BeastHunter D
3 Capítulo 02
Notas iniciais
Comensal-rei— Fruto da alquimia das trevas. Besta hexápode e necrófaga, com cerca de 14 cascos de comprimento. Tem pelo cinza-escuro ou preto, desgrenhado. Tem uma cauda pesada, em formato de maça, que é usado tanto para chicotear quanto para botar ovos, através de uma glândula. Agressivo e perigoso. Possui um par de presas que usa para retalhar e manipular a comida. Pesa entre 400 e 5000 varós. Seus ovos eclodem após períodos muito curtos, e os pequenos comensais recém-nascidos passam a servir o comensal-rei, trazendo-o comida. Embora o adulto se alimente de cadáveres, os filhotes têm preferência por carne fresca e são perigosos atacando em grupo.
28º dia do mês Cerúleo de X206
Finalmente chegara em Smaragdina novamente. Era fim da tarde e o céu estava todo alaranjado e rosa por conta do pôr-do-sol. A imponente muralha de pedras cor de areia que circundavam a capital do reino Smaragdina, agora por conta da luz, se tornava tão cor-de-cenoura quanto o restante do cenário. A cidade de Conditoris continuava viva e agitada quanto em qualquer outro dia, podendo se distinguir na rua sons de cães latindo, de feirantes anunciando legumes em promoção e de pessoas conversando, assim como som de rodas de carruagens contra as ruas de pedra e música ao vivo pelos artistas urbanos.
Marv puxou a cortina e observou através do vidro da janela de seu quarto, no primeiro andar da mansão de Johander. Observou enquanto o portão preto se abria e Drika entrava por ele. Finalmente ela voltou, pensou em voz alta. Sentira falta dela, embora houvesse visto ela ainda três dias atrás, antes de ele sair em uma missão.
Johander era rico e influente na cidade, e bem discreto também. Tinha uma loja de antiguidades no centro e era investidor em outros negócios, tanto de especiarias quanto em bares, mas isso apenas na fachada. Grande parte dos seus lucros e da fama que seu nome carregava era devido aos negócios do submundo de Conditoris. Sua mansão era também o covil de vários mercenários, ladrões e assassinos de aluguel, que trabalhavam a seu serviço. A Fortaleza dos Venais operava ali secretamente. Marv e Drika eram apenas uns dos vários naquele lugar.
Entretanto, diferente dos outros, ele já estavam à disposição de Johander desde criança. Marv tinha 13 anos quando Drika passou a morar na mansão. Por serem as únicas crianças naquele ambiente de assassinos e ladrões, acabaram crescendo juntos e se tornando bem próximos. Drika o considerava seu melhor amigo e Marv confiava sua vida na caçadora de bestas. Treinavam juntos na sala de exercícios e cada um conhecia bem até onde ia a força dos outros. Inicialmente, iam em várias missões juntos, mas isso se tornou cada vez mais raro conforme ele se especializou na arte da furtividade e falsificação. Já ela, na caça de bestas.
Sentia um pouco de falta dos velhos tempos, embora mesmo assim eles compartilhassem cada aventura um com o outro quando se encontravam na mansão e continuassem a treinar juntos. Se olhou no espelho e penteou seu cabelo castanho cacheado. Usava uma calça vinho, uma camiseta listrada branca e preta e luvas sem dedos. Terminou se ajeitar o cabelo e colocou um chapéu preto. Saiu do seu quarto e desceu os degraus da escada até o térreo, onde pode ouvir Drika e Johander conversando em seu escritório.
— Entendo. Fez um ótimo trabalho, minha querida. – Johander era magro e esguio, alto, tinha cabelos longos e escuros, mas tinha olhos dourados e cruéis. Ele se sentou sob a mesa e segurou o rosto de Drika com a mão, forçando-a a olhar direto para ele – Mas não se esqueceu do nosso trato, não é?
— Não, não esqueci. – ela tentou virar o rosto, mas ele não permitiu.
— Ótimo. Gosto assim – soltou o rosto da garota de cabelos brancos e beijou os dedos de sua mão – Pode ir agora, tenho uma reunião com Brian. Depois cuidamos do dinheiro.
Ela se levantou, revirou os olhos à menção do nome "Brian" e saiu, vindo em direção ao corredor. Marv ficou olhando por alguns segundos, até lembrar que era onde ele estava e tentou disfarçar como se estivesse chegando ali agora, ao invés de ter assistido toda a cena.
Assim que Drika pôs os olhos e viu o amigo, pulou nele e o abraçou ao redor do pescoço. Ele retribuiu o abraço.
— Olá, garota-desastre. – fez um carinho no cabelo dela – Como foi na missão?
— Você nunca vai se cansar de me chamar assim? – olhou para Marv fazendo uma cara de brava, mas depois riu – Foi tudo ótimo. Conheci um casal de velhinhos muito fofo e o serviço foi fácil.
— Só vou parar de te chamar assim quando você parar de arrumar confusão em todo lugar que vai – riu também – Então, agora já são 95?
— 96. Depois de eu terminar o serviço, apareceu outra criatura. Uma que nunca vimos. Vou precisar da sua ajuda depois para desenhá-la e pôr no meu caderno. –brincava com uma mecha do cabelo com os dedos – Ah, e como foi a sua missão?
— Um pouco complicada, mas ocorreu tudo certo. – se sentaram lado a lado nos degraus da escada enquanto ele contava – fui contratado para entrar em uma coleção particular de uma velha rica e roubar um quadro valioso. Ganhei bastante pelo serviço, mas claro, a maior parte ficou com o Johander, como sempre.
— Meu serviço não é tão remunerado quanto o seu – Drika se aproximou dele e ele sentiu seu cheiro típico de frutas vermelhas e leite condensado – trabalho caçando criaturas, não é algo refinado como roubar ou falsificar arte. Mas tudo bem, faz parte. Eu ganhei um bom extra pela segunda criatura. Estou em dúvida se compro livros novos, se vou ao teatro ou se compro um par de botas nov-
Ao ver Samir e Thácila passando pelo corredor, Drika diminuiu o tom até parar de falar. Não gostava daqueles dois. Eram mais velhos que ela e Marv, e por isso, se achavam os donos da Fortaleza. Eram bons mesmo, ela precisava concordar, mas não tanto assim para darem ao luxo de se achar. E não gostava deles por perto, achava invasivo.
— Vamos lá pra cima? – Marv sugeriu ao notar as presenças indesejadas.
— Claro, vamos sim – ela levantou e o puxou pela mão – Aproveito e te conto sobre a besta nova.
— Certo, só não me puxe tanto – ele levantou também e a acompanhou em tropeços.
Subiram as escadas até o quarto de Marv, pois o quarto da caçadora só ficava ao fim do corredor. O jovem de pele bronzeada pegou seu caderno de desenho, tirou os sapatos e se sentou no carpete. Drika se jogou em sua cama e suspirou.
— Você ficou legal com esse chapéu, combina contigo, mapache.
— Ah, obrigado. – sorriu sem graça – vejo que não se esqueceu da alcunha que me deu.
— Faz parte. E precisa concordar comigo que combina muito. As olheiras, o jeito surrupiador e a carinha fofa. – disse apertando ele – bem mais coerente que o garota-desastre que você me deu.
— Ah, nem vem, garota-desastre é praticamente o significado de Drika. Onde você vai, sempre tem confusão. Foi caçar uma criatura e apareceu outra e ainda quer teimar comigo. Aliás, você não ia me falar dela? – abriu o caderno e girou o lápis verde escuro por entre os dedos – Fiquei te devendo um esboço dele pro seu arquivo.
— Tá, tá, seu teimoso. – sentou-se na cama numa posição confortável e franziu o cenho, como sempre fazia toda vez que pensava – Ele era grande, tinha uns 14 cascos de comprimento. Tinha pelos desgrenhados pretos e seis patas.
— Seis? Como um inseto?
— Sim, pensando bem, até lembrava uma saúva gigantesca, mas tinha pés arredondados, como um elefante.
— Os alquimistas estão indo longe demais. – suspirou e fez alguns riscos no papel.
— Por isso que eu preciso derrotar todos as bestas. Ah, ele também tinha algo como presas de elefante, sabe? E tinha um rosto que parecia um crânio, não sei.
Ela continuou falando sobre a criatura e sobre todos os acontecimentos da noite anterior, sobre como matou a criatura que comia a comida dos Avati, sobre o comensal-rei e sua aparência. Se passaram cerca de um terço de hora. O ladino virou o caderno para que a amiga visse o desenho.
— Mais ou menos assim? – perguntou.
— Tá parecido, mas as presas eram menores e a cauda tinha uma parte mais grossa e arredondada na ponta. – ela adorava vê-lo desenhar, porque não havia nenhum talento na área e porque achava Marv muito bom. Aguardou enquanto ele apagava as presas e cauda e fazia as correções no traço – sim, agora tá perfeito. Valeu mesmo.
— De nada. – ele não conseguiu evitar de sorrir – Afinal, sou praticamente o ilustrador oficial do seu caderno de criaturas.
— Só não comece a se achar por isso. — ela brincou.
— Não, claro, você é a única aqui que pode se achar, não é mesmo? – provocou e Drika estava prestes a revidar quando ele mudou de assunto e falou sério – Sobre que acordo você estava falando com Johander?
— Você ouviu?! – ficou desconfortável com a pergunta, mas acabou cedendo, ele sabia quase tudo sobre ela mesmo, não havia problema em dizer. Suspirou fundo e falou. – Quando eu disse para Johander que seria uma caçadora de bestas, alguns anos atrás, ele me alertou que era um potencial desperdiçado, porque eu ganharia muito mais dinheiro como assassina de aluguel. Mas é algo importante para mim, você sabe, então fizemos um acordo. Até eu completar 100 serviços como caçadora e estabelecer uma reputação, ele não aumentaria minha dívida.
— Parece bom demais, sei que você é a preferida dele, mas mesmo assim.... Tem uma condição, não tem?
— Tem sim. Após esse marco, para cada serviço como caçadora, precisarei sair em duas missões também, à escolha dele.
— Apenas parece um acordo bom, mas não é. Ele quer apenas ter você na mão dele e poder te colocar onde quiser.
— E você acha que eu não sei disso? Mas foi a única maneira de continuar na mansão e seguir meu caminho como caçadora de bestas. Além disso, achei que eu pudesse juntar dinheiro o suficiente para pagar minha dívida e ser uma contratada livre, mas não deu muito certo.
— É... Mas você tá bem perto agora. – levantou e guardou o caderno – como se sente sobre isso?
— Bem até. Foi algo que eu mesma decidi, então preciso lidar com as consequências.
— Acho que essa foi a coisa mais madura que você já falou na vida.
— Ei, eu sou bem madura, tá? Você que acha que não, só porque é um ano mais velho.
— Não, eu acho isso por outros motivos. Mas, enfim, sabe que Johander vai aproveitar essa situação ao máximo, não sabe? — acrescentou, com um pouco de pesar.
— Ah, você é um idiota. – fingiu um soco no ombro de Marv – Sei sim, mas não pode ser tão ruim. É só fazer as missões rapidamente e voltar a caçar depois.
— É, mas tenho certeza que ele vai escolher trabalhos sujos e te usar como brinquedinho dele. Cuidado, tá bom?
— Tá bom. Vou tomar. Mas achei que esse fosse o seu trabalho.
— Como assim?
— Bom, o meu trabalho é ser descuidada e impulsiva. O seu é cuidar de mim e me impedir de fazer besteiras.
— Hmm, não lembro de ter assinado nenhum documento dizendo isso. – disse rindo – mas tudo bem, aceito esse trabalho. Mas te impedir de fazer besteiras é algo meio impossível.
— Olha, mapache, você nem comece.
* * *
Após conversarem mais um pouco, Drika foi para o seu quarto. Colocou as roupas sujas para lavar, deitou na cama e escreveu em seu caderno até a hora do jantar, quando uma batida na porta a despertou de seus pensamentos. Era Marv.
— Trouxe jantar. Achei que você não ia gostar de comer encarando Samir e Thácila.
— Ah, muito obrigada – deu-lhe um beijo no rosto como agradecimento – empadinhas de frango com palmito e suco de pêssego? Adorei.
— Achei que gostaria de saber, chegaram novos pedidos de serviço. Estão no mural lá embaixo, se quiser dar uma olhada.
— Ah tá, mais tarde eu irei ver. Agora deixe-me aproveitar essas empadinhas – disse enquanto mordia uma – Amo muito.
— Eu sei que me ama – ele riu – Até mais tarde – e saiu.
— Eu estava falando da empadinha! – ela disse alto, para ele ouvir mesmo do lado de fora, riu e continuou comendo.
* * *
Terminada a empadinha, tomou um banho perfumado no banheiro de seu quarto. Aproveitou para lavar o cabelo e relaxar um pouco. Se vestiu com lingerie branca, uma camisa de linho verde-água e um shorts curto de lavagem azul-claro. Prendeu o cabelo em um rabo de cavalo com um elástico preto e calçou suas chinelas vermelhas de descanso.
Após um tempo ajeitando sua prateleira de livros, transcreveu tudo que aprendeu sobre o comensal-rei no seu caderno de caça e adicionou o desenho de Marv a ele. Aquele caderno era seu registro, seu catálogo e quase que sua obra-prima. Vinha anotando nele sobre todo tipo de criatura bestial que caçava ou até mesmo as que ouvia falar em boatos e conversas de taverna. As mais completas, claro, eram as que ela mesmo enfrentou, analisando anatomia, hábitos alimentares e comportamento. Era uma dualidade de emoções a que enfrentava ao pensar no pequeno caderno de capa vermelha: orgulho, por todo o conhecimento que juntou e por todas caçadas que realizou, e que esperança para que fosse útil algum dia; e desapontamento, porque se fosse bem-sucedida em sua tarefa de eliminar todas as bestas, o pequeno caderno enciclopédico tornar-se-ia inútil.
Afastando os devaneios da mente por um minuto, lembrou-se do que o melhor amigo havia lhe dito.
— Chegaram novos pedidos hoje! Preciso ir ao quadro de tarefas lá em baixo ver se tem alguma que eu queira me candidatar.
Levantou-se agitada com a lembrança, saiu do quarto e desceu as escadas. Passou pelo escritório de Johander e, sem querer, viu o próprio conversando com uma garota que Drika não conhecia. Parou para observar bem. O homem estava usando seus longos cabelos castanhos soltos, embora geralmente o mantivesse preso em um coque estiloso, uma calça cáqui de tom claro e um suéter vermelho-escuro muito bonito. Embora sua relação com ele fosse muito confusa, de chefe, irmão mais velho e até de flerte, ao mesmo tempo, não poderia mentir em dizer que ele era o homem mais bonito que ela conhecia. Seus olhos castanho-dourados e seu queixo másculo eram apenas mais acentuadores do fato.
A garota desconhecia usava uma saia roxa, uma camiseta branca e uma jaqueta bolero preta. Seu cabelo era curto, na altura do maxilar, e escuro, contrastando com sua pele clara. Era muito bonita, mas passava uma impressão ao mesmo tempo sedutora e fria. Seus olhos eram pequenos e bem delineados, meio que puxados, o que não era muito comum em Smaragdina. Deve ser uma nova assassina de aluguel estrangeira que Johander adquiriu para si, pensou. Johander apreciava o exótico, e mesmo sem tendo visto a garota em ação, sabia que ela era fatal apenas pela sua postura. Estar no escritório de Johander era a prova disso, já que este colecionava os melhores dos melhores. Drika desejava que ela não se tornasse um problema futuramente.
Era relativamente comum que o Leão Vermelho, como Johander era conhecido no submundo, abrigasse na mansão mercenários de reinos estrangeiros. O próprio gostava da variedade e da eficiência. Mas não ia pensar nisso agora. Continuou andando até o mural de panfletos, onde ficavam as ofertas de missões, onde um homem loiro de costas observava as propostas.
Ah, falando em estrangeiros, ali está mais um. E um que Drika não gostava nenhum pouco. Ricardo. Como sempre, estava com uma camiseta completamente desabotoada exibindo o peitoral e o abdômen musculosos que ele tanto se orgulhava. O cabelo aparado em corte militar. Tinha 24 ou 25 anos, Drika não tinha certeza, e havia nascido em Poccuckar, um reino muito grande que ficava em outro continente longínquo. Era arrogante e tinha um sotaque arrastado irritante, mas era muito eficiente no serviço, sendo um dos melhores da Fortaleza. Ele estava com uma mão na cintura e outra segurando um papel enquanto observava o mural.
— Olá, garrrotinha Drika. – ela odiava que ele a chamasse assim por ser um pouco mais velho – veio procurrrarr novos trabalhos?
— Olá, Ricardo – ela disse, sem disfarçar o revirar dos olhos – Sim. Imagino que você também.
— Interrresante. Também estou, emborrra tenha poucas propostas que parreçam divertidas, e não sei se vai achar alguma tarrrefa de seu agrado.
— Hum, legal. – encerrou a tentativa de interação.
Se aproximou do quadro e observou os cartazes colados. Contratos para guarda-costas por duas noites, contratos pedindo a cabeça de foragidos, várias ofertas para assassinos de aluguel, pedidos de envenenamento, nada muito interessante para a mercenária de cabelos brancos. Até que notou dois cartazes específicos com os mesmos dizeres que pareciam ter potencial. Se aproximou para ler:
"8 DESAPARECIDOS EM 15 DIAS NA FLORESTA GASIOL – SUSPEITA DE CRIATURAS NA FLORESTA – RECOMPENSA DE 6 COROAS – CONTRATO PARA DUAS PESSOAS"
Se interessou muito. Parecia realmente um caso para a Carrasca Prateada. Porém, sentia-se desanimada sobre ter que levar alguém junto. Olhou de novo e leu. 6 coroas, provavelmente 3 para cada, não é dinheiro de se jogar fora. E com oito desaparecidos, talvez a coisa fosse realmente séria. Pegou um dos dois cartazes para ir perguntar se Marv toparia ir com ela, como nos velhos tempos, mas resolveu dar mais uma olhada nas propostas para ver se não deixou passar nada.
Foi quando uma garota entrou pela porta. Aquela de olhos puxados que estava na sala de Johander alguns minutos atrás. Entrou inexpressiva e foi andando direto ao mural também. Era um pouco mais baixa que Drika, que era um casco menor que Ricardo.
— Ei, novata. Qual seu nome? – Ricardo perguntou, interessado.
— Laya.
— Garrotinha Laya é muito bonita. – aproximou a mão para apalpá-la, mas Laya foi mais rápida e num movimento ágil segurou o pulso de Ricardo com força o suficiente para surpreendê-lo, desistir da ideia e sorrir – Rápida e rebelde. Gostei.
— Nem ouse. – ela disse, segurando o pulso com força o bastante para que suas unhas cravassem e sangrasse – E não me faça perder meu tempo.
Soltou-o e voltou aos cartazes. Drika observava toda a cena. Laya olhou o mural por alguns segundos estudando as propostas de serviço e então pegou sete delas, saindo em seguida, sem dizer mais nada. Não era comum que alguém pegasse mais de um serviço por vez, muito menos sete. Ricardo lambeu o sangue do pulso e deu risada, como se tivesse achado muita graça em tudo aquilo.
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