Beautiful Lie

16 Aulas e Infância


Notas iniciais
Eu... Sei que demorei. E não, não tenho desculpas >-
Não mereço perdão, mas... GOMENASAI T^T
Espero que gostem... >-<'

Irritante. O choro daquele maldito bebê era irritante. O homem de cabelos vermelhos já estava farto disso... Noite após noite a mesma história.

– Faz esse mal nascido parar de chorar! – gritou à sua mulher que já se levantava da cama para ir atrás do causador de toda essa irritação. Era sempre assim, ela calmamente ia cuidar de sua criança, pedindo ao marido que tivesse paciência com Mail, porque ele era apenas um bebê, nem mesmo pensava. Dolores era uma mulher gentil e carinhosa, boa mãe, boa esposa e até mesmo boa vizinha. Era o tipo de pessoa que ia à eventos de caridades e reciclava o lixo.

Mas ela era muito mais do que a perfeição que aparentava. Ela era maluca.

Secretamente, escutava vozes, e que sempre diziam algo relacionado ao bebê. Via sombras negras pela casa, sempre apontando em direção ao seu filho. Ignorava, claro. Jamais encostaria um dedo em sua criança de modo agressivo. Mas o tempo é algo poderoso demais, só ele consegue curar feridas e criá-las também, de forma tão natural que você nunca percebe o processo. E foi tempo demais para que ela agüentasse aquilo. E resolveu prestar atenção nas tais sombras.

Agora entendia. Mail não era seu filho. Era filho do demônio. E devia matá-lo antes que o mundo fosse destruído. Como eu disse, ela era maluca, completamente pirada. Talvez Esquizofrenia? Não sei, mas o fato é: aquela noite, quando se levantou para cuidar do “mal nascido”, algo estava diferente.

E pouco depois, o filho do casal vizinho, um adolescente totalmente boêmio que adorava festas noturnas e curtir a vida, ao chegar de mais uma noitada, se viu desesperadamente chamando a policia, pois podia ver perfeitamente da janela da casa vizinha, uma mulher segurando uma faca, e um pouco da madeira de um berço. Pouco depois, batendo na porta, ou melhor, socando ela, na esperança de alguém segurasse aquela louca.

Depois desse incidente, nunca mais viram Dolores.

Matt’s POV

Eu cantarolava a música Brave Heart de Digimon enquanto fritava panquecas para um perfeito desjejum americano para o impecável inglês que sou (há!), sentado á mesa da cozinha estava Mello, que lia o jornal depois de ter arrumado a mesma. Sua queimadura já estava bem melhor, e isso era um grande alívio, além do fato dele não se importar com metade do rosto “desfigurado”, o que era bom, já que o médico falou que muitos pacientes que sofrem acidentes que deixam marcas permanentes no rosto não conseguem se reconhecer mais. É, se fosse eu... Bom, sei lá, do jeito que minha auto estima é enorme...

– Estão prontas! – exclamei de bom humor, as deixando na mesa, e tirando meu avental branco com detalhes em crochê recém adquirido de uma feira de artesanato. Tá, eu sei, isso é muito gay.

– Ruivo, você está muito gay com esse avental... – Mello falou deixando o jornal de lado – Mas eu gosto. – me puxou pela cintura, e depositou um beijo suave em meu ombro, sorri levemente. Eu estava adorando minha vida de “casado” com meu loiro, sério, parecíamos mesmo marido e... Marido (ou noiva, em memória a nossa infância) quando formos para a universidade, tenho certeza que essa sensação irá se intensificar.

Uma idéia me passou pela cabeça, e corei totalmente.

— O que foi, Matt? Pensando em coisas pervertidas? – falou maliciosamente ao pé do meu ouvido.

— Claro que não, Mello! – sai de seu colo e me sentei na cadeira – Vamos comer logo ou iremos nos atrasar!

Mello’s POV

Tem apenas duas coisas que eu amo nessa vida: chocolate e o Matt. E como antes eu já devo ter dito; os dois juntos então... Hmm... Mas eu tenho que admitir, eu abandonava a minha droga favorita se fosse pra ver todo dia essa felicidade na cara do meu ruivo. E depois eu ainda chamo o Mail de gay. Pois é.

– Sim, sim... – sorri e começamos a comer.

Assim que terminamos (depois de muitos olhares sacanas da minha parte, que faziam meu amante corar o deixando ainda mais mordível) terminamos de nos aprontar e fomos para a escola, onde fomos recebidos com diversos tipos de reações, pessoas assustadas com minha cicatriz, gente lançando olhares de nojo por eu e Matt estarmos de mãos dadas, outros surpresos pelo mesmo motivo, algumas garotas loucas gritando e parecendo bem... Felizes? Estranhas. Mas uma coisa todos estavam fazendo: comentando.

Sinceramente? Mordi a língua pra não mandar todos para um belo lugar.

– Tsc! Eles não tem mais o que fazer?! – joguei minha mochila na carteira, totalmente molesto.

– Calma Mello, é só ignorá-los – meu gamer soltou uma risadinha e se sentou na carteira da frente, sobre a mesa, pegou seu PSP e começou a jogar, me sentei na cadeira que seria sua e o puxei pela cintura para sentar em meu colo, o rodeei com os braços.

– E aí? Sumidos! – Paul, nosso colega de classe e amigo de infância (um dos que viu minha discussão com Matt sobre quem era o marido quando pequenos) se sentou na mesa da frente todo sorridente, seus cabelos eram negros e tinham mechas azuis claras e azuis escuras, seus olhos castanhos e usava óculos retro, ele tinha um estilo que eu gostava de chamar punk-fofo-emo.

– Oi – Matt sorriu de volta, eu apenas acenei com a cabeça.

– Finalmente assumiram, hein? – ele falava abertamente disso, acho que por ter convivido com gays a vida toda fez com que ele não tivesse preconceitos sobre isso, além disso, hoje se declarava bissexual – E aí? Já decidiram quem é o marido? – sempre que ele tinha oportunidade, fazia questão lembrar qualquer acontecimento vergonhoso da nossa infância.

– Paul! – Matt exclamou meio envergonhado. Eu apenas virei a cara.

Mas ele não desistiria tão fácil assim.

– Vocês ainda brincam de médico? – perguntou com um sorriso sacana – Aposto que as brincadeiras evoluíram, não?

– PAUL! – eu e Matt gritamos juntos. Ele apenas riu da nossa cara.

– Mas ficou bem feio isso aí, hein? – disse se referindo a minha cicatriz, até que o sinal tocou antes deu responder – Opa!

Voltou a seu lugar, eu e meu ruivo fizemos o mesmo. E assim mais um dia de aulas chatas começou, com direito a perguntas constrangedoras de nosso amigo punk através de papéis, um deles inclusive foi pego pelo nosso frio professor de Inglês, o tipo de cara que poderia contar com rosto e corpo para virar modelo — ah, e ele era o amor platônico de nosso jovem complexo de punk-emo – que geralmente lia sem pudor os recadinhos que os alunos passavam entre si, mas dessa vez, talvez pelo conteúdo, resolveu ficar quieto.

“Quem é o seme de quem, hein? xD” Foi o que ele perguntou.

“Para de mandar recados e volta a babar pelo nosso professor, porra” Foi a minha resposta.

Senti um olhar mortal em minhas costas, e apenas mostrei da forma mais discreta o possível o meu dedo médio a Paul.

* * *

– Calma Paul, ele não deve ter levado a sério. – Matt tentava consolar a criança que estava chorando na cabine do banheiro e não saia a mais de quinze minutos. As aulas já tinham terminado e eu estava comendo uma barra de chocolate encostado na pia,tentando ter paciência, e contando até 10 mais de uma vez.

– Eu nunca mais vou vir para escola! – quanto drama.

Depois disso se seguiu uma discussão gritos entre os dois. Parecia briga de mulher. Eu já estava prestes a dar um basta naquilo pois tava de saco cheio. Porém não foi preciso.

– O que está havendo aqui? – para minha felicidade a causa de toda aquela gritaria chegou para acabar com a putaria.

– Sr. Poe?! – o grito veio de dentro da cabine, o dito cujo suspirou e educadamente expulsou eu e Matt dali.

No caminho para casa, eu coloquei meu braço nos ombros do meu gamer e passamos no mercado para comprar ingredientes para fondue de chocolate, queijo e carne.

E mais tarde, quando vi meu lindo amante com o avental, cantarolando alguma música de anime ou game enquanto cortava as frutas, eu percebi o quanto tudo era perfeito. Eu amava aquele clima quente.

– M-Mello? O que foi? Você me assustou! – exclamou quando o abracei por trás – Mello? O que foi? – repitiu.

– Nada. – apenas sorri, desejando que aquele momento durasse para sempre.

E, cara, como eu estou gay. Culpa do Mail, só ele para me deixar assim.

Extra ~>Brincando de Médico

Quando pequenos uma das várias brincadeiras preferidas de Mello e Matt era a de médico, essa perigosa brincadeira inclusive fez com que nossa querida Anne pensasse que algo errado, ao menos para a idade deles, estivesse ocorrendo.

– Dr.Keehl! N-Não...

– Calma, enfermeira Jeevas... Não vai doer.

– Não... Ah!

– Quer que eu pare?

– N-Não... Mas vai mais devagar Doutor...

Nesse momento, Anne, que trazia uma bandeja com um lanche para os garotos se assustou com o rumo que aquilo parecia tomar. Imediatamente abriu a porta com mais força do que devia talvez, e viu Mello encima de Matt, quase grito, mas aí percebeu que o loirinho apenas estava tirando um curativo do Pikachu da coxa do outro.

E, bom... Caiu na risada. Como podia ter pensado algo tão bobo? Apenas deixou os lanches na cômoda e saiu rindo.

Os pequenos nunca entenderam a situação.


Notas finais
Obrigada por lerem... Se alguém ainda acompanhar isso aqui...
Essa fanfic é muito importante para mim, assim como os leitores, então, mesmo que eu demore, nunca vou abandonar ela.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.