Battle Cry - Interativa
5 Amigos Elfos
Notas iniciais

Um coração dedicado e leal é capaz de chegar aos confins mais perigosos da terra, apenas para proteger aqueles a quem se ama de verdade.
Uma onda de sentimentos diferenciados tomava Fernando, e não só Laura como os outros ficaram surpresos com a expressão confusa do rapaz. A garota após a revelação esforçou-se um pouco para se lembrar de algo que confirmasse essa revelação, mas infelizmente nada vinha na sua memória naquele momento.
– Poderemos conversar melhor quando chegarmos há um local seguro. – Fernando disse rompendo o silêncio. – Tem uma aldeia de Elfos nos arredores, quando chegarmos lá eu explicarei tudo. Queria dizer que podemos parar para acampar, mas não podemos.
– Espera! Essa coisa de Elfos não é séria, é? – Klaus questionou Fernando, afinal isso era extremamente absurdo.
– Acabamos de enfrentar árvores que se mexem e ogros, a essa altura não duvido de nada. – Skye disse cansada e já mais calma. – Quero apenas sair desse lugar.
– Melhor que ficar parados no meio do nada. – Lily concordou.
Laura não deu mais nenhuma palavra, Fernando segurou seu cavalo pelas rédeas decidiu seguir a pé para não se perder do grupo. Antes das montanhas havia um grupo de florestas, que eram Floresta Negra, A Floresta das alucinações e a Floresta Proibida.
A floresta negra era um lugar completamente hostil, repleta de plantas venenosas, animais perigosos e raças canibais. Eram poucos os que sobreviviam lá, pois ela poderia se tornar um verdadeiro labirinto infernal e somente os guerreiros mais fortes conseguiriam passar, também era o território de Lorde Daymon, uma vez que sua magia negra era a única capaz de controla-la.
A floresta das alucinações já não era um local tão hostil, mas era mágica e, portanto perigosa. Ela desaparece e reaparece quando bem entende, e sua magia penetra na mente dos viajantes fazendo-os se perder ou vivenciar experiências tanto boas como traumáticas. Fernando era o único capaz de cruzá-la sem problemas, uma vez que ele era imune a qualquer tipo de magia.
Já a Floresta proibida levava esse nome porque era território único e exclusivo da tribo dos Elfos do Norte, e por isso, aqueles que fossem indignos teriam um destino trágico. Viajantes tinham um acesso tranquilo e a maioria das pessoas de bem, porém caçadores, madeireiros e soldados em guerra que profanavam a natureza eram proibidos de entrar lá, caso contrário jamais sairiam.
[...]
Depois de vagar perdido num local totalmente desconhecido finalmente começavam a acordar um rapaz de olhos castanhos, pele morena e cabelos negros curtos. Ele olhou ao seu redor, tinha uma luz fraca de lamparinas, estava numa cama com colchões de palha, havia alguns poucos móveis bem simples de madeira e uma porta também de madeira bem a sua frente. O rapaz não entendeu onde estava, mas viu que do lado da sua cama tinha outra também com um rapaz de pele morena bem clara, cabelos também negros, porém seus olhos verdes eram rodeados de um castanho claro na Iris.
– Quem é você? – O rapaz perguntou ao outro que já estava sentado.
– Eu me chamo Alec Velay, e você? – Disse gentilmente.
– Flame Wolf. – O outro respondeu. – Você por acaso sabe onde estamos? Não me lembro muito bem como vim parar aqui.
– Eu também não, estava jantando com meus pais e senti tudo ficando escuro até acordar aqui. – Alec respondeu vasculhando o lugar com o olhar. – Esse lugar definitivamente não é a minha casa.
Antes que pudessem trocar mais alguma palavra, os rapazes ouviram o som da porta se abrindo, logo em seguida viram uma garota loira de orelhas pontudas e olhos azuis entrando no local. Ela tinha traços delicados e uma pele bem branquinha, era simplesmente apaixonante e emanava um ar muito pacifico. Suas roupas eram simples e a jovem Elfa segurava uma bacia de barro com um pouco de água.
– Vocês estão bem? – Ela perguntou timidamente, tinha a mania de balançar as orelhas sempre que estava um pouco nervosa.
– Quem é você? – Flame perguntou maravilhado com a beleza dela.
– Eu sou uma Elfa filha de Dreneil da tribo do norte. Encontramos vocês em nossa floresta e decidimos trata-los. – Ela respondeu.
– Bem, obrigado. – Alec disse com um sorriso. – E-espera, você disse Elfa? – Ele a olhou confuso e um pouco assustado.
A Elfa assentiu e logo ouviu um som parecido com uma trombeta tocando pela vila, ela olhou para trás enquanto suas orelhas captavam o ruído. – Sim. Agora temos convidados na tribo. Nossa líder Sheffield gostará de vê-los, me acompanhem.
A jovem Elfa deixou a bacia com água na cômoda e saiu pela porta meneando a cabeça para que os rapazes a seguissem. Quando eles saíram ficaram completamente maravilhados, o lugar era muito grande, elegante, gracioso, com muitas cabanas que apesar da simplicidade eram lindas, misturando o designe de uma vila as mais belas árvores de toda a natureza.
– Que lugar incrível. — Flame disse de forma distraída.
A filha de Dreneil sorriu. Ela era chamada assim, porque os Elfos só ganhavam seus nomes na fase adulta e por isso, enquanto os anciões não lhe dissessem quais eram seus nomes, eles eram reconhecidos pelo nome de seus pais. Dreneil era o Elfo braço direito de Sheffield, a Elfa líder da tribo.
A medida com que a jovem ia caminhando em direção à entrada da vila, mais e mais Elfos curiosos espiavam a entrada. Dreneil e Sheffield já estavam aguardando a chegada de seus visitantes, pois a noite se aproximava e com certeza eles tinham caminhado durante horas. Logo, eles avistaram o príncipe de Aquária acompanhado de três garotas e um rapaz.
Dreneil um Elfo também loiro, mas de cabelos mais dourados que a filha e olhos ainda mais claros como o anil do céu aproximou-se de Fernando lhe cumprimentando e dando um abraço. – Meu grande amigo Aelfir eu estou contente em vê-lo novamente.
– Aelfir? – Klaus indagou sem entender.
– Esse é meu nome Elfico, Klaus. – Fernando respondeu de bom humor. – Eles são amigos e irão tratar seus ferimentos. – Dessa vez ele falava com todos.
– Nós encontramos os outros dois em nossa floresta. – Dessa vez, quem falava era Sheffield. Uma elfa de cabelos negros como ébano, que eram tão longos que chegavam a seus pés. Seus olhos eram de um amarelo vivo e delicado como o mel. – Mandei prepararem uma grande refeição para esta noite.
– Fico grato por os terem acolhido. – Fernando fez uma reverencia em agradecimento.
[...]
A noite o céu estava estrelado e as lua estava cheia, assim as cidades preparavam-se para dormir seguindo sua rotina comum. Em especial, na cidade negra, um ser desprezível e arrogante reunia-se com seus leais seguidores.
Lorde Daymon tinha cabelos negros de tamanho médio, eram levemente ondulados, seus olhos eram azuis e ele mantinha barba perfeitamente cortada dando-lhe um ar mais ameaçador. Ele estava junto de seus dez cavaleiros secretos, cinco homens e cinco mulheres.
– Me informaram que aquele bastardo desqualificado esteve na minha floresta ontem, e que estava acompanhado de quatro pessoas. – Ele disse de forma arrogante e descontente. – Se aquele projeto de gente tiver voltado, nossos planos estarão em risco. Provavelmente os novos Sancts ainda não estão prontos, então eu quero que os matem, custe o que custar.
– Sim meu Lorde. – Todos responderam em uníssono.
– Mais ei que ainda não precisamos ter pressa, eu tenho planos para cada um deles.- Daymon disse convencido ao reconsiderar. – Precisamos antes de tudo quebrar a profecia e cumprir meu plano. Simplesmente odeio essas regras idiotas.
Os cavaleiros que antes estavam ajoelhados se levantaram ficando de frente para seu líder. Ele disse para que um deles trouxesse uma prisioneira. Logo, o escolhido estava de volta puxando uma Elfa de cabelos prateados e olhos rosados. Ela se debatia e encarava o tirano com ódio.
– Minha querida Liraz Aurstelar eu tenho um trabalho para você. – Ele disse de forma debochada. – Quero que se infiltre no meio dos Sanct e descubra informações para mim, afinal quem desconfiaria de uma delicada Elfa?
– Eu odeio você. – Ela respondeu de forma fria e virou o rosto com desprezo.
– Ah, claro. Isso é compreensível querida. – Daymon se aproximou passando as mãos pelo queixo macio da Elfa. – Mas se me desobedecer acho que a pequena Seliee não ficará tão feliz, não acha? Afinal, mortos não podem expressar sentimentos.
Naquele momento, por mais que odiasse aquele ser asqueroso Liraz abaixou a cabeça vencida, pois seu coração se apertou ao sequer imaginar a possibilidade. Sua irmã mais nova a quem protegia com sua própria vida era sua única fraqueza. Se fosse preciso a Elfa mataria quem quer que fosse, faria o que tivesse de ser feito para protegê-la e mantê-la a salvo, mas ela pensava que na primeira chance faria aquele homem pagar com a própria vida pelo sofrimento que causara. Seliee com certeza não ficaria feliz com a atitude da irmã mais velha, mas isso era necessário para seu próprio bem.
– Eu tenho apenas um pedido. – Liraz disse num tom calmo enquanto era solta pelos cavaleiros e seguiu com a permissão de Daymon. – Quero que a tire da masmorra e lhe dê a liberdade, em troca eu cumpro o trabalho que for.
– Me parece justo, afinal eu realmente gostaria que fossemos aliados minha bela Liraz. – Daymon respondeu de forma a admirar a beleza da Elfa. – Mas ela só terá liberdade assim que você cumprir sua parte... Então o máximo que posso fazer é que a estadia dela seja agradável.
Com o acordo feito, Liraz foi se preparar para partir, embora não quisesse deixar a irmã só, sabia que ela não tinha alternativa a não ser temporariamente cooperar. Seliee foi levada para um aposento do castelo de Daymon, que era bem elegante e com móveis refinados. As roupas sujas foram substituídas por roupas limpas e mais bonitas, a pequena Elfa de 16 anos estava numa das torres mais altas.
Liraz foi ver a irmã, e quando adentrou o quarto a viu sentada na cama, com seus cabelos rosados e soltos como gostava, seus olhos era de um azul muito belo. A Elfa menor encarou sua irmã que já vestia roupas de caça e portava um arco.
– O que está acontecendo? – A mais nova em sua inocência perguntou sem entender nada.
– Eu fiz um acordo para nos libertarem. – A mais velha respondeu se aproximando e acariciando os cabelos de sua irmã. – Seliee vai ficar tudo bem. Eu vou voltar para busca-la, ninguém vai te machucar.
– Liraz que tipo de acordo você fez?
– Isso não importa. – A Elfa de cabelos prateados não teve coragem naquele momento de dizer, embora sua irmã soubesse do que ela era capaz, Liraz queria apenas poupá-la de uma possível decepção.
Em passos firmes a Elfa caminhou para a saída sem olhar para trás, e partiu disposta a cumprir sua missão e salvar sua irmã, afinal ela era a única que realmente importava. O mundo sempre fora muito cruel com as duas, sendo obrigadas a passar fome, necessidades e tendo todos lhes virando as costas na Tribo do Sul. Liraz não sabia o que era amizade ou compaixão, ela só sabia que as pessoas eram cruéis e preconceituosas, totalmente egoístas e que jamais poderia confiar em absolutamente ninguém. Era com esses pensamentos que ela tomava coragem para lutar com o qualquer coisa pela única pessoa que realmente amou em sua vida, a única que lhe deu apoio e esteve sempre ao seu lado.
[...]
Enquanto Fernando conversava algo com os lideres da tribo do norte, Laura, Lily, Skye e Klaus eram tratados pelos Elfos. Os ferimentos e arranhões que antes ardiam mais do que qualquer coisa, nas mãos delicadas das curandeiras começavam a cicatrizar rapidamente e o alivio vinha no mesmo instante com aquela magia tão familiar, era como se a natureza corresse por seus corpos causando um estado temporário de paz.
– Oh, seu cabelo é muito bonito. – Uma das elfas curandeiras disse pegando os finos e delicados fios do cabelo ruivo de Lily, que ficou impressionada com os elogios. – Eu nunca vi desse tipo.
– Ruivas são as melhores, na minha modesta opinião. – Klaus disse de forma galante, enquanto recebia um olhar reprovador da ruiva.
– É mesmo um idiota. – Skye disse de forma ríspida enquanto outra Elfa curava os cortes em seu rosto.
Alec e Flame apenas observavam, uma vez que tinham pedido que todos ficassem juntos num mesmo local. Depois da sessão de cura ter terminado, foram cedidas roupas limpas aos quatro assim como as de Alec e Flame, e vencidos pelo sono eles dormiram até a hora do jantar.
Passadas algumas horas os sinos badalaram na vila e então todos se dirigiram até o centro, onde tinha longas mesas repletas de alimentos em forma horizontal e uma de forma vertical era a de Sheffield e os anciões, onde também se sentariam os convidados que tinham enorme respeito.
Os elfos da tribo do norte eram muito pacíficos e unidos, eles gostavam de viver de forma cooperativa e de forma que tinham muitas atividades juntos, inclusive comer era uma delas. Quando os convidados sentaram-se a enorme mesa Sheffield pediu para que eles não ficassem tímidos e se servissem. A frente havia apenas comidas naturais e vegetarianas, havia bolinho de trigo com passas e azeitonas que dava um gosto bastante diferenciado, uma sopa feita de vários legumes bem temperada; também havia na mesa pão e uma bebida especial feita de frutas cítricas. Apesar de viverem no meio de uma floresta, os Elfos tinham o poder de cultivar qualquer tipo de alimento que viesse da terra, pois seu solo especial era o mais fértil de todos devido a sua magica. Sendo assim todos se esbaldaram de forma farta, aproveitando a culinária diferenciada e curtindo o a melodia alegre das músicas Elficas.
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