Notas iniciais
Um olá da pessoa que aparece como se não tivesse passado meses sem atualizar... Oi XD Perdoa minha demora e não desiste de mim, ok? Nesse capítulo eu trouxe algo mais calminho e fora da rota Bia-Mati normal, mas eu acho (e espero) que vocês vão gostar.

Clarisse nunca se preocupou muito com o vestibular. Tudo o que via durante seu terceiro ano do ensino médio eram seus amigos na luta diária por absorver conteúdo suficiente para tirar notas decentes nos vestibulares da vida. Não que quisesse um curso fácil. Administração não era nada de moleza para entrar. Mas Clarisse sabia que o vestibular não definiria sua vida e que ela nunca teria uma nova oportunidade de viver o “terceirão”.

Alexandre orgulhava sua família por cursar Engenharia Química na Universidade Federal de Pernambuco. Não era o primeiro universitário na família – um primo tinha se formado em Direito recentemente e a prima Cláudia estava na metade do curso de Enfermagem. Mas, sendo o primeiro de cinco filhos, trazia orgulho aos pais com sua conquista. Carlos Augusto Olímpio nunca teve a mesma chance. Com um mínimo de conhecimento adquirido, montou uma oficina mecânica no bairro em que moravam. O mesmo foi o destino de Maria Lúcia Olímpio, que acabou tornando-se secretária num escritório de advogados, e depois recepcionista num empresarial e mudava de emprego conforme a necessidade.

Conheceram-se em 1988. Alexandre aproveitava o conhecimento que tinha para ganhar algum dinheiro, já que não podia contar com os pais para pagar por livros e afins – afinal de contas, uma universidade pública nunca é gratuita. Ele dava aulas – e tinha um grande apreço pela arte de ensinar. No quarto semestre do curso, teve a aluna mais especial que poderia ter.

Aqui é a parte que eu alerto: se você está procurando por um romance clichê entre aluna e professor, desista. Normalmente esse tipo de história acompanha uma enorme diferença de idade entre um professor (ou professora) sexy e sua aluna (ou seu aluno), jovem e cheia de amor para oferecer. Não existia sensualidade no metro e oitenta de Alexandre. Muito menos no seu cabelo desgrenhado e seu rosto desbarbado. E Clarisse não tinha tanto amor assim para oferecer: recém saída de um relacionamento de três anos, a menina só queria aproveitar seu último ano de colégio e entrar numa universidade no futuro.

Então, Clarisse precisava de aulas de matemática para conseguir ingressar na faculdade e Alexandre precisava de dinheiro para se manter lá dentro. Por indicação de amigos, Clarisse o contatou. Alexandre era profissional, via os alunos como nada além de alunos. Mas tinha alguma coisa naquela menina branquinha de olhos verdes que ele não podia ignorar. Não falo de aparência, essa era a última coisa que ele via em uma menina. Ela tinha uma personalidade tão forte, uma presença tão impossível de ignorar. Era inesquecível.

No final do ano, ela fez a prova. Experimentou, naquele dezembro quente, a sensação de se dar bem em uma prova de matemática. Não que ela fosse ruim, mas ela nunca tinha se sentido tão confiante antes. Em janeiro, a aprovação, a sobrancelha raspada e o agradecimento a todos os professores do cursinho. A comemoração com os amigos, que incluía Alexandre, a quem Clarisse nunca chamou de professor. Aliás, eles não eram mais professor e aluna, mas sim colegas de faculdade.

Foi a primeira vez que ele reparou em Clarisse como mulher, mesmo que ela não fosse uma ainda. E nem ele era um homem, na verdade. Talvez eu esteja exagerando no sentimento de Alexandre naquele dia, mas ele tinha a sensação de que ela estaria na sua vida por muito tempo.

Antônio não colocava muita fé nessa história de encontro de jovens. Tinha tanta coisa mais para fazer, como terminar o TCC ou cuidar da filha de dois anos. Tempo era algo precioso para o jovem de 22 anos, ele não poderia perder um fim de semana livre em coisa de igreja. Não que ele não acreditasse em Deus ou algo do tipo. Ele só vivia sem pensar muito em religião. Foi, de qualquer forma, para agradar à tia avó, Isabel.

Mônica, por outro lado, mal podia esperar. Seus pais que não faziam muita questão que ela fosse em eventos de igrejas evangélicas, preferia que ela congregasse com eles, que compartilhasse a fé católica. Mas fé não é algo que se imponha, não é mesmo?

Infelizmente, não posso contar a vocês o conteúdo do encontro. É um pedido que eles fazem, não divulgar nada sobre o evento. Mas uma coisa que aconteceu foi a amizade entre Mônica e Antônio quase instantânea.

O encontro com Deus deu um novo ânimo à vida de Antônio. Impulsionou-o a concluir a faculdade de uma vez e engajar-se numa pós graduação, o que ele vinha relutando em fazer. Deu-lhe forças quando soube que a sua ex-namorada iria morar em Fortaleza com a filha. E também quando soube da morte de Isabel. Mais do que isso tudo, deu-lhe um propósito de vida. Depois de pouco tempo, Antônio não sabia mais como era viver sem Deus.

Mônica também estava sempre por perto. Não como Deus, é claro, mas nos limites da sua capacidade humana. E a relação foi crescendo. Melhores amigos. Ela conseguiu para ele um emprego na empresa do pai. Ele conseguiu para ela um estágio com uma amiga da família. Namorados. Ele comprou o primeiro carro. Ela se formou na faculdade. Noivos. Compraram um apartamento pequeno. Dois meses antes do casamento, descobriram a gravidez. Sete meses depois do casamento, nasceu Guilherme. Depois de quase cinco anos, Matheus e mais três anos, Isabelle. E seguiram, não felizes para sempre, mas fazendo o possível, com Deus guiando nossa pequena família Agno.

Notas finais
Então, justificando o motivo do sumiço: eu tava ATOLADA de coisa. Mas mais que isso, eu tenho a impressão de que tanto cálculo e afins tão sufocando minha mente e comendo minha inspiração. Não tem problema, a gente dá um jeito de escrever sem inspiração mesmo. De qualquer forma, eu to de férias da faculdade e terminei DE VEZ o IF, então, tempo não é mais desculpa u.u.