Beautiful Mess

15 Capítulo 14 - T.G.I.F


Notas iniciais
Oi gente! Sim, eu sei, eu demorei e bastante. Bem mais do que eu esperava demorar. Mas eu realmente estava passando por um período difícil, muita pressão na escola, vestibulares começando, provas intermináveis e alguns problemas de saúde que me deixaram sem tempo e nem condições de escrever. Não tenho muito o que dizer além de um enorme "Me Desculpem", do fundo do coração. Agora, o capítulo finalmente está aqui, e eu espero mesmo que vocês gostem. Foi um capítulo delicioso de escrever, e eu gostei bastante do resultado. Espero que gostem também! - Boa Leitura!

Capítulo 14 – T.G.I.F

Colin POV

Terminamos a noite em meio a muitas risadas, algumas histórias constrangedoras e um clima extremamente bom e mais leve. Miles estava visivelmente mais relaxado e à vontade, e, para a alegria geral da nação, ele e Drew até voltaram a agir como os babacas que sempre foram na presença um do outro, sendo a causa de noventa por cento das risadas da mesa.

Estávamos finalmente nos dirigindo ao caixa para dividir a conta, enquanto as meninas esperavam já ao lado de fora do restaurante. Depois de muita discussão, elas finalmente concordaram em deixar que nós pagássemos a parte delas, um ato que, segundo Kayden, visava provar que o cavalheirismo ainda não está morto.

Enquanto aguardávamos na fila, Drew e Miles conversavam animadamente um pouco a nossa frente, e eu não consegui deixar de notar que, sim, eles dariam um ótimo casal. Era tão evidente que um completava o outro que eu ainda não conseguia entender como Drew ainda não havia notado ainda, e até mesmo como Miles tinha demorado tanto para perceber.

– Acha que vai demorar quanto tempo pro Miles contar pra ele? – Kayden brotou ao meu lado, praticamente me matando do coração. Xinguei baixo, enquanto respirava fundo e me recuperava daquele mini susto. Ele apenas me observou, aguardando a resposta com um sorriso zombeteiro nos lábios. Panaca.

– Pra contar que ele é gay? – Perguntei. Ele confirmou com um murmúrio. Dei de ombros. – Não sei. Acho que assim que ele perceber que a informação não vai mudar nada na relação deles, ele vai contar.

Kayden concordou com a cabeça, enquanto acompanhávamos a fila que finalmente voltava a andar. Em todo esse tempo morando em Bristol, eu juro, nunca vi esse restaurante tão lotado.

– Não é como se o Drew, de todas as pessoas, fosse julgar o Miles. Eles são amigos desde as fraldas. – Kayden falou ao mesmo tempo em que meu celular vibrou. Concordei distraidamente com o que ele falava, enquanto desbloqueava o aparelho e me deparava com uma mensagem da Hallie. Tenho certeza de que eu devo ter ficado com a expressão mais boba do universo só por ler o nome dela na tela, porque no mesmo momento, Kayden olhou para a minha cara, depois para o celular, e novamente para o meu rosto, sorrindo e balançando a cabeça em descrença. – Tem como você ficar mais apaixonado?

Neguei com a cabeça, enquanto abria a mensagem e dava de cara com uma foto dela e da Mari, sentadas no banco ao lado da porta de entrada do restaurante, fingindo dormir. Embaixo da foto, havia uma outra mensagem, que servia como legenda, “Aguardando os amigos mais ágeis do mundo para irmos para a casa”. Ri, enquanto digitava rapidamente que já estávamos quase no caixa, e que logo estaríamos lá fora. Esperei alguns segundos só para garantir que a mensagem havia sido enviada e bloqueei o celular, jogando-o no bolso.

– Sinceramente? Acho que já atingi o limite. Sou um caso perdido. – Falei, virando-me para ele com a minha melhor expressão de derrota. Ele riu.

– Nunca pensei que fosse te ver assim. Não que você fosse pegador, passasse o rodo na geral ou algo assim. É que eu nunca te vi assim, tão dedicado a alguma coisa, tão decidido a fazer as coisas darem realmente certo com uma garota. Nem nos seus últimos relacionamentos você parecia tão dedicado. Nem com aquela Mariah. Acho que foi seu relacionamento mais longo, pra falar a verdade. Durou quanto tempo mesmo?

– Um ano. – Respondi, enquanto finalmente caminhávamos para a frente da fila. Agora era só esperar um caixa livre e finalmente poderíamos ir embora. Por mais que a noite tenha sido incrível, tenho que confessar que, naquele momento, eu só estava desejando a minha cama. – O pior da minha vida, devo acrescentar. Ela era completamente louca. Dei graças a Deus quando descobri que ela estava dormindo com o capitão do time de futebol.

Kayden me olhou com a mesma expressão incrédula que ele sempre usava quando falávamos sobre o assunto.

– Você é o único homem na face da Terra que ficou feliz em levar um chifre. Sério, Colin, não era mais fácil simplesmente ter terminado com a garota?

– Ela era louca, Keds. Eu tinha medo de tentar terminar com ela. Lembra aquela vez que ela achou uma foto minha com a Hallicia no rancho dos meus avós? Ela ficou completamente louca! E não importa o quanto eu tentasse explicar pra ela que nem gostar da Hallicia eu gostava, ela ainda meteu o louco, quebrou o porta-retratos e queimou a foto. – Falei, estremecendo enquanto recordava a cena. – Depois daquele episódio, fiquei com medo de terminar com ela, ela não levar numa boa e incendiar meu apartamento enquanto eu dormia.

Kayden também deu uma leve estremecida diante do relato.

– Eu ainda me pergunto por que é que você começou a namorar ela. E, por favor, pare de me chamar de Keds. Você sabe que eu acho esse apelido horrível.

– Nós dois sabemos que você simplesmente ama quando eu te chamo de Keds. – Falei, apenas para encher o saco. – E a única explicação que eu tenho para o meu namoro com a Mariah é: eu estava enxergando com a cabeça de baixo.

– Quando é que você não enxerga com a cabeça de baixo, eu me pergunto. – Ele disse, enquanto ria e finalmente seguia para o caixa livre. Chamei Miles e Drew, que em algum momento tinham sumido da fila para ir olhar os quadros horríveis da parede ao lado e ficar tirando sarro, e depois fomos todos atrás de Kayden.

Dividimos a conta entre os quatro, como fazíamos sempre, e finalmente fomos encontrar as garotas. Fomos recebidos do lado de fora por uma Mariana que praticamente glorificou aos céus assim que nos viu.

– Você estão vivos. Obrigada, senhor! – Ela falou, enquanto ficava em pé em um pulo. – Eu estava começando a pensar seriamente que vocês tinham sido sequestrados. Ou mortos. Ou sequestrados e mortos. Qualquer uma das situações seria uma pena, porque ia significar que eu ia precisar ficar durante o resto da noite aqui, nesse banco duro e frio, com os pés latejando por causa dessa bosta de salto.

Drew levou uma das mãos ao peito, se fingindo de indignado.

– Bom saber que você ia sentir super a nossa falta caso alguma dessas coisas realmente tivesse acontecido. – Ele disse, e ela apenas olhou para ele com desprezo. Segurei uma risada.

Hallie, que ainda estava sentada, finalmente pegou a bolsa e levantou, revirando os olhos, mas sorrindo para a amiga.

– Deixa de ser dramática, vai. Os bonitões já estão aqui, agora é só entrar no carro e ir embora. – Ela falou, enquanto abraçava Mari pelos ombros, que suspirou derrotada.

– Ok, ok. – Ela disse, enquanto olhava para os meninos e sorria. – Valeu pela noite hoje galera. Eu achei realmente sensacional. Já podem marcar a próxima.

Nós sorrimos e concordamos com ela. Porque a noite realmente havia sido sensacional, e também porque eu realmente não via a hora de marcarmos a próxima. Às vezes eu me esqueço de como ficar um tempo com eles assim, jogando conversa fora é bom.

– Vou consultar minha agenda lotadíssima, mas assim que conseguir um dia livre, marcamos outro. – Miles disse, e ela riu, concordando.

– Então, prontas para ir? – Falei, uma vez que todo mundo ficou em silêncio novamente e ninguém deu sinal de que ia realmente se mexer para ir embora.

Hallie concordou com a cabeça, enquanto virava para Mari e lhe dava um abraço completo de despedida. Mari sussurrou alguma coisa no ouvido dela enquanto a abraçava, e Hallie riu, ficando imediatamente corada. O que quer que Mari tenha acabado de falar estava relacionado a mim, ou a nós dois, eu tenho certeza.

Me despedi de Mari enquanto Hallie falava com os meninos. Depois de todas as despedidas devidamente feitas, esperamos nossos quatro amigos desaparecerem de vista, antes de finalmente começarmos a caminhar até onde eu havia estacionado o carro.

– Cansada? – Perguntei, andando lentamente, seguindo o ritmo tranquilo que Hallie havia estabelecido.

Ela concordou.

– Bastante. Mas também estou bem contente. A noite realmente foi sensacional. Nada mais gratificante do que ajudar uma pessoa com quem você se importa ficar bem. Foi muito bom ver o Miles sorrindo e sendo ele mesmo durante a noite. – Ela disse. Eu sorri, me aproximando e tomando a liberdade de pegar a mão dela, entrelaçando nossos dedos.

– Eu tenho certeza de que grande parte da melhora de humor dele tem a ver com você, e com a conversa que vocês dois tiveram lá fora. – Eu disse. Ela não disse nada, apenas olhou para nossas mãos. Alguns momentos depois, ela levantou o rosto novamente e sorriu.

– O que acha que vai acontecer amanhã?

Dei de ombros, enquanto olhava para frente em busca do meu carro. Não demorou muito e estávamos parados ao lado do veículo.

– Sinceramente? Não faço ideia. – Falei. – Mas tenho certeza de que qualquer coisa que aqueles dois planejarem vai ser incrível. Na verdade, vai ser incrível apenas pelo fato de que vou estar com você. Eu realmente cansei de fingir que não tinha nada acontecendo entre a gente.

Ela corou e sorriu, desviando o olhar. A reação me deu uma sensação boa no peito, e uma vontade quase absurda de abraça-la com toda a minha força.

– Falando sério? Eu também cansei de fingir que não tinha nada acontecendo. E concordo com você. O que quer que eles tenham armado, vai ser incrível, e eu vou adorar cada momento.

Sorri para ela, enquanto finalmente soltava sua mão para podermos entrar no carro. Foi só quando chegamos em casa que me dei conta de que, em algum momento do trajeto, nossas mãos haviam se encontrado novamente, com os dedos fortemente entrelaçados. Não pude deixar de reparar no quanto aquilo parecia perfeito, e em como eu realmente não queria mais soltar a mão dela.

*

A luz do sol me despertou na manhã seguinte, me arrancando de um sono – e também de um sonho – maravilhoso. Grunhi, enquanto cobria a cabeça com a coberta. Por que é que eu tinha deixado a cortina aberta?

– Bom dia princesa! Rise and Shine! – A voz animada de Kayden preencheu meu quarto que há cinco minutos estava perfeitamente quieto e aconchegante. Grunhi mais uma vez, um pouco irritado e nem um pouco preparado para levantar. Ignorei totalmente as palavras dele e virei para o outro lado, pronto para me entregar novamente ao sono. Até que um pensamento me ocorreu.

O que diabos Kayden estava fazendo no meu quarto?

Ou melhor, como é que ele entrou aqui em casa?

Sentei-me em um pulo, o sono completamente espantado, enquanto eu encarava meu melhor amigo – que se encontrava sentado em minha escrivaninha lendo uma revista em quadrinhos qualquer – com uma expressão incrédula.

– Keds, o que, ou melhor, como, exatamente, você veio parar aqui? – Perguntei, ainda meio desnorteado com a situação.

Ele nem sequer me olhou quando respondeu.

– Vim apenas cumprir uma das ordens de Lady Mariana para esta maravilhosa sexta-feira. Sobre como eu entrei aqui: vamos dizer que Mariana é muito habilidosa com grampos. E eu não deveria estar no seu quarto, pra falar a verdade. Eu devia apenas ter feito a entrega e me mandado. Mas como te conheço, imaginei que você ia simplesmente se esquecer de que hoje é sexta-feira, e ia continuar dormindo como uma pedra, totalmente alheio ao lindo e extenso dia que te aguarda.

Demorei alguns segundos para digerir a informação, mas a informação finalmente fez algum sentido.

Hoje era a tal sexta-feira.

Porra, hoje é a tal sexta-feira.

De repente, me senti como um adolescente prestes a ter o primeiro encontro. O frio na barriga, o calor nas bochechas e a ansiedade que logo, logo, iria me deixar elétrico. Completamente patético.

Kayden me olhou rindo, enquanto fechava a revista e a colocava novamente no lugar. Levantou-se e parou ao pé da minha cama.

– Esse é o único contato que eu vou fazer com você durante esse dia, então preste bem atenção no que eu vou te falar: Haja como um cavalheiro, siga o roteiro completamente como o planejado e, por tudo o que é mais sagrado, não estrague tudo. Vocês têm mais duas horas antes de o grande plano começar. E antes que você me xingue por ter te acordado muito cedo, eu realmente precisava te dar esse recado. Agora eu vou me mandar, antes que a chefa perceba que eu estou desobedecendo as ordens e me comunicando com você. – Ele finalizou, caminhando até a porta do meu quarto, abrindo-a e parando pouco antes de fechá-la novamente, colocando apenas a cabeça para dentro. – Boa sorte, e, por favor, não me decepcione... Tigrão.

Peguei o travesseiro mais próximo e taquei na direção da porta, mas eu nem sequer tive chance de atingir o alvo, porque Kayden já havia fechado a porta, tentando abafar os risos. Bufei e me larguei na cama novamente.

A tal da sexta-feira finalmente havia chegado. Se eu estava ansioso para saber o que nos aguardava? Claro que sim. Se eu estava preparado? De maneira alguma.

*

Hallie POV

Eu praticamente não havia dormido à noite. A expectativa por saber que no dia seguinte a tão falada sexta-feira finalmente teria chegado, somado ao desespero e despreparo emocional de minha parte para um acontecimento do tipo resultaram em uma madrugada completa de teorias mirabolantes e milhões de mensagens que tentava arrancar qualquer informação, tanto de Kayden quanto de Mari. Mas é claro que os dois passaram a me ignorar depois de algum tempo.

Depois de muito tempo revirando na cama, eu finalmente consegui ir para a dream land. Infelizmente, nem duas horas depois eu estava sendo acordada por um alarme que eu sem dúvidas não tinha programado no celular.

Não precisei nem pensar muito para chegar à conclusão de que era obra de Mariana.

Agora, enquanto eu caminhava até o banheiro, após me certificar de que a porta de Colin ainda estava fechada, e ele, provavelmente, ainda dormindo, tudo o que eu desejava era não estar com olheiras enormes e roxas, e um rosto redondo e inchado. Sim, pensamentos completamente desnecessários, já que eu poderia totalmente estar me concentrando em tentar imaginar o dia que me aguardava.

Por um lado, fiquei feliz ao me olhar no espelho e perceber que eu não estava nem um pouco inchada. Por outro, fiquei frustrada ao ser cumprimentada pelas grandes sombras roxas que se alojaram logo abaixo de cada um dos meus olhos. Saí correndo do banheiro e dei um pulo rápido na cozinha, tirando do freezer as duas colheres de sopa que eu havia colocado lá na noite anterior. Um truque infalível que aprendi com mamãe para mandar as olheiras embora é colocar uma colher trincando de gelada sobre as manchas desgraçadas. Sempre funcionou, e, como sou uma pessoa prevenida, a primeira coisa que fiz logo depois que tive certeza de que Colin havia dormido, foi ir colocar as benditas no congelador.

Depois de me certificar de que as olheiras estavam consideravelmente menores e realizar minha higiene matinal, bem como a maquiagem básica, saí do banheiro e segui direto para a cozinha, ainda de pijamas. Estava passando pela porta de Colin quando a mesma se abriu, revelando um garoto descabelado, ainda esfregando os olhos e bocejando. Assim que seus olhos focalizaram em mim, ele me deu um sorriso sonolento.

– Bom dia, passarinho. – Ele disse, usando o velho apelido que ele me deu quando eu ainda era uma criança anormalmente pequena e com uma voz bem irritante, que por algum motivo o lembrava do papagaio da avó dele. Apesar de sempre ter odiado o apelido – que começou a ser usado por todo mundo, diga-se de passagem – ouvi-lo me chamando pelo termo hoje me despertou uma sensação de bem estar, e eu não consegui conter o sorriso.

– Bom dia, Cols. – Falei, sorrindo, porém logo voltando a caminhar para a cozinha. Ele fechou a porta do quarto e passou a me seguir.

– Se lembra que dia é hoje? – Ele perguntou, e eu podia imaginar seu sorriso sacana só pelo tom de voz.

– Como esquecer da maravilhosa sexta-feira que vem nos perseguindo desde... Muito tempo? – Falei, enquanto saia do corredor e virava direto para a cozinha, abrindo a geladeira e tirando o leite. – Apesar de que, devo admitir, fico admirada por você ter se lembrado logo de manhã. Achei que talvez você fosse demorar um pouco pra se localizar.

– Como é que eu ia esquecer? Parafraseando você, é a “maravilhosa sexta-feira que vem nos perseguindo desde sempre”. – Falou, pegando dois copos no armário logo acima da minha cabeça, e apoiando uma mão em minha cintura parcialmente descoberta durante o processo. Um arrepio percorreu meu corpo, e eu não tenho dúvidas de que ele notou. – Então, o que acha que vai acontecer hoje?

Servi o leite nos dois copos, e logo depois devolvi a caixa para a geladeira. Peguei o copo e segui para a mesa.

– Sinceramente? Não sei. Já cheguei a imaginar coisas mirabolantes, como baladas, jogos de ciúme, um ambiente altamente sensual e sugestivo... Mas Mari sabe que essa não é minha vibe. E ela se recusou a me dar uma dica sequer. Já ficou bem puta por nós termos compartilhado um com o outro sobre a data destaque. – Falei, enquanto me sentava e dava um gole no leite. Colin pegou seu copo e seguiu para a mesa.

– Também não sei muito o que imaginar. Kayden foi um completo inútil em me dar informações, porque ele estava “apenas seguindo ordens da chefa”, e a chefa aparentemente o fez jurar silêncio sob pena de violência caso o contrato fosse quebrado. – Ele estava quase chegando na cadeira, quando parou abruptamente, olhando fixamente para o arco da cozinha, que dava para a sala. – Mas o que...?

Colin franziu o cenho, e deixou o copo no balcão mais próximo, só para sair em disparada para a sala logo em seguida. Engoli meu leite às pressas e segui o garoto que aparentemente estava perturbado. Chegando na sala, entendi o motivo de sua confusão. Havia uma cesta cheia de comidas típicas de café da manhã em cima da nossa mesinha de centro: croissant, potes das mais variadas geleias, diversos tipos de torrada, um potinho com panquecas que pareciam recém preparadas, e uma embalagem com o que parecia muito ser a manteiga temperada de Tia Diana. No centro da cesta, uma carta gigante, com a caligrafia inconfundível de Mariana, destinada a “Sr. McDanner e Srta. Climber”.

Levei alguns segundos para digerir a informação.

– O que, exatamente, é isso? – Falei, após algum tempo de silêncio, no qual tanto eu, quanto Colin permanecemos estáticos e boquiabertos. Minha pergunta pareceu tirar meu colega de quarto de seu transe, pois assim que conclui minha fala, ele chacoalhou a cabeça, e se aproximou da mesa.

– Eu não faço ideia, mas aposto com você que tem algo a ver com os planos para o dia de hoje. Porque a letra no envelope é da Mari, tenho certeza. E... Essa é a manteiga temperada da minha mãe? – Ele perguntou, ajoelhando-se em frente à cesta e pegando o pote de manteiga, abrindo-o e inspecionando.

– Temo que sim. – Falei, enquanto caminhava para o seu lado e pegava a carta, já rasgando o envelope e retirando o conteúdo de dentro.

– Sim, é a manteiga da mamãe. Jesus, não quero nem saber como foi que aqueles dois arrumaram isso. – Foi tudo o que Colin disse, antes de deixar o pote de lado e virar-se para mim. – Você não está pensando em ler essa carta sozinha, está, Srta. Climber?

Parei no processo de abrir a carta, que estava dobrada, e o encarei com um sorriso amarelo. Eu meio que ia, sim, ler a carta sozinha.

– Não, claro que não. Vou ler em voz alta. Afinal, a sexta-feira diz respeito à nós dois, né?!

Ele concordou com a cabeça. Terminei de abrir a carta, enquanto me sentava no chão ao seu lado.

Senhoras e senhores, o grande dia chegou!

Primeiramente, bom dia queridos! Desde já peço desculpas pela invasão no apartamento, mas existem certas coisas que simplesmente precisam ser feitas. Na cesta vocês vão achar o essencial para ter um café da manhã dos Deuses, e também, alguns cartões com instruções explícitas que devem ser seguidas ao longo dessa sexta-feira estritamente planejada.

Para não perdermos tempo, vou deixar a primeira instrução aqui!

Peguem a cesta maravilhosa que eu preparei com todo o cuidado do mundo e coloquem tudo na mesa para montarem um café da manhã decente (por favor, nada daquele leite gelado nojento que vocês tomam todos os dias). E enquanto vocês tomam café, quero que vocês... Relembrem os tempos de infância. Sim, vamos voltar aos dias de ódio ardente, e relembrar todas as esquisitices e trapalhadas que vocês fizeram juntos ao longo da vida. Porque todos sabemos que, mesmo quando vocês se odiavam, simplesmente não conseguiam ficar longe um do outro. Levem a tarefa a sério, abram todos os envelopes e leiam cuidadosamente e tenham um bom apetite!

Xoxo, Mari e Kayden.

P.S – A manteiga temperada realmente é a da sua mãe, Colin. Você tem noção de como uma vídeo-aula por Skype pode ser complexa? Sem falar que o Kayden não tem talento nenhum na cozinha... Mas como boa planejadora eu provei o produto e garanto que está próximo do original.

Terminei a carta rindo graças a ultima observação no rodapé do papel. Colin olhava incrédulo para o primeiro vislumbre de como exatamente seria nossa sexta-feira.

– Até a minha mãe eles meteram nisso. Até a minha mãe! – Ele falava, balançando a cabeça em sinal de negação, e eu apenas continuava rindo.

– Eu só fico imaginando qual deve ter sido a reação da tia Diana quando ninguém mais ninguém menos que Mariana Sloan pediu a receita da manteiga dela, via Skype.

– Sem dúvidas, conhecendo a Mari, ela deve ter arrumado a desculpa mais idiota da face da Terra. E com certeza a minha mãe caiu como um patinho. – Ele falou, rindo um pouco, e eu concordei, enquanto largava a carta em cima da mesa de centro e dava um tapinha em seu joelho.

– Vamos, McDanner, temos uma mesa de café da manhã para preparar, e de quebra ainda devemos fazer uma viagem pelo túnel do tempo. Destino: nossa infância conturbada, e, sem dúvidas, engraçada pra caralho.

*

Tenho que admitir que aquela primeira tarefa foi realmente muito divertida. Desenterramos coisas tão absurdas que eu simplesmente não conseguia parar de rir por um minuto. E tinha sido muito bom relembrar aquela época das nossas vidas, quando ainda fazíamos de tudo para ficarmos longe um do outro, mas nunca obtínhamos sucesso. Tinha sido mais sensacional ainda perceber que, mesmo quando nos odiávamos, se alguém mexesse com um de nós dois, defendíamos o outro com unhas e dentes. Como da vez que o garoto que sentava atrás de mim na quinta série pegou a minha Barbie favorita e desenhou vários pintos no corpo dela inteiro, não deixando nem a cara de fora. Colin ficou tão irado quando me ouviu contando, entre soluços, para Mariana, que simplesmente foi até o garoto e tacou o queixo dele com tanta força na mesa do refeitório, que ele precisou de pontos. Aquilo rendeu uma semana de detenção depois da aula para Colin, fato que foi repreendido por seus pais, mas rapidamente perdoado quando ele lhes explicou o motivo. Quando ele ressuscitou aquela memória, eu não sabia se ria, ou se ficava imensamente lisonjeada por ver que ele se lembrava de pequenas coisas como essa, e que se sentia imensamente orgulhoso por tê-las feito por mim. Uma coisa era certa: enquanto derramávamos lembranças e mais lembranças sobre a mesa do café da manhã, e nos deliciávamos com a manteiga temperada da tia Diana, que realmente havia ficado igual à original, as borboletas rolavam soltas por meu estômago, e era difícil eu me lembrar de uma época em que tudo o que eu queria era ver a cabeça do Colin sendo enfiada em uma privada e sofrendo com múltiplas descargas.

No momento estávamos caminhando em direção ao parque estudantil em que ele havia me levado no meu primeiro dia em Bristol. Nossa missão? Compartilhar experiências desastrosas de relacionamento. Por um momento eu simplesmente odiei Mariana por isso, pois ela, mais do que ninguém, sabia que eu nunca tinha realmente tido um namorado, um relacionamento sério e duradouro. Mas, tendo em vista que o objetivo era contarmos experiências desastrosas... Bem, isso eu tinha de sobra, já que, claramente, nenhum dos meus pseudo relacionamentos deram certo.

Colin se ofereceu para comprar chocolate quente enquanto eu ia até um banco na praça vazia e gelada e me aconchegava. Tínhamos demorado mais ou menos três horas entre a arrumação do apartamento, os banhos e as trocas de roupa, até finalmente estarmos aqui. E o frio europeu que atingia a cidade no momento não ajudava em nada. Me senti imensamente grata quando Cols voltou com dois copos extragrandes de chocolate fumegante e me entregou um deles, sentando-se ao meu lado e respirando fundo, fazendo com que a fumacinha branca saísse de sua boca enquanto ele exalava.

– Então, quem vai começar? – ele perguntou, olhando para o céu levemente cinzento. Suspirei. Era bem claro que em questões de fracasso ali eu tinha muito mais bagagem. Resolvi que seria simplesmente mais fácil começar falando.

– Lembra do Sheldon? Aquele seu amigo do colégio? – Perguntei. Ele deu uma pensada e finalmente assentiu. – Então, ele tirou o meu bv. Eu sei, eu sei. Ele era feio. Mas vamos dizer que quando eu tinha treze anos eu não era a garota mais bonita do universo, e eu estava aceitando o que era oferecido. Ele vinha me perseguindo e me mandando uns bilhetinhos fofos fazia um tempo, então eu pensei ‘por que não?’, e fiquei com ele... Foi o pior beijo da minha vida. E ele tinha um cheiro de maionese constante. Não digo do bafo, mas sim um cheiro impregnado pelo corpo todo. Acho que ele até queria namorar comigo, mas por razões óbvias eu disse que não.

Colin até que tentou, mas não conseguiu segurar o riso.

– Não acredito que você realmente beijou ele! E foi o seu primeiro beijo, ainda por cima! Ele podia ser meu amigo, mas cara... Não desejaria isso pra ninguém. – Ele falou, em meio a risadinhas. Revirei os olhos, enquanto testava meu chocolate, afim de ver se já estava bebível. – E você podia, sim, ter conseguido coisa muito melhor. Você sempre foi bonita.

Parei o trajeto do copo no meio do caminho e olhei para ele, surpresa.

– Como é?

– Você sempre foi bonita, Hallie. Eu podia não ir muito com a tua cara e tal, mas eu realmente sempre achei você muito bonita. E se você quer saber, a maioria dos meus amigos também. – Ele disse, e eu fiquei um pouco mais surpresa do que achei ser possível. – Se nós não tivéssemos nossas picuinhas na época, e eu não tivesse aquele desejo absurdo de te zoar, eu podia ter dado uma de cupido. E garanto que você ia acabar ficando com um partidão.

Dei risada.

– Tenho certeza de que nenhum dos seus amigos bom partido ia querer ficar comigo na época, mas tudo bem.

Ele revirou os olhos e murmurou algo como ‘síndrome da garota feia’, mas deu de ombros.

– Minha primeira namoradinha de colégio. Foi um completo desastre. Não passamos do primeiro encontro oficial. É claro que nós já estávamos juntos fazia algumas semanas, andávamos de mãos dadas pela escola, nos agarrávamos escondidos no armário do zelador... Mas eu nunca havia a levado em um encontro de verdade. Algo que mostrasse não apenas para o pessoal da escola, mas pra todo mundo que sim, estávamos namorando. – Ele disse, olhando para o nada e rindo um pouco. – Aí eu resolvi levar ela naquele restaurante italiano super famoso que tinha na nossa rua. Meu pai me deu a dica, disse que foi o lugar em que ele e minha mãe tiveram o primeiro encontro, e que também foi onde ele propôs pra ela. Então pensei que seria uma ótima ideia, já que o lugar já tinha um toque de magia com a nossa família.

– Nossa, você devia realmente gostar da garota. – Falei, impressionada com as motivações dele escolher o tal restaurante, e mesmo sendo meio irracional, senti uma pontada de ciúmes. Isso deve ter ficado meio na cara, porque ele fez uma expressão fofa e apertou minha bochecha, me arrancando uma careta.

– Não precisa ficar com ciúmes, marrentinha. – Ele disse, sorrindo, e eu rolei os olhos. – Na época, sim, eu gostava dela, e muito. Mas nada que se compare ao que eu sinto por você agora... Caso reste alguma dúvida. – Ele falou, corando um pouco. Corei junto, e voltei a olhar para o céu. Não estava esperando uma declaração tão clara quanto essa. Ele limpou a garganta. – Enfim, voltando à história. Eu levei a garota lá, fui um perfeito cavalheiro, busquei ela em casa, levei dinheiro o suficiente para pagar toda a conta... E no final, a garota teve intoxicação alimentar. Bem no meio do jantar.

Arregalei os olhos.

– Mentira!

Ele negou com a cabeça.

– A mais pura verdade, minha querida. Ela já estava doente desde sexta-feira. Saímos no domingo. Ela se justificou dizendo que ela não queria, de jeito nenhum, perder nosso primeiro encontro oficial. E é claro que eu não fiquei bravo. Na verdade fui super simpático, levei ela ao médico, e não saí do lado dela enquanto ela não foi liberada. E é claro que não terminei com ela por causa disso. Mas caí no erro de contar para o Beans, aquele meu colega maloqueiro do time de basquete, o que tinha acontecido, e em menos de meia hora ele já tinha espalhado para a escola inteira. É claro que a garota virou piada, e pensou que tinha sido eu o filho da puta que começou a fofoca. Ela me xingou bastante, e depois terminou comigo. Mas no fim das contas, fiquei meio que aliviado. Dois meses depois, ela apareceu grávida do professor de história. Então estou certo de que não perdi muita coisa.

Balancei a cabeça, incrédula.

– Tá me dizendo que sua primeira namorada foi a Paolla? Colin, como foi que você conseguiu? Ela era tão rodada! – Falei. Ele deu de ombros.

– Ela era super gata. E eu estava com 15 anos, louco pra pegar a garota que era considerada a mais bonita da escola. E quando começamos a sair, ela realmente pareceu estar levando a sério o relacionamento. Então... Foi rolando. Mas depois do lance com o Sr. Marshall, fiquei meio indignado com as capacidades dela. Ok que ele tinha só 22 anos, e era recém formado, mas mesmo assim... Foi bem esquisito.

Concordei. Eu me lembrava bem daquela história. Não cheguei a conhecer o tal professor porque, por razões óbvias, ele havia sido demitido. Mas nunca imaginei que Colin ia ter namorado justo a menina que tinha tido um caso com ele.

– Pense que pelo menos você se livrou da possibilidade de ser pai na adolescência. – Falei, e ele concordou.

– Sua vez de novo. Mais algum fracasso amoroso?

Vasculhei minha mente em busca de algo. A maioria dos meus outros rolos consistiam em jogo da garrafa e apenas beijos em alguma festinha de ensino médio. Nada muito promissor.

– Na verdade, a coisa mais séria que eu tive na vida foi realmente com o Sheldon. O resto foram apenas jogos da garrafa e ficadas sem compromisso em festas. Que eu já adianto, mesmo assim não foram muitas. – Falei, dando de ombros. Ele concordou, enquanto dava um gole em seu chocolate, e eu o imitei. Ficamos em silêncio por um tempo até que ele resolveu falar novamente.

– Já te contei da vez que fui chifrado por uma namorada louca e fiquei feliz da vida por isso?

*

O nosso passeio no parque foi realmente sensacional. Apesar do frio e do excesso de nuvens que ameaçavam entregar uma boa chuva a qualquer momento, tinha sido ótimo compartilhar histórias com o Colin, e mais ainda ouvir as dele. É óbvio que eu ouvi diversas histórias dele enquanto ele ouviu apenas sobre o Sheldon, mas aquilo não importava. Tinha sido realmente legal.

O almoço já havia passado, e para esse horário havíamos recebido a tarefa de levar um no restaurante favorito do outro. Colin me levou para comprar yakissoba, que eu nunca ia imaginar que era um dos pratos favoritos dele, e eu o levei até uma barraca de frango frito que eu havia descoberto com Mari havia pouco tempo. Era sem dúvida o melhor frango frito do Reino Unido. Enquanto comíamos em uma mesa de piquenique da praça, tínhamos que compartilhar preferências. Livros, filmes, séries de televisão, comidas, temperos, lugares, países... Foi a conversa mais extensa que tivemos desde que começamos essa trégua, antes de eu me mudar para cá, e eu fiquei me perguntando durante todo o tempo porque é que nós não nos gostávamos quando pequenos, se nós claramente tínhamos tanto em comum. Quando nos levantamos, prontos para ir para a casa, às cinco e meia da tarde, já tínhamos uma road trip planejada para Paris, Roma e Irlanda, e também estávamos pensando seriamente em pedir para os nossos pais uma viagem para a Disney como presente de natal/aniversário/natal do outro ano, apenas para podermos visitar o parque do Harry Potter e tirar fotos com as princesas, e o Mickey. Super maduro e adulto, eu sei.

Como toda boa amiga, Mariana tinha plena noção de que aquele almoço ia durar horas, e o próximo cartão continha instruções para nos arrumarmos e seguirmos para um endereço que aparentemente era o nosso local de jantar. Demorei mais do que o esperado fazendo maquiagem e escolhendo uma roupa, mas conseguimos seguir o roteiro normalmente. O endereço, no final das contas, era um dos maiores shoppings que tinha em Bristol, bem longe da cidade universitária, e o restaurante em que devíamos estar era o Outback.

Durante o jantar nós devíamos compartilhar expectativas para o futuro. E fiquei muito feliz em ver que a maioria das inseguranças que eu tinha quanto à vida, o futuro, minha profissão, entre outras coisas, não eram exclusivas, e que Colin compartilhava de várias delas.

A conversa fluiu enquanto jantávamos, e a cada novo detalhe de vida que compartilhávamos, eu tinha mais certeza de que realmente estava me apaixonando por ele. Não pelo Colin que achei que conhecia a vida inteira, mas sim pelo Colin que eu havia passado a conhecer desde que me mudei para Bristol, e, principalmente, por esse Colin que eu consegui conhecer ao longo desse dia.

Fugimos um pouco do tópico do cartão e passamos a conversar sobre tudo, rimos bastante, fizemos piadas um com o outro, e também flertamos abertamente. Toda a vergonha e insegurança que eu vinha sentindo com esse sentimento novo foi aos poucos desaparecendo, e eu conseguia ver que Colin também se sentia totalmente à vontade com essa realidade.

No final da noite, ele não deixou que eu dividisse a conta com ele, me emprestou o casaco dele enquanto seguíamos para o carro e nos deparávamos com um clima ainda mais frio do que aquele que presenciamos ao longo do dia, e ainda abriu a porta para mim.

A viagem de volta ao apartamento foi um tanto cômica, já que um acréscimo em nosso cartão dizia que devíamos compartilhar nossas músicas favoritas, e isso rendeu um super show no carro, onde eu e ele nos esgoelávamos e cantávamos como se não houvesse amanhã todas as músicas que entravam na lista. E não é surpresa nenhuma a constatação de que nosso gosto musical também era bem similar.

Nós ainda estávamos rindo quando Colin estacionou e desligou o carro, graças a uma interpretação maravilhosa do musical do Jantar de A Bela e a Fera que ele havia feito comigo nos últimos quilômetros de carro. Eu não queria saber porque, exatamente, ele tinha a trilha sonora completa de A Bela e a Fera no iPod, mas fiquei internamente satisfeita, porque aquela era a minha princesa favorita de todos os tempos do universo Disney.

– Eu juro que, quando Kayden disse que ele estava planejando essa sexta-feira, e quando eu descobri que Mariana era a mandante da missão, eu realmente não esperava um dia tão espetacular quanto esse. – Colin disse, uma vez que nossos risos cessaram. Concordei.

– Vou ser sincera com você e dizer que esperava uma balada, várias moças se jogando em cima de você, vários caras se jogando em cima de mim, nós dois tentando fazer ciúmes um para o outro, e Mariana e Kayden assistindo tudo de camarote. Mas fico feliz por ela me conhecer tão bem a ponto de ver que não poderia ter existido um primeiro encontro melhor do que esse. – Falei, e arregalei os olhos ao perceber a besteira que eu havia acabado de dizer. – Q-quer dizer, se é que podemos considerar isso um primeiro encontro, porque...

Colin me cortou quando comecei a balbuciar desculpas sem sentido, colocando um dedo em meus lábios para me calar.

– Sim, melhor primeiro encontro do que esse não podia existir. – Ele falou, sorrindo torto e fazendo minhas pernas bambearem. Sorri de volta, e ficamos nos olhando assim, sorrindo feito idiotas apaixonados, por um tempo indeterminado. Até que Colin sugeriu que deveríamos subir, porque além de tarde, já estava ficando bem mais frio, o que parecia praticamente impossível.

Ele abriu a porta para mim, e foi segurando minha mão até nós chegarmos ao nosso andar. Entramos em casa em silêncio, e quando fiz menção de soltar a mão dele para me despedir e seguir para o meu quarto, ele a segurou com mais força e me puxou de encontro com ele.

– Nada disso, senhorita. Como todo bom cavalheiro, vou levar você até a porta de casa. E como nós moramos no mesmo apartamento, e isso dificulta um pouco o processo, te levar até a porta de casa significa te deixar sã e salva na porta do seu quarto. Afinal, vai saber quem pode aparecer nesse corredor, tarde da noite, não é?

Ri, porém concordei, adorando o jeito como ele vinha agindo. Caminhamos lentamente até meu quarto, como se nenhum dos dois quisesse que o dia realmente acabasse, e quando finalmente chegamos ao nosso destino final, paramos um de frete para o outro, no corredor escuro, e suspiramos.

– O dia foi realmente maravilhoso, Cols. – Falei, sorrindo. Não havia nada mais que pudesse ser dito, além do quanto eu havia gostado de passar aquele tempo com ele, e de realmente conhece-lo melhor.

Ele concordou, brincando com os meus dedos.

– Foi sensacional. Vou ser eternamente grato àqueles dois patetas por terem pensado em tudo isso. Acho que sozinho, eu não seria capaz de planejar algo tão bom quanto o dia de hoje. – Ele falou, sorrindo e baixou o olhar para o chão, como se estivesse envergonhado. Tive uma vontade absurda de abraça-lo.

Ficamos uns minutos parados no corredor, olhando para nossas mãos unidas, em silêncio, absorvendo o dia que havíamos acabado de ter, tentando adiar o fim iminente. Eu realmente não queria que acabasse. Nunca.

– Acho que vou deixar você dormir agora. – Ele falou, mas não fez nenhum esforço para se afastar. Concordei.

– Boa noite, Cols. Eu realmente adorei sair com você hoje. – Falei. Ele sorriu abertamente e me olhou nos olhos, enquanto me puxava de encontro a ele, e me dava um dos melhores abraços que eu já recebi na vida. E, meu Deus, como ele estava cheiroso.

– Boa noite Hallie. Você foi incrível hoje, e eu realmente gostei de descobrir um pouco mais sobre você a cada conversa que tivemos. Você é uma pessoa maravilhosa, e fico indignado que eu tenha levado tanto tempo para perceber isso. – Ele falou. Senti meu coração batucar fortemente em meu peito.

– Também fico indignada por ter demorado tanto tempo pra te enxergar de verdade. – Falei, e ele finalmente se afastou, ainda sorrindo, e finalmente soltou minha mão.

Eu já estava me virando para a porta do meu quarto, quando me lembrei de que ainda havia um cartão em meu bolso. Peguei-o e o entreguei a Colin. Estava com ordens explicitas para que apenas ele lesse o cartão.

– Acho que esquecemos desse. – Falei. Ele concordou, enquanto abria o pequeno cartão e lia rapidamente. Depois de alguns segundos, ele levantou o olhar para mim, rindo.

– E aí, qual a tarefa da vez? – Perguntei, mas não obtive resposta. Ele apenas ficou ali, em pé, no corredor escuro, me olhando. – Cols?

Ele continuou assim, me ignorando completamente, e me analisando profundamente durante mais alguns segundos. Eu já estava pronta para me irritar e virar para o meu quarto, batendo a porta na cara dele, quando, de repente, ele se mexeu.

Foi tudo muito rápido. Em um momento, estávamos de frente um para o outro, no corredor de nosso apartamento. No outro, eu estava encostada na porta do meu quarto, o peso dele me prensando contra a porta, as mãos fortes segurando delicadamente o meu rosto, e os lábios macios finalmente, finalmente tocando os meus. Apesar do choque inicial, tive apenas alguns segundos para fechar os olhos e realmente apreciar o momento, porque logo, cedo demais, ele estava se afastando, ainda sorrindo.

– Boa noite, Hallie. – Ele disse, soltando a minha mão – que ele tinha voltado a segurar e eu nem havia me dado conta – vagarosamente, e, sem mais uma palavra, caminhou até o quarto dele, e fechou sua porta, realmente dando a melhor noite da minha vida como encerrada. Com um sorriso extremamente bobo, entrei no meu próprio quarto, fechando a porta e me encostando na mesma, escorregando até o chão e tentando não rir como uma adolescente de treze anos que acabou de beijar o amor platônico. Foi só quando todo o choque e adrenalina passaram que percebi que eu segurava um papel. O mesmo cartão que eu havia entregado para Colin há alguns minutos.

“Deixa de ser frouxo e beija ela logo!”

Sem dúvida alguma, melhor dia da minha vida!

Notas finais
Espero, do fundo do coração, que tenham gostado desse! Reviews e recomendações serão super bem-vindos e servirão como um enoooorme incentivo, de verdade! Amo vocês, me desculpem pela demora, e espero que tenham gostado! Um beijo grande no coração de todo mundo!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.