Beautiful War
1 Hook and Line
Notas iniciais
Rose havia encontrado Matthew no corredor novamente.
— Ah, você por aqui – debochou ele, e ela teve vontade de socar seu rosto.
— Não, estou no dormitório, não está vendo? – retrucou ela com ironia.
— Seria bem melhor se estivesse. – ele disse, rude, com aspereza.
A ruiva ficou em silêncio e respirou fundo três vezes para não fazer nada de que fosse se arrepender mais tarde. Apertou seus livros contra o peito com força e rapidamente passou por ele para ir à aula de Transfiguração.
E então, quando dobrou o corredor, encontrou a famosa doninha quicante oxigenada júnior. Scorpius Malfoy.
— Sabe, vocês dois parecem duas crianças mimadas brigando. – ele falou, encostado na parede, e riu.
Rose também teve vontade de socar seu rosto. O rosto que muitas garotas amavam e consideravam-no como um "deus grego". Bem, Rose não era uma dessas garotas.
Porém, ao invés de fazer isso, ela manteve uma calma assustadora e disse, com a voz controlada:
— Engraçado, Malfoy, não lembro de ter ouvido alguém lhe perguntar isso.
Ela pôde ouvi-lo rir, zombeteiro. Continuou seu caminho e ele logo a alcançou.
— Indo para a aula de Transfiguração? – indagou ele.
Ela não se deu ao trabalho de falar, então respondeu com um aceno de cabeça, tentando ignorar ao máximo a presença do loiro que andava ao seu lado. Rose caminhava rapidamente, odiava a presença dele ali. Odiava ter de suportá-lo dia após dia, sempre fazendo aquelas brincadeiras de mal gosto e zombando o seu espírito estudioso e inteligente.
Quando ela estava prestes a subir uma escada, perdida em seus pensamentos de como seria bom viver em um mundo sem o Malfoy, ela não percebeu que a escada estava prestes a se mover. E no instante que ela pôs o pé no degrau, ela teria caído no vazio se uma certa mão não houvesse a puxado bruscamente para trás.
— Weasley!– o Malfoy gritou. – Você está louca?!
Ela sentiu seu rosto esquentar quando se deu conta de que a mão dele ainda estava em sua cintura. Ele também percebeu e sorriu maliciosamente quando viu seu rosto corado.
— Quem diria... acabei de salvar a vida de Rose Weasley de uma morte inimaginavelmente dolorosa. – sua voz assumiu um tom sacana e o Malfoy preocupado de segundos atrás já havia ido embora, e ela revirou os olhos. Seu sorriso se tornava cada vez maior, a irritando cada vez mais.
Ela tentou se afastar do loiro e teria conseguido se ele não tivesse puxado seu braço e a prendido contra a parede, com cada mão nos lados de sua cabeça.
— Ah, você não vai embora sem agradecer, ruiva. – ele falou, com o rosto excepcionalmente perto do dela. Perto até demais.
— Obrigada. – disse ela, um pouquinho nervosa com toda aquela aproximação súbita dele. Mas não havia motivo algum para se sentir assim;
— "Obrigado, Malfoy, por me salvar de cair no vazio". – ele zombou, tentando imitar uma voz feminina.
Em seu interior, bem no fundo, Rose teve vontade de rir. Mas não o fez, pois senão feriria seu orgulho e se arrependeria para sempre.
Ela trincou os dentes, todo o seu nervosismo se dissipara quando ele falou aquilo. Entretanto, ela viu que ele não a libertaria se não o falasse.
— Obrigada, Malfoy, por me salvar de cair no vazio. – repetiu ela pausadamente, com raiva.
Ele deu risada e sorriu logo em seguida, apreciando a visão de ter a Weasley em seus braços.
— Pronto, já falei. Agora me deixe em paz, Malfoy! – resmungou ela, irritada, e com um impulso forte se libertou dele, e dessa vez ele não a impediu.
Já havia conseguido o que queria: irritá-la.
***
— E novamente a senhorita Weasley acertou! – o professor de Poções proferiu, fazendo alguns revirarem os olhos.
Rose sorriu timidamente, Poções não era sua matéria preferida – embora o professor fosse legal e simpático – e estava realmente torcendo para que acertasse aquela questão.
— Novidade – ela ouviu o loiro oxigenado ironizar do fundo da sala com seus amigos, sonserinos idiota, assim como ele.
— O que disse, senhor Malfoy? – perguntou o professor.
— N-nada, senhor Fairwather. – gaguejou ele, subitamente nervoso, se endireitando na cadeira.
O professor de Poções e diretor da Sonserina, o sr Fairwather, era um dos únicos professores que o Malfoy respeitava e um dos únicos que conseguia mantê-lo um pouco na linha e fazer com que ele acatasse suas ordens. Grande parte disso dava-se pela grande amizade existente entre Richard Fairwather e Draco Malfoy, mas parecia haver algo mais.
— É bom que controle sua língua, garoto. E trate de respeitar seus colegas, tanto os sonserinos quanto os grifinórios. – falou o professor, severo, e o garoto tremeu.
O loiro, também, odiava o fato de Rose ser a aluna preferida do professor.
Alguns grifinórios deram risada e o Malfoy fechou a cara, irritado. E Rose se permitiu sorrir perversamente, gostava desses momentos quando os professores faziam o garoto perceber que "não era tudo o que pensava", que o mundo não girava ao seu redor. Ele precisava cair na real.
Felizmente a aula de Poções era a última do dia. Mas para o azar de Rose, não parecia estar perto de acabar. Tudo o que ela queria era ir para o dormitório e dormir e dormir, mas os segundos pareciam se arrastar lenta e tortuosamente, como se conspirassem contra ela.
— O trabalho a seguir será em dupla – disse o profº, e uma barulheira ensurdecedora começou na sala –, mas eu as escolherei. – completou ele, elevando a voz para que todos o ouvissem no meio de toda aquela algazarra, e foi ouvido um "aaaaaah" uníssono de grifinórios e sonserinos.
Rose não estava entre os que havia falado, porque ela não tinha de fato alguém para fazer dupla. Desde que não fosse com Matthew – que era da Sonserina –, ela estava bem.
— Alvo Potter e Mackenzie Longbottom – anunciou o professor, e o Potter mais novo arregalou os olhos e engoliu em seco, olhando para Rose. Ele tinha uma pequena queda por Mackenzie desde o quarto ano; e era quase o único de todos os primos que eles tinham que ainda falava com Rose após a separação de seus pais –, Matthew Frost e Roxanne Weasley – Rose deu graças a Deus por ele já ter sido escolhido –, Rose Weasley e Scorpius Malfoy [...]
Ela ficou estarrecida, vermelha de raiva. Teria que aguentar a doninha novamente, para o seu azar. Definitivamente o dia estava conspirando contra ela.
Ela o fuzilou com o olhar enquanto ele vinha se sentar ao seu lado.
— Olá, ruiva. – cantarolou ele, com o maldito sorriso zombeteiro de sempre no rosto.
Ela se limitou a dizer:
— Oi, Malfoy.
A ruiva tentou ignorá-lo enquanto ouvia o professor terminar de anunciar as duplas – ouvir isso parecia no momento muito mais interessante do que pensar na pessoa ao seu lado – e então pedir para os alunos prepararem a poção Wiggenweld, uma poção fácil e simples.
— Os ingredientes e o modo de preparo estão em seus livros, página sessenta e quatro.
Após ler a página do livro, os alunos pegaram os ingredientes e Rose suspirou, não estava com vontade alguma de fazer nenhuma poção. E com certeza o Malfoy não iria ajudar em nada.
Ela prendeu o cabelo em um coque e em um momento pegou o loiro a observando, mas ele logo desviou o olhar e ela achou ser coisa da sua cabeça. Ele estava olhando, agora, fixamente para a frente. Ela estalou os dedos algumas vezes na frente de seu rosto e ele despertou de seus pensamentos em um pulo.
— Vai ajudar ou não? – perguntou ela.
— Tá, tá, o que eu posso fazer?
— Esmague a Moly com o cabo da faca. – instruiu ela, alcançando a faca para ele.
Ele a pegou e quando seus dedos se tocaram, foi como se um choque percorresse o corpo dos dois. Ambos perceberam, eles se entreolharam por um momento e ela logo desviou o olhar.
Ela estava cortando o Ditamno em pequenas fatias, e pelo canto do olho observava ele trabalhando.
— Não, não, você está fazendo errado! – exclamou ela, ligeiramente irritada.
Largou a faca e o Ditamno e o empurrou levemente para o lado. Ouviu-o dizer "Você que sabe, senhora sabe-tudo" mas o ignorou. Em poucos segundos já havia terminado de amassar a Moly e estava terminando de cortar o Ditamno quando o Malfoy perguntou, em uma tentativa de puxar assunto:
— Então, o que aconteceu entre você e Matt?
Ela estremeceu, mas logo retomou a mesma postura de antes.
— Como se você se importasse. – resmungou, ríspida.
— É, você tem razão. – disse ele, frio. – Eu não me importo.
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