Be mine
14 Capítulo 14
Notas iniciais
01 de Fevereiro
8:00 pm
Os dias em Los Angeles passaram bem rápido. Nós visitamos Hollywood e vimos o letreiro bem de perto. A vista lá do alto é incrível. Não voltamos mais na Starplace ou na UCLA. Preferimos ficar em casa e relaxar para quando as aulas começarem.
– Vocês vão querer almoçar comigo amanhã? — Josh perguntou enquanto arrumava suas coisas para o primeiro dia de aula na faculdade.
– Como assim? — Jade o encarou — Nós podemos?
– Claro. Eu tenho um intervalo de duas horas entre os dois turnos. Meio dia acaba o matutino e duas horas da tarde começa o vespertino. Então eu posso buscar vocês aqui pra almoçarem lá. Não quero ficar sozinho no primeiro dia de aula. — ele fez bico.
– Own, quase fiquei com pena. — falei com um falso tom de comoção na voz — Vou pensar no teu caso.
– Eu quero! Adorei a UCLA. — Jade disse empolgada. Suspirei. Amadores...
– Ai Josh, já que tu insiste tanto, eu vou. — declarei minha derrota em tom de brincadeira.
Josh riu sarcástico.
– Te manca.
02 de Fevereiro
10:00 am
Acordei com a luz do sol no meu rosto e me arrependi de não ter fechado a cortina na noite anterior. Peguei meu celular e vi a hora. Droga, Josh já havia saído com certeza e eu não havia feito o café dele. Coitado do meu irmão. Levantei-me da cama com custo e fui até o banheiro. Fiz minha higiene pessoal e fui para a cozinha. Jade estava lá, com uma cara de ressaca, tomando seu chocolate matinal.
– Bom dia. — ela disse ao me ver.
– Bom dia. Você viu o Josh sair? — perguntei bocejando.
– Não, não. Acordei ainda agora.
– É, percebi. — falei me sentando com ela.
– Ansiosa? Nossas aulas começam depois de amanhã. — ela disse servindo mais chocolate.
– Sim, muito. — peguei a garrafa térmica e percebi que estava cheia — Você fez chocolate pra mim também?
– Não. Já estava pronto quando acordei. Pensei que você tivesse deixado pronto pro Josh ontem à noite.
– Eu faço café pra ele, não chocolate. Acho que ele preparou pra nós.
Jade sorriu e tomou mais um gole da sua xícara.
Meio dia em ponto recebi uma mensagem de Josh avisando que já havia deixado a sala de aula e que nos buscaria em vinte minutos.
– Essa roupa tá boa? — minha irmã perguntou ao chegar na sala. Ela vestia um short jeans um pouco acima dos joelhos e uma blusa preta justa de mangas compridas. Ah, e seu Converse branco, como sempre.
– Tá sim. Por que a preocupação?
– Não sei. É estranho eu estar nervosa pelo Josh?
– Não. Eu também estou. — falei pegando meu celular para olhar a hora mais uma vez — Ele vai chegar em dez minutos.
Fui precisa na minha constatação, pois dez minutos depois meu celular tocou.
Eu e Jade fomos até a garagem e encontramos um Josh sorridente dentro do carro.
– E aí, princesinhas? — ele disse ao entrarmos na Range.
– Hum, tá felizinho demais. — comentei enquanto colocava o cinto — Como foi?
– Incrível. As aulas foram ótimas, os professores são muito inteligentes e prestativos, os alunos são parceiros, as salas de aula são enormes. É incrível. — ele disse empolgado.
– Fez amigos? — Jade perguntou assim que deixamos o prédio.
– Na verdade, fiz.
– Qual o nome deles? — perguntei.
– Bem, tem o Oliver, a Katherine, a Diana e o Mike. — ele disse sem tirar os olhos da estrada — Foi com eles que eu fiquei nessa manhã.
– Mike? — Jade perguntou surpresa — Um alto e muito bonito?
– Ele é alto sim. Por quê?
– Acho que conhecemos ele. — declarei olhando a rua.
– Sério? Como?
– Ele nos ajudou a te encontrar quando nos perdemos naquele dia. — expliquei.
– Ah, que coincidência.
Josh parou no estacionamento dos alunos e nós descemos. Já havia me esquecido do quanto esse lugar é grande. Atravessamos o campus até um restaurante que havia ali, onde outros alunos almoçavam. Escolhemos uma mesa um pouco isolada e fizemos o pedido.
– Que incrível. Tem até restaurante aqui. — Jade disse olhando ao redor.
– Legal, né? — Josh analisou o restaurante também — Olha, lá estão o Oliver e a Diana.
Olhamos na direção que ele olhava e vimos um casal de mãos dadas entrando no restaurante.
– Chama eles pra comer com a gente. — Jade disse — Quero conhecer seus amigos.
– Acabamos de nos conhecer. Sei não...
– Ah, então chama eles só pra gente conhecer. — falei ainda olhando o casal que procurava uma mesa. Josh pensou um pouco e levantou a mão, chamando a atenção deles. Os dois vieram sorridentes.
– Oliver, Diana, tudo bem? — ele perguntou.
– Sim, nada de ruim aconteceu na última hora, quando te vimos da última vez. — a garota disse divertida — São essas as suas irmãs?
– Sim, são. Essa é a Jade e aquela é a Ana. — ele fez as devidas apresentações e eu já gostei de cara dessa Diana. O Oliver estava muito calado.
– Podemos sentar aqui com vocês? O restaurante tá bem cheio. — ela disse
– Claro. — sorri simpática e os dois sentaram conosco.
Logo começamos uma conversa animada sobre a UCLA e percebi que Oliver, apesar de tímido, era muito legal também.
– Ah, esqueci de perguntar. — Oliver disse depois de ter tomado um gole da sua bebida — Você viu a Kath?
– Não. — Josh respondeu — Ela não disse que iria para a biblioteca antes de vir pra cá?
– Ah, é verdade.
Continuamos o almoço entre piadas e risadas. Meu irmão estava feliz e era isso que importava.
Depois do almoço, Diana disse que tinha coisas para arrumar em seu dormitório ainda e Oliver foi acompanhá-la. Ficamos sozinhos novamente.
– E agora? — perguntei — Agora que tá dando uma da tarde.
– Podemos ir na biblioteca e ver se a Kath tá lá. — Josh disse — Ela é muito gente boa também.
– Então vamos.
A biblioteca da UCLA era enorme, assim como tudo naquela universidade. Entrei lá maravilhada. Nunca fui de estudar muito, mas aquela quantidade exorbitante de livros me deu vontade de sair lendo tudo. Andamos um pouco por lá até encontrarmos uma garota sozinha em uma mesa com uma pequena pilha de livros.
– Você não se diverte não? — Josh disse já puxando uma cadeira ao lado dela. A menina o olhou um pouco surpresa, mas logo o reconheceu.
– Oi, Josh. Estou me divertindo nesse exato momento. — ela levantou um livro — Eu gosto de ler.
– Que bom. — ele disse pegando um dos livros da pilha e lendo o título. Jade pigarreou baixo e ele nos olhou — Ah, essas são as minhas irmãs: Ana e Jade.
– Olá, meninas. O Josh falou muito de vocês hoje na aula. — ela disse estendendo a mão para mim. Apertei e ela fez o mesmo com Jade.
– Bem, eu espero. — sorri.
– Lógico. — Josh protestou — Não sou de falar mal dos outros pelas costas.
A menina riu.
– O Mike esteve aqui ainda agora. Ele disse que não vai ficar para as aulas da tarde porque vai precisar resolver um assunto pessoal.
– Ah, mas ele já foi? — Josh perguntou.
– Não sei. Por quê?
– Acho que as minhas irmãs gostariam de falar com ele. — ele disse e a menina nos olhou descontraída.
– Hum, ele é bonito mesmo. — ela disse piscando para Jade.
– Ah, não. Não é isso que você tá pensando. — Jade se justificou rapidamente e a garota riu.
– Sei disso. — ela disse — A propósito, não que isso tenha a ver com o assunto, mas onde vocês vão estudar?
– Na Starplace. — respondi me sentando e Jade fez o mesmo.
– Starplace High School? — ela arregalou os olhos — Cuidado lá.
– Por que? — Josh perguntou curioso.
– Nós ficamos sabendo de muita coisa que acontece lá. Sexo, drogas, essas coisas. Fiquem atentas, meninas. Cuidado com as festas que eles dão.
Jade me olhou assustada e eu ri um pouco.
– Ah, eu já imaginava. É exatamente como os filmes. — dei de ombros — No Brasil não é muito diferente.
– De qualquer forma, fiquem ligadas. — ela disse séria.
– Qual vai ser a próxima aula? — Josh perguntou.
– História do Direito. — Katherine respondeu mostrando o livro que lia — Ouvi boatos que já teremos um júri simulado ainda essa semana, por isso estou estudando.
– Sério? Vou precisar estudar também. — ele disse pegando outro livro. Percebi que Jade olhava para o outro lado da biblioteca. Olhei na mesma direção e vi Mike caminhando até nós. Jade ficou vermelha.
– E aí, gente. — ele disse para Josh e Kath — Olha só! Que coincidência. Então o irmão que vocês estavam acompanhando é o Josh? — dessa vez ele se dirigiu a mim e Jade.
– Exatamente. Incrível coincidência. — respondi sorrindo.
– Você não ia resolver um problema pessoal? — Kath perguntou.
– Ia não. Eu VOU. Acontece que eu esqueci isso aqui. — ele pegou um molho de chaves que estava na mesa e que nós nem tínhamos notado — Fiquei preso do lado de fora. O Oliver não tava lá.
– Ele tá com a Diana no dormitório dela. Eles estão arrumando umas coisas. — Josh disse — Acho que só vão sair de lá na hora da aula.
– Hum, eu esperava dispor da ajuda dele pra levar umas coisas pro meu dormitório. — ele disse meio decepcionado — Josh, eu até pediria a sua, mas você tá com as suas irmãs, então...
– Ah, não se preocupem. Ficaremos bem aqui com a Kath. — Jade disse — A não ser que estaremos atrapalhando você. — minha irmã olhou para a garota.
– Atrapalhar eu sei que não vão, mas acho que não serei uma companhia muito boa. Eu realmente preciso estudar. — ela explicou.
– Vocês podem vir conosco. — Mike disse — Podem dar uma mãozinha também, se quiserem.
– Por mim, tudo bem. — respondi e nós três nos levantamos.
– Até mais, Kath. — Josh disse e Mike fez o mesmo.
– Foi um prazer te conhecer. — sorri simpática e Katherine sorriu de volta.
– O prazer foi todo meu. — ela disse e nós saímos de lá.
Atravessamos aquele campus enorme até o estacionamento e Mike nos levou até seu carro.
– Olha, gente, eu preciso que vocês mantenham total sigilo. O que eu vou fazer é contra as regras. — ele disse destravando o porta-malas.
– O que você vai fazer? — perguntei involuntariamente.
– Isso. — ele abriu a porta e nós demos de cara com uma caixa de papelão com alguns furos. De repente ela se abriu e um cachorrinho colocou a cabeça pra fora.
– Mike! Isso é muito perigoso. Você pode ser expulso. — Josh advertiu, mas logo passou a mão no filhote.
– Sei disso, mas não poderia deixá-lo sozinho no meio da rua.
– Sozinho no meio da rua? — Jade arregalou os olhos — Você o resgatou?
– Sim. E olha: — ele tirou o cachorro da caixa depois de ter olhado ao redor para ver se havia alguém nos observando — ele tá machucado. Isso significa que foi maltratado.
– Que horror. — Jade se aproximou dos dois e fez carinho no cachorro.
– Você faz Direito também? — perguntei me aproximando do filhote para acariciá-lo como Jade.
– Não, eu faço Medicina Veterinária. — ele anunciou e Jade me olhou de soslaio. Sinto que minha irmã está ficando cada vez mais interessada em Mike.
– Que legal. A Jade também quer cursar veterinária. — falei cutucando-a discretamente. Ela me beliscou em resposta. Tive que conter um gemido de dor.
– Sério? — ele a olhou sorridente — Que ótimo. Tudo bem que hoje foi o primeiro dia, mas já tô gostando pra caramba.
– Imagino. — ela sorriu de volta — Qual o nome dele?
– Bem, eu resgatei ontem. Ainda não sei que nome dar. Alguma sugestão?
– Ah, criatividade não é comigo. — ela disse ainda fazendo carinho no cão.
– Que tal Harley? — perguntei — Não que tenha muito a ver com alguma característica dele, mas é um nome bonito.
– Harley? Hum... Harley. Gostei. Lembra Marley. — ele disse colocando o cãozinho de volta na caixa — Agora precisamos levá-lo disfarçadamente para o meu dormitório.
– Você tem certeza disso, Mike? — Josh perguntou sério — Não tem outro lugar onde ele possa ficar? E a casa dos seus pais?
– Meus pais moram do outro lado do país. Não dá. — Mike tirou a caixa com Harley de dentro do carro — Vamos. Peguem algumas bolsas que estão aí, só pra não chamar tanta atenção.
Fizemos o que ele pediu e o seguimos de volta ao campus. Não demorou muito até entrarmos no prédio dos dormitórios. Subimos algumas escadas e chegamos no terceiro andar, passando por diversos alunos para enfim chegar no quarto dele.
– Entrem rápido. — ele disse abrindo a porta do dormitório e nós entramos. Mike colocou a caixa no chão e Harley pulou de dentro dela. Saiu correndo por todo o quarto até se meter embaixo da cama.
– Acho que você arranjou um amiguinho hiperativo. — Jade comentou.
– É, acho que sim... — Mike suspirou — Como vou escondê-lo?
– Eu disse que não era uma boa ideia. — Josh falou naquele seu típico tom de voz de "eu avisei".
– Calma, vai dar tudo certo. Pelo visto, ele gostou de ficar lá embaixo. — constatei e os outros olharam para a cama — Talvez o Mike só precise arranjar um jeito de fazê-lo ficar calado durante o dia.
– Ele não latiu o caminho todo. — Mike comentou — Ele é silencioso.
– Ótimo. E o Oliver sabe? — meu irmão perguntou e Mike o olhou desconfiado.
– Claro. — ele disse e Josh estreitou os olhos.
– Tem certeza?
– Não, ele não sabe. Ainda não contei pra ele porque tenho quase certeza que ele não vai gostar muito da ideia. Mas o que eu posso fazer? Não tenho culpa se encontrei um amiguinho precisando de ajuda.
– Você poderia tê-lo levado a uma ONG. — Jade disse e Mike a olhou pensativo.
– Não tem muitas ONGs para animais aqui em L.A e as que tem estão cheias. — ele disse cabisbaixo — Mas vou cuidar dele. Vai dar tudo certo.
– Se você diz.
02 de Fevereiro
03:00 pm
Josh nos deixou em casa meia hora antes de suas aulas da tarde começarem. Eu e Jade decidimos ir ao shopping que havia ali perto do apartamento.
– Vamos no cinema? — ela perguntou assim que saímos do apartamento e entramos no elevador.
– Não temos dinheiro. — respondi apertando o botão do térreo — O cartão fica com o Josh.
– O que vamos fazer no shopping, então?
– Andar, passear. Eu tenho uns vinte dólares aqui comigo. Acho que dá pra tomar um sorvete.
– Nossa, que divertido. — ela revirou os olhos.
– Credo, Jade. Quer ficar em casa, então?
– Não. Desculpa. É que eu pensei que seria um pouco mais glamouroso.
– E será. Ainda estamos nas primeiras semanas. Relaxa.
A porta do elevador abriu e nós nos dirigimos à saída do prédio.
– Ei, nós vamos andando? — ela perguntou surpresa.
– Sim, ué. É aqui perto. — dei de ombros — Você sabe pegar ônibus aqui? Porque não temos dinheiro pra táxi ou uber.
– Não, não. Melhor irmos andando mesmo.
O shopping era mais perto do que eu pensava. Ele ficava a mais ou menos três quarteirões do prédio. A vizinhança é tranquila, bem diferente da nossa no Rio.
– Sabia que você tem idade pra dirigir aqui? — ela comentou.
– Sério? Não sabia. — dei de ombros.
– Que tal você aprender a dirigir? Tenho certeza que o Josh te ensina, daí é só você fazer o teste e pronto.
– Mas qual é o sentido disso? Eu não tenho carro.
– Será que o pap...
– Jade, não. O pai tá gastando muito com a gente. A faculdade do Josh é cara, o apartamento é caro e o nosso material escolar também foi muito caro. Sem falar que ele tá sustentando a gente aqui e ele lá. Não vou pedir um carro. — falei séria.
– E a mamãe? — ela perguntou inocente e eu gargalhei incrédula.
– Você acha mesmo que a mamãe me daria um carro? Meio ingênua você. — falei ainda rindo um pouco.
Jade bufou.
– Não custa nada pedir.
– Custa sim. O meu orgulho e a minha dignidade. Estamos ganhando tudo de mãos beijadas e eu vou lá e peço um carro? Negativo. — suspirei — Mas eu posso sim aprender a dirigir e tirar a carteira. Quando o Josh não quiser levar a gente em algum lugar, eu posso dirigir.
Jade concordou e continuamos fazendo nosso caminho até o shopping.
– Ana, olha isso! — Jade disse se aproximando de uma vitrine cheia de sapatos — Olha esse coturno azul-petróleo. Você tem um moletom dessa cor, não tem?
Aproximei-me da vitrine e me arrependi de ter ido sem Josh.
– Que lindo! Tenho sim. Nossa, cinquenta dólares. Dá mais ou menos cento e cinquenta reais. Não tá tão caro.
– Verdade. Pena que não temos esse dinheiro. — Jade disse se afastando da loja e eu a segui.
– Vamos voltar aqui outro dia. A mãe disse que poderíamos fazer compras se quiséssemos. — ela completou depois de um tempinho de silêncio.
– Pode ser.
Fomos até um McDonald's e nos surpreendemos com os preços. No Brasil é muito caro! Com vinte dólares conseguimos comprar nossos combos favoritos e ainda sobrou para milk-shakes mais tarde. Pegamos nossos lanches e escolhemos uma mesa ali perto.
– Tá passando Esquadrão Suicida. — ela apontou para o display — Queria tanto ver.
– Eu também, Jade, mas não temos dinheiro. — repeti pela milésima vez.
Ela suspirou e colocou as mãos nos bolsos. Continuei tomando meu lanche tranquila até que Jade bateu no meu braço, me fazendo derrubar algumas batatas.
– Que porra, Jade!
– Ana! — ela disse me mostrando a mão fechada.
– Que foi, doida?
– Olha. — ela abriu a mão, revelando quarenta dólares — Tava no bolso da minha calça. Podemos ir no cinema agora?
Olhei admirada pra ela, que riu.
– Lógico!
Fale com o autor