Beauty of the end
1 Único.
I miss you in the moments when it all stops
Listen to the silence that hurts my heart
Maybe someday we will meet again and I'll turn back
Now our love turns to black
Nós começamos a sair logo depois de nos formarmos e uma coisa levou à outra. Há cinco anos ou mais nós lidamos com nossas diferenças, com nossas famílias. Eu lidei sozinha com suas transformações ao redor dos meus amigos. Nossos amigos. Meus que, pelo seu maldito charme e jeito de cara legal, se tornaram seus. Amigos que a esse ponto não me olham nos olhos.
Nossa relação se desgastou como qualquer outra. Perdeu o brilho que ganhava quando nos diziam que éramos perfeitos e eu sabia, sempre soube, que nunca fomos. Nunca pode ser um exagero. Talvez, em algum momento rápido, que desvaneceu tão rápido quanto surgiu, nós fomos perfeitos. Mas a verdade é que ninguém sabe o quanto está abrindo mão até perceber que está cedendo sozinho.
Pra mim foi naquela noite de abril. "Você não vai se lembrar, mas por deus, eu me lembro." Scorpius ainda não tinha chegado em casa, estava na rua com meus amigos, provavelmente bebendo uma cerveja num bar que eu não entraria nem morta. Esperei enquanto meus olhos conseguiram se manter abertos. Todos passam por fases ruins na vida, mas aquela estava sendo a pior, eram dias ruins pra minha família, e você só entende o que é ser um Weasley quando é um. Família acima de tudo.
Me tranquei no quarto, mas ainda sim ouvi a porta se chocar contra o batente da sala no andar debaixo na casa que a gente costumava dividir no subúrbio de Londres. Ouvi você me chamar. Cristo, como doeu. Em algum ponto as batidas pararam, acho que se conformou e foi deitar.
Por cinco anos eu fui fiel à Scorpius Malfoy. Por cinco anos eu vivi minha vida me dividindo, me dilacerando. Vamos em tal lugar, ele dizia, eu ia como um cão bem treinado. Vamos dançar, eu pedia. Ele negava com a destreza de quem está no controle. Eu parei de convidar: para as festas de família, para os programas mais agitados, para as festas da faculdade, para os festivais. Me abstive de muitos e em outros tantos fui obrigada a responder com a melhor cara do mundo "ele preferiu ficar em casa" ou "não é muito a cara dele". Não se trata só disso. Do desgaste social. Era mais.
Eu esperava. Esperava mais, esperava surpresas. Queria ter aquela sensação de alegria arrebatadora que ultrapassa tudo. Queria qualquer tipo de ação que me surpreendesse. Queria e esperava que ele fosse comigo a pessoa que era com meu amigos. Amigos que agora eram dele.
Eu queria não ser deixada de lado numa roda de conversa. E quando isso acontecia — acredite, acontecia e muito quando saíamos — eu pedia licença e ia beber. Ou fumar um cigarro. Eu queria distância. Nunca gostei das crianças que eram populares e não seria agora que ia começar a gostar.
Aquela noite pode ter sido a gota d'água. Ou talvez a gota d'água fora tempos antes e só então eu tive coragem para ver, afinal eu estava numa situação relativamente confortável. De qualquer maneira.
Eu recebi um prêmio por uma fotografia. Ele não só não estava na premiação por mim, como também estava comemorando uma promoção de uma "amiga" no bar. De todo meu acervo em exposição, minha fotografia mais antiga recebera um prêmio, e eu tive que explicar porque eu estava acompanhada dos meus assistentes.
Então depois de beber o Scotch de trinta anos envelhecido em carvalho que o maldito loiro tinha tanto orgulho eu coloquei as coisas dele em uma mala e me tranquei no quarto.
Não sou uma pessoa fria. Eu me tornei fria por conveniência: quando ele disse que me amava e não tinha feito por mal eu soube que ele me traíra. Já há algum tempo eu não fazia planos pra nós dois e não o sonhava no meu futuro.
Quando ele caiu de joelhos e chorou pelo meu perdão, nem olhei em sua direção. Houveram momentos em que eu jurei que não seria feliz com mais ninguém; momentos em que nos deitávamos no escuro ouvindo alguma coisa do celular dele. Mas não valiam a dor. Não valiam meus antidepressivos, ou minhas sessões de terapia. Se existe algo a meu respeito do qual eu me orgulho, é ser uma pessoa racional, é poder entender o que fizeram e porque fizeram, e eu vi, que naquele momento, se eu conseguia analisar a situação e não derramar uma lágrima, é porque eu já não amava. Não amava há muito tempo.
Meus amigos me culparam pela traição.
Eu vendi a casa no subúrbio.
Me mudei pra Itália.
Onde eu teria um novo começo. Onde ninguém soube do meu coração partido ou de como, por uma noite inteira eu chorei todas as minhas lágrimas.
Mas há uma beleza no fim. Não vou dizer que não senti falta dele. Hyperion passou cinco anos na minha vida, em um período de tempo limitado nós fomos felizes, até que eu me peguei desejando que ele tivesse o que eu tenho agora.
Eu me senti livre como nunca antes. Já não havia peso nos meus ombros. Talvez o mal de se apaixonar e acabar, por consequência, amando alguém, não seja o ato em si. Ou se abrir. No fim todos temos que correr riscos. Cair é a menor parte. O problema é atingir o chão.
Eventualmente eu voltei a Londres. Ele estava com a tal amiga. Queria dizer que senti um aperto no peito, ou que senti raiva, mas pra ser honesta, não senti nada. Mas eu precisava de um encerramento.
Escrevi-lhe então uma carta contando de como me senti em cada estágio do nosso relacionamento, de como eu desejei que fossemos perfeitos quando estávamos enganados sobre tudo. Contei como no início, depois do fim, me senti assustada por ter o mundo em minhas mãos e como nada na vida vinha fácil. Contei de como me recuperei depois que atingi o chão.
Ele não entendeu. Ele nunca entendeu nada. Perguntou o que eu queria com a carta e a essa altura, não quero mais nada.
Eu me basto. Meu amor que transborda em mim e dedico a outro alguém se bastam.
E a resposta pra tudo isso é que encontrei alguém que dança comigo quando tudo o que eu quero é ser feliz. Onde eu encontro a perfeição por meus olhos, nas minhas certezasw
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