Batman: Insanidade - T1: Boas Festas
4 E03S01 - Homem de Negócios
Notas iniciais
20 DE DEZEMBRO, 5 DIAS ANTES DO INCIDENTE
Mais um dia de trabalho chegava ao fim nas Empresas Wayne. Em sua sala, Bruce Wayne estava terminando uma reunião com investidores de suas empresas. Geralmente, quem cuidava da empresa era o diretor-executivo, Lucius Fox, mas o próprio Wayne achou que seria melhor para o marketing se comparecesse desta vez.
Quase ao fim, Fox recebeu uma ligação e saiu da sala para atender. Quando retornou, sussurrou ao ouvido de Bruce.
— Alfred ligou. Disse que é urgente.
Entendendo o recado, Wayne desculpou-se e deixou a reunião no último minuto. Desceu o prédio e entrou no carro, seu motorista o aguardando no estacionamento da Torre Wayne.
Chegou a Mansão Wayne em meia-hora, e subiu para a biblioteca. Uma vez lá, ativou o acesso à Batcaverna, escondido em uma das muitas estantes de sua coleção. Desceu com o elevador escondido e, como esperado, encontrou Alfred o esperando lá embaixo.
— Alfred. Lucius fez questão que eu viesse imediatamente. Então, o que tem sobre o paradeiro de Julian Day?
O mordomo o cumprimentou com uma reverência.
— Mestre Bruce, Julian Day esteve desaparecido e fora de ativa desde o incidente do Arkham. Porém, há cerca de uma semana, surgiram rumores de que ele havia ido atrás do Corretor. Foi a única coisa que encontrei, me parece um começo.
— Certo. Parece que Sherman Fine vai receber uma visita do Batman hoje.
Aproximou-se de um painel e abaixou uma alavanca. Uma das paredes de pedra afundou no chão, dando lugar a um expositor onde estava o uniforme do Batman.
Wayne vestiu-se e pegou seu cinto de equipamentos, pronto para sair.
— Alfred, mande a localização de Fine para o Batmóvel.
— Como desejar, Mestre Bruce.
Em seguida, o Batman entrou em seu veículo e deixou a Batcaverna. Recebeu os dados de Alfred, que indicavam uma reunião semelhante àquela da qual participara, porém envolvendo mafiosos e Sherman Fine, o Corretor.
O serviço que Fine prestava era famoso nas ruas de Gotham. Ele falsificava documentos de posse para arrumar imóveis para criminosos, por isso o apelido de “Corretor”. O DPGC já tentara prendê-lo inúmeras vezes, inclusive com ajuda do Batman, mas não haviam evidências suficientes para colocá-lo atrás das grades em definitivo.
Aquela reunião provavelmente seria apagada da história depois daquela noite, pois Sherman não deixava rastros para a polícia seguir. Mas, segundo Alfred, representantes dos Falcone, Maroni e Bertinelli. O ponto de encontro seria a ilha da Estátua da Justiça, um ponto turístico simbólico de Gotham.
O Batmóvel fez o caminho da Batcaverna à ilha da estátua em minutos. Batman parou seu veículo atrás de um prédio e, por trás da estátua, lançou o arpéu e subiu para a cabeça da mesma.
A visão era ótima, mas tinha que ser discreto. Olhou para baixo e viu que todos os mafiosos estavam de pé e acompanhados por dois capangas. Não eram grandes nomes do crime, apenas subordinados, com exceção do Corretor em si. Quatro lanchas estavam paradas à beira da ilha.
Sherman, porém tinha uma dupla de capangas em todas as quatro pontas da ilha. Dois deles, atrás da estátua, seriam os mais fáceis de eliminar.
Era tentador capturar os subordinados de Falcone, Maroni e Bertinelli, contudo o objetivo de Batman ali era apenas um: interrogar Sherman Fine.
Para tal, tinha um plano. Precisava causar uma confusão, de forma a virar os mafiosos uns contra os outros. Conhecendo Fine, ele iria se retirar e deixar que aquilo se transformasse em apenas mais uma briga de gangues, e era assim que Batman ia isola-lo.
Como sempre, porém, ia fazer isso sem permitir que houvessem mortes. Fazia parte de seu código de honra, o qual pretendia cumprir sem exceções. Parou alguns minutos para olhar e pensar no que fazer.
•••
— Senhor Fine, meu chefe, Don Maroni, não está satisfeito com seus serviços — disse um dos capangas. — Pinguim, Máscara Negra, Duas-Caras. Esses caras estão fora desde o incidente do Arkham e ainda não decidimos de forma correta para quem ficarão suas terras.
— Se Don Maroni tem reclamações, que venha presta-las diretamente — disse o capanga de Bertinelli. — Meu chefe está disposto a esperar desde que o Corretor trabalhe corretamente.
— Don Falcone espera que Fine faça um trabalho decente, e nada mais. Ele não tem pressa, diferente de alguns outros.
O Corretor deu um passo à frente antes de falar.
— Que Sal venha atrás de mim. Falcone e Bertinelli sabem apreciar um serviço bem-feito, e vão me proteger. Que ele vá atrás de um falsificador qualquer.
O capanga de Maroni bufou, irritadiço.
— Bom, onde estávamos? Ah, sim, o Clube Iceberg. Sabe, é de se admirar a renda que o Pinguim tirava daquele lugar. Só um verdadeiro empreendedor conseguiria fazê-lo dar lucros. O Mapa de Gotham me mostra que o clube está na região de Falcone.
— Ah, você só pode estar de brincadeira! — O capanga de Maroni avançou sobre Fine. — Meu chefe não vai tolerar que você favoreça Falcone!
Quando os capangas do Corretor iam avançar nele, contudo, bombas de fumaça caíram do topo da torre, impedindo-os de enxergar. Chutes e socos começaram a ser escutados.
— Chefe, rápido, para o barco!
Sherman e seus capangas saíram correndo para fora da fumaça em direção à lancha. Só restavam dois homens para ajudar o Corretor a fugir.
A fumaça se dissipou, revelando os demais desmaiados no chão junto dos enviados de Falcone, Maroni e Bertinelli.
— Espere, onde está o...? — começou Fine.
Foi então que esbarrou com alguém enquanto corria. Ele fechou os olhos e virou o rosto lentamente, encarando o Batman de perto. Seus dois capangas estavam caídos.
— Batman! Ah, merda, você tinha que se intrometer, não é?! Você pode ter acabado de estragar meus negócios, sabia?
— Não me importo. Tenho perguntas para você.
O Cavaleiro das Trevas puxou o Corretor pela gola do terno.
— Você fez negócios com o Homem-Calendário recentemente. Quero saber o que ele comprou.
— Julian Day? Pensei que ele tinha morrido no Arkham. Você sabe, Hugo Strange e tudo o mais.
Batman levou Sherman para perto do barco e aproximou o rosto dele da água.
— Vou perguntar mais uma vez.
— Está bem, eu falo. Ele estava atrás de uma base de operações. Queria algo grandioso.
— Seja mais específico.
— Ele me procurou porque sabia que eu tinha o que ele queria.
— Que era...?
Fine suspirou.
— Batman, por favor. Tenho um código de sigilo que respeito muito. Não posso te contar...
Ele mergulhou o rosto de Sherman na água e o tirou depois de alguns segundos.
— Mais uma vez. O que o Homem-Calendário queria?!
— Está bem, eu falo. Ele queria... Os termos de posse do Asilo Arkham.
O Homem-Morcego gelou. Por que Day iria querer ser dono do lugar em que tanto sofreu nas mãos do insano Hugo Strange? A não ser que... Ele quisesse fazer Gordon sofrer também. O plano do Homem-Calendário começava a fazer sentido para o Batman.
Ao mesmo tempo que manteria seu padrão de crimes comemorativos, o assassinato de Jim Gordon representaria uma vingança pessoal contra o Asilo Arkham e o DPGC. Afinal, o comissário estivera envolvido na prisão da maioria dos internos do Arkham.
Batman colocou o Corretor no chão e o prendeu ao mastro usado para prender a lancha à ilha. Em seguida, ligou seu comunicador e chamou a polícia. Quem atendeu foi Renee Montoya.
— Batman. Como podemos ajudar?
— Tenho o Corretor, seus capangas e enviados de Maroni, Falcone e Bertinelli presos na ilha da Estátua da Justiça. Sejam rápidos em prendê-los.
Então, desligou o comunicador e se virou para Sherman Fine.
— Você vai para a cadeia desta vez, Fine.
Dito isso, usou seu arpéu na estátua e se lançou no ar, planando até o Batmóvel em Gotham. Voltou à Batcaverna o quão rápido pôde. Entrou apressado e colocou um Batarangue em cima do Batcomputador.
O áudio de sua conversa com o Corretor começou a ser reproduzido.
— Ele queria... Os termos de posse do Asilo Arkham.
— Alfred, preciso que colete todas as informações sobre o Asilo Arkham depois de Hugo Strange. Deixe os arquivos no meu quarto pela manhã.
Tenso, Bruce Wayne tirou o uniforme de Batman e subiu para a Mansão. Infelizmente, não conseguiria dormir naquela noite. Não enquanto o Homem-Calendário estivesse à solta.
•••
Na escuridão da sala do diretor do Asilo Arkham, o Homem-Calendário mexia constantemente em fotos do Comissário Gordon colocadas sobre sua mesa. Suas mãos tremiam.
— Senhor, Ben Turner está em Gotham — disse um capanga, aproximando-se em silêncio.
Julian Day se virou lentamente para encara-lo.
— Excelente. Peça para que o Tigre de Bronze ataque de dia. Batman não vai estar lá para proteger o Comissário.
— Assim farei, senhor.
O Homem-Calendário esfregou uma mão na outra repetidas vezes. Não conseguia mais esperar para ter Gordon em suas mãos.
Pegou uma foto que mostrava Gordon com sua filha Barbara juntamente de uma caneta vermelha em seu porta-lápis e começou a desenhar uma roupa de Papai Noel no Comissário.
“O Bom Velhinho de Gotham será meu em breve”, pensou, rindo alto e apavorando seu capanga, que se manteve em silêncio.
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