Beauty and the Beast
3 Prazer Caspian!
Notas iniciais
— Cara, você tem muito azar. – Ed gargalhava enquanto eu contava a história do meu quase beijo frustrado.
— Estou começando a achar que não é pra rolar nada entre nos dois. – suspirei.
— Para de ser boba Su, Dash gosta de você, não é porque o primeiro beijo foi meio ruim que ele vai desistir!
— Desistir do que? Nos não temos nada. – respondi bebendo meu suco tinha acordado atrasada, nem café tive tempo de tomar. Eu e Ed tínhamos combinado de se encontrar na lanchonete que fica ao lado da biblioteca.
— Não tem ainda, mas logo vão ter. – ele mordia o sanduiche com toda a fome do mundo, era engraçado como às vezes Ed parecia um bebê esfomeado.
— Logo que nunca chega né? Ed ele não mandou nem uma mensagem hoje. – estava achando que Dash só queria brincar comigo com aquele beijo, não tinha outra explicação para o fato dele não ter me mandado nada nem ontem à noite nem hoje de manhã.
— Moleques são meio esquecidos Su, não se preocupe logo ele vai te mandar algo. – Ed segurava minha mão tentando me fazer sorrir. – E outra conhecendo os projetos Medicina, certeza que neste exato momento, ele está no meio de uma partida de futebol.
— É, quem sabe você tenha razão Ed! Mas e o jantar? Como foi?
Ele respirou fundo e abriu um sorriso tímido. – Meu irmão voltou para casa, tudo indica que dessa vez ele vai ficar um bom tempo em casa.
— Serio Ed? Você não tem noção de como estou feliz por vocês.
— Sim Su, só espero que dessa vez ele fique tudo que prometeu. Porque ontem mesmo ele saiu cedo do jantar e foi varear.
— Ele vai ficar Ed. Talvez ontem ele só saiu porque queria respirar. – antes que eu pudesse concluir minha fala, um barulho irritante de ônibus parando cortou meu raciocínio e varias crianças desceram correndo para biblioteca. – Droga! Esqueci que hoje é dia das crianças visitarem a biblioteca.
— Putz vai ser impossível fazer o trabalho lá dentro. – respondeu ele fingindo estar triste. – Vamos ter que marcar outro dia, recomendo que você volte para sua cama e eu para minha assim posso aproveitar o sábado dormindo. – ele já estava levantando da cadeira, quando segurei seu braço e comecei a encara-lo. – Okay, você ganhou. Qual a ideia? – ele bufava e revirava os olhos, enquanto eu pensava em algo.
—Não sei Ed, as outras bibliotecas da cidade são muito longe e o tempo hoje não está confiável.
— Já sei! – gritou ele animado.
— Fala. – respondi confusa.
— Vamos estudar lá em casa! – Ed me olhou se sentindo o maior gênio de todos, devolvi o olhar com um sorriso torto, então ele continuou. – Para com isso Su! Não comece com a conversa de que vai incomodar lá em casa, até porque meus pais amam você. E não vai ter ninguém em casa.
Suspirei tentando tirar de mim a sensação de incomodo, não gostava de ficar indo na casa do Ed. Eles eram ricos, me sentia totalmente deslocada naquele mundo. – Okay Ed, mas não vou ficar muito tempo.
— Pare de graça, você é bem mais do que vinda em casa. Certeza que na hora que Dona Rosana te ver vai gritar e te abraçar como doida. – ele chamou os garçons, pedindo a conta. Fomos para o carro dele, o caminho foi todo silencioso, Ed até falava algumas coisas, mas eu apenas concordava, dentro de mim sentia um frio na barriga, uma sensação estranha percorrendo a minha espinha, não sabia o porquê daquilo, mas não conseguia parar de pensar.
— Chegamos senhorita Susana. – disse Ed estacionando o carro na garagem, sua casa era enorme, branca e bege, muito bem decorada, tanto por fora como por dentro.
— Sempre que venho aqui, me assusto com o tamanho dessa casa.
— Você mal vem aqui por conta das suas frescuras. – revirei os olhos e continuei a acompanhar ele para dentro da casa.
Entramos na casa dele e não tinha ninguém, subimos direito para o seu quarto, que era muito bem arrumado, me sentei na cama e comecei a abrir os livros. Ficamos em pesquisas e rascunhos por cerca de duas horas, às vezes conversávamos coisas alheias, mas sempre tentando manter o foco. – Chega! – gritou ele me fazendo assustar.
— Que foi trem doido? –perguntei encarrando à expressão de nervoso dele.
— Eu estou cansado disso, minha barriga está doendo de fome. – respondeu ele se levantando do chão em seguida abrindo a porta do quarto.
— Ed, só faz duas horas que comemos. – comentei rindo do olhar de reprovação que ele me mandava. – Tudo bem, Senhor esfomeado, vai lá comer, te espero aqui. – ele saiu emburrado, dei uma leve risada e voltei aos meus livros, mas não podia negar, ficar pesquisando tudo aquilo estava me dando um sono, encostei-me à cabeceira da cama, sentindo meus olhos se fechando. Estava quase entrando num soninho bom, até que escuto um estrondo me fazendo acordar assustada.
— Ed, você vai... – disse um homem alto de cabelos pretos lisos até o ombro, ele ficou-me encarrando por um tempo sem dizer nada. – Me desculpe senhorita, achei que era meu irmão.
— Tudo bem, eu sou amiga do Ed, estudamos juntos. – respondi gaguejando não conseguindo parar de encarrar aqueles olhos negros.
— A você deve ser a famosa Susana. Minha mãe fala muito de você. – ele caminhou em direção à cama parando a minha frente. – Prazer sou Caspian, irmão mais velho do Ed. – quando ele disse aquilo meu coração disparou, por alguns segundos eu não sabia o que fazer, fiquei apenas encarrando ele. – Vocês estão fazendo trabalho do que? – perguntou ele sem graça recuando a mão.
— Sobre a história da psicologia. – respondi gaguejando, já sentindo minhas mãos suarem. – É uma matéria bem interessante, porém tem muitos detalhes.
— Eu não entendo disso, minha faculdade se resumiu a exatas, sou um terror com humanas. – respondeu ele sorrindo, enquanto analisava os livros ao meu lado.
Antes que eu pudesse dizer algo, Ed apareceu com dois pratos com pães e mastigando algo que parecia ser um biscoito.
— Edmundo a nossa mãe disse que você andava esfomeado, mas não achava que era tanto. Você está igual uma draga menino! – ele debochava do Ed e eu apenas ria da situação, Caspian caminhou até o irmão pegando um dos pratos e me entregando, nossos dedos se tocaram gerando uma corrente elétrica que tomou conta do meu corpo, olhei assustada para ele que pela sua reação estava sentindo o mesmo. Abaixei a cabeça sem graça tentando ignorar aquela sensação. – Bom, vou deixar vocês estudarem, bom trabalho para vocês, foi um prazer conhecer você Senhorita Susana. – eu apenas sorri como resposta, esperando que ele saísse do quarto. – Ah Ed, feche as janelas, logo começara a chover. – olhei para janela e vi um céu cinza, que às vezes era iluminado por alguns raios.
— Droga, como eu vou embora agora! – disse baixo pra mim mesma.
POV CASPIAN.
Sai do quarto do meu irmão sentindo uma sensação estranha, não conseguia entender, mas Susana havia me causado arrepios pelo corpo e uma sensação de ansiedade no estomago. Depois de tantas coisas que passei nesses últimos meses e depois de passar meses naquela fazenda sem nenhuma companhia, eu não sabia o que era me sentir bem, mas o sorriso daquela moça me trouxe um calor no coração.
— Caspian, Caspian, ela não é pra você. – disse sozinho, enquanto caminhava para o meu quarto.
Tomei um banho rápido, colocando uma camiseta velha e uma calça cinza de moletom, a chuva lá fora já caia forte, fechei as cortinas para não deixar nenhum vento entrar e quando fui me deitar na cama para ler, escuto uma leve discussão no corretor, pelas vozes era Ed e Susana.
Tentei ignorar, mas Ed continuava falando que não deixaria ela fazer aquilo, minha curiosidade não conseguiu se conter, levantei da cama e fui até eles. – O que está acontecendo aqui? – perguntei olhando curioso para eles.
— Simples. Essa doida chamada Susana quer pedir um taxi com esse tempo, ela não entende que os carros são feitos para andar nas ruas não no meio de lagoas. – ela olhou para ele vermelha, sussurrando baixo que mataria ele.
— Tenho que concordar com meu irmão, a senhorita não vai conseguir ir embora e se conseguir é muito perigoso, fique aqui em casa até a chuva passar e depois te levo em casa.
— Não precisa. Eu não quero incomodar ninguém. – respondeu ela com uma voz suave.
— Susana, você não incomoda, toda minha família te ama. – Ed a balançava pelo ombro, enquanto ela sorria sem graça.
— Sim, não é incomodo nenhum, espere mais algumas horas até se for preciso durma aqui. Depois eu levo você para casa. – algo em mim insistia para que Susana continuasse, era a primeira vez que eu a via, mas queria conhecer ela mais e mais.
— Tudo bem, eu fico!
— Aleluia irmão, essa mula me ouviu. – ela deu um tapa no meu irmão me fazendo gargalhar. – Cas, faz companhia para Su, vou tomar um banho rápido antes que os raios voltem.
Eu mal pude pensar em responder e o Ed já tinha sumido, Susana me olhou sem graça depois encarrando o chão, não sabia bem o que fazer, estava me sentindo um menino bobo perto dela.
— Vamos para sala, podemos ver um filme. Ed demora muito no banho. – tentei ser engraçado, mas pelo visto falhei, já que ela apenas concordou e sorriu. Caminhamos em silencio, ela parecia desconfortável com a situação e eu frustrado. – Você tem quantos anos Senhorita Susana? – insisti um assunto, enquanto colocava um filme qualquer na TV.
— 19 e você?
— 28, sou um pouquinho mais velho. – ela sorriu, fazendo meu coração acelerar. – Você entrou na faculdade faz tempo?
— Nossa quem me dera! – respondeu ela suspirando, me sentei ao lado dela prestando atenção em tudo que ela falava. – Sai do colegial e fiquei um ano estudando para o vestibular por conta própria, foi o pior ano da minha vida, mas graças deus agora eu passei e estou a alguns meses cursando o que tanto amo.
— Isso é maravilhoso, muitas vezes a luta é longa, mas no final vale a pena a recompensa.
— E o senhor Caspian? – disse ela me encarrando. – Fez alguma faculdade?
— OH! Por favor, sem o Senhor, pode me chamar só de Cas! – respondi a fazendo sorrir.
— Então não me chame de Senhorita, pode chamar de Su! – a completou me interrompendo. .
— Então Su, eu sou formado em engenharia naval, sempre fui apaixonado por barcos e como meu pai lida com isso, juntei esses dois amores.
— Ah entendo. Acho engenharia bem legal, porém tem numero e eu não lido bem com isso. – conforme ela sorria, eu me sentia alguém melhor, era como se ela trouxe paz para o meu coração.
— Exatas não é tão difícil, basta você pegar a manha.
— Humanas também não, basta você ouvir o coração. – era incrível como ela tinha resposta para tudo. Ficamos cerca de meia hora conversando, o assunto girou em torno apenas de faculdade e matérias que amamos e odiávamos, ela era simples, cheia de duvidas, quando não entendia algo logo perguntava, sem vergonha nenhuma, sendo ela sempre.
— Aqui estão as duas pessoas que eu amo tanto amo. – disse Ed chegando à sala cheirando a banho.
— Achei que tivesse morrido no banho. – disse, fazendo Susana rir.
— Eu não me chamo Caspian, afinal de contar lavar esse seu cabelo enorme deve dar um trabalho. – ele se sentou ao lado dela, mostrando a língua para mim, como sentia saudades do meu irmão, de estar perto dele, de o ver crescendo e o ajudar em tudo que você necessário.
— Eu adoro ficar no meio de dois irmãos. – disse Susana gargalhando de nossa leve discussão.
— Você diz isso porque é filha única.
— Você não tem nenhum irmão? — perguntei
— Não! Minha mãe até engravidou antes de mim, mas a criança nasceu morta. – respondeu ela de cabeça baixa.
— Oh me perdoe. – ela apenas sorriu, fazendo o assunto morrer, começamos a assistir o filme, todos estávamos em silencio, eu queria conversar com eles, matar a saudade de Ed e até conhecer a Su melhor, entretanto não queria ser invasivo e atrapalhar eles.
Quando tomei coragem para falar algo, eles estavam dormindo, Ed tinha caído pro outro lado do sofá, encolhido como uma criança. Susana estava sentada, com a cabeça um pouco caída, estava encolhida também, pelo jeito sentia muito frio. Levantei-me pegando uma coberta para eles, cobri os dois e fui para o escritório resolver algumas coisas.
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