Notas iniciais
Oláaaa, pessoas. Não sou muito boa em notas, então... Esse capítulo deveria ter saído dia 14 ou, no máximo ontem, mas problemas (minha mãe monopolizando o computador) não me permitiram. Enfim, aproveitem...

Como era de se esperar, o assunto na segunda-feira era Beatrice e Matheus. Eles e o fato de ele tê-la beijado na piscina do prédio onde morava na festa de aniversário da melhor amiga dela.

— É sério que você beijou Bia na festa de Júlia? – Perguntou Rafael, num tom desconfiado. Às sete e cinco da manhã, numa segunda-feira, Matheus já tinha respondido a essa pergunta pessoalmente oito vezes. É sim! Por que alguém inventaria isso?

Talvez se ele eles não fossem amigos desde o maternal e se Rafa não fosse um menino tão sensível, Matheus teria sido grosseiro. Mas as técnicas esquisitas da mãe combinadas à sua não paciência para aturar Rafael evitaram uma resposta mais ríspida que um “é”.

O beijo não deveria ter acontecido. Beatrice era sua melhor amiga e ele não podia dar o luxo de estar apaixonado logo por ela. Além disso, sintia como se estivesse aproveitando a sensibilidade dela e isso era inadimissível. E ele, apesar de nunca ter acreditado nisso, tinha medo de mudar a amizade deles, de qualquer forma. Mesmo apaixonado por ela, não conseguia imaginar Bia como algo além de amiga.

Não devia ter acontecido, também, porque ela saiu correndo. Arregalou os olhos de amêndoa e abandonou a área da piscina, deixando Matheus arrependido e confuso. E eles não se falaram desde aquela sexta-feira.

Então, na segunda, quando ela entrou na sala de aula, o coração de Matheus acelerou. Não sabia o que dizer para ela, na verdade. Não ia pedir desculpas. Nunca pedia desculpas por fazer coisas nas quais acreditava ou das quais não se arrependia, mesmo sua mãe reprovando tal atitude. Para ela, não era saudável. Nem sempre Matheus estava certo.

Hoje era um dia de sorte. Vera Matos, professora de geografia, chegou logo depois de Beatrice, e ela não era a funcionária mais simpática da escola. Bia sentou-se logo atrás de Matheus, que, durante toda a aula, sentia o olhar desconfortável dela fazendo sua nuca formigar. Mas a conversa não aconteceria nem tão cedo.

“Mati, eu preciso falar com você. Para de ficar fugindo!!!!! Intervalo atrás do banheiro das crianças.”

Dizia o bilhete entregue por ela, com exatamente cinco pontos de exclamação, burlando a maior regra de Vera: não era permitido nenhum tipo de comunicação em sala de aula. Matheus sabia que eles precisavam conversar, mas ele não queria. Fazia parte da sua personalidade fugir de toda e qualquer situação desconfortável.

Para o seu azar, contudo, Bia era insistente e não gostava de assuntos não resolvidos. Da maioria deles.

No intervalo, depois de comprar o lanche, Matheus dirigiu-se para trás do banheiro localizado no parquinho da escola. Era chamado banheiro das crianças por ser o único com vasos sanitários tamanho infantil fora da área pré-escolar.

O lugar escolhido foi o mais inconveniente possível, já que, graças à privacidade da enorme mangueira e da parede do banheiro, era assiduamente escolhido para primeiros beijos e afins. Contrariando a vontade de Matheus, só ajudaria a disseminar os boatos.

Ela já esperava por ele quando chegou.

— Vinte minutos de intervalo e você perde quinze comprando uma porcaria industrializada cheia de corantes, conservantes e um monte de aditivos, que custa mais do dobro do preço na cantina da escola.

Ele sorriu no “industrializada”. Era bom ver Bia sendo Bia, para variar. E, apesar de estar arrependido, beijá-la valeu a pena, se foi para tirar a aura amargurada que ela vinha apresentando desde quando seu pai saiu de casa.

— Oi – ele disse. Não tinha muito mais a declarar, mesmo.

Mais uns preciosos segundos foram gastos em silêncio enquanto os amigos se entreolhavam. Conversa silenciosa era uma especialidade deles e aquela, especificamente, afirmava que nada estava diferente. Um alívio para ambos.

— Desculpa, Bia – Matheus pediu, finalmente. Aquela situação lhe incomodava, de qualquer forma. – Eu não devia ter te beijado, principalmente quando você estava passando por um momento tão complicado.

Bia deu de ombros (aos olhos de Matheus, uma prática que muito irritante) e olhou para baixo. Ela estava um pouco pensativa e isso preocupou um pouco o menino. Normalmente, Beatrice falava sem pensar e quase inscessantemente e ele gostava.

— Tudo bem – ela declarou, por fim. – Não precisa pedir desculpa. Na verdade, foi bom. Eu só fiquei meio confusa e saí, mas eu até gostei. Até não, eu gostei mesmo. Mas assim foi esquisito porque você é meu melhor amigo e sei lá... Mas depois de superar a surpresa, eu fiquei pensando e foi bom.

Definitivamente, Bia estava de volta. Ela falou mais, mas era só tagarelice e hoje Matheus não lembra mais de quase nenhuma palavra. Só de como era bom.

O sinal tocou, indicando o fim do intervalo e interrompendo o mar de palavras de Bia.

— Mas a gente não pode ser nada além de amigos, Mati – ela concluiu, cuidadosamente e olhando para ele, a fim de avaliar como as suas palavras lhe afetavam.

E ele concordava. Tinham doze anos e nenhuma maturidade para levar nenhum relacionamento amoroso a diante. Ele gostava demais de Bia para arruinar algo tão certo e tão bom. E, como a própria Beatrice lhe informou uns anos mais tarde, eles eram uma molécula difícil de degradar. Não seria um beijo o catalisador dessa quebra.

(E ela causava tanto impacto nele, que, quase literalmente por osmose, ele pegava algumas noções da esquisita química)

Voltaram para a sala de aula de mãos dadas, só porque Bia gostava de dar o que falar.

Notas finais
Bom, até aqui eu vinha tentando postar a cada quatro dias, e deu muito certo. Entretanto, eu tenho que me programar melhor e amanhã eu vou começar a estudar, porque faz um bom tempo que eu não tenho estudado matemática e pretendo entrar na faculdade de engenharia, então, tô precisando. De qualquer forma, passa looooonge da minha cabeça abandonar a fic (e ela já está quase chegando onde eu quero que chegue). Enfim, toda essa enrolação para dizer que agora eu vou postar os capítulos com um intervalo de seis a oito dias entre eles, ok? Beijinhos e aproveitem a história enquanto eu ainda não sou uma universitária.