Beacon Hills Institute
30 Manual de sobrevivência do incrível Stiles Stiliski
Notas iniciais
Manual de sobrevivência do incrível Stiles Stiliski
Lição 1: Como fugir da polícia, na floresta, depois de perder as lanternas.
Sem dúvida seria um título que deveria atrair bastante atenção do público, contudo, o leitor não compreenderia o quão perigosa e tensa era aquela situação, ainda mais deveria levar em consideração um grande “SE” : se eles conseguissem realmente escapar da polícia (e do fenomenal castigo que estaria atrelado a captura), logo esse maravilhoso livro (que Stiles estava decido de escrever) nem seria produzido, afinal, eles não passariam nem da lição 1!
— Como pode deixar as lanternas caírem! — reclamou o humano enquanto escorregava uma encosta, enroscando seu casaco nos galhos dos arbustos, não estavam sendo nada furtivos! Os policias seguiriam com facilidade seus rastros.
— Eu não tive culpa! — tentou se defender Scott — Foi você que começou a me empurrar para escaparmos e depois enfiou o pé em um buraco e...
— Ok! Já entendi, não precisa descrever todo o processo catastrófico!
Primeira dica: Prestar muita atenção aonde se pisa, nunca se sabe se seu inocente pé será capturado por um buraco grande e malvado!
Sim, fora um processo catastrófico que resultou nos três garotos caírem um sobre os outros, rolarem um morro, soltarem gritinhos bem masculinos e por fim aterrissarem em uma trilha desconhecida. Além de perderem as lanternas também tinham perdido a direção.
Segunda dica: Não se perca na floresta, não é algo muito legal de se fazer. Parece meio obvio, mas mesmo assim é necessário! Tipo, trata-se de uma dica de sobrevivência, está na mesma categoria de não enfiar a mão no fogo e também de não cutucar a tomada com um garfo.
— Mas você tem seu super-faro! Use-o Rex! — mandou Stiles meio nervoso, olhando para os lados, alguém fora morto a poucos metros dali, agora que a adrenalina investigativa tinha diminuído uma onda de medo começou a domina-lo.
— E-eu estou tentando! D-droga! — Scott fungava, como se tivesse com um tremendo resfriado, o que parecia não estar adiando muito.
— Ele está nervoso, isso interfere nas suas habilidades. — por fim, Aby se pronunciou, momentos atrás o jovem caçador tivera um ataque de pânico que foi uma das causas da fuga desordenada dos garotos.
— Olha, eu adoraria fazer uma massagem, oferecer um chá de camomila, até mesmo fazer um piquenique, mas estamos meio a uma perseguição!
— Acho que evidenciei isso com o barulho das sirenes e tudo mais. — comentou Abraham não demonstrando nenhuma apreensão — Mas para um lobisomem recém-transformando e sem treinamento, suas flutuações de humor interferem em seus sentidos sobrenaturais.
— E o que devemos fazer então? Não acho que aqui seja um local ideal para um piquenique... Muita neblina... Muitos policiais... Na verdade parece mais uma cena daqueles filmes de terror antigos, onde os três virgens estão prestes a serem atacados por ... Sei lá... o Chupa cabra? Sério gente! Sabe quando você tem aquele calafrio? É como meu sentindo de “aranha” tivesse ativado! Juro que pressinto que daqui a pouco vai sair o Jason com sua tremenda faca e... — Abraham levou a mão a boca de Stiles e o calou, bem, pelo menos tentou, pois a boca daquele humano era quase que impossível de ser silenciada. Os sons abafados de protestos emitidos eram uma prova deste fato.
— Quieto e escute! — mandou Aby, milagrosamente o outro adolescente respondeu ao comando (pelo menos por alguns segundos) — Vocês não acham que a floresta ficou estranhamente silenciosa desde que caímos da encosta?
Terceira dica: Liberte o seu Tarzan interior, escute os sons da natureza, quem sabe ela não quer dizer alguma coisa?
Scott deixou que seus olhos, agora de íris douradas, vasculhassem a redondeza. A pequena discussão entre seus dois amigos humanos fora o bastante para que se acalmasse um pouco, o suficiente para se concentrar... Aby estava correto. Tudo estava muito calma, na verdade, calmo não seria a palavra correta a ser utilizada. Era um silêncio mortal. Mal se podia ouvir os adultos uniformizados os buscando, talvez a queda não-intencional tenha lhes dado uma vantagem...
— Tem alguma coisa aqui. — sussurrou McCall, o que Stiles tinha tagarelado momentos atrás poderia fazer sentido, não que um chupa-cabra e muito menos um notório personagem de filmes de terror os estava caçando, mas havia algo ali, escondido em meio a penumbra. Pelo cheiro, Scott não conseguia discernir o que deveria ser... Seu coração começou a bater de forma acelerada. Seu instinto lhe dizia que deveria fugir e que apesar da força sobrenatural que tinha ganhado com a mordida, quiçá não fosse suficientemente forte para enfrentar aquele inimigo desconhecido.
— Estamos sendo caçados. — Aby liberou a boca de Stiles e esse, por sua vez, não fez nenhuma indicação que voltaria a falar.
Os três continuavam ali, olhando em volta, esperando o pior. Que caminho deveriam seguir? Como saberiam se não dariam de cara com ser misterioso?
Um movimento. Um dos arbustos próximos começou a se mexer. Scott se preparou para o ataque. Abraham também, estava até assumindo uma posição de guarda, como um lutador de artes marcias, enquanto a Stiles, esse tapou os ouvidos (algo inútil de se fazer, um reflexo que adquiriu depois de assistir incontáveis filmes de terror em que a trilha sonora colaborava e muito para o sentimento de medo e apreensão, mas ali não tinha nenhuma trilha sonora! Logo, tapar os ouvidos não iria deixar a situação menos assustadora!) e começou a cantar uma música feliz, era a trilha sonora do Digimon, Aby franziu o cenho para aquela escolha de repertório, mas resolveu não criticar.
— Digimon.... Digitais...digimon são campEÕEEEES! — o grito final (poderia ser classificado como um falsete de fazer inveja até a Mc Melody) destacava o momento crucial...Por fim, algo saltou do mato. Ao invés, do tão esperado monstro, era apenas um veado, mas a sua vinda foi o suficiente para desencadear tamanho efeito em Stiles. O animal trotou e por pouco não atropelou os garotos.
Abraham soltou um suspiro de alivio, mas ao perceber que Scott ainda estava tenso significava que ainda não havia acabado.
De fato, não acabara. Um estrondo alto foi ouvido pelo trio, até o próprio solo parecia ressoar um pouco. A causa? Um bando de cervos que surgiu, trotando rápidos e nervosos, quase que pisoteando os adolescentes assustados.
— Meu santo Bambi... O que está acontecendo? — quis saber Stiliski.
— Eles estão com medo... Estão fugindo! — declarou Scott, seus olhos agora estavam de coloração avermelhada ao encararem os amigos, sua expressão estava dramaticamente séria também— E é isso que iremos fazer também!
Era um comando, os humanos nem pensaram em discordar do alfa, começaram a correr, acompanhando os animais, Stiles não sabia se estavam mesmo se afastando do inimigo ou correndo rumo a ele, podiam muito bem estar adentrando ainda mais na floresta ao invés de estarem se direcionando para a saída.
Por aqui.
Stiles parou, subitamente, e levou a mão a orelha, sentia como alguém tivesse acabado de sussurrar, mas aquilo era impossível. Podia até sentir o bafo quente na sua pele sensível!
— Cuidado! — Aby se lançou sobre o amigo, evitando que uma corsa o atropelasse — Esse não é o momento para de agir feito um idiota, sei que isso faz parte de sua personalidade, mas...
— Ei! Eu não sou tão idiota assim e eu...
Se querem escapar, sigam para direita.
Novamente a voz. Stiles agora tinha certeza, alguém estava falando com ele... Mas por meio de sua mente?
— Ai...Meu deus... Acho que sou médium! Estou me comunicando com os mortos!
Quarta dica: Deixe os ouvidos abertos para sugestões (mesmo que essas venham de um mundo paralelo, outro planeta e outros locais afins).
— Hã? — Abraham tinha outra opinião quanto ao que Stiles deveria ser, estava em dúvida em classifica-lo como tolo-alegre ou louco, a última opção estava ganhando no momento.
— Por que vocês pararam? — reclamou, Scott.
— Espere! Eu recebi uma mensagem do além! Devemos seguir para a direita!
O lobisomem fitou o melhor amigo desconcertado com aquela afirmação.
— Como é?
— Acho que o cérebro dele travou devido ao estresse, isso se ele tiver mesmo algo dentro desse negócio que ele chama de cabeça. — diagnosticou o caçador.
— Vamos! — agora era a vez de Stiles liderar, começou a correr seguindo a ordem da misteriosa voz, talvez não devesse acreditar em tudo que soasse em sua cabeça, mas Stiles nunca foi muito bom em discernir entre o que era seguro e perigoso.
Scott e Aby se entreolharam e soltaram um suspiro, resolveram, então, segui-lo. O caminho escolhido cruzava o trajeto de fuga do bando fugitivo de bambis. Continuaram seguindo, mais preocupados em escapar do que realmente aonde estariam seguindo, até que Stiles (quem estava na dianteira do grupo) acabara por pisar em falso e tombou para frente, seus amigos não tardaram em segui-lo.
A luz foi o primeiro que notaram, por alguns segundos pensaram que estavam diante da lanterna de algum policial, mas perceberam então que era a própria luz do luar combinada com algumas velas e incenso...
— Pessoal, não querendo assustar mais já assustando... Acho que invadimos algum tipo de ritual de macumba... — sussurrou Stiles olhando em volta, estavam em uma clareira, havia um carro estacionando, pelo menos isso era indicação de civilização, também notaram uma estrada. Mas, não deviam se alegrar, talvez a voz os tenha atraído para uma armadilha.
— Que música é essa? — questionou Scott, havia mesmo uma música no ambiente, era baixa mais constante.
— Acho que é... Indiana. — Abraham não parecia muito certo quanto isso.
— Ou pode ser um ritual pagão da fertilidade! — sugeriu Stiles — E acho que devemos ir embora, antes que façam os sacrifícios dos virgens!
— Céus, eu só estou fazendo yoga, não precisam dramatizar... — A nova voz fez o trio sobressaltar, um rapaz moreno de longos cabelos negros, olhos verdes quase que florescentes que no momento estava enrolando uma espécie de tapete, os observava com um olhar crítico.
“Oh... Acho que Derek tem um concorrente no posto de deus grego da semana.” Pensou Stiles ao notar a musculatura sarada do desconhecido, afinal, o mesmo só estava usando uma calça longa negra, daquelas bem folgadas. Não que o adolescente estivesse analisando tão afinco a geografia do peitoral do moreno. Derek era mais sexy! A cara de quem chupou limão ganha qualquer concurso beleza de seres sobrenaturais saradões, Stiles tinha plena certeza disso.
O desconhecido franziu o cenho e parecia concentrar sua atenção em Stiles, que engoliu me seco.
— Sua mente é meio confusa. — admitiu o estranho depois de alguns segundos — Eu não pretendo entrar em um concurso beleza de seres sobrenaturais saradões, suponho que nem Derek planeje tal feito.
— Ai caramba! Ele leu a minha mente! — o garoto não parecia assombrado com o feito, na verdade, estava entusiasmado — Isso é tão maneiro! Espera! Que número estou pensando agora?! Vamos! Faz de novo!
Abraham não respondeu com a mesma alegria nem Scott que começou a rosnar.
— Foi você que nos guiou. Quem e o que é você? — inqueriu Aby com rispidez.
— Eu esperava um “obrigado” e não desconfiança.
— Houve um assassinato nessa reserva!
— Sim, infelizmente, acabei por saber deste fato, contudo posso lhe assegurar que não tive nada a ver com o acorrido. Eu tenho o costume de praticar yoga neste local pelo menos duas vezes por semana, como iria saber que justamente nesse dia fatídico algo tão infame ocorreu aqui desiquilibrando todo o ki do ambiente? Isso não é bom para o chakra, sabe?
— Ki? Ele está falando de Dragon ball? — perguntou Stiles, curioso.
— Enfim... — o estranho o ignorou e continuou — Eu os ajudei pois senti o cheiro de Issac em vocês.
— Issac? Como assim? Você o conhece? — Scott rosnou ainda mais alto, Aby teve que contê-lo para que não atacasse antes mesmo de ter uma resposta.
— Me chamo Erorhion, se não perceberam ainda, sou um dragão. E sim, conheço o filhote... — um sorriso se fez nos lábios do dito dragão — Percebi que vocês deveriam ser amigos dele, não poderia simplesmente não ajudar...
— Isso não o torna menos suspeito. — enfatizou o caçador.
— Sou pacifista, meu caro, e ainda mais, se um dragão desejasse mesmo matar alguém, não haveria corpo para ser encontrado. O assassino, todavia, não pertence a minha raça.
— Então, você sabe o que ele é?
— Tenho minhas suspeitas. — Erorhion mirou Scott e continuou — Mas, prefiro não me meter em assuntos que envolva conflitos entre humanos e sobrenaturais, nada saudável para sua aura, como disse antes, sou pacifista.
— Isso parece uma tremenda de uma desculpa conveniente... — resmungou Abraham que fizera um movimento rápido com a mão, uma adaga escorregou da manga de seu casaco. Stiles soltou um sonoro “UOU” — Ainda não me convenci de sua inocência, réptil.
— Não sou eu que deverei lutar para provar a minha inocência, Abraham Van Helsing III...
Aby não hesitou, lançou a adaga em direção ao dragão, mas a mesma parou em meio ao ar. Erorhion apenas sorriu e desapareceu.
Puff!
Sumiu em pleno ar.
E não só isso, o seu carro e suas bugigangas indianas também tinham sumido.
PUFF!
— Dude... Acho que ele não é um dragão, ele é tipo o Mister M! — Stiles estava realmente extasiado com aquela demonstração de poder.
— Um dragão oriental. — resmungou o holandês enquanto pegava a sua adaga que agora jazia jogada no chão — Eu devia ter imaginado... Maldita magia!
— Eu não entendi o que ele quis dizer no final... — disse Scott que fungava o ar tentando, em vão, seguir o rastro do misterioso dragão.
— Não é obvio? — Aby guardou a sua adaga, suas mãos tremeram um pouco no processo — Aquele vampiro foi morto por uma estaca...
— Oh não... — Scott mirou o seu melhor amigo que parecia ter entendido o que Van Helsing queria dizer, algo que o coitado do lobisomem ainda não compreendera.
— Que família é especializada em matar vampiros? Quem eles irão acusar primeiro? — ajudou Aby, mesmo que parecia que estava falando mais consigo mesmo do que com os amigos.
—Oh não... — Agora sim a ficha tinha caído.
Eles tinham um problema.
Um grande problema.
Última dica: Fugir da floresta e da polícia, fácil se você tiver ajuda de um dragão telepático metido a Harry Potter.
Próximo desafio?
Como evitar que seu amigo seja acusado de assassinato!
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