Be mine

5 Capítulo 5


(Jade's POV)

Ninguém quis me contar o que estava acontecendo. Mandei diversas mensagens para Josh, mas ele não me respondia. Eu estava ficando cada vez mais tensa com tudo que estava acontecendo. Por que todo esse sigilo? Por que eu não posso saber o que está acontecendo?
Peguei meu celular e resolvi ligar para Analu, amiga da Sara e da Ana.
– Alô? — ela disse ao atender a chamada
– Analu?
– Sim. Quem é?
– Oi, é a Jade. — falei nervosa. Apesar de Analu ser amiga da minha irmã, pouquíssimas foram as vezes em que conversamos.
– Ah, oi. — ela disse tão sem graça quanto eu.
– Eu queria saber se você tem notícias da Sara.
– Hum... infelizmente, não. Também estou no aguardo.
– A Ana saiu com o Daniel, mas eu não sei para onde eles foram. Imaginei que você soubesse, mas tudo bem. Obrigada.
– Ah, tudo bem. Se você tiver notícias, me avisa.
– Ok, tchau.
– Tchau. — ela respondeu e eu desliguei.
Aquela foi uma ligação muito mecânica.

Eu já estava desesperada por notícias, quando minha mãe entrou no quarto. Ela disse que precisávamos conversar e eu já imaginei que seria sobre Sara.
– Esse Daniel... Ele é irmão da Sara, não é? — ela perguntou se sentando ao meu lado na cama.
– Sim, por quê?
– A Ana sai muito com ele, não sai?
– Acho que sim. Eles são amigos.
– Amigos, é? Tem certeza? — ela disse levantando uma sobrancelha.
– Sim, mãe. Ela mesma disse.
– Jade, eu sei que eles não são apenas amigos. Dá pra perceber isso. Eu vim aqui porque a Ana não me conta as coisas, mas ela conta pra você. Eles estão juntos, não estão?
Ela olhou nos meus olhos e por um momento hesitei.
– Sabia. — ela disse ao ver que eu não entregaria minha irmã, mas também não conseguiria mentir. — Por que ela não me contou? Qual é o problema?
– Espera, então você tá de boa com isso? — perguntei surpresa
– Ah, então você admite que eles estão juntos?
Touché.
– Olha, mãe. Eu só acho que você deveria conversar com a Ana sobre isso. Ela é quem deve te contar qualquer coisa. Não estou dizendo que eles estão juntos, mas também não estou dizendo que eles não estão.
– Certo. Quando ela chegar, converso com ela.
– Oi? Mãe, a Sara tá sumida e a Ana tá louca atrás dela. Ela não vai ter cabeça pra isso.
– Ah, é rapidinho. Ela só vai precisar dizer sim ou não.
– Mãe! Ela não tá com cabeça pra isso, entenda. — falei chateada
– Jade, isso não tem nada a ver com você. Não se preocupe. Fique aí deitadinha estudando e eu vou conversar com a minha filha. — ela disse ponderando o tom de voz
– É por isso que ela não te conta as coisas. É por isso que você afasta tanto ela...
– Do que você tá falando?
– Mãe, você não respeita o espaço dela. Ela deve estar muito mal com o que tá acontecendo, mas você só se preocupa com você mesma. — falei logo o que Ana sempre quis que a mamãe ouvisse — Entenda o lado da sua filha. Muito provavelmente, quando ela chegar, ela vai estar muito cansada. Vai querer descansar. Deixe pra conversar com ela quando tudo se resolver.
Minha mãe me olhou surpresa e saiu do quarto devagar. Antes de fechar a porta, disse:
– Você tem razão.

Fiquei sozinha no quarto por um tempo. Fiquei pensando em como a minha vida pode mudar daqui uns meses. Talvez eu me mude pros EUA, talvez não. Já estive no Texas algumas vezes. Sei que nasci lá, mas não lembro de nada da época, é claro. Sou americana. É o que diz minha identidade, mas não sinto isso. Cresci no Brasil, fui alfabetizada em português, toda a minha família e todos os meus amigos são daqui. Quer dizer, tenho uma amiga americana chamada Jessie, mas é só ela.
Eu sou brasileira. Todos os meus amigos dizem que eu devia me gabar do fato de ser de outro país, mas não acho isso. O Brasil, apesar de todos os problemas, é um país incrível. Tem um povo tão acolhedor e amigável, paisagens incríveis, uma cultura rica. É um país abençoado. Não sentiria vergonha de ser brasileira.
Apesar de tudo isso, eu SOU americana. E tenho que conhecer meu país e minha cultura. Passar as férias lá não é o suficiente. Morar lá por pelo menos dois anos seria incrível. Acredito que daria tempo suficiente de conhecer um pouco de lá. Estou muito ansiosa por isso. Queria muito sair correndo pra contar pro meu pai que o Josh passou e que eu quero ir com ele. Mas tenho que esperar. Preciso esperar toda essa história da Sara ter um final (feliz, eu espero) e que as coisas voltem ao normal. Estou começando a achar que vai demorar.

Algumas horas depois da conversa que tive com minha mãe, ouvi vozes no andar de baixo. Vozes falando alto, meio perturbadas. Estava um alvoroço. Tentei entender o que falavam, mas não consegui. Identifiquei quatro vozes diferentes, mas não de quem eram. Resolvi sair do quarto e ir olhar das escadas. As vozes cessaram. Ouvi barulho de porta abrindo e depois batendo forte. Silêncio.
– Mãe? — falei descendo as escadas desconfiada. Sem resposta. Desci mais rápido e cheguei ao hall de entrada. Vazio. — Mãe? — fui até a sala de estar. Vazia. Fiquei um pouco nervosa, mas fui até a cozinha. Minha mãe estava bebendo água depressa e segurava uma caixinha de calmantes na mão.
– Mãe? O que aconteceu? — perguntei mais nervosa — Cadê o papai?
– Ele... ele foi com o Josh e a Analu para a casa dos pais da Sara.
– Analu? Ela estava aqui? — perguntei confusa
– Sim. Ela veio com Josh buscar seu pai.
– Buscar o papai? Por quê?
– Filha, não fui com eles por causa de você. Eles estavam com pressa e eu pensei que você estivesse dormindo. Mas agora temos que ir. Se arrume depressa.
– Ir aonde?! — falei exaltada — Me explica!
– Se arrume e não me faça perguntas! — ela disse perdendo a paciência.
Obedeci contrariada mais uma vez. Me arrumei casualmente e desci as escadas. Minha mãe estava exatamente do mesmo jeito que eu havia deixado. Olhava o nada, pensativa.
– Mãe?
– Já está pronta? Então, vamos. — ela disse assim que me viu.
A segui até o carro e não fiz perguntas, como ela havia me pedido. O caminho até a casa de Sara pareceu durar horas. Minha mãe estava concentrada na rua e estava em silêncio. Eu estava muito confusa com tudo aquilo. Será que haviam encontrado Sara?
Quando finalmente chegamos ao condomínio de luxo, minha mãe estacionou na vaga de visitas e nós saímos do carro.
– Jade, antes de qualquer coisa, seja compreensiva e não faça perguntas. Ok? — ela disse enquanto andávamos até a casa de Sara.
– Hum... Ok. — respondi mais confusa ainda.
Quando chegamos à porta e tocamos a campainha, um calafrio percorreu a minha espinha. Eu estava ligando os pontos.
Meu pai abriu a porta.
– Helena, Jade, entrem rápido. — ele disse e minha mãe obedeceu. Fiquei parada olhando o hall de entrada. Minha mãe seguiu meu pai e fiquei sozinha. Resolvi entrar de uma vez e fechei a porta. Segui até a sala de estar.
Ana estava sentada no sofá. Chorando. Muito. Daniel estava com ela. Eles se abraçavam forte, mas ele não chorava como Ana. Apenas encarava um ponto qualquer no ambiente enquanto algumas lágrimas solitárias escorriam de seus olhos. Vi Analu em pé encarando a janela. Ela não chorava. Eu queria muito perguntar o que estava acontecendo, mas lembrei do que minha mãe havia dito. Ser compreensiva e nada de perguntas. Me aproximei de Ana e Daniel e sentei ao lado deles. Ana me olhou, se levantou e me puxou para um abraço. Eu realmente não estava entendendo a situação, mas abracei minha irmã. Vi Josh entrar na sala com uma xícara de alguma coisa. Entregou à Analu e voltou para a cozinha.
– Jade... — minha irmã tentou dizer e eu a abracei mais forte.
Depois de uns segundos, Ana se soltou do meu abraço e foi até uma porta que identifiquei como o banheiro. Olhei para Daniel, que continuava mergulhado em seus pensamentos. Olhei para Analu, do mesmo jeito. Resolvi ir até a cozinha. Josh estava lá preparando alguma coisa em uma xícara.
– Josh? — eu disse e ele se virou — Você pode, por favor, me dizer o que tá acontecendo? — não resisti, eu precisava entender.
– Jade... é complicado explicar exatamente o que aconteceu. — ele disse devagar — Mas nós encontramos a Sara.
– Encontraram? — olhei surpresa para ele. Por que estavam todos tristes? Esse era um motivo de alegria! A não ser que... — Onde?
– Jade, a polícia encontrou Sara em um beco perto do mercado. Morta.
Naquele instante, meu coração apertou forte. Sara, sempre cheia de vida, alegre como ninguém, sempre disposta a ajudar quem precisasse, estava morta? Não, não. Aquilo não combinava com ela.
– O... o que aconteceu?
– Não dá pra explicar agora. É uma longa história. Preciso da sua ajuda. O papai disse que eu devia preparar chá para os pais da Sara. Eu estou fazendo isso, mas resolvi colocar uma coisinha a mais. — ele então me mostrou uma caixinha de calmantes parecida com a da mamãe — Eles estão lá em cima no escritório com um investigador. A mãe da Sara tá muito mal, Jade. Muito mesmo. Ela precisa disso.
– Entendo. V-vou te ajudar. — falei nervosa. Meu coração batia muito rápido.
Enquanto meu irmão servia as xícaras, eu abria as cápsulas e colocava o conteúdo no chá.
– Eu preciso de um desse. — Daniel disse entrando na cozinha
– Você quer chá? Posso preparar... — respondi
– Não, eu quero esse do Josh. Com remédio. Eu preciso.
– Aqui. — Josh disse passando uma xícara para ele.
Daniel pegou a xícara e tomou tudo de uma vez. Agradeceu e se retirou.
– Ele não tá bem. — comentei — Dá pra ver que ele tá tentando se manter forte pelos pais.
– É... ele vai ter que segurar as pontas.
– Mas ele não tá sozinho.