Beautiful Lie

6 Não precisa ser por inteiro


Notas iniciais
Esse demorou >.< Sorry Ç-Ç
Esse capítulo, na minha opinião, não ficou muito bom. Foi escrito depois de noites mal dormidas, dor de cabeça e um enjoo constante, mas mesmo assim saio.
Espero que apreciem ^^

Dor.

Eu agora podia ser descrito em uma única palavra: Dor. Tudo em mim doía profundamente, corpo, alma e coração.

Jogado na cama, marcado, ferido e quebrado. Eu nem conseguia me levantar, minhas pernas cediam no ato. E quando escutei o barulho da porta lá embaixo, tive que me arrastar para conseguir trancar minha porta. Depois disso, simplesmente apaguei no chão.

* * *

Acordei mais dolorido do que nunca. Minha cabeça girava e eu estava totalmente enjoado, tive que fazer um grande esforço para me levantar e ir até o banheiro – onde eu vomitei mais de uma vez – e tomar um banho. Foi o banho mais longo da minha vida, e eu não pude evitar chorar amargamente. Por que tudo isso tem que acontecer comigo? O que de tão errado eu fiz? Fumar e ser gay é tão horrível assim? Ou talvez isso seja um castigo por já ter tentado acabar com minha própria vida, mas... Isso justifica a minha infância? Tudo que eu passei nela? Acho que não.

Tive vontade de gritar de frustração, mas ao invés disso, simplesmente me sequei e me vesti com roupas largas, arrumei minhas mochilas e antes de sair do quarto dei uma ultima olhada na bagunça deixada no local. Dane-se, eu não arrumaria nada.

Desci as escadas e ignorando os chamados da minha madrasta fui embora daquela casa. Peguei um táxi e fui direto para minha casa, que, pela primeira vez considerei meu lar.

Eu estava um bagaço. Mello não ligou nem uma vez para mim, e eu não conseguia evitar abrir os cortes em minhas coxas usando meus dedos, além de fumar e beber. Até que, o telefone tocou.

- Alô?

- Matty? – escutei uma voz doce e meio rouca pelo tempo.

- Annie?! – senti um sorriso se formar automaticamente em meu rosto.

- Sim,meu anjo, sou eu. – riu.

- Oi! Como vão as coisas? Já se mudou? – Annie morava em Londres, mas na última vez que tinha me ligado, me falou que ia se mudar por aqui nas redondezas.

- Oh, sim. É pos isso que eu te liguei, queria saber se você queria passar o resto do feriado comigo, já que eu acabei de mudar. — alarguei o meu sorriso.

- É claro, Annie! Com certeza!

- Então posso te esperar hoje mesmo?

- Claro!

Nos despedimos, e eu peguei o endereço dela, refiz as malas e logo já estava a caminho. Quando cheguei fui recebido por calorosos braços e chocolate quente com brownes.

— Vamos, sente-se pequeno! E como bastante, olha como está magro! E o que é isso no seu rosto? – perguntou preocupada.

- Ah, o gato de um amigo fez isso.

- Sei... – falou desconfiada, mas não questionou – Bom, então vamos comer!

Passar os dias com Annie era melhor a coisa para um pós-trauma, ela passava paz e calma, além de ser uma pessoa calma e mesmo com seus sessenta e dois anos ela tinha atitudes joviais. Eu amava ela demais, tanto que quando menor a chamava de mãe. E hoje eu tinha que ir embora, já que teria aula no dia seguinte. Eu não queria ter que voltar para realidade, não queria ficar sozinho me lembrando a cada momento que eu era impuro, não queria ver Mello com Near, não queria mais nada, no entanto...

- Até mais, Annie.

- Até, querido, se cuide e...

- Sim?

- Olha, eu sei que há vezes em que as coisas são difíceis, mas no fim tudo vai dar certo, sim? Lembre-se que eu estou aqui para o que der e vier! – a abracei forte.

- Eu sei, mãe. – ela sorriu também, e antes de eu ir embora falou coisas como “que orgulho do meu bebe!”.

* * *

Cheguei em casa meio sonolento, arranquei meus sapatos e deixei minhas coisas em qualquer canto e subi direto até meu quarto, nem percebi que as luzes estavam acesas, de tão cansado, e imediatamente me joguei na cama, gemendo de dor por ter caído com o machucado encima de... Um joelho? Arregalei meus olhos e pulei da cama, caindo no processo.

- AHHHHH! – agarrei a coisa mais próxima de mim, que foi um abajur do Mario – Eu... Eu tenho um abajur e não tenho medo de... Mello?

- Não, impressão sua, é claro que sou eu! – rodou os olhos – Onde você esteve?!

- Eu?

- Não, minha vó – ele já estava perdendo a paciência – Eu fui arrastado pela minha mãe lá para uma cidade no fim do mundo e não tinha sinal do meu celular e não pude ligar para você, o telefone não pegava de forma alguma e quando eu volto para civilização você não atende a porra do celular ou telefone! E aí eu venho aqui e não tem ninguém! Nenhum vizinho seu sabe onde você está! – por isso ele não tinha me ligado!

- Calma, eu posso explicar...

- É bom mesmo.

- Eu – respirei fundo – Estava na casa do meu pai, e depois fui para casa na Annie.

- Seu pai?! Como assim você vai na casa daquele cara e não me avisa nada antes?

- Eu... Me desculpa, não queria te preocupar.

- Não deu certo. – olhei para ele com olhos de cachorro sem dono, e ele suspirou – Tudo bem.

- Obrigado! – me joguei nele e tive que conter um gemido de dor, ele passou aquela mão quente pelos meus cabelos, mas parou repentinamente.

- Matt, o que houve com o seu rosto? – ergueu uma sobrancelha.

- Gato. – respondi rápido demais, droga.

- Está mentindo.

- Não, não estou.

- Quem fez isso?

- Ninguém!

Mello’s POV ~

Se tem uma coisa que eu sabia de Matt, era que ele não sabia mentir. Pelo menos para mim. Por isso eu soube na hora que não foi um gato que fez isso.

- Matt, se você não me falar, eu vou ser obrigado a comprovar por mim mesmo.

- Mello, ninguém fez isso, eu juro! – respirei e contei até dez.

- Ok, você quem quis isso!

Comecei a tirar aquela blusa de mangas compridas preta dele, algo com certeza estava errado, só pelo fato dele estar sem uma blusa listrada já era o bastante para me preocupar. Ele se debateu com uma força que pude perceber não estar 100% o que facilitou mais ainda o meu trabalho, e eu desnudei seu tronco.

- Mas o que...? – não acreditei no que meus olhos me mostravam; aquela pele macia e pálida totalmente perfeita estava coberta de hematomas arranhões e cortes. Comecei a tirar a parte de baixo.

- M-Mell, não... – ele começou a chorar, me senti mal, mas não parei.

- Me desculpe.- eu disse antes de tirar as calças dele, era igual ao abdômen, mas o que me chamou a atenção foram os cortes na coxa. Será que ele que tinha feito esses cortes, pelo menos aí?

- Mello... – ele chorava desesperadamente ao que eu o abracei, com sua cabeça apoiada em meu peito.

- Shhh, já vai passar. – falei beijando seus cabelos, tentando passar paz para aquela criatura indefesa em meus braços. Como alguém podia fazer mal para ele?

Quando ele se acalmou, o desencostei um pouco do meu corpo, ficando livre para olhá-lo nos olhos.

- Matty, o que aconteceu?

- Eu não quero falar sobre isso. – segurei seu rosto com as duas mãos.

- Eu sei, mas você vai ter que me dizer um momento ou outro. Por favor,matty?

- Eu... – escondeu o rosto em meu peito – Fui violado. – senti meu sangue ferver, e por um momento perdi a noção, tive que respirar fundo. Quem foi o filho da puta que tocou o meu Matt? E por favor, ignorem o “meu” na frase anterior.

- Quem? – falei com a voz assustadoramente rouca.

- E-Eu... – ele se assustou com o meu tom.

- Quem fez isso, Matty? – perguntei com a voz mais suave.

- Jack – sussurrou sombriamente. Reconheci imediatamente o nome.

- Aquele Jack?

- Sim... Ele falou – o choro recomeçou – Que eu... Parecia com o pai... E por isso ele...

- Esse garoto é louco! Eu vou matar ele! – me levantei imediatamente.

- O-O que vai fazer?

- Me dê o endereço.

- Mello, não! Você não pode...

- Eu posso e vou matar ele!

- Mello, você pode ser preso se invadir a casa e...

- Se você não me der, eu descubro sozinho.

- No bloquinho de notas, ao lado do telefone, o endereço de cima – suspirou.

- Obrigado.

Eu já estava saindo quando me senti ser segurado.

- Mell, por favor, não faça nenhuma besteira, sim?

- Não se preocupe, e pode esperar pó mim.

E fui. Peguei o endereço daquele monstro e fui naquela casa, que invadi sem mais nem menos. Soquei e soquei aquele garoto, bati a cabeça dele contra o vidro de uma estante cheia de troféus, chutei o aquele homem horrível que tentou me segurar – vulgo Jonh, o pai do Matt – e ameacei matar todo mundo quando aquela mulher tentou ligar para policia, além de chamar o moleque de violador na cara dura ao que a mãe deste abaixou o olhar como se soubesse de algo, e bom, de repente eu nem era o problema ali, no meio daquela discussão familiar. E então, saí dalí deixando a bagunça que eu causei para trás, indo em direção do meu Matty. Foda-se, ele é meu, mais tarde eu resolvo meus sentimentos, ele é mais importante agora.

Matt’s POV ~

Mello chegou com as roupas um pouco desarrumadas, e com um pouco de sangue, segurando uma mala, disse que ia ficar aqui comigo por um tempo, falei para ele que era melhor tomar um banho, que eu cuidaria dos arranhões dele – porque isso foi tudo que fizeram nele – mas antes ele parou e me abraçou forte.

— Estou em casa- sussurrou.

— Bem vindo de volta, Mello.

E foi aí que eu percebi uma coisa; mesmo que eu não tivesse Mihael Keehl por inteiro, eu sempre teria lugar em seu coração e ele sempre estaria ali para mim.

Notas finais
Eu não revisei, então se tiver algum erro, por favor me avisem >.<
Bom, obrigado por terem lido *-*
Reviews? *olhos pidões*
Chu ♥