Beating Heart
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Notas iniciais
Quatro teve que me ajudar muitas vezes nas abdominais, flexões, na postura e até mesmo me levantando quando estava morrendo de cansaço, o professor apitou e todos paramos o que estavam fazendo, deitei no colchonete respirando pesado, ouvi Cristina me chamar e virei o rosto na sua direção vendo ela me chamar para o vestiário.
Me sentei com um pouco de dificuldade e me levantei.
–Hum... Tchau Quatro. –falei acenando para ele.
–Tchau Tris.
Me virei e corri indo de encontro Cristina, depois de um banho rápido fomos para as nossas próximas aulas.
Assim que as aulas terminaram, me despedi do pessoal no estacionamento e voltei para casa com Caleb.
Chegando em casa encontramos nossa mãe conversando com uma mulher no sofá animadas com xícaras de chá na frente delas e alguns sanduiches. Cumprimentamos as duas e subi para me trocar. Quando voltei a descer a mulher Tori que conversava com a minha mãe estava indo embora.
E assim que minha mãe fecho a porta se virou para mim sorrindo e segurou minha mão.
–Filha, faz aquele bolo de chocolate para a mamãe? –perguntou. –Quero dar alguns para a nossa vizinhança.
–Ok mãe, quantos a senhora vai precisar? –perguntei.
–Seis.
Suspirei e concordei, passei o resto da tarde fazendo bolo, quando ficaram prontos estava quase anoitecendo, minha mãe, eu e Caleb partimos alguns bolos e saímos pela vizinhança entregando e nos apresentando, parando por ultimo na casa de Tori.
Assim que ela abriu tinha um sorriso no estava um pouco sem fôlego e com um sorriso no rosto.
–Oi Natalie! –falou animada. –Entrem, por favor.
–Não precisa só viemos entregar o nosso famoso bolo como sinal de nos darmos bem no futuro. –minha mãe falou apontando para o bolo em minhas mão.
–Ah... Com certeza vamos nos dar bem, me identifiquei e gostei bastante de você. –Tobias!! –gritou chamando do lado de dentro.
–Ele ainda não chegou! –gritou um homem lá de dentro.
–Ah... Vocês querem entrar? –perguntou Tori olhando para nós um por um.
–Não obrigada, nós ainda temos muito para fazer lá em casa. –falou minha mãe se desculpando. –Não queremos te incomodar.
–Tudo bem então, temos que marcar um almoço para vocês conhecerem o pessoal daqui de casa. –Tori disse.
–Certo, é só marcar. –nos despedimos e voltamos para casa.
Papai chegou e depois de jantarmos todos juntos fui para o meu quarto, coloquei um shorts e uma camisa larga e me deitei com um livro na mão, assim que comecei a ler meus olhos foram pesando e dormi.
Assim que acordei um pouco cedo demais, tomei um banho demorado, coloquei uma calça justa, coloquei uma blusa preta que deixava meu umbigo a mostra, um tênis e deixei meu cabelo solto, desci para tomar meu café da manhã e só a mamãe estava na cozinha.
Sentei junto com ela e tomamos nosso café em silencio, normalmente não falamos muito durante as refeições então é normal ficarmos quietos enquanto comemos, mas de vez em quando conversamos e fazemos piadinhas sobre coisas banais.
–Fala pro Caleb que já fui mãe. –falei quando terminei de comer pegando minha bolsa.
–Tome cuidado, vai precisar do carro? Não vou usar o meu hoje. –perguntou.
–Sim, por favor. –respondi, ela pegou a chave e me entregou.
Como minha mãe trabalha em casa ela sai poucas vezes e quase não usa o carro, dirigi até a escola e o estacionamento ainda estava vazio, com alguns carros estacionados, desliguei o carro e sai passeando um pouco pela escola parando no gramado onde haviam algumas arvores e mesas para os alunos sentarem durante o intervalo, sentei em baixo de uma arvore com a minha mochila do lado e puis o fone começando a ouvir algumas musicas, fechei os olhos sentindo o vento bater em meu rosto, começou uma musica que antigamente me deixaria feliz, mas agora só me faz lembrar de momentos de terror.
4 meses atrás
Estava amarrada em uma cadeira com o corpo dolorido de tantas vezes que eles me bateram, o sangue do lado do meu rosto já havia secado, estava tocando a mesma musica pela milésima vez, a musica em que dancei com ele pela primeira vez quando começamos a namorar, Again- Bruno Mars podia dizer que adorava a musica, mas a partir daquele momento começava a me dar calafrios.
A porta se abriu e ele passou por ela, com uma calça jeans e camisa azul ele sorriu para mim e mandou os outros dois me desamarrarem, mas me deixaram somente com a mordaça, fui puxada para cima sem forças por não ter comido durante 2 dias, só água, Ele me agarrou e começou a dançar comigo, segurando todo o meu peso, mas ainda sim sorindo.
–Lembra dessa musica minha Bea? –perguntou me chamando pelo apelido que ele me deu(odeio esses apelidos) ele aproximou seu rosto do meu e me afastei.
Ele olhou para mim com os olhos agora raivosos, segurou meu rosto e forçou o beijo entre nós dói, mas mordi com força seus lábios sentindo a seguir o gosto de sangue na boca.
E logo sua mão fechada veio em direção ao meu rosto me fazendo desmaiar ali mesmo.
***
Senti meu fone ser puxado e abri os olhos dando de cara com o Quatro, próximo de mais do meu rosto dando para ver cada detalhe da profundeza azul que são seus olhos, dando para sentir seu cheiro delicioso almiscarado e coco, dei um pulo para trás sentindo a arvore nas minhas costas.
–O que você esta fazendo? –perguntei assustada com sua aparição repentina.
–Eu vi quando você chegou e pensei em dar oi. Oi! –falou se sentando ao meu lado.
–Oi. –respondi me acalmando. –Você tem que parar de ficar aparecendo do nada ou de me derrubar toda vez que nos encontramos.
–Eu não faço de propósito. –falou se virando para mim. –Sabe... Você já conhece Chicago?
–Na verdade não... Cheguei há três dias e não tive tempo de sair ainda. –falei tirando os fones e guardando o celular.
–Sabe... Conheço alguns lugares bem legais aqui em Chicago. –falou.
–Sério me faz um mapa? Gostaria de conhecer alguns deles. -perguntei
–Eu poderia te levar nesses lugares. –respondeu pegando o celular do bolso e olhando a hora.
–Você tem alguma aula interessante agora? –perguntou se levantando
–Não.
–Podemos ir agora então. –falou sorrindo. E que sorriso...
–Eu não posso cabular aula no meu segundo dia. –falei continuando sentada.
–Bom... Tecnicamente falando, você não vai cabular, por que ainda nem começaram as aulas e você não teve nenhuma hoje. –falou sorrindo torto. –Ninguém vai saber, voltaremos na hora do intervalo, eu prometo.
Ele pegou minhas mãos e me levantou, senti aquela sensação boa em ser tocada por ele novamente e não resisti em ser levada por ele, Quatro se abaixou pegando minha bolsa e passando pelo seu ombro o que foi meio engraçado pelo seu tamanho gigantesco ficar com uma bolsa feminina e pequena do lado do corpo, sorri um pouco e fui levada até seu carro, quando chegamos nele fiquei de boca aberta, ele deve ser bem rico.
Fui colocada dentro do carro e logo partimos em direção a cidade, Quatro dirigia feito louco e muitas vezes tive que me segurar no banco para quando ele começava a cortar os carros. Ele me levou em diversos pontos turísticos da cidade até que fomos a um prédio luxuoso e subimos no ultimo andar que estava completamente vazio, ele pegou duas cadeiras colocando em frente às paredes de vidro e sentamos nela.
Realmente a vista era magnífica, os arranhásseis pareciam alcançar o céu, muitos brilhavam quando a luz do sol os alcançavam. Olhei para o Quatro que estava com óculos escuros mesmo não havendo necessidade, pois os vidros das janelas barravam a claridade excessiva.
–Tira esses óculos Quatro. –falei arrancando os óculos de seu rosto e seus olhos estavam fechados e mesmo minimamente seu corpo estava tremendo, me aproximei dele ajoelhando na sua frente e coloquei as mãos no seu rosto preocupada. –O que aconteceu? Esta passando mal?
–Eu não sou muito fã de alturas. –falou sem abrir os olhos.
–Então vamos sair daqui. –falei me levantando e pegando na sua mão para levantá-lo.
–Não, você gostou daqui, fica mais um pouco. –falou e suas pálpebras tremerão.
–Vamos embora, ainda quero conhecer outros lugares. –falei sorrindo para ele mesmo sabendo que não estava me vendo.
Ele se levantou com cuidado assim que virou suas costas para a janela, abriu seus olhos, tentei soltar nossas mãos, mas ele as prendia fortemente não me deixando sair do seu lado.
–Do que mais você tem medo? –perguntei quando estávamos novamente no elevador descendo.
–Lugares fechados. –falou. –Sou Claustrofóbico.
–Por isso que fechou os olhos novamente? –perguntei olhando para trás onde ele estava encostado na parede, ele assentiu e eu voltei a olhar para o indicador de andares, ainda estávamos no 52°. –Mas é só fingir ou fazer com que o lugar fique menor do que verdadeiramente é.
Fui puxada para trás e sua testa encostou no meu ombro, suas mãos estavam na minha cintura descoberta, subiu para os meus ombros me mantendo parada.
–Você é um medroso muito abusado. –falei rindo um pouco lembrando da felicidade dele em encostar em minhas pernas e agora na cintura, de me puxar para fora da escola e de agora me fazendo de escudo para o seu medo. Senti sua risada em meu ombro e descemos o resto do elevador com ele grudado em mim.
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