Beast
2 Companheiro de quarto.
Notas iniciais
“Era doloroso.
As chicotadas iam cada vez mais fundo na pele já completamente esfolada. Agora perfuravam a carne ensanguentada, e Eren tinha a impressão de que acertavam seus ossos. Na verdade, tinha quase certeza, mas a mão em seus cabelos não o permitia se virar para olhar.
– Isso... Geme bem gostoso monstrengo inútil... Ainda vai gemer muito essa noite... – A voz do homem a sua frente soava ofegante.
Era humilhante.
Não queria abrir os olhos. Não queria ver o que estava acontecendo. Mandavam que ele olhasse para o seu agressor, batiam mais forte, mas Eren não cedia... Sabia que não iria aguentar. Porém quando foi invadido com brutalidade, não conseguiu se manter forte. Gritou como vinha evitando todo esse tempo.
– Faz esse puto gemer mais Peter! – O maldito a sua frente parecia ainda mais insano. Logo começou a estocar na boca do garoto rapidamente, fazendo o membro grosso machucar sua garganta a ponto de queimar.
Era apenas o segundo dia, e Eren já implorava para que o matassem logo de uma vez.
– Ahhh... Uma delicia esse maldito, poderíamos manter como bichinho de estimação, não é? – O que estava atrás de si falava com a terceira pessoa na cela. O comandante da Policia Militar.
– Com certeza. Abrimos o abdômen dele ontem, mas não encontramos nada de muito diferente, no fim, dissecá-lo não vai ser tão proveitoso como mantê-lo aqui... – Se aproximou de Eren, passando as mãos libidinosamente pelas costas suadas e machucadas do garoto. – Tão macio... Tão tentador... Peter sai daí, já to duro de novo...
Era torturante.
No primeiro dia, Eren havia sido parcialmente dissecado. Sem anestesia.
Logo quando voltou a cela, os dois soldados que o estavam vigiando, Peter e Leon, o levaram para o quarto do Comandante, que se aproveitou do estado debilitado do garoto e o estuprou por toda a noite, usando inclusive de outros objetos para penetrá-lo e de lâminas para marcar sua pele.
Eren passou toda a manhã e tarde se recuperando, e logo quando a noite caiu, lhe aplicaram uma droga na veia que o deixava zonzo, quente, com os membros pesados, mas perfeitamente consciente, para seu total desespero.
– Me chupa putinha... Vem cá... – Nile puxou Eren pelo cabelo, enfiando o membro fundo na garganta do garoto que sentia ainda mais ânsia de vômito. Haviam colocado um cabresto que prendia a parte de baixo da sua mandíbula a uma coleira, fazendo sua boca ficar permanentemente aberta, impedindo-o de morder. – Você gosta, não é? Tá gostando sim... É uma putinha...
Jogou o garoto contra o piso de pedra da cela, se ajoelhando atrás dele e puxando seu quadril para cima, só para depois penetrá-lo sem nenhum cuidado, começando a estocar em um ritmo acelerado, fazendo Eren se sentir como se estivesse sendo rasgado ao meio a cada movimento.
– Aposto que já está até acostumado, né? – Puxou os cabelos do mais novo, sussurrando em seu ouvido. – O Levi te comia toda noite, não é? Me fala... Você era o cachorrinho dele e daquele filho da puta do Erwin... Hehehe... – As estocadas eram fortes e brutas. As mãos de Eren estavam presas as costas, fazendo-o ficar com o rosto colado no chão áspero.
Quando o comandante gozou, deixou-o jogado no chão e voltou aos seus aposentos. Mas esse foi apenas o comecinho da noite. Logo vieram os guardas da cela, que chamaram mais uns amiguinhos... E quando o dia finalmente amanheceu, foi deixado largado no chão frio, ensangüentado, surrado, humilhado... Ainda sentia o cheiro daqueles homens em si, os toques dolorosos e repugnantes, seu quadril e sua coluna doíam como se tivessem sido separados do corpo, e ele ainda podia sentir o sêmen junto com o sangue escorrendo pelas suas coxas e em seu rosto.
E só nesse momentos que se permitia chorar. Chorava baixinho e silenciosamente para que seus agressores não ouvissem. Eren fazia questão de suportar toda a sessão sem derramar uma lágrima. Não iria dar esse gostinho a eles de modo algum.
Seus braços ainda estavam presos, uma coleira pesada presa a um peso de chumbo impedia que ele se arrastasse para muito longe. Rastejou até alcançar uma tigela de água no canto da cela, e bebeu com sofreguidão, sentindo a garganta machucada queimar.
Não sabia quantos dias ia ficar naquele lugar... Nem sabia se ia sair algum dia...
Pensou em fugir, mas tinha medo de prejudicar ainda mais a tropa e seus amigos com suas ações, então apenas se aquietou e esperou. E pensando no bem daqueles que estavam lá fora, e que iria voltar a vê-los algum dia, foi que conseguiu agüentar os dias que se seguiram, e que conseguiram ser ainda piores”.
Acordou com o rosto regado de lágrimas.
Se levantou trêmulo, sentando com dificuldade na cama e percebendo algumas coisas, como o fato de seus braços estarem livres das correntes e mais alguns cobertores na sua cama. Ah, e também não estava mais no porão onde foi trancado quando chegou no castelo, estava em um quarto.
Se deitou de novo, aninhando-se debaixo do lençol grosso, tinha o cheiro do Heichou junto com mais alguma coisa também muito agradável... Sentia-se acolhido, mesmo que só um pouco, embaixo daquela coberta.
Ouviu a porta do quarto se abrindo, mas nem se mexeu. Estava se sentindo confortável pela primeira vez desde que fora mandado para a prisão da polícia militar, então apenas ficou encolhido como uma bola, fingindo que não existia. Provavelmente deveria ser a Mikasa ou o Armin, ou seja, iriam enchê-lo de perguntas ou ficar mirando-o com aquele olhar de culpa e piedade...
Uma mão grande e calejada, porém gentil, tocou seus cabelos, e continuou fazendo um cafuné calmo e relaxante, que quase fez o garoto ronronar de satisfação. Sem conter os próprios instintos, Eren se inclinava cada vez mais na direção do carinho... Só agora percebia como sentia falta daquilo, daquela sensação de proteção... Sentia falta disso desde a morte da sua mãe.
Já estava praticamente com a cabeça no colo da pessoa quando resolveu realmente pensar em quem seria... Era um homem, isso estava claro, mas era muito grande para ser o Levi Heichou, e muito calmo para qualquer um da sua turma de cadetes, então...
– Como você está, Eren?
O garoto saltou como se tivesse levado um choque, sentando-se na cama com a respiração ofegante de surpresa, fazendo todo aquele estardalhaço normal da sua pessoa, o que deixou o comandante mais aliviado.
– Erwin-san! Er... – Desviou o olhar para as próprias mãos que se entrelaçavam nervosamente em seu colo. – Eu... Estou bem. – O tom vazio voltava a sua voz.
– Se é o que acha, não vou discutir. – O loiro suspirou profundamente. Era justamente por isso que ele estava ali com o Jaeger, para evitar que ele se sentisse pressionado e se acalmasse pelo menos um pouco. – Sinceramente acho que devias descansar por um tempo, mas tenho que dizer que seus amigos estão bem preocupados com você, não quer vê-los? – Sugeriu observando um tremor atravessar o corpo do garoto.
– Eles estão bem? Eu machuquei alguém? – Indagou fechando os punhos com força.
– Você foi sedado antes que fizesse qualquer coisa. Nada demais aconteceu. – Erwin apoiou uma mão no ombro do garoto, transmitindo um pouco de apoio, mas sem se aproximar demais.
– Obrigado. – Voltou os olhos verdes intensos para os azuis límpidos, mostrando o quanto aquele agradecimento era sincero.
Quando o Comandante percebeu o estado de Eren ao sair da prisão, assumiu de imediato que todo cuidado era pouco. O garoto tinha um temperamento perigosamente selvagem e impulsivo desde pequeno, e era uma verdadeira bomba relógio... Agora junte isso ao fato de ele se tornar um titã de 15 metros e você terá a perfeita fórmula para o desastre. E como se tudo isso não bastasse, o garoto já abalado pela falha na primeira missão fora das muralhas, ainda foi preso e severamente torturado durante esse período.
Se havia uma coisa com a qual Erwin tinha experiência, era com temperamentos difíceis, e sabia que esperar a pessoa se acalmar era o primeiro passo. Por isso, desde quando sedaram Eren na cidade e o trouxeram de volta para a base, o loiro fez o que pode para que o mínimo de pessoas se aproximassem. Sabia que o garoto não iria querer se mostrar fraco na frente de ninguém, mas o que os exames médicos que foram realizados nele mostraram, fez o Comandante perceber que a situação poderia ser ainda pior do que imaginava.
Se afastou do garoto, indo em direção a mesa onde estava anteriormente e escondendo disfarçadamente os exames – não pretendia contar que os tinha feito ainda, depois entraria no assunto com Eren – enquanto fingia organizar alguma coisa.
– Como... Todos estão? – O garoto de cabelos castanhos perguntou abraçando os joelhos e se enroscando ainda mais com a coberta, o que Erwin considerou uma cena bem adorável.
– Bem. A Hanji tentou cozinhar pra você, mas não achei muito seguro, a Mikasa e o Levi estão insuportáveis e o Armin esteve aqui ha momentos atrás, ele anda me ajudando a construir uma nova formação, que já usaremos na próxima missão. – Falava colocando umas pastas empilhadas em cima de uma cadeira, desviando do olhar vazio, mas ainda intenso, do outro.
– Ele tem o dom pra resolver as coisas. – Comentou com um pequeno, quase invisível, sorriso de canto. – Fez uma boa escolha Comandante.
– Ah, com certeza. – O loiro sorriu serenamente.
– Er... Erwin-san, eu poderia não ver mais ninguém hoje? – O garoto pediu acanhado, se encolhendo ainda mais embaixo da coberta.
O Smith já esperava por isso, então apenas continuou arrumando alguns papeis, dando um tempo para pensar melhor antes de responder.
– Claro que pode, mas receio que eu vou passar o dia aqui hoje... Tenho algumas coisas para organizar, e a maioria delas estão nesse quarto. – Deu uma desculpa, apontando para a estante de livros. Na verdade, não achava que fosse uma boa ideia deixa-lo sozinho.
– Tudo bem se for o senhor... – Respondeu sem se dar conta do significado de suas palavras — Mas... Por que estou aqui? – Indagou confuso.
Eren sentia sua cabeça doer com os últimos acontecimentos. Ontem mesmo, estava largado no chão sujo da cela, em meio a um poça do próprio sangue, foi acordado com um banho de agua fria – basicamente, foi lavado para disfarçar os machucados — e devolvido a Tropa de Exploração. Por algum motivo, encarar a todos se mostrava cada vez mais complicado, se sentia tão sujo, tão indigno de tocar aquelas pessoas que tanto amava...
Desde que acordou, se sentia bem mais calmo, provavelmente por causa de Erwin, que para si, sempre teve um espécie de “aura” calmante a sua volta. Desde a primeira vez em que se viram, na cela, ou quando deram o primeiro aperto de mãos. Era como se a simples presença dele dissesse que iria ficar tudo bem.
O loiro voltou para a cama, sentando-se mais perto do jovem, mas sem tocá-lo. Sorriu um pouco de canto, tanto pelo que ia falar, quanto pela bola de cobertores que o Jaeger havia se tornado.
– Este costumava ser meu quarto, mas como você não vai mais ficar no porão, você e o Levi vão dormir aqui, é um dos lugares mais seguros do castelo. – Sorriu ao final da frase, vendo o tom intenso de vermelho colorir o rosto de Eren.
– Hm... – Murmurou o garoto sentindo mais profundamente o cheiro do outro nas cobertas, estava tão agitado internamente que nem parou para pensar no que o cheiro do Heichou fazia na cama do Comandante...
Falando no loiro, se este tinha um efeito calmante sobre Eren, podia-se dizer que o moreno baixinho tinha o efeito exatamente oposto. A simples presença do Heichou bagunçava os pensamentos e os batimentos cardíacos do garoto, e agora depois de tudo o que aconteceu, o modo autoritário e possessivo dele mexia com outra parte de si — uma não muito boa, diga-se de passagem – acordando sentimentos que nunca imaginou ter, e uma necessidade quase animal de algo que ele não sabia descrever o que era...
Sentiu aquela mão acariciando seus cabelos novamente e virou o rosto na direção de Erwin, encontrando um olhar sincero e compreensivo, que fez sua mente se acalmar por um momento.
– Eu vou estar no quarto ao lado, pode contar com minha ajuda para o que for, sim? – O comandante ditou em um tom sereno, vendo o garoto fechar os olhos com o cafuné, achava aquela atitude adorável. – E também gostaria que aceitasse minhas desculpas, fui descuidado, e graças a isso você acabou pagando bem caro pelas minhas atitudes...
Erwin não era do tipo que se arrependia das suas ações, mas isso não significava que não reconhecia seus erros, ou que não sentia culpa. Faria o que fosse necessário para a vitória da humanidade. Mataria quantos forem precisos, mas isso não queria dizer também que era isso que desejava... Pelo menos com Eren, ele podia tentar concertar um pouco as coisas.
Os olhos verdes brilharam por um segundo e sem pensar bem no que fazia, puxou o comandante para seus braços, apoiando a cabeça do homem em cima do seu coração, e o abraçou forte. Na primeira missão ele ainda não compreendia isso, mas agora, talvez até mesmo com a própria dor, havia aprendido: Machucar os outros pode ser mais doloroso do que qualquer tortura, e Eren viu isso quando percebeu os olhares feridos e preocupados dos seus amigos quando saiu da prisão.
– Está tudo bem. Eu entendo você, Erwin-san. – Sussurrou baixo. Não usava mais aquele tom empolgado habitual, mas era o melhor que podia fazer no momento.
Não conseguia se sentir mais o mesmo de antes, e sabia que se forçasse, ficaria ridiculamente falso, então simplesmente acatou a sugestão do comandante e deu um tempo a si mesmo para curar as próprias feridas... Mas por que ter aquele homem consigo melhorava tanto aquele vazio que seu coração tinha se tornado?
Já Erwin tinha os pensamentos contraditórios. Seu lado calculista dizia que era ótimo que o garoto se apegasse a si, seria uma boa arma para usar, afinal, sabia o quão obediente e eficiente ele era quando se tratava de obedecer a ordens de alguém que gostava; enquanto isso, seu lado emocional dizia que já tinha se apegado demais ao garoto para vê-lo dessa forma.
Esse embate fazia-o se lembrar de um certo baixinho que mexia consigo também...
– Eren... – O comandante chamou, atraindo a atenção do garoto que aproximou mais o rosto para ouvir melhor.
– Hm?
– Você deveria saber que...
A porta do quarto bateu com força, e um moreno com uma aura assassina que superava em muito a sua altura, entrou no quarto encontrando o Comandante da tropa e o garoto que estava sob sua responsabilidade abraçados de uma forma um tanto... Íntima?
– Mas que porra é essa?
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