Be The Good Girl You Always Have To Be
1 Don't let them know... Well now they know
Notas iniciais
Elsa
"Não podem vir, não podem ver. Sempre a boa menina deve ser."
Nós éramos tão jovens quando ouvimos isso, uma voz dentro de mim falou, Nós éramos tão inocentes. Acreditávamos mesmo que isso seria para o bem da Anna. Para o nosso bem. Para o bem de todos. Ficamos isoladas do mundo, acreditando que éramos uma aberração! Um monstro! Mas não somos. Nós temos um poder maravilhoso. Somos extraordinários. Esse poder. Temos que usa-lo a nosso favor.
Olhei envolta. O magnífico castelo que eu criei. Cada pequeno detalhe perfeito gelo.Segurei minhas mãos perto da boca, como se eu fosse guardar o que eu sussurrei:
-Se não machucar Anna, tudo bem. Enquanto ela estiver a salvo...
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-Não seja o monstro que eles temem! -Hans disse.
Eles estão aqui para te matar, a voz falou, confie em mim. Tudo que eles querem é ver o que acham que é o monstro de Arendelle morto. Você sabe o que eles acham de você! Use o gelo a seu favor! Livre-se de todos que a fizeram sofre! Que acreditam que o gelo é uma coisa abominável, como você!
Um movimento rápido com a minha mão e várias lanças afiadas de gelo saíram do chão em direção aos homens.
Os dois guardas que chegaram ali primeiro já estavam mortos. Um deles foi jogado para fora do castelo pela parede de gelo que eu criei. O outro tinha três lanças de gelo atravessadas pelo corpo.
Um dos soldados atirou uma flecha no lustre que pendia em cima de mim. Corri em direção a varanda ao ver o lustre desabar ao chão. Tropecei na saia do vestido, e acabei batendo fortemente a cabeça no chão de gelo. Ouvi o barulho de gelo se quebrando, antes de apagar e me perder na escuridão.
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A sala em que me prenderam congelava ao poucos. Duas correntes me prendiam. Pela pequena janela da sala, eu vi. Arendelle inteiramente congelada. A tempestade de neve cobria grande parte de minha visão, mas dava para ver o estado em que Arendelle se encontrava.
Eles nos prenderam, ouvi a voz sussurrar, Estão com medo do que somos capaz de fazer. Eles nos querem mortas. E vão matar. Mas nós podemos mudar o jogo.
Olhei para as correntes, e o gelo as cobriam por completo. Puxei-as com força com a intenção de me livrar delas, e não demorou muito para elas quebrarem. Suspirei de alívio ao ver minhas mãos. Olhei para a parede que tinha a janela, e com um movimento com a mão, a parede congelada se quebrou.
Três guardas abriram a porta e adentraram a sala destruída, com espadas nas mãos, prontos para atacar. Lancei gelo em cada um deles, congelando-os por completo.
Desci o degrau que me separava do mar congelado. Olhei para as, agora, estátuas de gelo e vi vultos surgirem atrás delas, Hans e dois guardas armados. O guarda da esquerda mirou sua besta em mim, pronto para atirar.
-Atire –Hans ordenou baixo, para eu não ouvir. Seu rosto levemente empinado para cima, e seus olhos passavam o ódio que devia estar sentindo no momento.
Levantei a mão. A flecha que se lançava em minha direção parou no ar e congelou, caindo no chão.
Eles querem tanto um mostro, a voz riu, É o que eles vão ter.
Lancei raios de gelo na direção deles, com a intenção de congela-los também, mas eles se jogaram no chão, desviando do meu gelo.
Sai dali o mais rápido possível. Segurei a saia do meu vestido para não tropeçar. A tempestade de neve estava cada vez mais forte. Olhei em volta, e tentei fazer com que a tempestade parasse, mas a neve continuava descontrolada.
-Rainha Elsa! –ouvi a voz de Hans.
Olhei para os lados, ao me virar, vi o vulto de Hans se formando na neve.
-Onde está Anna? –perguntei. Minha irmã era única coisa que me importava.
-Sua irmã? Fria, congelada. Foi assim que ela voltou. Seu cabelo estava branco como neve. Disse que você congelou o coração dela.
O desespero começou a me invadir. Eu a machuquei. O que eu tanto temi, o que eu tanto tentei evitar...aconteceu novamente, aconteceu. E foi ainda pior. Senti as lágrimas escorrerem pela minha bochecha.
-Sua irmã está morta! Por sua causa! –Hans gritou.
Não. Não. NÃO!
Anna. As lagrimas me tomavam por completo. Meu mundo estava caindo. Parei de sentir minhas per nas e estava quase caindo.
Hans começou a se aproximar, com uma espada em mãos. Dei um passo pra trás, com as mãos na apontadas pra ele.
-Abaixe as mãos. Volte para o castelo comigo. Podemos resolver tudo isso! –ele falou.
-RESOLVER O QUE? –gritei.–MINHA IRMÃ ESTÁ MORTA! E A ÚNICA COISA QUE VOCÊS QUEREM, É ME VER MORTA TAMBÉM!
-Elsa, acalme-se! –Hans levantou a espada.
-Não –sussurrei. Levantei as duas mãos. A tempestade de neve se concentrou em cima de mim. Com um movimento rápido com as mãos, a tempestade sumiu. Mas com outro movimento, atirei toda a tempestade em Hans. O mesmo caiu no chão, com gelo no cabelo e nas roupas. Tirei a espada de sua mão. Olhei para seus olhos, que demonstravam medo agora. Um sorriso psicótico se formou em meus lábios. Levantei a espada e cravei-a em seu coração. Seu rosto empalideceu, e seus olhos perderam a cor.
-Kristoff! –ouvi a voz de Anna. Olhei para o lado. E a vi. A garota que parecia comigo, de aparência. Suas duas trancinhas prendiam seus cabelos...brancos.
-Anna! –agora era a voz de um homem, mas a voz vinha da direção oposta de Anna e parecia estar muito distante.
-Anna...-sussurrei e corri em sua direção.
-Elsa –ouvi sua voz fraca dizer. A abracei com força. Ela estava gelada. Segurei suas bochechas.
-Anna...fique aqui. Não me deixe –uma lágrima desceu pela minha bochecha.
-Eu te amo, Elsa –ela sussurrou. Dei um beijo em sua testa. Segurei suas mãos e a puxei em direção ao castelo.
-Não. Pra cá. –ela tentou me puxar para a outra direção.
-Anna! –a voz do homem gritou novamente.
-Me leve até o Kristoff –pediu. Eu balancei a cabeça, desacreditada. Kristoff? Era o garoto que acompanhou ela até o meu castelo. –Por favor. –seus passos eram devagar. Ela estava perdendo as forças. –Kristoff –ela sussurrou. Olhei para onde ela queria ir, e um vulto loiro apareceu. Estava distante ainda. Anna deu um passo para frente, e desabou no chão.
Não!
-Anna! Levante-se. O que foi que eu fiz com você? –lamentei, com as lágrimas caindo.
-Meu coração está congelado –sua voz fraca disse. – E só um ato de amor verdadeiro pode descongela-lo.
A abracei de novo. Não sabia o que fazer. Eu estava começando a ficar desesperada. As lágrimas caiam descontroladamente e eu não ia conte-las.
O loiro estava quase chegando.
-Kristoff precisa me beijar –ela contou e eu segurei suas bochechas. Olhei para o loiro, esperando que ele corresse mais rápido. Mas acho que era tarde demais. As mãos de Anna começaram a congelar, e rapidamente seu corpo todo.
-NÃO! –gritei. –ANNA!! Anna! -Segurei suas bochechas congeladas. Anna. –Volta. Por favor. Volta. Anna.
Olhei para o loiro, que tinha parado de correr e agora olhava tristemente para a Anna congelada. Se ele tivesse corrido mais rápido, se eu não tivesse a congelado, se ela não tivesse me provocado na festa. Levantei a mão discretamente em sua direção, e lancei gelo nele. Outra estátua de gelo para a coleção. Dei um beijo na testa congelada de Anna, e me levantei.
Andei até o centro de Arendelle. Poucas pessoas nas ruas, e essas poucas pessoas começaram a se afastar assim que eu me aproximei. Elas tinham medo de mim.
Elas não precisam nos temer mais, ouvi a voz dizer, Acabe com o medo delas.
Segurei a saia do vestido e pisei fortemente no chão. O gelo se espalhou pelo chão, pelas casas, e pelas pessoas. As pessoas que começaram a correr, congelaram no meio do caminho. O gelo tomou conta de tudo. Todos estavam congelados. Eu estava sozinha.
Está tudo bem agora, Elsa, a voz falou, Eles tiveram o que mereciam.
-Quem é você? –sussurrei.
Eu? , a voz soltou um risinho, Não sabe? Eu sou o seu lado que não queria ficar isolada. O lado que não se via como uma aberração. O lado que sabe que todos os que queriam nos matar, sofreram o que mereciam. Eu sou seu lado cruel. Eu... sou você, Elsa.
Olaf apareceu do meu lado.
-O que está acontecendo, Elsa? –o boneco de neve perguntou.
-Vingança, pelo menos para uma parte minha. Uma parte que esta me tomando por completo. –respondi. Olaf segurou minha mão. –Vamos embora, Olaf.
-Para onde?
-Onde somos nós mesmos. Onde ninguém irá nos perturbar outra vez. Nosso castelo de gelo. Nossa casa.
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