Battle Cry
1 Radioactive
Notas iniciais
A luz invadia o quarto, banhando meu rosto com seu intenso calor, mesmo com o vidro impedindo uma parcela significativa dos raios ultravioletas. Por fim abro meus olhos heterocromados, um vermelho e o outro amarelado, por ali esses tipos de olhos não eram tão raros, devido à quantidade de gases poluentes presentes no ar, mesmo com que as barreiras transparentes da comunidade filtrassem a poluição, não era 100% efetivo, por esse motivo todas as casas refiltravam o ar, e também era obrigatório andar pelas ruas com mascaras especiais. Provavelmente quando mais velha ficaria cega por tal motivo, assim como muitos outros.
Levantei preguiçosamente da cama, esfregando os olhos em busca de foco, coloquei os pés no chão e bocejei, me dirigindo para o banheiro para fazer minhas necessidades matinais, quando terminadas, voltei para meu quarto, me avaliando na frente do espelho, o machucado ganhado no ultimo ataque não havia acabado de se curar, mas pelo menos não doía mais, provavelmente iria ganhar mais uma cicatriz, mas não me importava, essa era uma das consequências de ser do exercito e me aventurar fora das barreiras.
Amarrei meu cabelo preto como tradicionalmente fazia: um rabo de cavalo bem alto. Meu cabelo não era essencialmente grande, batia um dedo abaixo das axilas, mas não aguentava o calor que ele me proporcionava, mas também não gostava de cortá-lo-sim, sou bipolar-.
Vesti meu uniforme da tropa e sai de meu quarto para poder fazer meu café da manhã e o de meu irmão Patrich, não tinha mãe nem pai para poder fazer isso para nós, eles haviam morrido em um ataque quando meu irmão ainda era um bebê, assim acabei me tornando uma irmã/mãe.
Preparei com cuidado nossas refeições, ovos mexidos com bacon, assim que pronto, subi as escadas para o segundo andar, logo em seguida, indo em direção do quarto de Patrich, batendo em sua porta com certa violência, caso contrario ele não acordaria.
_ Patrich, acorde menino! Vai se atrasar de novo!_ Gritei com a porta.
_Ah... já vou._Disse ele sonolento.
_Você disse isso da ultima vez e acabou dormindo de novo, abra essa porta ou eu a arrebento._ Disse um pouco impaciente.
Ouve um longo silêncio, até que por fim foi quebrado com o som da fechadura sendo aberta, revelando do outro lado um garoto de 13 anos, olhos castanhos, cabelos igualmente preto, levemente amassado de lado, por causa do travesseiro, ele sorriu para mim sarcasticamente.
_ Pronto! Feliz?_ Perguntou ele com a voz rouca por causa da ausência de uso.
_Hm._ Resmunguei._ Anda logo, ou o café vai esfriar._ Disse passando a mão por entre seus cabelos, aliando-os.
_Tá._ concordou ele fechando os olhos, apreciando o carinho, abrindo-os novamente logo em seguida, e foi se dirigindo ao banheiro.
Voltei a descer as escadas, para poder em fim comer e sair para o trabalho, olhei para o relógio e vi que estava atrasada, praguejei mentalmente e comi rapidamente, me levantando logo em seguida, procurando minha mascara de gás, mas não a encontrava em lugar nenhum.
_Patrich!_Gritei._ Você viu minha mascara?
Esperei um pouco e logo em seguida ouvi seu grito vindo das escadas.
_Aqui!_ Falou e eu me aproximei em passos largos._ Estava no banheiro, você tem que parar de deixar ela em qualquer lugar ou vai acabar perdendo.
Era estranho eu, uma garota de 22 anos, estar sendo repreendida por um garoto de 13 anos, mas concordei com a cabeça, nosso cotidiano era assim, um xingava o outro e protegia o outro.
_Estou indo, tome cuidado._ Disse dando um beijinho em sua testa molhada, por causa do banho recém-tomado.
_Ah!_ Reclamou ele totalmente vermelho de vergonha._ Você tem que parar de fazer isso! Eu não tenho mais 8 anos!_Gritou ele.
Mas eu não podia responde-lo, estava muito atrasada, por isso enquanto colocava a mascara, apenas dei um aceno de mão e abri a primeira porta da casa e apertei o botão para poder trocar o ar, o recinto foi coberto de jatos de ar e logo depois a porta automática se abriu, dando para a rua. Sai correndo, vi o bondinho saindo do ponto assim que virava a esquina, acelerei a corrida e consegui me agarrar ao corrimão da porta e dei um pulo para entrar no transporte. O guarda da porta me olhou e revirou os olhos.
_ De novo Meghan?_ Perguntou ele simplesmente.
_Não pude evitar, tive que mimar meu irmão um pouco._ Brinquei com ele, e ele por sua vez voltou a revirar os olhos, me ignorando totalmente.
Dei de ombros e me direcionei ao acento que sempre pegava, me sentei e virei meu rosto para ver o horizonte, não era uma vista bela, muito pelo contrario, era um cenário cinza, sem vida e triste, me lembrei das histórias que ouvia quando criança de meus avôs, antigamente aquele cenário já fora muito diferente, com vida, as arvores eram verdes, os lagos e rios eram cristalinos e cheios de criaturas amistosas, muito diferente do mundo apocalíptico que eu vivia, consequência das ações do próprio homem, segundo as história contadas, a humanidade havia iniciado uma terceira guerra mundial, onde todos os países se viram ameaçados, em meio a ganância dos superiores corruptos, os cidadãos pagaram caro, primeiramente tendo que ver suas famílias e conhecidos morrerem na guerra e em seguida verem o planeta ser destruído, uma serie de bombas nucleares foram acionadas, não se sabe ao certo onde, pois com o tempo essa informação se perdeu, todo o planeta foi consumido em questão de horas, exceto pelas pessoas mais ricas da época na qual conseguiram pagar um preço altíssimo para poder entrar na única fortificação existente.
Ao me lembrar que em algum tempo, no passado, um dos meus ancestrais foram uma dessas pessoas que se salvaram e viram o resto do mundo morrer enquanto comia e bebia livremente, fechei meus olhos sentindo que meu sangue já esquentava, fora por esse motivo que decidi entrar para o exercito, para que, por mais que pareça impossível, tentar achar uma maneira de fazer o mundo voltar a suas origens, onde ninguém mais teria que usar marcaras filtradoras, beber água com gosto de soro, ter o medo constante de que no dia seguinte não teriam mais essa água, mesmo com seu gosto horrível, ou que o estoque de alimento acabasse.
Abri meus olhos determinada, não iria deixar que isso acontecesse, esse também era outro motivo de entrar para o exercito, ela caçava fora das barreiras comida para a população, por enquanto aquilo era a única coisa em que realmente poderia ajudar.
Saiu de seus devaneios assim que notou que havia chegado em seu destino e o bonde se movia, se afastando da entrada do quartel, aparentemente o condutor havia cansado de esperar que Meghan saísse, ela se levantou do assento em um pulo e correu para a porta, recebendo um olhar reprovador do guarda que abriu passagem para ela, nos primeiros dias ele lhe havia a parado dizendo que fazer esse tipo de coisa era perigoso, porém ela lhe mostrou que não era um cliente qualquer, pulou do bonde em movimento aterrissando no chão, dando uma cambalhota e se levantando logo em seguida sem nem respirar e disparou em direção da entrada que já se fechava, conseguiu entrar por um triz, a porta já estava para se trancar, quando o porteiro lhe viu chegando e conseguiu retardar o fechamento por alguns instante, o bastante para ela poder se espremer e entrar.
Parou por alguns instantes para recuperar o fôlego, colocando as mãos nos joelhos, foi quando ouviu uma voz familiar falar com sigo.
_Veio fazendo maratona de novo?_ Perguntou a voz, ela se virou e deu de cara com Nick, um homem de 23 anos, cabelos castanhos, de olhos verdes, corpo definido, pele clara, seu “irritante” namorado, já estava com ele fazia alguns anos.
_Ha há!_Riu ela irônica._ Sabia que eu poderia ter sido morta esmagada na porta eletrônica, ou ter quebrado uma perna quando pulei do bonde em movimento?_ Perguntei fingindo irritação.
_Aham._ concordou ele achando graça._ E se eu ficasse preocupado iria adiantar? Você faz isso todo dia!_ Falou ele casualmente._ Talvez eu devesse começar a lhe chamar a atenção toda vez que fizer algo do tipo.
_Provavelmente terminaria com você se fizesse algo do tipo._ Disse entre risos.
_Como você é bipolar menina._ Disse ele me abraçando, retribui automaticamente, aproveitando o máximo possível do contato.
_ E você me adora assim não é?_Mais afirmei do que perguntei, me afastando dele.
_Com certeza._ Disse ele abrindo um sorrido, que mal podia ser visto por causa da mascara.
Dirigimos-nos em direção ao quartel general, não nos damos às mãos, pois demonstrações de afeto eram proibidas ali dentro, já havíamos nos ariscado muito com o abraço há minutos atrás, fomos o trajeto todo jogando conversa fora, nos atualizando dos acontecimentos, mesmo que nos tenhamos visto no dia anterior.
Adentramos o local e assim que chegamos ouvi o grito de alguém nos chamando, corri os olhos pelo estabelecimento e consegui localizar meus amigos de trabalho e também amigos pessoais.
_Finalmente achou sua namorada atrasada em Nick!_ Disse Leo, um rapaz de 21 anos, que sempre mantinha com sigo um sorriso travesso, daquele tipo que os professores olhavam dizendo para não fazer isso, mesmo que ele não estivesse fazendo nada, tinha cabelos cor de ferrugem, pele morena, e grandes olhos atentos cor de avelã. Conheci ele a poucos anos atrás, ele era amigo de infância de Nick, e desde que nos conhecemos ele não larga do meu pé, mas é um bom amigo.
_Fazer o que, é a marca registrada dela._ Disse Alice, dando de ombros, ela era uma garota de pele clara, tinha um piercing no nariz, cabelos castanhos repicados em um degrade artificial tornando-se vermelhos nas pontas, usava lentes de contato igualmente vermelhas o tempo todo, no inicio cheguei a acreditar que seus olhos eram daquela cor, porém tive a oportunidade uma vez de vê-la sem elas, seus olhos eram naturalmente amarelados, bem claros, por isso seus olhos com as lentes pareciam tão reais. Conhecemos-nos desde a escola, me lembro muito bem da primeira vez que nos vimos, ela quase arrancou meu olho direito achando ser uma lente também, e assim que descobriu ser daquela cor naturalmente, vermelho sangue, começamos a conversar.
Estralei os dedos fazendo um movimento com a mão em circulo, pendendo a cabeça de lado, todos riram quando fiz aquele movimento e resolvi ignorá-los. Me direcionei até o meu armário, peguei meu equipamento para exploração, luvas de um coro especial esverdeado, roupas de mesmo material e uma mascara filtradora especial, muito mais potente, para que mesmo fora das barreiras pudéssemos respirar, me direcionei até os vestiários femininos e coloquei a roupa, e prendendo a respiração, troquei a mascara, voltei até o armário e guardei minhas roupas formais lá dentro, voltei até meus amigos que me esperavam no mesmo lugar.
_Demorou princesa!_ Disse Leo brincalhão.
_Não enche diva do pop!_ Rebati, desde que descobri que Leo gostava de musica pop, o chamava assim quando começava uma discussão.
_Obrigado, eu sei que sou demais._ Disse balançando os cabelos levemente grandes.
_Gente, vamos logo que o pessoal só está esperando a gente._ Alertou-nos Nick. Todos concordaram e marcharam para o centro de atividades especiais.
Ao chegarmos lá, todos olharam para nós, parece que realmente estavam nos esperando, logo Legan apareceu no palco, um homem de 35 anos, cabelos loiros, olhos castanhos, não dava para ver por causa da mascara, mas Meghan tinha certeza que estava com a barba por fazer, ele sempre a deixava por fazer.
_Bem, parece que todos os grupos de reconhecimento chegaram._ Disse ele olhando diretamente para nos._ Hoje iremos para leste, avistamos um grupo de chikenes próximos as redondezas, nosso objetivo é abater o máximo, e se possível recolher seus ovos, como sempre lhes devo avisar para terem cuidado com a água e com os predadores mais fortes, assim como a própria chikenes ela pode ser bastante agressiva também, dispensados.
Ri internamente, agressiva? Ele estava de brincadeira, tudo que existia lá fora, nos odiava e evoluíram para nós matar, até a água não podemos mais beber sem os devidos procedimentos de deixá-la com gosto de soro pois ela era altamente corrosiva e o contato com ela poderia fazer com que você perdesse o membro exposto ao contato.
Suspirei e me direcionei para a sala de armas, recolhendo minha arma favorita, um tipo mediano de tamanho, porém altamente poderosa, até mais forte que outras maiores, carreguei ela entre minhas mãos e me direcionei com meus colegas de time e amigos até a saída leste.
Assim como a porta de minha casa, a saída tinha duas passagens, todos se reuniram em um enorme espaço, onde jatos de ar foram lançados, trocando o ar, e depois de alguns minutos a segunda porta se abriu e todos correram para fora, eu e meu grupo corremos para uma direção até nos distanciarmos de todos, mas não o bastante para nos perdemos.
Logo avistamos uma chikenes, que não passava de uma ave de dois metros e meio, com garras retráteis, penas enormes de cor avermelhadas, com duas garras na junta da asa, lhe dando uma espécie de mão, bicos curváveis com alguns dentes afiados expostos, olhos de répteis e língua de serpente, aquele era um ninho, pois o chikenes, que aparentemente era uma fêmea por causa da cor de penas mais claras, virava alguns ovos envoltos de pedras.
_Parece que demos sorte!_ Disse Alice._ Alem de acharmos um, conseguimos achar um com ovos._ Falou animada.
_É._Concordei, mas algo me incomodava, como se estivesse algo errado, como se não me lembrasse de uma informação importante.
_Vamos lá então._ Disse Nick, carregando sua arma com o raio laser, letal, como eram nossas armas.
_Espera Nick._ Coloquei a mão em seu braço e olhei em seus olhos, preocupada.
_O que foi?_ Perguntou ele devolvendo o olhar igualmente preocupado.
_Não sei, é como se algo estivesse errado._Disse um pouco frustrada.
_Ahn... Gente._ Se manifestou Leo._ Eu sei que eu não sou a pessoa mais brilhante do mundo, mas... se aquela é a fêmea... cadê o macho?
Como havia me esquecido disso, era esse o problema, esse tipo de animal tinha a fama de aprontar emboscadas, principalmente quando estavam com filhotes, o macho provavelmente estava escondido, nos observando e esperando uma oportunidade de atacar. Como se lê-se minha mente, uma sombra enorme nos cobriu, não consegui absorver os acontecimentos tão rapidamente, apenas registrei o grito de Alice bem ao meu lado.
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