Be mine
16 Capítulo 16
04 de Fevereiro
04:00 pm
– Eu não dei a resposta pra ela ainda. — respondi a pergunta de Analu a respeito da festa que Maya me convidou. Estávamos conversando pelo Skype.
– Ana, você tem que ir. É uma chance de fazer amigos.
– Sei disso, mas a Katherine disse que eles dão umas festas muito loucas na Starplace.
– É só ficar longe de confusão. Tenho certeza que não é só putaria.
– Ah, Lu. Vou pensar a respeito. Eu fiquei interessada na festa, mas... Eu ainda tenho que falar com o Josh de qualquer jeito. — suspirei — Nem sei o que vestir.
– Com esse corpo... um moletom velho já fica ótimo.
05 de Fevereiro
12:30 pm
– Ana, eu preciso falar contigo. — Jade me puxou para o banheiro feminino assim que eu havia saído da sala de aula pra almoçar. Acho que ela estava me esperando no corredor há algum tempo.
– O que foi? — perguntei ao chegarmos no banheiro vazio.
– Você tá sabendo de uma festa que uma garota do terceiro ano vai dar?
– Se for a festa da Maya, tô sim. Fui convidada.
Jade ficou boquiaberta.
– Você foi convidada?! Como?!
– Hã... a Maya veio e me chamou. Ela me deu o endereço e tudo. Por que?
– Eu tava falando com a Becky e, bem, essa festa é simplesmente uma daquelas festas VIP que só os popzinhos dessa escola vão. E você foi convidada! — ela deu um pulinho — Eu ia te falar que eu tinha como conseguir um convite pra você, mas já que você já tem... não vai ser preciso.
– Eu não sei se eu vou, Jade.
– O quê? Mas você TEM que ir! A Becky me contou tudo. Essas festas são incríveis. A casa da Littleton é enorme. Vai ser bom pra você, Ana. Você vai fazer amigos. — ela sorriu.
– Mas a Kath disse que essas festas são só sexo, drogas e muita bebida. Eu fico meio insegura com isso.
Ela revirou os olhos.
– Você vai mesmo perder essa chance? Quantas festas como essa terão esse ano?
– Umas cinquenta, tenho certeza.
– E pra quantas você será convidada? — ela levantou uma sobrancelha.
– É você e a Analu com isso. — revirei os olhos também — Tá bom! Eu vou! Feliz?
– Muito. — ela sorriu abertamente e nós saímos do banheiro.
Quando chegamos ao refeitório, ela me puxou direto pra cantina.
– Eu esqueci de te perguntar ontem. Por que você não veio almoçar? Fiquei igual uma vigia olhando pro corredor, esperando você aparecer.
– Eu não estava com fome. — dei de ombros.
– Senta comigo e as meninas? Acho que você vai gostar delas.
Sorri e assenti.
Assim que servimos nossas bandejas, Jade me puxou, mais uma vez, para uma mesa um pouco isolada. Havia quatro meninas sentadas nela, todas do primeiro ano.
– Meninas, essa é a minha irmã, Ana. — Jade disse sentando com elas e fez sinal para que eu me sentasse também.
– Oi. — sorri tímida.
– Você é brasileira de verdade, né? — uma delas perguntou.
– Acho que sim. — diverti-me com aquela pergunta.
– E como é lá? Nossa, vocês são mesmo muito bonitas. Ah, que inveja. — outra disse.
– Bem, os brasileiros são mais afetivos. Nós recebemos os alunos novos muito bem. Se é que vocês me entendem... — suspirei.
– Pera, alguém te tratou mal na sua turma? — outra menina perguntou.
– Não, não. É que... bem, ninguém fala comigo. É como se eu não existisse. Pensei que fosse normal porque estamos na primeira semana, mas aí eu vi minha irmã já cheia de amigas...
– Você é do terceiro ano, não é? — a quarta garota finalmente se pronunciou.
– Sou sim.
– Turma A, B...?
– A. — respondi ainda sem saber aonde ela queria chegar.
– Vish. — uma delas fez careta.
– O que foi? Qual o problema? — perguntei confusa.
– Você é da sala do León então. Não é?
– Não sei quem é León. — dei de ombros e comecei a mexer na comida no meu prato.
– León Jackson. — Jade disse e eu me dei conta de quem se tratava.
– Ah, sei sim quem é. Ele discutiu com um menino ontem. — falei ainda meio indiferente em relação ao assunto.
– Bem, ele é amigo do Scott Throbs. O Scott é um garoto do terceiro ano também. Ele mete medo em todo mundo, até mesmo nos garotos do quarto ano. Desde o primeiro ano dele aqui, ele se mete em todo tipo de confusão. O cara não presta. Ele tá envolvido com qualquer coisa ilícita que você puder imaginar. Ele é perigoso, se quer saber. — Jade explicou.
– E como é que você sabe disso? — levantei uma sobrancelha.
– A Becky me contou. — ela apontou para a garota sentada ao meu lado, a garota que havia perguntado se eu era brasileira de verdade. A menina sorriu.
– Tá, e o que isso tem a ver com o fato de ninguém falar comigo? — perguntei ainda mais confusa.
– O León ainda não falou com você, também? — Becky perguntou.
– Não. Por que falaria?
As meninas se entreolharam.
– Olha, o Scott, além de delinquente, é o pegador dessa escola. Ele fica com qualquer menina que ele quiser, em um estalar de dedos. Sempre que entra alguma garota nova, o Scott quer ser o primeiro a "dar as boas vindas", se é que você me entende. E como ele mete medo em todo mundo, acho que eles têm medo de falar com você e "ficar no caminho" do Scott. Sei lá. — Becky explicou — É só uma teoria, ok?
– Então eu sou um produto esperando o selo de qualidade pra poder ir pro mercado? — falei meio indignada.
– Tipo isso. — uma delas disse e as outras riram. Revirei os olhos.
– E onde é que tá esse Scott? — perguntei já olhando ao redor — Qual é a turma dele?
– É a turma C. Ele ainda não veio pra aula. Ah, é provável que ele vá pra festa da Littleton. — Becky disse. Olhei para Jade e levantei uma sobrancelha. Ela franziu o cenho e bufou.
As meninas continuaram conversando sobre a festa da Maya e eu voltei minha atenção para o prato. León Jackson e Scott Throbs. Deveria tomar cuidado com eles? Fiquei pensando na discussão de Jackson com o... qual era mesmo o nome do outro menino? Kaspersky... Thomas! Thomas Kaspersky.
– Ei meninas. — interrompi a conversa das cinco e elas olharam pra mim — Quem é Thomas Kaspersky?
– Ah, ninguém importante. É só um figurante. — uma delas disse e logo voltaram ao seu assunto. Jackson havia falado um nome na discussão também. Ele havia dito que Kaspersky era um perdedor igual o... Dennis? Não lembro. Quem quer que seja, deve ser só mais um "figurante" também.
Depois do almoço agradável, voltei para minha sala de aula com outra perspectiva a respeito daquela escola. Quando entrei na sala e olhei para Jackson, senti-me mal. Ele também estaria na festa da Maya, com certeza.
Sentei-me em meu lugar e fiquei esperando o professor chegar e a aula começar.
09:00 pm
– Tô te dizendo, Lu. Vai dar merda nessa festa. — falei olhando para o monitor, onde se encontrava a imagem da minha amiga.
– Não vai, Ana. Para de pensar negativo. Vai ser uma festa legal. — ela sorriu animada — Como eu disse antes, é só ficar longe de confusão.
– Eu tenho quase certeza que o Josh não vai me deixar ir, também. Meus pais tiveram a brilhante ideia de deixá-lo como nosso "tutor". Eles disseram que eu e Jade temos que pedir autorização dele pra fazer as coisas. Dá pra acreditar?!
– Dá, sim. Isso é a cara do seu Carlos. — ela riu.
– Falando neles... como é que eles estão? Eu tô morrendo de saudade.
– Eu não os vejo muito, mas eles estão bem sim. Fala com eles, ué.
– É muito difícil eu conseguir um tempo disponível por causa do fuso horário e tudo mais. Eu só consigo trocar mensagens e algumas vezes uma ligação rápida, mas eu quero ver meus pais, sabe? Quero conversar pelo Skype.
– Sei sim. Bom, aqui já é meia noite e eu tenho que ir na escola com a mamãe amanhã. Tenho que dormir, amiga.
– Já? Poxa. — fiz bico — Tô com saudade daí, pra ser bem sincera.
– E nós estamos com saudade de vocês. — ela fez bico também — Falei com a Natália hoje mais cedo e ela mandou um beijo.
– Ah, manda um pra ela também.
– Pode deixar. Boa noite. — ela jogou um beijo no ar e eu fiz o mesmo, antes de baixar a tela do notebook.
Fui para a cozinha a tempo de encontrar Josh tentando preparar uma daquelas comidas congeladas.
– Quer ajuda? — perguntei já tirando a caixa das mãos dele.
– Já que insiste...
Coloquei a comida no forno e ajeitei o tempo.
– Josh, preciso de perguntar uma coisa. — falei enquanto jogava a caixa de papelão no lixo.
– Pergunte. — ele deu de
ombros.
– Tem uma festa amanhã que eu gostaria de ir. — olhei para meu irmão e ele se virou para me olhar, também — Acho que seria bom porque eu poderia fazer amigos.
– Ana, a Kath disse que...
– Eu sei o que a Katherine disse. Eu fico longe de confusão, não se preocupa. Você sabe que eu não gosto de festas, eu vou pra essa porque eu preciso socializar com aquele povo, Josh. — falei suplicante.
– Precisa socializar com aquele povo? Quem é você e o que fez com a minha outra irmã? Gente, esse país tá mudando vocês duas. — ele falou brincando — Tá, Ana. Pode ir. Mas me dá o endereço e fica ligada nesse celular porque eu vou te ligar de meia em meia hora. Se você não atender, corro pra lá com a minha Magnum, entendeu?
– Espera, é fácil assim? Pensei que você ficaria um pouco mais relutante. — estranhei a atitude dele — E você não tem uma Magnum.
– Você já namorou o Daniel. Não tem nada pior que você possa fazer. — ele sorriu divertido e eu bufei irritada — Ah e é facílimo conseguir uma Magnum por aqui, ouviu?
Forcei um sorriso e saí da cozinha.
É, eu vou pra essa festa.
Fale com o autor