Beautiful Eyes
1 Capítulo único.
Notas iniciais
Eu esperei por tanto tempo para estar aonde eu estava agora, que nem ao menos me abalava as coisas que estavam acontecendo ultimamente. Minha vida estava uma bagunça? Completamente. Estava tudo fora do lugar, mas mesmo assim, eu me sinto completa, me sinto como se nada faltasse para mim, porque não importa o que acontecesse, no final do dia, eu teria o amor da minha vida, deitada ao meu lado no sofá da sala com nossos pequenos em nossa volta vendo um filme qualquer na TV da sala com dois baldes de pipocas, um para nós duas e outro apenas para nossos filhos, e era apenas tudo isso o que me bastava, e era exatamente pensando em momentos como aqueles que as minhas preocupações simplesmente iam por água a baixo para não voltar mais, pelo menos não por um bom tempo.
Eu estava sentada na minha cadeira, confortavelmente reclinada, enquanto olhava pela parede de vidro, que ia do chão até o teto, de meu grande escritório no centro da cidade que nunca dorme, enquanto dois pares de vozes chiavam atrás de mim sobre qualquer problema que deveria ter surgido naquele momento ou antes só que eu ainda não havia resolvido. Eu ainda estava perdida em meus pensamentos quando olhei para o relógio e ele marcava três horas da tarde. Por Deus, ainda era três da tarde e eu já não aguentava mais ficar trancada naquele escritório.
Fechei meus olhos e respirei fundo, absorvendo a maior quantidade de ar que eu podia absorver naquele momento e o soltei lentamente, ainda de olhos fechados me virei para as quatro pessoas a minha frente que ficaram em silêncio no mesmo momento. Abri meus olhos lentamente e os encarei.
Puck ainda conservava o seu moicano, mas agora ele estava vestindo um terno, ele parecia mais sério, e era realmente verdade, nesse tempo que se passou, ele havia amadurecido bastante.
Tempo. Já se faziam oito anos desde que nós havíamos nos formados na escola, mas ainda sim, mantínhamos o contato um com o outro.
Sam estava com um penteado novo. Seus cabelos eram mais curtos no lado e no topo faziam um topete. Ele se parecia comigo, era como se fosse meu irmão para falar a verdade. Ele não gostava de usar ternos, mas ainda sim estava elegante no seu traje social descolado.
Santana estava com um termino na cor grafite e com os cabelos soltos. Ah, minha melhor amiga, como eu amava aquela menina, ela era minha irmã de coração, afinal, foi ela quem sempre esteve ao meu lado mesmo quando a situação não estava ao meu favor. Foi ela quem enxugou as minhas lágrimas de tristeza quando eu brigada com o meu amor, foi ela quem sempre esteve ali por mim, todo esse tempo.
E por ultimo estava Tina. Ela acabou por se tornar minha segunda assessora, ou como Sant gostava de dizer “Eu sou sua assessora e ela é minha assessora, não admito pessoas antes ou depois de mim no que eu faço. Sou eu e apenas eu.” Tina estava como sempre impecável, em um vestido social comportado.
Santana foi a primeira dos quatro a se pronunciar.
- Quinn ... você tem que resolver o problema da Sra. Huston, ela já esta nos cobrando a mais de duas semanas.
Santana era o meu braço direito naquela empresa, e eu sabia que se me perguntassem por alguém que se pode confiar de olho fechado quando o assunto é trabalho, ou até mesmo pessoal, eu não hesitaria em dizer o nome dela.
- San, me desculpe, a final, me desculpem todos vocês, mas eu estou indo agora. A decisão que vocês tomarem eu irei aceitar.
Eu já estava saindo da minha sala, já tinha pego minha bolsa com minhas coisas que estavam dentro dela, enquanto eles me olhavam assustados e atônicos, a final de contas, eu nunca tinha saído de lá antes das cinco da tarde, mas hoje, eu simplesmente não suportava mais ficar lá, não dava, só isso.
Eu passeava pelas ruas de NY livremente, olhava para todos os detalhes. Mesmo tendo um carro na garagem do prédio eu preferi ir andando para casa hoje.
Uma rua antes de virar a esquina que daria na rua do meu apartamento, eu vi uma pequena floricultura, mas bem arruma e aparentemente com uma variedade de flores imensas. Eu fui até lá.
Cheguei na tal floricultura e fiquei olhando ao redor. A fragrância das flores simplesmente invadiram meus sentidos e eu me senti no paraíso.
- Gostaria de alguma flor em especifica?
- Como?
- Perguntei se você quer alguma flor em especial.
Eu estava tão distraída com as próprias flores que nem ao menos havia prestado atenção na atendente da loja.
-Oh sim, eu quero.
- E qual seria?
- Eu quero um buquê bem grande de rosas champanhe, cravos e tulipas vermelhas, todas juntas.
Ela não falou nada, apenas saiu buscando as flores e eu fiquei ali mesmo, parada enquanto olhava o movimento na loja. Não demorou muito e ela voltou trazendo o grande buquê, eu apenas sorri para ela, fui em direção ao caixa e paguei-o.
Quando sai da floricultura olhei em meu relógio e ainda eram três e quarenta e cinco da tarde, e mesmo sendo relativamente cedo, eu fui direto para o apartamento.
Cheguei até a portaria e cumprimentei o senhor que ali estava, fui em direção a caixa do correio, mas não tinha nada lá, eu sorri, ela deve ter pego quando voltava de buscar as crianças na escola, logo em seguida fui para as escadas, estava com pressa de mais para esperar o elevador e tudo mais.
Assim que cheguei ao meu andar, caminhei direto para a porta do apartamento 18D, coloquei a chave na fechadura e a girei, fazendo o sonoro click, girei a maçaneta e empurrei a porta, coloquei o buquê em minhas costas e entrei no apartamento lentamente, batendo a porta atrás de mim.
-Amor?
Chamei, mas ela não me respondeu, ao invés disso dois mini — furacões , um loiro e um moreno entraram correndo pela sala e vieram diretamente na minha direção.
-Mãe, mãe, mãe! – Eles falam juntos enquanto pulavam e sorriam.
Era disso que eu estava falando desde o começo, a melhor parte do meu dia era sempre essa.
Depois de dar a devida atenção aos meus dois pequenos monstrinhos que saíram correndo logo em seguida para a sala, eu levantei meus olhos e pude ver ela parada no corredor com as mãos pousadas sobre a barriga, já um pouquinho saliente. Mesmo estando distante dela, eu lhe ofereci o buquê, e eu vi o aquele sorriso por qual eu me apaixonei um dia e que faziam com que eu me apaixonasse até hoje, cada dia mais, por ela.
-Obrigada.
Ela falou baixinho enquanto absorvia o perfume das flores, e eu ficava apenas a observando.
-Você merece meu amor.
Rompi a distância que existia entre nós e selei meus lábios com os dela. Foi um beijo calmo, delicado mas acima de tudo, foi um beijo apaixonado. Era como se todos os nossos beijos fossem o primeiro e ao mesmo tempo o último, mas, ainda precisávamos de ar para respirar, e quando esse não se fez mais presente, tivemos que nos separar.
-Mamãe e mãe, o filme já vai começar, venham logo.
E eu vi a cópia perfeita de Rach ali na minha frente. Agnes tinha os cabelos castanhos igual o de Rachel, mas seus olhos tinham os mesmos tons de verdes com pequenos traços em dourado como os meus, mas o seu jeito dramático era igualzinho o de minha esposa.
-Ag, deixe sua mãe pelo menos trocar de roupa querida.
-Mas mamãe ...
-Nada de mais, ela vai lá em cima tomar um banho e trocar de roupa e depois ela desce e termina de assistir o filme com a gente, está bem?
-Ok.
Ela parou de bater o pé, revirou os olhos e saiu dramaticamente bufando em direção a sala.
-Ela é a sua cópia sabia. – Falei enquanto tirava uma mexa de seu cabelo e colocava-o para trás da orelha, enquanto olhava em seus olhos; ela me deu um tapa no braço, selei nossos lábios por breves segundos antes de ir correndo pelo corredor até a escada.
Subi para o nosso quarto e assim que entrei pude sentir o seu cheiro de chocolate, o sorriso de uma boba apaixonada foi involuntário, mas ai eu me lembrei que eu tinha duas crianças de cinco anos me esperando lá em baixo e uma morena baixinha junto com elas.
Tomei o banho mais rápido da minha vida, e nem me dei o trabalho de secas meus cabelos, eles foram assim mesmo, molhados e bagunçados. Coloquei um conjunto de lingerie rosa claro, um short de malha e uma blusa da faculdade que ficava um pouco maior do que eu.
Desci correndo e cheguei na sala quando o filme estava na segunda parte. Rachel estava sentada no meio de Agnes e de Bernardo, o meu loirinho super fofo, mas que por ironia do destino, tinha os olhos de Rachel. Me aproximei deles e pedi um espacinho para deitar, os dois pequenos me ignoravam por conta do filme, já a minha baixinha se mexei preguiçosamente para frente, para que eu pudesse me sentar atrás dela e assim eu o fiz.
Depois de sentar me acomodei melhor, para que ela ficasse mais confortável e posei minhas mãos em sua barriga, ela olhou para mim no mesmo segundo com aquelas grandes orbes castanho chocolate que brilhavam intensamente em minha direção.
Seus lindos olhos castanho chocolate, tão intensos e expressivos. Tão lindos, tão indecifráveis e ao mesmo tempo tão claros. Tão cheios de vida e brilho. tão lindos quando sorriem na minha direção. Tão intensos quando estão com desejo. Tão meus. Tão lindos e tão meus. E eu posso jurar, que toda as vezes eu olho para eles eu me perco em tamanha perfeição, em tamanha intensidade.
Mas não eram apenas os olhos, era tudo. A boca carnuda que tem gosto de morango com chocolate, a pele morena e quente, o braços pequenos e acolhedores, o corpo pequeno e bem desenhado, as pernas torneadas e longas. Tudo nela era lindo, e tudo nela era meu, e apenas isso me fazia querer ser uma pessoa cada melhor.
Selei nossos lábios suavemente e logo depois de ouvir reclamações de como nós éramos melosas uma com a outra de nossos filhos, nos viramos para terminar de assistir o filme, que eu nem ao menos fazia ideia de qual era.
E foi naquele momento, como era em todos os outros dias, que eu percebi que eu não precisava mais do que eu tinha para ser feliz. E afinal o que eu tinha? Eu tinha não, eu tenho Rachel comigo, eu tenho meus filhos, eu tenho um família, e eu agradecia a todos os Santos por tê-los vivendo comigo. E eu cheguei a conclusão que eu sempre chegava ao final de cada dia que é ela, penas ela, e meus pequenos me davam forças para continuar, minha família, e eu estava feliz por isso.
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