fundo colocando sua sacola de roupas e o skate sobre uma das cadeiras, aproximando-se da parede e olhando-a de baixo para cima. Era bem alto. Esfregou ambas as mãos e ajeitou as mangas de sua blusa. — Vamos ver se todo aquele tempo jogando assassin squad servira para algo.
Apoiou seu pé direito sobre a cadeira de praia que havia ali e esticou seu corpo ao máximo possível, tentando alcançar a calha da casa. Não obteve sucesso.
— Hey, quer uma ajudinha ai? — Escutou uma voz familiar perguntar em meio a risos.
Desceu da cadeira e olhou para trás, na casa vizinha, a garota perguntava de sua janela.
— Rachel, como sempre aparecendo nas horas mais inusitadas, não?
Ela sorriu.
— Pois é, quase como uma super-heroína de quadrinhos. Mas e então civil em perigo, por que está tentando subir o muro da sua própria casa?
Nico suspirou derrotado.
— Vendo por esse ângulo, realmente parece bem cômico. Devo admitir.
— Pode ter certeza que sim.
— Bom, uma dica, quando sair de casa e jurar nunca mais voltar... lembre-se de levar ao menos roupas.
— Você saiu de casa? — Ela parecia surpresa. — Uau...
— Sim, eu... descobri umas coisas e, bem, achei melhor sair.
— Hm... mas isso não é da minha conta, então, como uma boa super-heroína vou fazer o que é da minha conta: Quer ajuda, ou não?
— E como poderia me ajudar? Vai voar até aqui e me levar até meu quarto?
Rachel sorriu e negou com a cabeça.
— Bem, eu estava pensando mais em uma escada.
— Há... claro, mas isso seria menos super.
Ela novamente sorriu.
— Certo, civil, espere um pouco, já desço ai. — Então saiu da janela.
Nico suspirou parando de olhar para cima e seguindo até a piscina, sentando-se na beirada, tirou seus tênis e dobrou a barra da calça até metade da panturrilha, depositando seus pés na água geladinha. Ficou alguns minutos ali, somente balançando aos pés e olhando fixamente para o brilho que parecia dançar sobre a cristalina água refletindo o sol.
— Ahhh! — Gritaram atrás dele e Nico saltou para dentro da água por reflexo.
— Deuses, que susto! — Arregalou aos olhos enquanto mexia os braços para não afundar, já que estava na parte mais profunda.
Rachel sorriu.
— Desculpa, não deu pra controlar... — Suas mãos a esta altura estavam na barriga enquanto gargalhava. — O mau em mim é muito forte...
Bem, vocês devem estar pensando “como Rachel sabia sobre a passagem secreta?” Pois é... isso mesmo.
— Pensei que fosse uma super-heroína. — Nico murmurou incrédulo.
— E sou uma, mas uma zoeira, como o homem aranha.
Teve de sorrir com aquilo.
— Você é muito boba às vezes...
— Não me chame de boba, isso é muito fofo e todos sabem que você não é fofo.
Nico arregalou aos olhos.
— Ai, você poderia mentir pra mim, tá?
Rachel sorriu novamente.
— Agora que “esfriou a cabeça” — Ela fez aspas com os dedos enquanto segurava o riso. — A escada já está aqui. — Apontou para trás.
Nico assentiu.
— Okay, agora me ajude a sair daqui. — Nadou até a beirada e estendeu a mão a ela.
Rachel se curvou um pouco e segurou a mão dele, que a puxou para baixo fazendo-a cair na água também. Foi sua vez de gargalhar, ela submergiu rapidamente com seus cabelos ruivos cobrindo o rosto, mas o olhar de raiva era transparente.
— Você abaixou a guarda, ferrugem.
Seu rosto ficou vermelho.
— Não me chame assim...
— Por quê?
— Porque me chamava assim, quando... — Seu rosto ficou ainda mais vermelho e ela negou com a cabeça. — Deixa pra lá. Mas agora estamos quites, certo? — Levantou ambos os braços em rendição. — Paz?
Nico a encarou com os olhos semicerrados.
— Você não me engana...
Rachel revirou os olhos.
— Qual é, não seja criança. Paz? — Estendeu sua mão a ele.
Nico de olhos ainda semicerrados, assentiu.
— Certo, paz... — Apertou a mão dela, Rachel puxou-o até estarem bem próximos, então afundou a cabeça dele na água.
Nico se debateu lá embaixo e Rachel ouviu nitidamente um “traidora!” sair em meios aos “blo,blo,blo”
Sorriu e parou de pressionar a cabeça dele contra a água, virando-se e tentando sair o mais rápido possível da piscina, porém, a mão de Nico foi mais rápida, segurando-a pelo calcanhar e puxando-a para baixo. Rachel prendeu a respiração e sua visão tornou-se toda azul, pela água, aos seus ouvidos a risada de Nico vinha abafada.
Rachel submergiu respirando fundo, mas Nico ainda a segurava.
— Me solta! — Se debateu sorrindo.
— Pede pinico!
— Pinico, Pinico!
Nico a soltou sorrindo vitorioso, Rachel correu até a escada da piscina e se agarrou a ela.
— Você tem que aprender a aceitar a derrota. — Murmurou.
Nico sorriu passando a mão pelos cabelos, tirando-os da frente dos olhos.
— Fale o que quiser, mas quem pediu pinico aqui foi você.
Ela suspirou e se recompôs subindo a escadinha e saindo da piscina, Nico logo em seguida.
— Olha só o que você fez... — Murmurou olhando para seu corpo. — Essa roupa nem era minha.
Rachel sorriu maliciosamente.
— Hm... não sabia que dormia com caras também.
— O quê? — Nico arregalou os olhos. — E não durmo.
— Agora que já lhe dei a escada, meu trabalho aqui está feito. Vou indo. — Ela apontou para trás.
— Valeu ruiva. — Nico lhe deu um beijo na bochecha. — Salvou minha vida.
— Não fiz mais que meu dever, civil. — Ela piscou e sorriu. — Agora como cheguei, sairei feito um ninja... — Rachel fez uns sinais com as mãos e abaixou-se saindo pela passagem.
Nico gargalhou negando com a cabeça, Rachel era uma garota muito estranha. Olhou para suas roupas encharcadas novamente, e um a um, abriu os botões da camisa xadrez, tirando-a de seu corpo e jogando-a sobre a cadeira.
Caminhou até onde a escada estava apoiada e a pegou em mãos, colocando-a abaixo de sua janela e subindo logo em seguida. Aquilo era bem mais fácil que escalar feito o Ezio.
Assim que chegou ao seu quarto, a primeira coisa que fez foi se atirar sobre o colchão. Foda-se que estava todo molhado, sentia tanta saudade de seu quarto, das suas coisas e com aqueles pensamentos, caíra no sono.
( . . .)
Acordou no outro dia completamente atrasado para a aula. Mas ainda assim, conseguiu chegar a tempo. Ninguém estava levando a escola muito a serio esses dias, todos estavam focados somente nos preparativos do baile. Até mesmo Sr.D, tanto que os alunos nem se quer tinham aulas, todos os professores cederam o tempo para que eles ajudassem nos preparativos.
Faltava menos de uma semana para o dia do baile chegar, todos estavam ansiosos e muito entusiasmados, principalmente Calypso. Nico, por sua vez, não estava tanto assim. Como todos estavam dedicados ao baile, para que os preparativos acabassem logo, separaram os alunos em grupos. Mas ele... estava excluído de qualquer um dos grupos, já que só ensaiava algumas das musicas que cantaria na noite do baile, portanto, também não via Thalia por todo esse tempo, não que fosse de todo um mau, já que assim... poderia se controlar melhor.
Neste momento, estava sozinho na sala de musica, sentado em uma das mesas tocando notas aleatórias do violão enquanto seus pensamentos estavam distantes, até que o barulho da porta correndo lhe tirou de seus pensamentos, olhou para o lado a tempo de vê-la entrar.
— Desculpa, te assustei? — Thalia sorriu um pouco envergonhada.
Nico negou com a cabeça.
— Não, só estava com os pensamentos meio distantes.
— Hm... — Ela se aproximou um pouco. — É horário vago agora, então vim aqui lhe ouvir tocar um pouco.
Assentiu olhando-a sentar-se ao seu lado, ela estava meio ofegante.
— Você parece cansada, algo aconteceu?
— É que eu estava correndo, sabe... pra passar mais tempo com você.

Nico sentiu seu rosto esquentar, pigarreou e encarou seu violão novamente.
— Hm... certo.
Thalia deu um risinho.
— Sobre a música que você tocou na outra noite... — Começou ela, Nico engoliu em seco, aquela música foi uma surpresa até mesmo para ele, seu coração mandou cantar aquilo e de certa forma se sentiu melhor depois de canta-la, como se estivesse confessando tudo o que sentia para ele em anonimato.
— Sim?
— Vai cantar ela no baile?
Negou com a cabeça.
— Acho que não...
— Huh, e por quê?
— Porque só cantei aquela noite, por sentir que devia cantá-la, sabe? Aquele momento, ele, era perfeito, era especial. — Nico dedilhou algumas das notas.
— Especial? — Thalia lhe olhou atentamente e só então notara o que tinha dito.
— Ah, nada. É só bobagem minha. — Parou de encarar o violão e olhou para ela. — mas diz ai: o que quer ouvir?
— Sua voz... — Thalia sussurrou e olhou diretamente em seus olhos, Nico sentiu seu coração acelerar.
Foi quando se tocou, Thalia não estava ali para ouvi-lo cantar, estava ali para ficar ao seu lado, assim como prometeu que faria.
— Olha, não precisa levar a promessa tão á serio.
— O quê?
— Sabe, sobre ficar ao meu lado, não precisa levar a serio a este ponto.
— Acha que estou aqui só por causa da promessa? — Ela parecia incrédula.
— E não é?
Thalia bufou cortando contato visual, ficou balançando suas pernas como uma criancinha, ela tinha mania de fazer aquilo.
— Sim, exatamente, pela aposta. — Falou e fez um bico, Nico podia jurar de pé junto que ouviu um “idiota”.
A sala ficou em silêncio por um tempo, Nico aproveitou que ela não olhava em sua direção e a observou melhor. Thalia usava uma calça jeans bem clarinha, quase branca, os joelhos eram rasgados assim como algumas partes das coxas, ela estava dobrada na barra e o clássico coturno cobria a parte que devia estar exposta. Pela primeira vez, Nico notou que Thalia usava esmalte, suas unhas estavam pintadas de preto e havia umas poucas pulseiras da mesma cor em seu pulso. Vestia também uma blusa de ombro caído “Shut Up And Kiss Me” estava escrito nela. Ficou profundamente tentado a obedecer seus dizeres.
— Então... — Finalmente começou a falar. — Sobre Luke... sabia que um Luke estuda aqui, será que é a mesma pessoa?
Sabia que estava sendo meio bobo com aquela pergunta, mas queria confirmar suas suspeitas mais que tudo. Ainda não tinha certeza se Luke havia mesmo traído Thalia, poderia ser só engano, poderia ter entendido errado o que ela disse enquanto dormia, mas não conseguia parar de pensar nisso deis de que vira aquele porta-retratos na casa dela.
Thalia lhe olhou com a testa franzida.
— Sim, Luke estuda aqui então é bem provável que seja o mesmo Luke.
— Hm... e você não fala com ele?
— Não mais.
— Hm... e por que não?
— Se você falar “hm” mais uma vez, vou socar seu nariz.
Nico a encarou assustado e Thalia sorriu.
— Certo, olha, vou lhe contar isso... eu nunca contei a ninguém com exceção de Annabeth, então jure que não contara também.
Nico esticou seu dedo mindinho a ela, Thalia franziu a testa.
— É uma promessa. — Sorriu e entrelaçou seu dedo ao dela.
Thalia corou, mas devolveu o sorriso.
— Sabia que quando se quebra uma promessa de mindinho, tem de cortá-lo fora?
Nico arregalou os olhos.
— É? Então o mesmo vale pra você.
Thalia sorriu.
— Eu sempre cumpro minhas promessas...
Espero que sim.
— E então... por onde eu começo? — Ela fitou ao chão novamente e tornou a balançar as pernas. Aquilo era tão fofinho.
(. . .)
Thalia contou toda á historia a Nico e suas suspeitas se confirmaram, Luke havia mesmo feito algo terrível, só em imaginar os dois assim tão próximos sentia seu estomago se revirar. Imaginar que Thalia entregou seu primeiro beijo a ele e Luke ainda assim, fez o que fez, era de dar nojo, se bem que... não era diferente. Thalia lhe entregara mais que o primeiro beijo, bem mais, e a machucou da mesma forma. Sentia-se imundo, podia falar o que fosse de Luke, mas eram iguais. Era tão baixo quanto.
— Então, por que ficou ai todo caladão? — Perguntou ela.
— É por isso... — Murmurou, seu olhar a quilômetros de distancia. — Por isso você tinha medo do amor.
— O quê?
Nico levantou a cabeça olhando para ela.
— Nada, eu estou falando dozinho aqui.
— Eu não tenho medo do amor! — Ela socou seu braço.
— Ah, então me ouviu, é? — Coçou a nuca sem jeito.
— Não sei de onde tirou isso. Não tenho medo do amor, só... receio.
— Tem medo de entregar-se a alguém e se machucar novamente, não é? — Perguntou aquilo como se não fosse nada, mas sentia sua garganta queimar e os olhos ardiam terrivelmente.
— É... pode-se dizer, mais ou menos isso. Porém, Thalia Grace é um pouco mais complexa. — Ela sorriu sem animo. — Eu odeio o amor e a ideia de me apaixonar, Nico. Mas ao mesmo tempo, desejo, sabe, esse sentimento que as pessoas dizem ser tão avassalador.
Nico assentiu, Thalia não sabia a sorte que tinha de não sentir aquilo.
— Eu queria que o amor fosse como nos filmes, sabe? — Ela sorriu, um sorriso tão meigo e adorável que quis beija-la ali mesmo. — Mas não só pelo final feliz. Queria alguém cantando ao pé da minha janela, queria alguém que me entregasse flores, alguém que gritasse, sem vergonha alguma, o quanto me amava. A noite estaria linda e a lua cheia brilharia no céu, olharia em seus olhos e ele nos meus, nem uma palavra teria de ser dita e saberíamos exatamente o que queríamos dizer, então... nos beijaríamos.
Nico a observou completamente encantado, nunca havia visto esse lado de Thalia.
— Mas a vida não é como em filmes... — Sua voz estava embargada. — Não vivemos em um conto de fadas e o amor, bem, ele não vem sendo muito bom comigo.
Nico contraiu aos lábios levando as mãos até seus olhos, apoiando o rosto sobre elas. Por que não pôde passar esses momentos com Thalia? Isso não... não era justo. Não era justo ela falar tudo aquilo sobre amor, não quando nem ao menos lembrava da historia deles, era horrível só ele lembrar de tudo, porque de certa forma, ela estava correta. Tudo havia se repetido novamente.
— O amor não é justo nem bom com ninguém... — Sussurrou. — Pode acreditar, ele vai lhe dar um soco na boca do estômago e vai lhe derrubar. Mas ainda assim, você vai se por de pé novamente e vai continuar insistindo nessa loucura, Thalia. Porque é justamente isso que o amor faz, lhe dá milhões de motivos para desistir, mas um sorriso... um misero sorriso da pessoa que você ama é o suficiente para todos os socos e pancada valerem a pena.
O silêncio dominou, Nico não tinha coragem o suficiente para olhar na direção dela, provavelmente estava chorando novamente, o que Thalia pensaria?
— Eu... nem sei o que dizer. — Sua vozinha estava ainda mais embargada. — Quer dizer, isso foi tão... tão, bonito, tão sincero.
Queria dizer para ela, queria dizer toda a verdade e pedir milhões de desculpas, queria abraça-la e beija-la naquele exato momento, porém, o sinal bateu lá fora, Thalia se levantou no mesmo minuto da mesa e caminhou até a porta.
— Eu preciso ir ou Calypso me mata. — Disse ela, Nico assentiu ainda sem olhar em sua direção. — E continue praticando, viu? Tente tocar algo especial como da ultima vez, pois da ultima vez, pude sentir seus sentimentos.
Arregalou aos olhos e olhou para a porta, mas a sala já estava vazia. Thalia se fora.
O que ela quis dizer com aquilo?
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