Be mine

10 Capítulo 10


Notas iniciais
Não tenho postado com frequência, sei disso. Com o psc chegando, estresse e matéria acumulados, fica difícil encontrar um tempinho pra escrever. Desculpa, gente. Obrigada pela paciência ♥

30 de Dezembro
8:00 am

(Jade's POV)

Levantei da cama com dificuldade. Odiava acordar cedo, mas adorava pegar a estrada. Tomei um banho rápido, vesti um vestido de alcinha florido, calcei meu Converse branco e saí do quarto. Eu já estava me dirigindo à cozinha, quando lembrei que tenho dois irmãos preguiçosos. Fui até a porta do quarto da Ana e bati. Ela abriu alguns segundos depois.
— Eu já estava indo tomar café. — ela disse saindo do quarto com um sorriso no rosto — Bom dia.
Eu estava animada demais. Acho que era porque essa seria a primeira vez que passaria o Réveillon entre amigos.
— Bom dia. — falei retribuindo seu sorriso e ela desceu as escadas. Fui até a porta do quarto do Josh e bati. Não obtive resposta e bati de novo, dessa vez mais forte. Ouvi um gemido sem emoção como resposta.
— Ai, Josh! Eu não acredito que você ainda tá deitado. — falei do lado de fora.
— Estou... — ele respondeu quase inaudivelmente.
— Levanta e se arruma logo! São oito e meia e o Daniel vai chegar pra buscar a gente às nove em ponto! Entendeu? — praticamente gritei.
— Entendi... — ele respondeu baixo de novo.
Desci as escadas e me juntei à minha irmã no café da manhã.
— Tudo pronto pra esses quatro dias na casa de praia? — ela perguntou sorrindo.
— Sim, sim. Ai, Ana. Eu tô tão feliz. Tá tudo dando certo! — eu respondi animada, brincando com minha xícara de café.
— Que bom. — ela disse com seu sorriso desmanchando e depois suspirando.
— O que foi, Ana? Não tá feliz? Em menos de um mês nós estaremos nos Estados Unidos! — falei empolgada apertando seu braço de leve.
— Eu estou muito feliz por isso, só que... eu não faço a menor ideia de como contar pro Daniel. — ela disse desanimada — Será que ele vai terminar comigo?
Fiquei confusa.
— Ana, quase um mês atrás, quando nós conversamos sobre isso, você disse que iria terminar com ele justamente porque o relacionamento de vocês não era dos melhores.
— Ah, Jade. Muita coisa mudou nesse quase um mês e você sabe disso. — ela disse encarando o copo de suco.
— Vocês namoram há sete meses e você resolve se apaixonar por ele em menos de um?
— Não é bem assim. — ela protestou.
— Ana, eu não te entendo. Você complica muito as coisas. Como alguém pode ter uma paixão fria e de repente ela "acende"? — perguntei fazendo aspas com as mãos.
— Não sei. O que importa é que agora eu sinto que sou muito apaixonada e o amo. — ela disse mais baixinho a cada palavra. Quase não escutei o "e o amo".
— Tem certeza que você gosta dele? — perguntei de repente e ela me olhou confusa.
— O quê? Claro que sim. — ela disse rápido — Acabei de dizer que eu o amo.
— Como é que você sabe disso? Foi só a Sara morrer que o botão de "eu te amo" foi ativado? Ana, você tem certeza que não tá compensando o vazio da Sara...?
— Hã?! O que você tá dizendo, Jade? Claro que não. — ela disse visivelmente chateada e voltou sua atenção pro café. Josh chegou e logo iniciou-se uma conversa animada sobre a casa de praia da família do Daniel, mas percebi que deixei Ana pensativa.

Uns vinte minutos depois de Josh ter descido, ouvimos uma buzina. Era Daniel. Percebi também que Ana ficou toda errada. Josh subiu as escadas para pegar a mochila dele. A da Ana já estava na sala.

— E aí? Prontos? — ele disse entrando, logo depois de Ana ter aberto a porta. Os dois deram um selinho e Daniel veio me dar um abraço.
— São quantas horas de carro até lá? — Josh perguntou descendo as escadas com sua mochila.
— Três. — Daniel respondeu pegando a mochila de Ana e saindo da casa.
Fui até o meu quarto, peguei minha mochila e desci as escadas correndo. Estava muito animada. Josh deu uma última olhada em tudo e trancou a casa. Nossos pais estão visitando um dos irmãos da mamãe, acho que eles vão passar o Réveillon com ele. Depois de embarcar as bagagens no porta-malas, entramos todos na Tucson preta do Daniel e partimos para a casa da Analu.
Depois de buscá-la, o carro cheio, fomos pegar a estrada. O caminho todo foi muito animado. Daniel dirigindo, Ana no banco do passageiro e eu entre Josh e Analu no banco de trás. Percebi que Ana estava muito quieta com seus fones de ouvido observando a estrada. Os outros três conversavam animados.

— Quero fazer Direito, igual meu pai. — Josh respondeu a pergunta de Analu — Mas eu quero ir no tribunal e falar, sabe? Defender uma ideia, argumentar. Quero ser advogado mesmo. Ter meu próprio escritório de advocacia. Não quero ser juiz. Na verdade, acho que não conseguiria chegar onde meu pai chegou. Ser juiz federal é muito difícil.
— Legal, Josh. — ela disse empolgada — E você, Jade?
— Quero fazer Medicina Veterinária.
— Sério? — Daniel me olhou através do retrovisor — Sempre achei que você quisesse distância do sofrimento dos animais.
— Não, não. Eu quero acabar com o sofrimento deles, e não fingir que não existe. — falei séria — Apesar de toda criança passar por aquela fase em que quer ser veterinária, existem poucos deles. Quero ajudar animais de rua como cachorros, gatos... Sei lá, eu quero ajudar. Ter minha própria clínica, onde uma vez por semana vai ter o dia da caridade e as pessoas com baixa renda vão poder levar seus bichinhos pra consultas de graça e tudo mais. Mas eu quero mesmo é viajar o país e passar por cidades pequenas pra cuidar dos bichos de rua.
— Uau. — Analu disse — Isso é muito bonito.
— Verdade, Jade. Você não tinha me dito isso antes. — Josh disse sério.
— Vai precisar estudar muito, Jade. — Daniel disse — É realmente um gesto muito bonito. Não desiste do teu sonho não.
— Obrigada, gente. Vou me esforçar muito. — falei satisfeita.
— E você, Ana? — Analu perguntou. Pensei que minha irmã não responderia, mas ela ouviu.
— Eu o quê?
— Quer ser o quê quando crescer? — Analu perguntou brincando.
— Quero ser psiquiatra. — ela respondeu sorrindo — Sou fascinada pela mente humana e como ela funciona. Trabalhar em um manicômio é meu sonho. Estudar a esquizofrenia, a psicopatia, sociopatia, bipolaridade, essas coisas. Quero entender como as nossas cabeças funcionam.
— Isso é bem interessante mesmo. — Analu disse.
— Isso é muito legal também. — Daniel concordou — As profissões dos três são legais, na verdade.
— Ah e você, Daniel?
— Quero ser engenheiro mecânico.
— Sei que ninguém perguntou, mas eu quero fazer Design. — Analu disse com um sorriso enorme.
Aí a conversa continuou, depois seguiu outros rumos até que cansamos. Analu dormiu, Ana voltou para sua música, Daniel e Josh trocavam algumas palavras, sobre carros principalmente, e eu fiquei viajando em minha própria mente. Não demorou muito e chegamos à casa de praia.

— Uau! — falei assim que desci do carro — Que linda!
A casa mais parecia uma mansão. Era de dois andares com janelas e portas de vidro. Tinha uma varanda enorme no andar de cima, com sofás e poltronas. No andar de baixo, na área externa, havia mesas com guarda-sol, cadeiras, espreguiçadeiras, uma churrasqueira e uma piscina enorme também. Uma piscina! A casa era muito luxuosa. A família do Daniel é muito rica.
— É mesmo. — Ana disse sorrindo pra mim — Espera só pra ver o interior dela.
— Vamos? — Daniel disse quando todos já haviam pegado seus respectivos pertences. Entramos na casa e todos pareceram não ver o que eu via. A casa era realmente grande e eu olhava tudo boquiaberta. Tinha uma escada central logo na sala de entrada. Sim, sala de entrada. Aquilo ali era grande demais pra ser só um hall! Havia entradas dos dois lados do pé da escada. O lado direito era a entrada da cozinha e o esquerdo era da sala de estar e outros cômodos. Subimos a escada e encontramos um corredor com várias portas, acho que eram umas seis.
— Bem, tem três quartos disponíveis pra vocês, que são os do lado direito. Os do lado esquerdo são o meu, o dos meus pais e o da Sara. Acho que a Ana e a Jade vão querer ficar juntas, né? Então sugiro o quarto do meio, que é maior. É isso.
— Já sabemos, meu bem. Sara nos trouxe aqui várias vezes. — Analu disse indo para a última porta do lado direito.
— Só estava recapitulando, querida. Faz mais de um ano desde a última vez que vocês vieram e a Jade nunca veio. — ele disse afetando a voz e Analu entrou no quarto forçando uma risada.
— Não sei vocês, mas eu vou dormir. Tô morrendo de sono. — Josh disse abrindo a primeira porta — Boa noite.
— Jade, pode ir lá pro nosso quarto. Preciso falar com o Daniel. — ela disse me entregando a mochila dela.
— Ok. — respondi rápido demais e já fui entrando no quarto do meio. Não sei quando vou parar de me impressionar com as coisas daquela casa. O quarto era enorme, com uma cama de casal, um SOFÁ e um guarda-roupa de tamanho médio. Reparei também que havia duas portas. Abri a primeira e se tratava de um armário pequeno. A segunda era um banheiro razoavelmente grande. Tinha banheira, chuveiro com box de vidro, uma pia espaçosa e um espelho grande o suficiente para todos nós nos olhar nele ao mesmo tempo.
Fui para a janela grande e vi que ela dava pra praia. Que vista linda. Com certeza a mesma dos outros quartos do lado direito. Por que será que a família do Daniel escolheu o lado esquerdo? Saí correndo e me joguei na cama rindo feito uma louca. A vida tava boa demais.

(Ana's POV)

— O que você queria conversar? — Daniel perguntou assim que entramos no quarto dele e eu saí correndo para olhar a vista na janela. Incrível. Nunca me cansaria dali. Aquela janela dava para a área externa da casa, onde dava pra ver a água cristalina da piscina brilhar convidativa. Dava vontade de se jogar dali mesmo. Além disso, dava para ver a pequena floresta que tinha ali perto. Várias árvores grandes e verdes. Parecia o paraíso.
— Ah, nada. — falei me virando para olhá-lo — Só queria ficar aqui com você.
Ele sorriu e se aproximou. Segurou minha cintura e me puxou pra perto, me impressando entre ele e o batente da janela. Então me beijou. Coloquei meus braços em volta de seu pescoço e fiquei mexendo em seu cabelo. Tava tão bom ali. Ouvimos um assobio vindo lá da área da piscina.
— Opa, patrãozinho! — partimos o beijo e olhamos pra baixo. Era o seu Joca, o caseiro.
— Oi, Joca! — Daniel respondeu divertido acenando.
— O churrasco tá quase pronto, patrãozinho! — ele respondeu acenando de volta — Tarde, senhorita!
— Boa tarde, seu Joca. — respondi acenando divertida também. Seu Joca era um amor de pessoa. Um senhor de seus quase sessenta anos. Ele cuida da casa de praia dos Pascarelli desde que Daniel tinha seis anos. Visitei muito aquela casa. Muito mais que Analu, claro. Afinal, cresci com os Pascarelli.
Não importa o quanto insistimos para seu Joca nos chamar pelo nome, ele diz que deve mostrar respeito.
— Você avisou que estávamos vindo? — perguntei depois de ter sentado na cama e Daniel ter fechado a cortina da janela.
— Avisei. Falei pra ele que chegaríamos na hora do almoço, então ele se ofereceu pra fazer um churrasco. Sabe como é o Joca, não aceita um não como resposta. — ele disse enquanto procurava algo em sua mochila.
— É, eu sei. Seu Joca é muito legal. — concordei e peguei meu celular para mandar uma mensagem avisando meu pai que havíamos chegado bem, então ouvi Daniel soltar um "droga" — Deixa eu adivinhar: esqueceu o carregador no Rio?
Daniel parou de vasculhar a mochila, olhou pra mim e suspirou.
— Sim.

Com um pouco mais de meia hora, o churrasco ficou pronto e nós fomos almoçar.
— Como vai o seu pai, senhorita? — Seu Joca perguntou enquanto colocava um pedaço de picanha da churrasqueira no meu prato.
— Vai muito bem. — respondi sorridente — E a sua filha, a Maria?
— Está bem! Ela se formou mês passado! — ele disse todo orgulhoso.
— Que ótimo! Parabéns!
— Obrigado. Josh! Quanto tempo não vejo você! — Seu Joca disse assim que Josh chegou para almoçar.
— Oi, seu Joca. — Josh disse ainda sonolento. Sentei entre Analu e Daniel na mesa redonda ao lado da piscina.
— Eu tô muito ansioso com o resultado do Enem. — Daniel disse entre garfadas — Sabe como é difícil passar em engenharia?
— Sei... mas tenho certeza que você consegue. — falei animando-o, embora não tivesse tanta certeza assim. Daniel não era tão estudioso quanto Josh, mas era inteligente sim.
— E você, gringo? — Daniel perguntou olhando para Josh.
Josh se engasgou com o churrasco e começou a tossir.
— Gringo? — perguntou ao se recuperar
— É, ué. Tem nome de gringo... — Daniel disse de boca cheia e indiferente — Você fez o Enem?
— Ah... — Josh olhou para mim e eu desviei o olhar. Não queria encorajá-lo a mentir para o meu namorado e também não queria forçá-lo a falar alguma coisa que não quisesse — Não. Não fiz.
Daniel o olhou confuso.
— Não fez? Como você pretende entrar na faculdade?
Fiquei nervosa com o rumo que aquela conversa estava tomando...
— Er... particular. — ele disse voltando sua atenção para o prato à sua frente. Daniel pareceu não dar muita bola — Boa sorte com o Enem.
— Valeu.

E assim continuamos o almoço com uma nuvem de climão pairando sobre nós. Quer dizer, sobre os Santini, porque Daniel e Analu estavam tranquilos.
Eu não sabia quando e nem como contaria para Daniel que eu iria me mudar para os Estados Unidos com os meus irmãos. Eu estava empurrando essa conversa com a barriga, pelo menos até voltarmos pro Rio.

À tarde, tomamos banho de piscina e colocamos o papo em dia. Pedi para seu Joca chamar Maria para passar o ano novo conosco e, para nossa satisfação, ela aceitou. Seria uma festa bem animada.

31 de Dezembro
06:00 pm

(Still Ana's POV)

— Gente, como vai ser? Ficaremos aqui? — Jade perguntou ao chegar à sala de jogos, onde eu, Josh, Daniel e Analu jogávamos Just Dance.
— Não, não. — respondi sem parar de dançar — Nós vamos pra praia lá de baixo. O pessoal das outras casas aqui perto sempre vai pra lá. É bem movimentado, na verdade.

Assim que terminamos a música, vitória de Analu, ouvimos a campainha tocar. Prontifiquei-me a ir abrir a porta.

— Maria! — falei assim que abri a porta e dei de cara com a filha de seu Joca, que não estava só.
— Ana! Tudo bem? — ela disse me abraçando. Retribuí o abraço e logo olhei para a outra moça ao lado dela — Essa é a Heloísa, minha namorada.
— Prazer. — a linda moça disse — Pode me chamar de Helô.
— É um prazer, Helô. — falei sorrindo e apertando a mão que ela havia estendido — Sou Ana, embora Maria já tenha dito.

As meninas entraram e eu chamei os outros para que cumprimentassem as convidadas da noite. Todos ficaram contentes em conhecer a famosa Heloísa. Maria já havia falado bastante dela da última vez que a encontramos. Confesso que estava ansiosa para conhecê-la, mas não sabia que seria tão cedo.

— Então, prontos? — Daniel perguntou assim que nos encontrou conversando na sala de estar, cerca de duas horas depois das meninas já terem chegado.
— Estamos todos prontos. — Jade disse se levantando — Já vamos para a praia?
Daniel assentiu e se dirigiu para a porta de entrada. Fez um sinal para que nós o seguíssemos e assim o fizemos.
Chegando na praia, vimos que havia um grupo com uma quantidade considerável de pessoas ao redor de uma fogueira, que iluminava a escuridão da noite. Nos aproximamos de lá e logo nos misturamos com os donos das casas perto dos Pascarelli. Ficamos ali conversando, cantando, admirando o luar, casais namoravam, amigos riam de suas piadas internas... tudo estava em harmonia.
Quando deu onze e meia da noite, Isabela, uma das anfitriãs daquele "luau", anunciou que iriam começar a preparar os fogos e que nós devíamos ficar atentos ao relógio.

Os últimos trinta minutos do ano passaram rápido demais. Isabela nos chamou para mais perto do mar e disse que assim que fizessem a contagem regressiva, poderíamos todos entrar na água para dar boa sorte no ano que se inicia.
Faltando dois minutos para meia-noite, fomos todos para bem perto do mar e ficamos ali olhando o horizonte, a maioria conversava. Senti o vento que vinha daquela imensidão azul e suspirei. Sara adorava o mar.

— Gente! Preparados? — Isabela gritou da praia.

10...
9...
8...

— Ana? — Jade disse ao meu lado. Olhei para ela, que sorria com os olhos brilhando.

6...
5...

— Sim? — perguntei e ela me abraçou de lado olhando o horizonte comigo.

3...
2...

— Aqui vamos nós. — ela disse me fazendo sorrir, também olhando para o horizonte.

1...

— FELIZ ANO NOVO! — todos gritaram praticamente em uníssono. Logo os fogos começaram a explodir lá no alto, iluminando a praia. Corremos para a água, pulamos ondas, jogamos água e areia uns nos outros e os casais logo se beijaram.

— Com licença, senhorita. — Daniel disse se aproximando de Jade todo molhado — Gostaria da sua permissão para roubar sua irmã por um instante.
— Toda sua. — Jade disse rindo e saiu correndo para empurrar Josh na água. Helô e Maria colocavam uma oferenda para Iemanjá no mar.
— Não queremos ser o casal diferentão, não é? — ele disse me puxando para perto e então nos beijamos. Foi calmo e apaixonante. Não queria sair dali tão cedo.
— Feliz ano novo, princesa. — ele disse ao partirmos o beijo depois de um tempinho.
— Feliz ano novo. — sorri realmente feliz e o beijei novamente.

O ano havia começado com o pé direito.