Battle
21 Adeus, Aulas!
Notas iniciais
Algumas semanas se passaram. Acordei disposta. Kate conseguia me animar e transformar anos de angústia em felicidade e disposição do dia para a noite. E foi isso o que ela fez, depois daquele dia me senti bem mais leve. Falar tudo foi tão bom, mas não tanto quanto seus conselhos, não precisei de psicólogos, eu tentaria não ter uma recaída, tentaria retomar meu foco: o grupinho de Christopher Lahey. Sentia-me melhor do que nunca, como se minha energia estivesse de volta. Sem dúvidas, eu estava pronta para a guerra.
– Bom dia! – Exclamei para Natasha, enquanto “arrumava” minha cama.
– Bom dia. – Sua voz estava carregada de sono, mas não me importei.
– Levanta preguiçosa. – Murmurei arrastando suas cobertas e a fazendo quase cair no chão.
Ela não fez nada mais que rir, deixei ela lá e fui para o banheiro, pronta para um banho gelado.
Deixei que todo o meu corpo se despertasse para o dia que estava por vir, o último dia de aulas. Não havia época melhor para eu ter entrado naquele internato. Porque não demorou muito para estar de férias.
A melhor parte, com toda a certeza, foi eu permanecer no colégio. Eu não estava nenhum pouco a fim de aguentar minha mãe naquele natal. Então fiquei no colégio, e consegui convencer as meninas de ficarem comigo. Além de Kate ter se oferecido para ficar também. Por que não comemorar o natal com a minha nova família?
Saí do banheiro já vestida, deixei meus cabelos soltos e passei a maquiagem de sempre. Fui direto para o refeitório. Peguei meu café da manhã e fui em direção à mesa de sempre.
– Bom dia. – Murmurei com um meio sorriso para as meninas.
– Bom dia. – Lisa respondeu sorrindo. – Cadê a Natasha?
– Ahn, acordou um pouco tarde e deve estar se arrumando. – Dei de ombros, comendo um pedaço da torta.
– Olha lá. – Mary apontou para Christopher e sua turminha entrando no refeitório. As pessoas não perdiam a mania de olhá-los chegar como se fossem da realeza.
– Não olhem. – Falei rapidamente. – Não vamos dar esse gostinho.
Elas assentiram, continuei comendo.
– Então, animadas para o natal? – Violet perguntou com um sorriso enorme.
– Óbvio. – Respondi no mesmo tom de animação. – Tenho a leve impressão de que esse será o melhor natal de toda a minha vida.
– Sabe de uma coisa? – Greta falou. – Concordo. Vai ser um natal perfeito.
Todas riram, eu não me animava assim há anos, estava muito feliz de finalmente ter uma vida “normal”, eu tinha amigos, uma quase mãe e até um garoto idiota que apesar de tudo, me deixava feliz também. Tenho que admitir que agora mexer com o Christopher não é só questão de honra, mas também de diversão.
– Gente. – Hanna se levantou assim que o sinal tocou. – Tenho aula de história agora, eca. Vejo vocês mais tarde.
Assentimos e ela saiu, aliás, todas saímos, todas nós tínhamos aula, mas não nos importamos, afinal, era o último dia!
Abri o armário, peguei os itens necessários e o fechei. Quase pulei de susto ao ver o idiota, vulgo Christopher na minha frente, com seu sorriso de sempre.
– Mas o que você quer agora, Lahey? – Perguntei, a irritação era perceptível.
– Dar um comunicado... – Falou sorrindo, o que me irritava ainda mais. – Eu e meus amigos sempre passamos as férias aqui no colégio.
– E? – Perguntei, eu não tinha nada haver com o que ele e os amiguinhos faziam ou deixava de fazer.
– E que não quero você por perto. – Deu de ombros. – Me contaram que vai ficar também.
No começo, não fiz nada além de rir da cara dele. Quem ele achava que era pra mandar em mim? Ele mostrou ser mais burro do que eu pensava ao me dizer aquilo.
– Fala sério, Lahey. – Resmunguei me recuperando da gargalhada. – Acha mesmo que pode mandar em mim, a essa altura? Acorda meu filho.
Ele revirou os olhos. Dei de ombros o encarando com uma expressão serena no rosto.
– Ah, é? – Ele prosseguiu. – Então tá. Se prepare para o pior natal de suas vidas.
– Ah, é? – O imitei, zombando de sua infantilidade. – Digo o mesmo.
Desfilei tranquilamente até a sala da próxima aula, estava de certa forma ansiosa para revidar qualquer ataque que o badboy intrometido tentasse contra nós.
...
O dia correu tranquilo, mas finalmente a última aula havia acabado e eu estava livre – ou nem tanto. Minha “querida” mãe iria ao colégio resolver tudo para o próximo ano e sobre as férias, além de – segundo ela – me desejar feliz natal. Ela fingia estar triste por eu preferir passar o natal longe, mas eu tinha certeza de que dava pulos de alegria por dentro.
Foi com esses pensamentos que entrei no quarto, cansada. Rumei para o banheiro, o dormitório ainda estava vazio.
Tomei um longo banho, relaxando meus músculos depois do dia cansativo.
– Finalmente. – Natasha berrou assim que eu saí do banheiro. – Achei que tinha morrido!
– Pode usar o banheiro, rainha do drama. – Revirei os olhos, sem conter o riso.
Ela entrou. De repente me lembrei do meu diário, havia algumas semanas em que eu não o escrevia, aquilo foi estranho, afinal, sempre exponho meus sentimentos naquele caderno.
De qualquer forma não julguei ser necessário – além de não estar sozinha no quarto – afinal, não havia nada que eu precisasse expor e esconder no diário.
Resolvi pegar o meu celular e entrar em uma das redes sociais, enquanto ouvia uma música qualquer. Acabei pegando no sono.
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