Beautiful Soul
7 Capítulo 7
Lia e Dinho já caminhavam à algum tempo mata a dentro, numa trilha. Os dois nem se falavam e o menino andava disparando na frente cuidando cada detalhe da floresta. Lia ouviu algo mexer-se no local, mas viu que se fosse ver o que era podia sair da trilha. A garota não pensou mais vezes, se fosse Fatinha ela iria voltar pro acampamento e se ver longe de Dinho mais rápido. A roqueira foi saindo sorrateira da trilha, mas Dinho notou.
— Ei, onde você pensa que vai? — Ele falou alto, bravo.
— Eu ouvi um barulho, pode ser a Fatinha. — Ela explicou, mantendo o controle. Ele revirou os olhos.
— Lia, sai daí e volta pra trilha! Eu não quero que me perder na mata, justo com você.
— Cala a boca! Eu ouvi o barulho vindo da...
— Lia! — Dinho a puxou quando viu a serpente pronta para dar o bote, os dois cairam no chão e Dinho ficou por cima de Lia.
— Sai de cima de mim! — Ela gritou para Dinho que queria matá-la no momento. "Quem essa mal-agradecida pensa que é?" Pensou ele, com raiva.
— Você ia ser atacada por uma cobra, tá maluca?
— PARA de me salvar! — Ela saiu de baixo dele, com certa dificuldade. Lia livrou-se da terra no corpo mas antes que pudesse caminhar para qualquer lugar sentiu as mãos do garoto segurando firme seu braço.
— Não vou te deixar sair feito louca por aí, é perigoso, entendeu? — Ele disse transimitindo paciência e Lia decidiu ouvi-lo mesmo contrariada. Ele a puxou para mais perto, deixando-a quase com o corpo colado no seu.
— Ei, não abusa! — Retrucou a menina, ele revirou os olhos.
— Espera.. Pra que lado é a trilha? — Ele perguntou confuso, arqueando a cabeça procurando algum sinal.
— Ué, você não sabe? — Lia indagou preocupada.
— Se eu soubesse não estaria te perguntando, né?
— Cara, eu acho que é pra aquele lado! — Lia apontou para um canto da floresta, mas só podiam ver árvores, árvores e mais árvores. Dinho balançou a cabeça negativamente, negando. Os dois suspiram ao mesmo tempo. — Eu vou por um lado e você por outro!
— Não! Tem cobras nessa floresta, tem outros perigos, eu não quero você perdida por aí, vamos ficar juntos. — Dinho disse, como uma pose responsável. Lia sorriu e ele estranhou.
— Desde quando você se importa comigo? — Ela perguntou, desafiadora.
— Desde quando nos tornamos definitivamente uma dupla. — Dinho disse, Lia respondeu com um pequeno sorriso.
Enquanto isso no acampamento todos estavam procurando e gritando o nome de Fatinha pela praia. Morgana e Fera caminhavam juntos.
— Então, você acha que a Fatinha tá armando pra cima do Cézar? Eu vi que ela ficou caidinha por ele, e ela é sem noção demais.. — Morgana quebrou o silêncio, Fera demorou poucos segundos para dar a resposta.
— Pô, não sei se ela seria capaz.. Tá todo mundo preocupadaço com ela. — Ele disse, paciente.— É. Mas o que se pode esperar da Fatinha, né? E o Cézar é super fofo mesmo. — A ruiva sorriu, delicadamente.
— Prefiro evitar comentários, minha praia é outra, sabe.
— Sei, Fera, sei! — Ela riu baixinho, ele acompanhou. — Mas tem outros meninos aqui muito mais lindos que o professor também, é óbvio.
— Exemplo? — Ah sei lá, você é um exemplo. — As palavras sairam involuntariamente, Fera arqueeou a sobrancelha, surpreso.
— Jura? — Ele indagou, querendo ter certeza, ela assentiu sem graça. — Ah, você é super gata também Morgana. — Antes que a menina pudesse responder,os dois ouviram o professor aos berros com alguém, e para a surpresa de todos, era Fatinha.
— QUEM VOCÊ PENSA QUE É? IRRESPONSÁVEL, SEM NOÇÃO! ESTÁVAMOS TODOS PREOCUPADOS COM VOCÊ! — Ele gritava para a loira que estava assustada sendo fuzilada pelos olhares dos alunos.
— Eu só queria que você prestasse atenção em mim, não foi nada demais! — Ela respondeu, chorosa.
— Nada demais, Maria de Fátima? Você faz uma ceninha toda, fica um tempão desaparecida pra chamar atenção de um professor e não é nada demais?! — Cézar estava cada vez mais nervoso. — Todo mundo pro acampamento, Gil e Pilha vão avisar o Robson que já encontramos a aluna "perdida". — Ele disse, os rapazes assentiram saindo correndo em direção ao inspetor. Fatinha recebeu vários xingamentos dos colegas, e foi cabisbaixa para o local das barracas, chegando lá alguns minutos depois Robson estava preocupado.
— Oh Meu Deus! Você tá bem? Passou fome? Frio? Sede? — Robson disse, analisando Fatinha.
— Eu to b.... — Fatinha tentou falar, mas foi interrompida por Cézar.
— Ela armou um teatrinho pra eu ficar com pena e "ficar" com ela, Robson. Maria de Fátima estava apenas num cantinho da praia escondida, enquanto todos ficaram procurando-a feito loucos e preocupados.
— O QUÊ? — Robson gritou.
— Me desculpem, poxa! — Respondeu a loira, irritada.
— Você deve desculpas aos seus colegas que tiveram de enfrentar mata e praia logo de manhã cedo gritando seu nome pra te encontrar, você tem que pedir desculpa à eles que acordaram com sono por terem ficado a noite inteira preocupados com você! — Cézar disse, visivelmente impaciente.
— É Fatinha, você mandou malzão. — Fera disse.
— Super mal, ficamos muito preocupados. — Completou Morgana.
— Qual é galera, como vocês são chatos! Até parecem que nunca inventaram uma mentirinha. — Fatinha esbravejou. — E outra, não coloca a culpa toda em mim, foi da Lia também.
— A Lia não tem nada a ver com isso, não coloque sua colega no meio dessa confusão, a irresponsável foi você. — Cézar afirmou.
— Ué, cadê a Lia gente? — Ju perguntou, preocupada.
— E cadê o Dinho? — Orelha disse, com o celular em mãos, gravando tudo.
— Hum, esses dois perdidos no mato, hein.. — Pilha disse, todos riram.
— Ahh não, mais dois perdidos? Só pode ser castigo!!! — Robson suspirou.
Na floresta, Dinho e Lia procuravam o caminho da trilha a muitos minutos, mas não tinha jeito.
— A gente já passou 40 vezes por aqui, Dinho! — Lia disse, se enconstando numa árvore, cansada.
— Estamos literalmente perdidos. — Ele suspirou fundo.
— É, e eu tô cansada.
— Mas não podemos parar, vem logo. — Ele puxou a menina, que bufou.
Os dois continuaram caminhando quando sentiram os trovões ensurdecedores soarem.
"Droga!!" Pensaram juntos.
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