Because I Know That I Love You ..
6 Capítulo 7 u-u
Santa Isabel , 26 de setembro. Sete e meia da manhã .
- Lí! – ouvi paulo gritar, correndo em minha direção, na saída do colégio.
- Paulo? – virei-me.
- Por que você não me ligou? – ele parava na minha frente, ofegante.
- Ligar para você? – pensei um pouco – Ah! Ligar para você! Desculpe-me,Paulo. Esqueci-me completamente – dei-me um tapa na testa. – Era importante?
- Agora já está tudo em ordem – ainda ofegante.
- O que aconteceu?
- Sábado, tive que levar meu velho ao hospital…
- Aconteceu alguma coisa? Ele está bem? – fiquei preocupada.
- Agora está tudo bem. Foi só uma tonteira. O médico disse que foi nada – estávamos parados um pouco depois do portão da escola – Eu queria que alguém me fizesse companhia… Achei que para você não teria problema.
- Ai, droga! Devia ter ligado. Você ficou lá sozinho?
- Na verdade, não – coçou a cabeça. – O Jay-Jay apareceu por lá com flores e tudo – dei uma risada.
- Não imagino o Jay-Jay no hospital.
- Nem queira – ele entortou a boca – Parecia que ele ia a um encontro. Ainda mais com aquelas rosas vermelhas – fez careta. Eu ri — O médico aconselhou que o velho ficasse de cama por esses dias.
- Posso ajudar em alguma coisa? – eu estava me sentindo muito culpada por não ter ido ao hospital quando o Paulo precisou.
- Sabe, agora que meu pai está de cama, estou tendo que tomar conta do restaurante. Isso significa que tenho ficado muito cansado – fez uma pausa — Preciso de um pouco de diversão, senão eu vou ficar louco. Mas, em compensação, não posso deixar o velho Guerra sozinho lá em casa – ele pensou um pouco – Que tal fazer uma sessão de filmes amanhã? Minha televisão não é tão ruim assim…
- Estou dentro – sorri – A que filmes você quer assistir?
- Qualquer um que não seja um musical ou que tenha um personagem de orientação sexual discutível chamado Edward Cullen na história – ele girou os olhos – Ah, e nem um romancezinho água com açúcar também. Que tal “Jogos Mortais”?
- Nem pensar – levantei as sobrancelhas.
- “O Chamado”?
- Também não – percebi que ele já ia abrir a boca para falar alguma coisa. Então eu disse simplesmente — Não vai ser de terror, não importa o que você diga.
- Eu ia falar “Tartarugas Ninjas”, mas se você tem medo, podemos mudar – dei uma gargalhada.
Senti alguém me cutucar. Paulo foi fechando o sorriso aos poucos.
- Gabriel! – disse surpresa e depois me amaldiçoei por isso. Eu devia ter sido mais casual.
- ALÍCIA ! – ele repetiu meu tom surpreso, de brincadeira. Dei uma risadinha sem graça – Está melhor?
- Estou, sim. Obrigada – eu estava conseguindo falar. Ainda bem. Apesar de fazer mais de uma semana que ele teve que me levar à enfermaria, fiquei feliz por ele estar preocupado comigo de novo.
Impressão minha ou os sintomas do amor também estavam contagiando o Gabriel? Suspirei com o pensamento, sem perceber. Gabriel sorriu. Paulo se deu um tapa na testa.
- Mas então… – Gabriel começava a falar um pouco sem jeito. Sem jeito! – Eu estava pensando se você vai fazer alguma coisa na sexta… – Paulo deixou o queixo cair. Eu também – Se for fazer nada, podemos ir a um restaurante. Sei lá.
- Não, não – eu respondia quase automaticamente, um tanto histérica – Vou fazer nada na sexta.
- Vou esperá-lo no Café Pierre às oito. O que acha? – ele piscou pra mim. Minhas mãos estavam geladas. Eu estava com medo de cair – Aqui o número do meu celular. Se você chegar antes, não se esqueça de avisar – peguei o papel da mão dele.
- Para mim está perfeito!
- Vejo você lá então, gata – ele aproximou seu rosto do meu devagar, enquanto eu tampava a respiração. Colou nossos lábios em um selinho (percebi o Paulo olhar para o lado nessa hora) e retornou a andar na direção de seus amigos.
Virei-me para o Paulo lentamente, dura feito um robô. Eu nem piscava.
- Terra chamando Alícia… – ele disse, passando a mão na minha frente. Eu ainda não tinha reação – Lí? – Paulo perguntou novamente, me segurando pelos ombros e sacudindo. Soltei um sussurro baixo, mas significativo.
- Com que roupa eu vou?
Casa da Alícia .. Lá pelas quatro horas.
- Dá pra acreditar,Paulo? – joguei-me no sofá ao seu lado. Ele segurava uma vasilha de pipoca.
- É a mesma pergunta que você está me fazendo desde ontem à tarde. Não,Alícia. Não dá pra acreditar – ele parecia cansado da minha insistência.
- Qual o seu problema? – perguntei, unindo as sobrancelhas – Por que não está dando pulos e gritinhos de felicidade comigo?
- Primeiro que, se fizesse esse tipo de coisa, eu seria gay – ele começou a contar nos dedos – Segundo que acho que nem um gay dá pulinhos e gritinhos de alegria.
- Felicidade – corrigi.
- Tanto faz. Só o Edward Cullen faz uma coisa como essas – dei uma risada irônica. Ele sorriu com a minha irritação – Terceiro que o garoto mal conversou com você e já veio lhe dando um selinho e quarto que, vamos e voltemos, a fama do Gabriel não é lá a melhor de todas.
- Você também não é nenhum santo, gênio – girei os olhos – Já ficou com cinco na mesma noite. Coisa que nem o Gabriel fez.
- Eu estava bêbado e sem noção das minhas ações – ele balançou a cabeça para cima e para baixo.
- E por que você acha que o Gabriel não pode ter mudado? – estava indignada – Por que acha que ele não pode gostar de mim?
- Não é isso… – ele juntou as sobrancelhas, pensativo – Só tenho medo de que você se machuque – disse por fim. Soltei um longo suspiro.
- Obrigada por se preocupar. Sério – encostei a cabeça ao seu ombro – Mas acho que já sou bem grandinha pra saber me cuidar. Certo?
Ele não respondeu.
- Você disse a mesma coisa quando começou a namorar o Pedro, mas ainda assim, ficou chorando na minha cabeça uma eternidade.
Dei um beliscão no braço dele.
- Ai, ai!
- Eu tinha só treze anos. Está bom? Mudei muito.
- Espero mesmo.
- Mudando de assunto… – ele voltou a olhar para mim – Que filme vamos ver?
- Bem… – ele deixou a vasilha de pipoca ao meu lado e se levantou presunçoso – Como prometi para você que não seria de terror e para mim mesmo que não seria nenhuma coisa meiguinha, docinha e ridícula com o final feliz… – aí vem – Peguei Titanic.
- ‘Ta. Pode ser. Gosto da trama.
Ele foi colocar o DVD.
- O Jay-Jay não vai ver com a gente? – perguntei.
- Hoje não. Ele está tentando arrumar um emprego – Paulo se jogou ao meu lado.
- Um emprego de quê?
- Produtor de bandas. Maioria daqui do bairro – ele riu de uma lembrança – Uma vez ele até tentou produzir os urros de dor da senhora Stevens. Por alguma razão, ele achou que fariam sucesso – gargalhei.
O filme começou.
- Veja se não chora – alertei.
- Nunca – respondeu, sorrindo.
Na metade do filme, eu já estava em prantos. O senhor Guerra dormia e o Paulo se divertia com o meu choro.
A história é basicamente sobre uma mulher rica (Rose) que se apaixona por um homem pobre (Jack) e vive o seu amor proibido à bordo do navio. Jack mostra a Rose outra perspectiva da vida, de como as coisas simples podem ser mais prazerosas.
Em várias partes do filme, eu conseguia enxergar o Paulo no rosto do Leonardo DiCaprio, no personagem que ele representava. Não que eu os achasse parecidos de rosto, mas o jeito, a trama… Acho que por isso estava tão triste.
Quando o navio começou a afundar, eu mal conseguia respirar de tanto soluçar. Imaginei o Paulo naquela situação. Eu sabia o final.
- Não quero ver mais – disse entre soluços, enterrando meu rosto no peito dele.
- Ah, mas justo agora que está ficando bom? – ele se lamentou. Parecia estar se divertindo com a desgraça de Rose e Jack.
- Paulo… – minha face ainda estava enterrada em seu peito. Já devia ter molhado sua blusa toda. Voltei meu rosto pra ele. O garoto também se virou para mim. Meu olhar estava suplicante – Por favor…
Acho que o mesmo entendeu o motivo pelo qual o Jack estava me tocando mais do que nunca — mais do que nas outras vezes que eu vi esse filme -, porque ele se levantou, sem questionar, e tirou o filme.
- E agora? – perguntou, parecendo despreocupado – Temos “Tartarugas Ninjas” e “Tartarugas Ninjas”. Alguma preferência? – sorri. Ele colocou o DVD.
Estava escuro. Acordei no sofá, escorada no seu ombro. Ele me olhava sem desviar o olhar. Senti um pouco de vergonha por estar sendo observada enquanto dormia.
- Você dormiu no meio do filme – esclareceu.
- Droga – resmunguei – Há quanto tempo estamos assim?
- Mais ou menos uma hora – deu de ombros.
- E por que você não me acordou?
- Gosto de ver você dormindo — deu um sorriso disfarçado.
- Droga, Paulo .
– Ah, e sobre aquele papo de falar dormindo… Sinto muito, mas você fala, sim — estava presunçoso.
- Ah, caramba! – tampei a minha boca de vergonha – O que eu disse?
- Você sussurrou o nome do Gabriel uma vez… – ele fez cara de despreocupado – E sussurrou o meu duas – sorriu.
- Quê? – ele balançou a cabeça para cima e para baixo, como se dissesse: “verdade” –Não pense coisas estranhas,Paulo – cruzei os braços.
- Nunca disse que eu estava pensando.
- Mas fez cara de quem estava.
- Eu, não – ele ainda sorria – Venha. Levante-se. Vou deixar você em casa.
Fim ..
Notas finais
Ah , hoje também postarei o capitulo 8 ! Se liga u-u
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