Battle
18 Revelação
Notas iniciais
– Você, preocupado comigo? – Ela riu, debochando do que eu acabara de falar, afinal, ainda era Catherine Walker.
Revirei os olhos, não sei por que eu estava fazendo aquilo, ela nunca colaboraria.
– Sabe, ver sua inimiga mal de verdade não é algo muito legal. – Dei de ombros, me sentando ao seu lado. – A não ser que seja eu o causador disso tudo.
Ela continuou séria, minha piada foi de péssimo gosto.
– Olha, eu amo implicar com você. – Suspirei. – Você se mostrou muito corajosa para me enfrentar, sabe? E ver alguém como você mal desse jeito, é muito estranho. Mesmo que eu te odeie.
– Quer mesmo saber da porcaria da minha vida? – Ela se levantou, alterando o tom de voz. – Eu posso não ser quem eu aparento ser. Posso ser uma garota fraca, que já foi humilhada e rejeitada pela própria mãe que por sinal faz da própria casa um cabaré! E quer saber? Eu preferia ter ficado lá, a estar aqui, eu ODEIO as pessoas. ODEIO me relacionar com elas porque eu sempre acabo mal, ou até mesmo as deixo assim. E você me irrita, Lahey. Se esses malditos cortes não fossem no meu pulso, seriam no seu pescoço, seu idiota!
Eu abri a boca pra responder a tudo aquilo, mas não conseguia emitir nenhum som sequer. Estava perplexo, não me movi um centímetro tentando assimilar todas aquelas palavras.
– Merda, Catherine. – Murmurei, me aproximando dela. – Você fica calada, fingindo ser forte, rebelde, mas não passa de uma garota fraca e depressiva!
Aquilo pode ter soado mal, mas eu queria ajudá-la e estava tentando entender a situação.
– Eu quero te ajudar. – Sussurrei em seu ouvido. – Me deixa te ajudar.
E a abracei forte, algo me dizia que era tudo o que ela precisava naquele momento. Suas lágrimas desciam pelo rosto, e eu tentava acalmá-la.
Passamos longos minutos abraçados, imóveis. Depois de algum tempo, suas lágrimas cessaram e nos separamos.
– Se contar pra alguém eu te... – Ela começou a falar. Mas a interrompi com algo que queria fazer a muito tempo desde a revanche na festa, desde que ela soube do plano e se afastou.
Eu a beijei, um beijo desesperado e quente. Nos separamos por falta de ar e permanecemos perto um do outro.
– Me mata, eu sei. – Completei rindo. – Eu prometo que não vou contar, até porque ainda quero continuar vivo.
Ela sorriu, um sorriso quase imperceptível. Me levantei, e em seguida ela se levantou.
– Agora abre a porcaria da porta ali. – Ela resmungou, revirei os olhos e fui em direção à porta. Abrindo-a.
...
– Bom dia, Kate. – Murmurei, entrando na sala e sentando em uma das carteiras. – Posso falar com você?
Ela sorriu, organizava alguns papéis, mas não dei muita atenção para isso.
– Bem, sei que é muito próxima da Catherine Walker. – Comecei, ela assentiu. – E ela está com um problema.
Naquele momento ela parou de mexer nos papéis e voltou sua atenção para mim, suas feições mudaram e ela parecia preocupada.
– Que tipo de problema? – Indagou, se aproximando.
– Ela... – Comecei, não era algo comum para se contar. – Eu vi nos pulsos dela, cicatrizes de cortes que ela mesma provocou, sabe? Automutilação...
Kate estava ainda mais preocupada, estava estática, imagino por que.
– Então é esse o problema... – Ela murmurou, sentando em sua cadeira. – Quem não a conhece bem, pensa que ela é durona assim por natureza. Mas não... é como se fosse uma armadura, um jeito que ela tem de se afastar do mundo e esconder seus problemas.
Assenti, acho que procurei a pessoa certa. Kate poderia ajudar Catherine, já que a garota nunca aceitaria a minha ajuda. Ficamos por longos minutos discutindo uma espécie de plano para conquistar sua confiança. Depois, saí da sala e decidi ir ao dormitório da Louise, afinal, eu ainda tinha uma namorada e precisava fingir que gostava dela.
– Oi, Louise. – Acenei brevemente com a cabeça. Ela estava deitada na cama, com um curativo enorme no nariz.
Sentei ao seu lado na cama, ela sorriu. Aparentemente seu nariz havia mesmo quebrado, mas não era pra tanto, fala sério. Ela estava deitada na cama como se tivesse sofrido um grave acidente.
– Está melhor? – Perguntei.
– Se estar melhor é estar ridícula, com o nariz quebrado, cabelo despenteado e sentindo fortes dores de cabeça... – Ela elevou o tom de voz, me encarando. – Eu estou ótima, Christopher!
Me controlei para não rir do escândalo que ela fez. Afaguei sua cabeça, tentando acalmá-la. Foi quando a porta se abriu, era ela. Catherine, suspirei, tentei ignorá-la. Ela foi direto para o banheiro, sem se importar com a minha presença.
– Amor, tenho aula em cinco minutos. – Dei um breve selinho, acabei falando aquilo um pouco mais alto do que deveria.
– Ai, bebê! – Ela resmungou, “bebê”, tentei não brigar por um apelido idiota de novo. – Você deveria ficar comigo!
– Mas não posso e você sabe. E um nariz não é pra tanto, você poderia muito bem estar perambulando por aí com suas amigas. Mas se não vai, me dá licença. – Revirei os olhos, ultimamente eu não tinha mais paciência com Louise, não sei por que, mas a grosseria tinha virado rotina em nossas conversas.
Ela bufou e cruzou os braços, levantei e saí do quarto.
Eu não poderia fazer mais nada além de esperar, afinal de contas, a marrenta, vulgo Walker, jamais aceitaria minha ajuda.
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