Be My Light
4 Capítulo IV: Crush
Notas iniciais
“and now that i finally found ya. i just can't live without ya. you're making me so all about ya. i just can't live without ya. i don't know what i gotta do if i ain't got you. because it's just the way you are. the way that you walk, the way that you talk, the way that you read me, baby. honey don't hide, that look in your eyes. darlin', it drives me crazy. say you'll remain my love, don't let my heart break.” .1
Seul, Coreia do Sul
“Appa! Você precisa aprender a fazer uma boa chamada de vídeo, não consigo ouvi-lo direito.”
Dong Hoon imediatamente mudou a posição do celular e percebeu que estava bloqueando o som com a mão. Seu filho só confirmou o quanto ele era terrível nisso.
“Assim está melhor?”
“Sim, melhor.”
Ji Seok estava fazendo um breve tour pelo seu colégio, ele sempre gostava de falar com o seu pai nos intervalos das aulas, mesmo que fosse por pouco tempo. Nesse momento, começou a mostrar um belo jardim que havia sido construído no pátio do colégio e depois de um tempo, colocou novamente na câmera frontal.
“Appa! A encomenda que enviei já chegou?”
“Encomenda? Que encomenda?”
“Faz duas semanas que enviei uma encomenda para você.”
“Oh... Sério? Não fiquei sabendo disso.”
“Eu e a Omma fomos viajar neste outono para o Japão e comprei algo para você experimentar de cada lugar que passamos.”
“Então é comida?” perguntou para o filho, curioso.
“É uma surpresa.”
“Estou curioso em saber como conseguiu meu novo endereço.”
“Liguei para o samchon e ele me deu seu novo endereço. Você não estava atendendo o celular, como sempre continua deixando-o no silencioso, mas samchon disse que provavelmente você estava ocupado com o trabalho.”
“Entendo.” concordou Dong Hoon. Não conseguiu dizer nada além de remoer seus pensamentos até ouvir o ruído da chaleira. Colocou água quente no copo do macarrão instantâneo, deixou passar três minutos e começou a comê-lo.
“Appa! Está se alimentando bem?”
“Claro!”
Ji Seok olhou mais uma vez para a embalagem do macarrão instantâneo e repreendeu o pai. “É manhã na coréia e você está comendo lamen? Isso não está certo, Appa! Precisa comer algo que contenha nutrientes.”
“É horário do almoço por aqui e eu sei, porém não são todos os dias que como lamen, então não precisa se preocupar.” explicou, ignorando os resmungos do filho, pegou uma porção do macarrão com o hashi e levou a boca.
“Próximo mês serão as minhas férias e já falei para a Omma que quero visitá-los. Irei preparar todos os dias algo saudável para você comer.”
“Sério?” Dong Hoon parou de comer por um momento e começou a pensar na última vez em que abraçou o seu filho. Ele se recompôs. “Então irei esperar por isso.”
“Vou ter que desligar, Appa. Terá uma palestra agora no auditório e preciso acompanhar a minha turma.”
“Tudo bem! Mantenha-se saudável e não pule as refeições.”
“Você também, Appa!”
Dong Hoon terminou a sua refeição e certificou-se de deixar tudo em seu devido lugar para assim começar seus trabalhos. Ele preparou um chá e foi até o seu escritório, abriu a caixa de entrada e percebeu que Chefe Song tinha enviado uma sequência de quatro emails de projetos para ele analisar. Depois de 30 minutos, já estava analisando o quarto projeto quando seu celular começou a tocar.
“Ceo Park.” Dong Hoon ouviu a voz abafada de Chefe Song. “Amanhã teremos uma comemoração do aniversário de Hyung Gyu.”
“Aniversário?” perguntou sacudindo a cabeça. Ele abriu sua agenda e viu que o aniversário de Hyung Gyu realmente era amanhã. “Será no mesmo lugar?”
“Sim, achamos melhor.”
“Tudo bem.” concordou, fazendo uma breve leitura pela caixa de entrada. “Recebi os seus projetos, todos estavam bons, porém faria alguma alteração no quarto projeto. Você colocou que o lugar seria apropriado, mas acho que um espaço maior seria o ideal, já que a própria empresa sugeriu isso.”
“Claro, estava em dúvida nessa parte, obrigado por analisar isso, Ceo. Park. Poderia enviar um relatório sobre a sua sugestão?”
“Claro! Já fiz o relatório e estou enviando neste exato momento.”
“Obrigado novamente, Ceo Park!”
Minutos depois de enviar o relatório ouviu a campainha tocar, fazendo-o ficar confuso. Dong Hoon estava se perguntando de quem poderia atrapalhá-lo em pleno sábado de descanso e a imagem dos seus irmãos passou por sua mente. Ele vestiu imediatamente um motelom que tinha por perto e abriu a porta.
“Ahjusshi?”
Dong Hoon ficou paralisado e só depois de alguns segundos conseguiu recuperar a sua consciência. Finalmente ela apareceu. Em suas contas fazia quatro semanas que eles haviam tido a noite mais incrível e desde então, não se viram mais. Não conseguia esquecer nenhum detalhe daquele dia e sempre se perguntava o porquê de Ji An ter se afastado dele. “Ji An-ssi, precisa de algo?”
“Essa...” Ji An brevemente olhou a caixa em suas mãos e voltou seus olhares para Dong Hoon. “Essa encomenda com o seu nome chegou para o meu apartamento.” explicou-se entregando a caixa. “Acho que confundiram os nossos endereços, a sua rua é 5855 e a minha é 5655”
“Não me diga que os nossos números de apartamentos são iguais?”
“Sim, eles são. Também moro no quarto andar e no apartamento 410.”
Ele a olhou desacreditado e conferiu o endereço novamente. “Não sei o que dizer, estou surpreso com essa coincidência!”
Park Dong Hoon ainda olhava incrédulo para caixa, o que fez Ji An sorrir discretamente. Não demorou muito para sentir o clima ficar desconfortante e percebeu que a sua missão de entregar a caixa ao destinatário correto já tinha sido cumprida.
“Só vim entregá-lo a encomenda. Até mais, Ahjusshi.” Ji An despediu-se corretamente, deu meia volta e começou a caminhar em direção ao elevador. Ela chegou a acionar o botão para o térreo, mas percebeu uma movimentação atrás e assustou-se ao virar e se deparar com Dong Hoon.
“Você já almoçou?”
Os ombros de Ji An estremeceram e ela forçou um sorriso. “Bom, estou indo fazer isso agora. Fiquei até tarde trabalhando em um projeto da faculdade e acordei quase agora.”
“Estava pensando em preparar algo para você.”
“Não!” disse de imediato. “Quer dizer, não quero dar trabalho.”
“Na verdade, Omma trouxe uma grande quantidade de acompanhamentos ontem à noite e ainda não toquei neles.” Dong Hoon descartou a cena em que acabara de comer um macarrão instantâneo de sua mente e continuou. “Omma sempre fala que não estou me alimentando bem, mas isso é uma grande mentira.”
“Isso realmente é uma grande mentira?” Ela cruzou os braços, erguendo uma sobrancelha para mostrar que esperava que ele continuasse. Ji An se lembrou de uma das suas conversas com Jung Hee, dizendo que Dong Hoon muitas vezes aparecia em seu bar sem ter feito uma refeição no dia. “Ahjusshi?”
“O que foi? Está me deixando assustado. Por que você está me olhando desse jeito?” perguntou e depois riu de si mesmo. “Sabe... Também sou conhecido por ser um homem de palavras.”
Ela sorriu ligeiramente.
“E... Lembro de alguém está me devendo uma refeição.”
Ji An arregalou os olhos e pigarreou segurando o nervosismo. Estava surpresa com a insistência de Dong Hoon e perguntava se algo tinha acontecido para ele tratá-la assim. Os olhos dele esperavam apenas por uma resposta.
“Então... O que me diz?”
Assentiu, esboçando um leve sorriso e o acompanhou em silêncio até o apartamento. Seria apenas uma refeição, assim como todas as outras, não seria nada demorado e embaraçoso, pensou consigo mesma. A verdade é que Ji An já tinha aceitado o fato de que, mesmo se tentasse, não conseguiria recusar algum pedido dele. Ela o devia tanto e não tinha o direito de deixá-lo para trás e recusar uma simples refeição.
Logo na entrada, se deparou com uma enorme estante de livros na sala, o que fez seus olhos brilharem por um momento. Ela continuou com seus olhares e de forma cautelosa espiou o lugar, era bem pequeno, organizado e limpo, as cores retrô destacavam o ambiente fazendo-o ficar discreto, bonito e aconchegante. Ji An sentou no sofá e ao seu lado, em cima de uma pequena estante de madeira, encontrou um porta-retrato da Mrs. Yoon Hee abraçando o seu filho.
Ji An chacoalhou a cabeça.
Jung Hee deixou escapar em uma das noites que Dong Hoon estava em processo de divórcio com a Mrs. Yoon Hee, disse que eles não estavam dando certo e que ela havia se mudado para ficar com o filho deles, em Michigan. Contou também que a relação deles poderia continuar da mesma forma, se dependesse de Park Dong Hoon, porém a Mrs. Yoon Hee mostrava a sua insatisfação e sugeriu o divórcio para ele. Depois disso, os dias dele não foram os mesmos e todas as noites Dong Hoon chegava até Jung Hee e se lamentava sobre o rumo que a sua vida estava levando.
Ji An foi puxada de seus profundos pensamentos quando viu que recebeu uma nova mensagem.
1:12pm; Mr. Han Tae
Ji An?
O que acha de jantarmos juntos amanhã?
Aish! O que vou fazer? Sussurrou baixinho para si mesma e ignorou a mensagem por um momento. Bo Ah realmente não estava brincando quando a disse da sua suspeita de Han Tae está interessado nela. Ji An guardou seu celular na bolsa e olhou ao seu redor, até que seus olhos pararam em Dong Hoon na cozinha. Ele parecia distraído, procurando algo no freezer, ela observava atentamente seus movimentos e quando percebeu que ele a olhou, desviou o olhar mais rápido possível.
Dong Hoon riu mentalmente da cena, abandonou o que estava fazendo e ficou a acompanhá-la com os olhos. Viu quando ela levantou do sofá, com um leve e momentâneo olhar, escolheu a estante de livros e caminhou até lá. Viu quando, ao chegar em seu destino, começou a caminhar distraidamente passando os dedos pelos livros e tomou uma decisão pegando alguns e voltando para o lugar que estava.
“Não sabia que gostava de ler livros.”
Ji An fatiou um pedaço de carne e o levou a boca. “Também não sabia que gostava, até me deparar com os estudos e a faculdade.”
“Falando nisso, como está a faculdade?”
“Está bem.” disse saboreando a comida e continuou. “O método daqui é um pouco diferente do de Busan, então foi um começo difícil, mas agora está tudo bem.”
“Falava sério quando disse que a ajudaria no que precisasse.”
“Sério mesmo?”
Dong Hoon assentiu.
Ji An parou de comer e ficou alguns segundos olhando fixamente para o seu prato, depois abriu a sua bolsa, pegou uma pasta e tirou um conjunto de papéis. Ela não poderia se dar ao luxo de perder esse oportunidade. “Fiz um trabalho importante para essa semana e gostaria muito que o analisasse para mim.”
Ele sorriu e estendeu sua mão. “Claro!”
“Realmente?”
“O que está querendo? Já disse que sim!”
Ji An olhou para os lados e com cuidado entregou o seu trabalho. Desconfiada, voltou a comer, mas observava todas as expressões dele em silêncio. Seu coração batia descontroladamente a cada página que Dong Hoon virava, ele sempre foi uma ótima referência para ela como profissional e logo pensou em alguns parágrafos que poderia ter evitado, em alguns termos que poderia ter colocado e quando menos imaginou, percebeu que ele estava a encarando.
“Algo errado?”
“Por favor, me diga que aceitará a minha proposta de trabalhar na minha empresa.”
Ji An não falou nada, apenas o olhou desconfiada.
“O que? Por que está me olhando assim?” Deu uma pequena gargalhada. “Esse projeto está realmente bom, você utilizou ótimas referências. Teve algum apoio?”
“Na verdade, não.”
Dong Hoon balançou a cabeça e a entregou os papéis. Não pôde deixar de notar o quanto Ji An estava envergonhada e totalmente desconfortável com os seus elogios. Ele riu mais um pouco e se controlou quando ela retornou a sua posição.
“Seus professores são bons?”
“Sim, eles são.” respondeu e tomou um gole de água. “Há um professor, o de perícia na construção civil, que ainda estou tentando me adaptar a sua didática.”
“Por acaso, ele é o culpado de deixá-la em claro essa madrugada?”
Ji An assentiu com um sorriso, o que confirmava tudo.
“Sempre há um professor desses, você não é a única que está passando por isso.” disse com um tom de segurança. “Na época que estudava, tinha um professor que não ia muito com a cara e acredito que ele também não ia muito com a minha.”
“Realmente?” perguntou Ji An, tentando não rir com o seu comentário. “Pensei que era daqueles alunos amados pelos professores.”
“Aigoo!” Dong Hoon deu uma grande gargalhada. “De onde veio isso? Não foi bem assim que aconteceu comigo.”
Os dois riram por um longo momento de toda a situação e quando finalmente controlaram-se, Dong Hoon a encarou. “E os seus dois trabalhos, está tudo bem?”
Ji An concordou balançando a cabeça levemente e Dong Hoon assentiu. “Não se esforce tanto.”
As palavras dele saíram em um tom cansado e preocupado, o que chamou a sua atenção. “Não se preocupe comigo, Ahjusshi.”
Ji An pegou uma porção de kimchi, levando-o a boca. Lembrou da mensagem de Han Tae e ela foi o suficiente para deixá-la desajustada. Por agora, desejaria não falar dos seus dois trabalhos. “Hum! Esse é o melhor kimchi que já comi em toda minha vida.”
Dong Hoon sorriu quando a viu fechar os olhos, saboreando a comida. “Omma realmente é ótima em comidas caseiras.” Ele pegou mais uma porção de kimchi e colocou na tigela de Ji An, em seguida, apoiou os cotovelos na mesa e cruzou os dedos, levando as mãos unidas para o queixo. Ele dirigiu-lhe um olhar penetrante que a fez corar.
“Vamos, por favor, coma mais!”
“Obrigada.” agradeceu sem jeito e levou a boca.
“Está tudo bem? Suas bochechas estão... Um pouco... Vermelhas.”
“Sim! Só...” gaguejou escondendo suas bochechas rosadas com as mãos. “Só estou com um pouco de calor.”
“Está com calor?”
“Quer dizer,” começou a abanar seu rosto com a mão. Ele realmente parecia não ter nenhuma consciência do quanto a matava por dentro. Alguém deveria proibi-lo de fazer isso, alguém deveria proibi-lo de olhá-la dessa maneira. “Está um pouco quente hoje.”
“Quente?”
Ambos assustaram-se quando viram o celular de Dong Hoon tocar. Era o Ji Seok, o seu filho, novamente. Ele atendeu e Ji An finalmente conseguiu respirar.
“Appa!” falou eufórico. “Aqui está constando que a encomenda já foi entregue.”
“Oh... Sim, esqueci de avisá-lo.” Dong Hoon analisou Ji An e viu que suas bochechas ainda continuavam rosadas. “Faz um tempo que a encomenda chegou por aqui.”
“Já viu o que era?”
“Não ainda.”
“Appa!” chamou choramingando e Dong Hoon riu bobamente do seu filho. “Preciso saber o que achou.”
“Um momento.”
Dong Hoon levantou da cadeira e foi até a caixa, trazendo-a consigo e colocando-a sobre a mesa. Ele começou a abrir e percebeu que havia outra caixa, abriu-a novamente e foi bombardeado por uma infinidade de sabores de kitkat.
“Chocolates? Acabei de receber uma bronca do meu filho por está me alimentando mal?”
“Appa, vai com calma, claro que não é para comer tudo em um dia. Foi uma dica do amigo da Omma, comprar algo de cada lugar que visitamos.”
“Um amigo? Oh... Sério?”
“Sim, um amigo do trabalho da Omma, ele viajou com a gente.”
“Entendo.”
“Appa, você está chateado com isso?”
“Não. Que isso! Claro que não estou. Você sabe que já resolvemos as nossas vidas, então não precisa se preocupar e me contar essas coisas.” Dong Hoon olhou Ji An e percebeu que por um momento esqueceu-se da sua presença naquele lugar. “Vou fazer um bom proveito dos chocolates.”
“Tudo bem, Appa.”
Dong Hoon encerou a ligação, deu um leve sorriso e não falou nada, recolheu as tigelas junto com os copos vazios e os levou até a pia da cozinha. Ji An notou uma sutil mudança no seu humor, seus olhos haviam mudado e ela não conseguia esconder a sua curiosidade e, também, a sua preocupação, queria saber o que ele ouviu do seu filho para deixá-lo nesse estado. Ela imediatamente o ajudou e chegando lá, colocou as luvas e o fez afastar um pouco, começando a lavar a louça.
“Ahjusshi, está tudo bem?”
“Claro!” assim que respondeu, percebeu que Ji An virou as costas e continuou a lavar a louça. “Estou ótimo!”
Ji An assentiu com descrença.
“É verdade, não precisa se preocupar.”
Um grande silêncio foi construído naquele lugar e Ji An decidiu que não era certo tocar mais no assunto. Ela terminou com a louça e seus olhares procuraram por Dong Hoon o qual estava sentado no sofá, concentrado com a caixa de chocolates. Ela se aproximou um pouco.
“Obrigada pela refeição, Ahjusshi.”
“O que acha de irmos para as sobremesas?”
“O quê?” Ji An surpreendeu-se com o seu convite repentino e, imediatamente, olhou para o relógio em seu pulso. Seus olhos arregalaram-se, quatro horas haviam se passado, e o que era para ser rápido estava se tornando cada vez mais longo. Ela o encarou.
“Não vai me deixar provar isso tudo sozinho, vai?”
Ela caminhou até Dong Hoon e sentou ao seu lado no sofá. “Omo! São japoneses?”
“Sim, o Ji Seok viajou recentemente e enviou esses chocolates.”
“Ahjusshi, você sabe japonês?”
“Não muito.” a olhou, curioso. “Você sabe?”
Ela assentiu. “Irei traduzi-los para você.”
Ji An pegou a caixa de chocolates e começou a separá-los, havia uma infinidade de sabores e ficou contente com a ideia de que poderia provar todos.
“Soja verde, melão, shoyu, vinho, pudim de caramelo, chá verde, vinagre de maça, milho grelhado, wasabi, flor de cerejeira, cappuccino, blueberry cheesecake, batata-doce e chá hojicha assado, qual desses vamos provar primeiro?”
Dong Hoon apenas apontou.
“Hojicha?” Ela olhou para ele desapontada. Esperava que ele tivesse escolhido um sabor não tanto suspeito para entrada. Ji An abriu a embalagem, partiu o chocolate ao meio e enfiou na boca, fazendo depois de alguns segundos uma careta. “Ai... Ai... Aigoo! Este é o pior kit kat que já comi na vida. Tem um gosto de fumaça.”
Dong Hoon gargalhou, pegando o outro pedaço e colocando na boca. Ele mastigou com cuidado. “Não é tão ruim, mas esse sabor realmente não agradaria muitos paladares.”
Sua vez de escolher o sabor chegou e sem muitas delongas, pegou o de milho grelhado. Dong Hoon partiu ao meio e deu um pedaço para Ji An.
“Esse é muito bom!” disse colocando o outro pedaço na boca.
“Essa mistura de doce com salgado é excelente.”
Ele percebeu que Ji An já estava provando outro chocolate e tirou novamente o outro pedaço da sua mão. “Aigoo! Qual é esse sabor? É bem doce.”
“Esse é o de batata-doce.” Ji An sorriu ao se deparar com a expressão desgostosa de Dong Hoon e viu que sua boca estava suja.
“Algo errado?”
“Sua boca está suja, Ahjusshi.”
“Sério?” Ele limpou com a mão. “Ainda está?”
Ji An sorriu. “Sim, um pouco.”
Dong Hoon limpou novamente e a olhou. “E agora? Está limpo?”
“Um momento.” disse se aproximando e percebeu que Dong Hoon se afastou, arregalando os olhos. Ela respirou fundo para continuar.
Apesar de ter suas mãos trêmulas, Ji An o ignorou, limpou gentilmente uma pequena migalha no canto da boca dele com a ponta do polegar, tentando ao máximo não pensar em mais nada. No entanto, ela olhou para os seus olhos assustados e a sua tentativa de conter o desejo por ele foi enfraquecida. Tudo nele a balançava. A forma como ele falava, a maneira como ele se preocupava com ela, a sua voz rouca a fazia perder cada vez mais o controle de si mesma. Em questão de segundos, Ji An já estava concentrada, acariciando seu rosto, de uma forma tão delicada, que parecia temer que ele quebrasse. Ela poderia dizer, que sem dúvida alguma, os seus sentimentos pelo homem a sua frente eram totalmente sinceros.
Por alguns instantes eles ficaram frente a frente, olhos nos olhos, sem nada dizer. Ele admirava o brilho do seu olhar, sentia sua respiração e analisava detalhadamente o tom vermelho, quente e convidativo dos seus lábios. Ji An percebeu que Dong Hoon estava paralisado e isso fez seu coração disparar, fazendo-a retirar em seguida a mão do seu rosto. Ela tentou pesar suas palavras cuidadosamente.
“Sinto muito.”
Dong Hoon, não disse nada, conseguiu apenas concordar com a cabeça. Ele estava olhando para o chão assustado demais com os pensamentos que acabara de ter. Chegou a abrir a boca para falar, mas logo a fechou e ficou em silêncio por um tempo. Eles continuaram sentados, desconfortáveis e quietos. Ji An finalmente quebrou o silêncio.
“Eu...” disse com o olhar fixo para o chão. “Eu acho que devo ir.”
Ele acompanhou Ji An levantar do sofá, pegar a sua bolsa e começar a caminhar em direção a porta. “Acredito que não sou capaz de corresponder aos seus sentimentos.” Ela parou e ele continuou. “Somos apenas bons amigos e gostaria que a nossa relação continuasse assim.”
Segundos foi suficiente para Dong Hoon perceber o quanto foi infeliz em seu comentário. Ji An permaneceu estática no lugar em que estava, pensando em alguma desculpa, porém não conseguia achar nada. O seu coração acelerou quando virou e percebeu que ele estava a encarando.
“Ji An-ssi...” o olhar profundo dela o assustava completamente. “Peço desculpas se fui um pouco rude. Na verdade, estou...”
A campainha tocou e isso fez Dong Hoon gritar um pouco por dentro, não estava preparado para a continuidade de tal conversa e pensou na possibilidade das divindades estarem o ajudando a sair dessa, mas quando abriu a porta e viu que eram os seus irmãos, não teve dúvidas em fechá-la novamente. Definitivamente, hoje não era o seu dia.
“São os meus irmãos.” Dong Hoon olhou desconcertado para porta e depois a encarou. “Eles podem pensar algo errado, mas não se preocupe.”
“Hyung?” Gi Hoon berrava por trás, batendo na porta. “Por que fechou? Você enlouqueceu?”
Dong Hoon respirou fundo e abriu a porta novamente.
“Ji-Ji An-ssi?” Gi Hoon levou sua mão a boca, surpreso. “O que está fazendo aqui sozinha com o Hyung?”
“Acho melhor voltarmos outra hora.” Sang Hoon sussurrou para o seu irmão mais novo.
“Já estava de saída.” respondeu, com o máximo de dignidade que pôde reunir.
“Não sei, o clima não parece muito bom.” Gi Hoon analisou o apartamento desconfiado, olhou Ji An dos pés a cabeça e seus olhos pararam em seu irmão. “Podemos voltar depois.”
“Não. Não precisa, realmente terminamos.”
“Posso saber o que terminaram?” Gi Hoon deu uma tapa no ombro do seu irmão quando ouviu seu comentário inapropriado e Sang Hoon continuou. “Desculpem-me pela pergunta.”
Dong Hoon esfregou o ponto entre as sobrancelhas e respirou fundo. “O que estão fazendo aqui?”
“Você desapareceu e pensamos em fazê-lo uma visita.”
“Jung Hee disse que nesse momento está conversando com a Omma, ela falou que estava a caminho.” complementou Sang Hoon.
“Oh... Sério?” Dong Hoon olhou Ji An por um breve momento e percebeu que ela ainda estava tão assustada quanto ele com o que acabara de acontecer. Seus irmãos entraram e colocaram a caixa de cerveja sobre a mesa.
Sang Hoon pegou alguns e foi até a geladeira. “Ji An-ssi, aceita uma bebida?”
Ela negou com a cabeça. “Tenho um trabalho da faculdade e realmente preciso ir agora, agradeço o convite.”
“Ji An-ssi...” Dong Hoon a chamou, mas percebeu que ela o ignorou, despediu-se e logo foi embora. Os seus irmãos o olharam assustados.
“Você está bem?” perguntou Gi Hoon, ele abriu uma cerveja e o entregou.
Dong Hoon apenas assentiu e tomou um gole.
“Aconteceu algo entre vocês?” foi a vez de Sang Hoon perguntar. “Por que a Ji An estava aqui sozinha com você?”
“Acho que cometi um erro.”
Gi Hoon tomou um gole da cerveja.
“Acho que o boato é verdade.” comentou Sang Hoon.
“De que boato se refere?” perguntou Dong Hoon.
“O boato de que Ji An está saindo com o diretor do colégio.”
Gi Hoon encarou Sang Hoon. “Aish! Não é hora de falar essas coisas.”
“É um boato que está sendo espalhado por toda a escola, mas ninguém tem a prova ainda.”
“Então a Ji An está namorando?” Jung Hee surgiu no lugar e eles a olharam surpresos. Ela assentiu negativamente. “Isso não é verdade.”
“Como pode ter tanta certeza?” perguntou Gi Hoon.
“A Ji An gosta de outra pessoa.”
“Outra pessoa?” Gi Hoon se virou para Jung Hee. “Então quem é essa pessoa?”
Nesse momento, Jung Hee começou a analisar Dong Hoon. Ele não estava interessado nessa conversa. Estava distraído olhando para o celular. Ele tomou um gole de cerveja e mais outro, até que perdeu a paciência e se levantou, olhando para os lados, pegou um casaco que havia por perto e o vestiu.
“Preciso ir a um lugar.”
“Hyung?” disse Gi Hoon entrando em Dong Hoon. “Para onde está indo? Pensa que irei deixá-lo sair nesse estado?”
“Por favor...” suplicou olhando seu irmão. “Preciso saber se ela chegou em segurança.”
“Não pode fazer uma ligação?”
“Ela não está atendendo.”
Gi Hoon olhou no fundo dos olhos do irmão, baixou a cabeça e o soltou, quando olhou para trás, Dong Hoon havia desaparecido do lugar.
Park Dong Hoon olhou para os lados da rua assustado, mas se acalmou, ao reparar que conseguia enxergar Ji An saindo de um mercado. Desnorteado, correu em direção a ela, mas seus passos se tornavam cada vez mais lentos quando percebeu alguém indo em direção a ela.
“Lee Ji An-ssi.” disse o homem se aproximando e tudo o que Dong Hoon pôde fazer foi se esconder atrás de uma árvore. O homem continuou. “Você recebeu a minha mensagem?”
“Oh... Sim.”
“O que me diz?”
“Sim... Podemos fazer isso.”
Dong Hoon ouviu Ji An responder com traquilidade, mas a rua ficou silenciosa depois da sua resposta. Ele saiu atrás da árvore e percebeu que eles estavam distantes, também percebeu que o homem carregava as sacolas de compras que, anteriormente, ela tinha nas mãos. Dong Hoon riu um pouco da situação, seus irmãos provavelmente o repreenderiam e falariam sem paciência da sua infantilidade.
Ele resolveu os acompanhar, secretamente, e depois de tanto conversarem viu que Ji An parou, olhou para o homem e começou a sorrir. Evidentemente, era alguém conhecido. Ele se conformou com isso, apesar de sentir uma pitada de decepção por dentro.
Dong Hoon repensou sua atitude e resolveu voltar para o seu apartamento, mas parou e olhou para trás novamente, os observando. Ele deveria acompanhá-la até o prédio, não poderia jamais confiar em alguém a levando para casa nesse horário. Não descartou a possibilidade idiota de ser um pervertido. Não, Ji An não estaria sorrindo para alguém assim. Definitivamente era alguém que ela conhecia bem. Estava concentrado reformulando as suas hipóteses e não percebeu que alguém se aproximava.
“Park Dong Hoon-ssi?”
Ele virou e a olhou surpreso.
“É você? Não é?
Dong Hoon estreitou os olhos tentando se lembrar e consentiu com a cabeça. “Bo Ah-ssi.”
“Que bom que nos encontramos novamente! O que está fazendo aqui? Você veio falar com a Ji An?” Bo Ah olhou distante e avistou Ji An com o homem. Ela bufou. “Aish! Ele novamente.”
Dong Hoon olhou para trás e voltou seus olhares preocupados para Bo Ah. “O que disse? Ele é alguém conhecido?”
“Sim. Ele é o diretor do colégio que a Ji An trabalha.”
Logo Dong Hoon pensou no boato que o seu irmão comentou. Ele não conseguia conter suas perguntas, não imaginava na próxima oportunidade que teria em fazê-las. Ele continuou com toda cautela que poderia reunir. “Há algum problema nisso? Eles são jovens, podem está tendo um encontro.”
Bo Ah o olhou surpresa e Dong Hoon entendeu que ele havia exagerado em seu comentário. Ele realmente tinha perdido o jeito para essas coisas. “Quer dizer...”
“Ji An gosta de outra pessoa.” disse o interrompendo.
Ele não conseguiu dizer nada durante uns segundos. Já era a segunda vez no dia que ouvia esse comentário. Eles notaram que Ji An estava sozinha e o que homem com quem estava havia entrado no carro e saído de cena.
“Vamos! Também estou indo falar com a Ji An. Podemos aproveitar e beber os três juntos, o que acha?”
“Parece interessante, mas realmente preciso ir. Agradeço o convite e espero que tenhamos a oportunidade de fazer isso em outro momento.” disse e depois a olhou, sério. “Queria pedir para...”
“Tudo bem... Já sei... Você não estava aqui.”
Dong Hoon sorriu. Esqueceu-se por um momento da confusão que criara em alguns minutos, horas atrás.
“Então, até mais!” ela disse.
“Até mais!” sussurrou com um sorriso no rosto e partiu para mais um novo e incerto dia da sua vida.
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