Be Brave
2 Reaping
Notas iniciais
Quando acordo, o sol está nascendo e a luz invade meu quarto pelas janelas. Me levanto, passando os dedos pelos cabelos para arrumá-los, e me visto com as minhas roupas pretas e cinzentas. Logo já estou pronta e desço as escadas para tomar café da manhã.
Hoje é o Dia da Colheita, e meu nome vai estar lá quatro vezes. Tenho mais chances de ser sorteada, e posso acabar indo com meu irmão. Tento não pensar nisso enquanto como uma maçã e saio em direção à casa de Christina, que já deve ter acordado.
Bato na porta e não tenho resposta, então decido entrar pela janela do quarto dela. Ela faz isso e eu também já fiz isso várias vezes, por isso sei que ela não vai se importar. A janela está aberta, o que facilita tudo.
Entro no quarto e ela está dormindo tranquilamente. Cutuco ela uma vez e ela apenas resmunga. Continuo a cutucando até que ela abre os olhos.
– Tris, o que está fazendo aqui? — Ela pergunta enquanto se levanta e começa a se arrumar.
– Bem, ninguém atendeu quando eu bati na porta, achei que não se importaria se eu entrasse mesmo assim. — Ela assente com a cabeça, terminando de se trocar. — Vamos, Al já deve estar caçando e ele precisa de ajuda.
As condições financeiras da família de Al não são muito boas, por isso ele caça nas florestas depois da cerca, e eu e Christina o ajudamos. Pegamos nossos equipamentos de caça — facas para mim, arco e flecha para ela — e corremos até a cerca, que atravessamos escalando uma árvore que fica dentro dos limites.
Quando entramos na floresta, corremos até nosso ponto de encontro, o lago. Al já está lá, nos esperando. Nos cumprimentamos com acenos e começamos a caçar, cada um vai para um lado. Acabo conseguindo pegar um coelho e dois esquilos, deve ser o bastante. Volto para o ponto de encontro ao mesmo tempo que eles, não reparo no que caçaram, apenas entrego as coisas para Al e vou até a cerca novamente, sendo seguida por eles.
Vamos para nossas casas nos arrumar para a Colheita. Minha mãe, que me esperava, me faz tomar banho, colocar um vestido todo cheio de babados cinza escuro e prende meus cabelos em um coque alto. Não gosto de me arrumar, mas não tenho escolha. Vamos até a Praça Central, no meio do caminho me encontro com Al e Christina.
– Nervosa? — Pergunta Christina, se colocando ao meu lado.
– Eu... não. — Enxugo as palmas das mãos no vestido. Caminhamos em silêncio até a fila para retirarem nosso sangue, depois somos separados por sexo e idade. Meu irmão não está muito longe de mim, ao lado de Al, e Christina segura minha mão com força.
A mulher colorida enviada pela Capital para fazer a Colheita entra no palco, sorridente. É agora que eu vou saber o meu destino.
Fale com o autor