Be mine
12 Capítulo 12
18 de Janeiro
5:00 pm
(Ana's POV)
Eu e Analu estávamos lanchando na nossa lanchonete favorita, onde frequentamos há muito tempo. Costumávamos vir aqui toda sexta-feira. Eu, ela e Sara. Às vezes Jade vinha também.
– Eu vou sentir tanto a sua falta. — Analu disse emotiva.
– Ah, para com isso. Não é como se eu não fosse mais voltar. — respondi tentando não demonstrar que também estava um pouco melancólica.
– Como vou sobreviver naquela escola sem as minhas duas melhores amigas? — ela perguntou triste enquanto mexia na porção de batata frita.
– Daqui a pouco você vai... — quando eu estava falando, vi Daniel entrar na lanchonete com o seu amigo Eduardo. Nunca gostei daquele cara. Aquele sim era um babaca. Fiquei observando os dois por um tempo. Enquanto Daniel fazia o pedido, Eduardo olhava maliciosamente para a atendente. Daniel me parecia triste, mas acho que era impressão. Eles não me viram ali com Analu, resolvi deixar daquele jeito.
– Eu vou...? — ela disse chamando minha atenção de volta para ela.
– Você vai esquecer de mim. — respondi rápido.
– Negativo. Isso aí é impossível. Te conheço há quanto tempo já? Quatro anos?
– Cinco. A gente se conheceu na quinta série. Tínhamos onze anos.
– Ah é. Pois é. Cinco anos já. Tu acha mesmo que dois anos vão mudar alguma coisa? Hell no. — ela disse divertida, fazendo um S imaginário com o dedo indicador imitando as americanas.
Sorri com aquilo e percebi que tive muita sorte por ter os amigos que tenho.
Ficamos conversando sobre alguns assuntos aleatórios, mas principalmente sobre o novo ano de escola.
– Olá, Ana. — ouvi uma voz masculina ao meu lado, interrompendo minha conversa com Analu. Virei pra ver quem era.
– Eduardo. — falei sem emoção.
– Soube que você vai pros Estados Unidos. — ele disse puxando uma cadeira para se sentar conosco. Inconveniente? Nenhum pouco — Não se preocupe que a sua amiga aqui estará em boas mãos. — ele olhou para Analu de forma totalmente maliciosa, analisando toda a extensão de seu corpo. Analu ficou vermelha. Não de vergonha, mas de raiva.
– É verdade, estarei. As minhas mãos são boas mesmo. — ela disse dando um sorrisinho cínico, fazendo-o rir.
– O Daniel tá bem ali, olha. — Eduardo disse apontando uma mesa com o queixo. Ele estava lá. Tão lindo. Mexia sem vontade na bebida — Tá tristinho...
– Problema dele. — Analu revirou os olhos.
– Calma, gata. — Eduardo levantou as mãos em sinal de rendição — Bem, acho que ele vai ficar feliz rapidinho. Tava pensando em levá-lo em uns clubes aí. Vai que ele conhece uma garota que aceite ir com ele pra outro lugar... tipo a Fênix, quem sabe? — olhou pra mim sugestivo, me causando um extremo incômodo.
– Nossa, verdade. Melhor vocês irem logo. Estão perdendo tempo. — Analu disse fingindo preocupação no tom de voz.
Eduardo olhou pra ela e quando ia responder, foi interrompido.
– Edu, bora. Deixa elas em paz. — Daniel disse apertando o ombro do amigo.
– Relaxa, brother. Estamos apenas conversando.
Senti que Daniel olhava pra mim, mas eu continuava encarando meu copo de refrigerante.
– Não quer se juntar a nós? — Eduardo completou.
Eu já estava irritada com aquela situação. Queria sair dali e aproveitar esse último dia de passeio com a minha amiga, em vez de desperdiçá-lo tendo uma conversa desagradável com Eduardo e Daniel.
– Na verdade, — comecei já me levantando. Analu fez o mesmo — já estamos de saída.
Fiz menção de me afastar da mesa, mas Eduardo segurou meu braço.
– Boa viagem, princesa. Mas não se esqueça: se um cara te chamar pra ir com ele num motel, não dá uma de virgenzinha assustada. Vai com ele. — falou num tom de voz sarcástico e piscou pra mim. Olhei para Daniel magoada e saí de lá, sendo seguida por Analu.
– Que cara escroto. — ela disse assim que saímos da lanchonete. Eu estava me sentindo mal. Estava me sentindo humilhada. Sentia as lágrimas se formarem. Mas eu não iria chorar. Não deixaria aquilo me atingir. Daniel acabara de provar que Josh estava certo desde o início. Ele É um babaca. — Não acredito que ele contou pro Eduardo. Logo pro Eduardo.
– Quero sair daqui. — falei já pegando o celular para ligar para Josh. Enquanto discava os números, ouvi me chamarem. Virei e dei de cara com Daniel.
– O que você quer? — perguntei seca
– Desculpa, Ana. O Edu é meio sem noção. Não liga pra o que ele disse. Você tem o direito de fazer o que bem enten-
– Para com isso. — falei sem paciência, interrompendo-o. — Não aja como se você se importasse porque eu sei que você não se importa.
Ele me olhou ofendido e já ia responder, mas eu o interrompi de novo.
– E nós realmente já estamos de saída, então se você nos der licença... — falei dando as costas para ele e puxei Analu para me acompanhar. Começamos a andar pela calçada sem olhar para trás nenhuma vez.
– Aonde estamos indo? — ela perguntou baixinho.
– Não importa. Só quero sair daqui. — respondi cansada.
20 de Janeiro
7:30 am
– Ana, pelo amor de Deus, você viu a bolsa do meu notebook? — Jade entrou no meu quarto nervosa.
– Era pra você ter visto isso ontem, não acha? Vi não. — respondi enquanto colocava mais algumas coisas na minha bolsa de mão.
– Eu esqueci! Tinha tanta coisa pra ver e tanta coisa pra... — ela foi saindo e fechou a porta antes de terminar de falar.
Terminei de arrumar minha bolsa e tranquei as malas. Com as mãos apoiadas na cintura, olhei toda a extensão do meu quarto. Analisei cada detalhe pra guardar na memória. Vai demorar um pouquinho até eu voltar...
– Ana? — Josh me acordou da nostalgia antecipada — Vamos sair em vinte minutos. Se despede do teu quarto.
Suspirei e assenti.
Tivemos que ir nos dois carros por conta da quantidade de malas. Cada um de nós estava levando três delas. Uma grande, uma média e uma pequena. Fora as bolsas de mão. Era muita coisa.
Eu e Josh fomos com o papai no carro dele e Jade foi com a mamãe no carro dela.
Durante o trajeto, meu pai ia dando conselhos para o Josh. Ia falando sobre a faculdade de Direito, então me desliguei do assunto. Fiquei pensando no que estava fazendo. Será que ia dar certo? Vou sentir tanta saudade dos meus pais, da Analu, da minha casa, do meu país... Mas vai ser incrível. Vou fazer esses dois anos valerem a pena.
– Ana, filha, cuide da sua irmã, ok? — meu pai disse — Ela vai precisar de você.
– Sei disso. Vou estar com ela o tempo todo. — respondi prontamente para tranquilizá-lo.
– E eu vou estar com as duas. — Josh completou — Não se preocupa, pai. Vamos ficar bem.
– Sei que vão. — ele disse mais para si, do que para nós.
Continuamos o caminho em silêncio.
Quando chegamos no aeroporto, a saudade já foi entrando sem bater na porta. Chegou sem avisar. Fui ficando melancólica. Meu pai e Josh começaram a colocar as malas no carrinho. Minha mãe e Jade conversavam entre si. Eu estava sobrando. Aproveitei pra pegar meu celular e mandar uma mensagem para Analu. Falei que já estava no aeroporto e que meu vôo seria em uma hora e meia. Ela me desejou uma boa viagem e boa sorte. Disse que já estava com saudade. Meu coração apertou.
– Meninos, — meu pai disse depois de já termos feito o check-in e despachado as malas — vocês já têm que ir para a sala de espera. O vôo de vocês é em cinquenta minutos.
– Ai, pai. — Jade disse lacrimejando e deu um abraço no nosso pai. Mais uma vez, meu coração apertou — Vou sentir saudade.
– Eu também, minha filha. — ele disse retribuindo e beijando a testa dela.
– Filho, cuide das suas irmãs, por favor. — minha mãe disse abraçando Josh.
– Pode deixar, mãe.
Fiquei de fora novamente. Olhei ao redor, vi algumas pessoas se despedindo também. Quantas histórias de amor acabaram nesse aeroporto?
– Ana. — minha mãe chamou minha atenção — Faça uma boa viagem, filha.
– Obrigada. — respondi dando meu sorriso mais convincente. Não queria que meus pais me vissem triste por estar indo. Minha mãe se aproximou e me deu um abraço. Retribuí da melhor forma que pude. Vai demorar até que eu possa abraçá-la de novo. Fiz o mesmo com meu pai e meus irmãos também o fizeram. Depois de toda a despedida, eu e meus irmãos fomos para a sala de espera com todos os nervos à flor da pele. Sentamos lá para esperar os quarenta e cinco minutos restantes.
– Gente, — Jade disse assim que sentamos — me desculpem por isso, mas eu tô nervosa pra caralho.
Eu e Josh rimos. Jade não fala palavrão, inclusive não gosta quando nós falamos.
– Não se preocupa. Nós também. — Josh disse
– Você trouxe todos os documentos né? — ela perguntou agoniada.
– Claro que sim. — ele assentiu.
– Jade, vai dar tudo certo. Você não tá sozinha. — falei tentando acalmá-la.
– Sei disso, sei disso. — ela suspirou
– Olha, se você não gostar de lá, podemos voltar na mesma semana. — afirmei.
– Sim, senhora.
Ficamos mais um tempo conversando sobre o nosso futuro próximo até que anunciaram nosso vôo.
– É agora. — ela se levantou num salto — Bora, gente. Vamos perder o vôo.
– Jade, calma. O portão tá do nosso lado. — falei ainda sentada, pegando minha bolsa onde estavam os documentos.
– Mas vai formar uma fila enorme de passageiros. Temos que ir logo.
– Os assentos são marcados e eles não saem daqui sem o avião estar completo. — Josh disse se levantando — Calma, maninha.
Antes que Jade tivesse um ataque cardíaco, nós fomos para o portão de embarque. Não demorou muito e nós já estávamos no avião.
Após todas as instruções de segurança terem sido demonstradas, chegou a hora de desligar os celulares e só então vi que havia uma mensagem.
"Desculpa por tudo. Faça uma boa viagem, meu amor."
Era do Daniel. Não respondi. Apenas desliguei meu celular e me preparei para a decolagem.
O avião decolou no horário previsto, às 10:30 am (horário de Brasília) e 6:30 am (horário de L.A).
Estávamos dentro do avião. Jade dormia, Josh assistia a um filme na pequena tela da poltrona à frente e eu tentava dormir.
– Com licença, senhorita. Gostaria de algo para beber? — o comissário de bordo perguntou em inglês, me oferecendo o cardápio de bebidas alcoólicas. Olhei para ele um pouco desconfiada. Ele tinha noção do que estava fazendo?
– Er... — quando eu ia responder, ainda decidindo se ia fingir ser maior de idade ou não, Josh me interrompeu.
– Uma taça do melhor Champagne francês que você tiver para mim, por favor. De preferência algum dos anos 90. Agora, para ela uma taça de... cidra. Obrigado.
– Sim, senhor. — o comissário respondeu recolhendo o cardápio e se afastou.
– Eu não acredito nisso. — falei incrédula.
– O que foi?
– Tá bom que eu já bebi várias vezes no Brasil, mas é porque eu consigo me passar por dezoito. Agora, vinte e um? Tenho cara de velha? — perguntei abismada.
Josh riu baixo já que o avião estava em um perfeito silêncio.
– Acho que é porque você tá com esse moletom careta que a mamãe comprou pra você. — ele disse indicando a manga do moletom com as pontas dos dedos.
– Cala a boca. — respond rindo também.
– Eu tô com fome. — Jade disse tirando a máscara pra dormir — Será que já vão servir a comida?
– Não sei. Eu também tô. — Josh disse
– Ah, isso não é novidade. Você sempre tá. — ela comentou.
– Acho que vão servir daqui a pouco sim. Já é meio dia lá no Rio. Eles vão se basear no horário de lá. — expliquei para os dois famintos.
– Com licença, aqui está. — o comissário disse ao se aproximar, servindo as taças para mim e para Josh.
– Obrigada. O senhor sabe a que horas será servido o almoço? — perguntei tentando não parecer a esfomeada.
– Dentro de trinta minutos já estaremos dispondo o cardápio para os senhores.
– Obrigado. — Josh disse erguendo sua taça e o comissário assentiu, antes de se afastar.
– Vocês vão beber? — Jade perguntou boquiaberta — Se os nossos pais souberem que...
– É por isso que eles não vão saber. — Josh disse levantando uma sobrancelha e interrompendo a fala de Jade. Olhei para ela e concordei. Ela bufou.
– Isso tá errado. Você é menor de idade, Ana. E Josh, você deveria ficar atento a nós duas. Se ficar bêbado, não vai adiantar nada.
– Jade, relaxa... Você vai ficar velha cedo. — falei sorrindo e então brindei com Josh.
Ela revirou os olhos e colocou a máscara de novo, virando para o outro lado.
Vai ser uma longa viagem...
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