Battle
23 O Amor e o Ódio Moram Lado a Lado - Finale
Notas iniciais
Kate entrou, seguida por Christopher, eles aparentemente traziam o que faltava para a refeição. O tão esperado peru recheado e a sobremesa.
– Finalmente! – Greta resmungou, levantando os braços.
– É, tô com fome. – Alli completou.
Kate sorriu e se sentou à mesa, e assim todos fizeram. Levantei da poltrona e o único lugar vago era ao lado de Christopher, revirei os olhos e me sentei ao seu lado.
– Olha só como é o destino... – Ele sussurrou, com um sorriso no canto dos lábios.
– Se quer ter um natal tranquilo, e não quer ir para o hospital justo nesse dia, é melhor ficar calado. – Falei, pegando um prato.
– Você fica sexy com esse vestido. – Ele piscou para mim e começou a preparar o seu prato, fiz o mesmo, mas antes pisei o mais forte que pude em seu pé.
– Obrigada. – Dei meu melhor sorriso irônico e pisquei de volta.
...
O jantar acabara, estávamos na mesa, conversando sobre coisas aleatórias e em nenhum momento, o idiota do Lahey largou do meu pé, ele queria me tirar do sério, e estava conseguindo.
– Sabem, vocês formam um belo casal. – Alli murmurou com um sorriso.
Olhei para Kate, que parecia esconder um sorriso também, aquilo foi a gota d’água.
– Retira. O. Que. Disse. – Eu falei pausadamente, mas ela não respondia, pareciam achar graça daquilo tudo. – Porque pessoas que fazem um belo casal, não fazem isso umas com as outras.
Ao terminar a frase, eu peguei o que sobrou do meu vinho e derramei vagarosamente sobre a cabeça dele, que estava surpreso demais para fazer qualquer coisa até que a taça estivesse vazia.
– Mas que m... – Ele começou, mas pareceu ter ideia melhor e se inclinou sobre a mesa para pegar algo e vi o creme sendo lançado contra mim.
– O que é isso? – Kate perguntou aparentemente brava. O que nos deixou parados por algum tempo. – Ainda sou a responsável por vocês agora, mas...
Ela parou de falar e pegou o que sobrou da sobremesa e arremessou aos que ainda estavam limpos. O que rendeu revolta, então depois de poucos minutos, a sala estava completamente suja de tudo o que sobrou da comida, desde o chão até o teto. Sem contar conosco, estávamos sujos, dos fios de cabelo à ponta dos pés. Não me arrependi, sorri ao ver Christopher naquele estado. Mas parei imediatamente ao ver a expressão durona e convencida de Kate, era como se dissesse “Já que começaram, agora terminem com a bagunça”. É... Ela foi criativa com o castigo.
– Vamos, vocês precisam de um banho. – Ela falou em voz alta. – Mas que ceia foi essa? Esse foi o natal mais inusitado de toda a minha vida, e olha que sou velha.
– Então, velha, o que nós faremos com a bagunça? – Perguntei, usando seu mais novo apelido.
– Nós? – Ela riu, revirei os olhos voltando a encará-la. – Vocês vão cuidar disso, afinal, vocês começaram.
Dito isso ela saiu, sendo seguida por todos os outros, mas me deixando ali com ele, por mais que eu tentasse fugir, tudo e todos nos empurravam um para o outro.
– Merda, Walker. – Christopher resmungou de cara fechada. – Viu o que você fez?
– Você mereceu. – Dei de ombros, ele também era culpado. – Se você não tivesse me provocado, estaríamos todos em nossos quartos. Mas não, Christopher Lahey tem que sempre estragar tudo.
Depois de cuspir aquelas palavras, fechei a porta com força e fui em direção à sala com materiais de limpeza mais próxima.
Peguei o necessário e voltei para a maldita sala, mas que tipo de natal era aquele?
– Toma aqui, você limpa o chão e o que sujou nas paredes. — Falei deixando tudo o que ele iria precisar e virei para limpar a mesa.
– Mas o que... – Ele começou, mas não o deixei terminar.
– Vai querer discutir? – Perguntei com minha melhor expressão de ameaça. Ele rolou os olhos para o alto e bufou, pegando tudo e indo para o outro lado da sala.
Limpei a mesa e todos os móveis que foram sujos, terminamos quase que ao mesmo tempo, marchei para fora da sala e guardei todos os materiais de volta.
– E agora? – Lahey perguntou quando eu abri a porta.
– Só vim pegar minhas coisas. – Respondi no mesmo tom de voz que ele usara comigo naquele mesmo dia.
– Espera. – Ele segurou meu braço, me virando para si. – Feliz Natal.
Minha intenção era bater nele, mas acabei sorrindo.
– Feliz Natal, Lahey.
...
Ouvi batidas na porta, duas batidas rápidas. Fechei o livro e fui ver quem era, lá estava ele, quando não era o destino, era o próprio Lahey quem fazia de tudo para ficarmos perto um do outro.
– O que foi agora?
– Larga o livro e vem comigo. – Ele “ordenou”. Assim o fiz hesitante por não saber onde estávamos indo.
Caminhamos pelo jardim, àquela altura, eu já sabia para onde estávamos indo. Chegamos ao fundo e ele abriu a porta, dando-me passagem para entrar.
– Nossa. – Brinquei, sentando no sofá.
– Não queria que nossa noite de natal terminasse assim. – Disse, sentando-se ao meu lado. – Jantar, brigas, faxina e cama.
– Belo resumo. – Comentei. – Mesmo assim eu posso dizer que é o melhor natal que eu já tive em anos. Como se fossem minha... nova família.
– Ah... – Ele suspirou. – E eu faço parte dessa família?
Eu sorri, é, ele fazia parte. Em tão pouco tempo e entre tantas desavenças, ele já fazia parte da minha vida de uma forma tão estranha, que nem ao menos consigo explicar.
– É. – Respondi. – Você faz. O que é bastante estranho porque eu te odeio de uma forma que me faz te amar e eu...
Okay, aquilo foi ridículo e eu queria me atirar de um precipício por ter dito aquilo, mas o máximo que pude fazer foi levar minhas mãos até a boca e o encarar.
– Walker. – Ele murmurou, não consegui captar o sentimento expresso em sua voz. – Isso não é algo que se escuta todo dia, vindo de você... Mas, sabe, eu também te odeio, quero dizer, eu amo implicar com você, mas você me deixa louco, de uma forma tão insana.
Era realmente estranha a nossa relação, quero dizer, implicávamos um com o outro, e era isso o que nos mantinha unidos, de alguma forma. Era isso o que me atraia nele e eu já não poderia mais viver uma vida normal se não visse aquele idiota na minha frente todos os dias, com suas ironias e piadinhas irritantes e sem graça.
– Sabe, Walker... Eu acho que te amo. – Ele sorriu. – Mas de uma maneira estranhamente diferente.
– Sabe, Lahey... Apesar de tudo, foi você quem me divertiu durante todo esse tempo, e foi você quem deixou esse lugar mais aturável esse tempo todo.
Ele sorriu mais uma vez e em um rápido movimento, uniu seus lábios aos meus, me envolvendo em um beijo. Não pude pensar em nada naquele momento. Mas a nossa história era louca, com uma mistura de amor e ódio que só nós tínhamos. E continuaria daquele jeito, porque era exatamente o ódio que me fazia o amar daquela maneira.
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