Bater de Asas
5 5. Ataque.
Notas iniciais
Acordei tonta, com dores, esperei a visão voltar para olhar em volta, parecia estar deitada na cama do Zack, ele não estava lá. Coloquei a mão na barriga e senti algo estranho...
— ELE NÃO FEZ ISSO.
Sentei na cama rapidamente, estava enfaixada da cintura até quase o pescoço. Gritei mentalmente.
Estava com o tronco todo enfaixado, as faixas estavam limpas, não sei quanto tempo eu dormi, mas até para o Zack ele fez um bom trabalho, ele deve se machucar muito para saber fazer isso tão bem. Mas algo que não entra na minha cabeça é como ele fez isso sem olhar nada... Fiquei vermelha ao pensar nisso, tanto de vergonha com um pouco de raiva, sei que ele me ajudou, mas não sei porque estou assim. Logo ele chegou, e só pensei em uma coisa.
— Olha acordo...
Sem terminar, ataquei as primeiras coisas que vi perto de mim em sua direção.
— TARADO.
Continuei a atacar até as pedrinhas do chão.
— Que recepção calorosa que seu médico por 2 dias recebe, não vi nada, não sei se notou, mas está de sutiã, e você nem é meu tipo.
— EU SEI ME VIRAR SEM VOCÊ.
No meio da fala por dentro já tinha me arrependido de ter falado aquelas coisas, mas já foi.
— Se eu pudesse, teria te jogado daqui de cima, anda vem comer.
Ele parecia ter caçado um cervo.
— Se não quiser comer tudo bem, te alimentei bem esses dias.
Engoli seco pensando como ele fez isso.
— Como?...
— Que nem um passarinho.
Minha vontade era de ter realmente morrido, até que vejo ele rindo, fico brava, mas acabo rindo junto. Após risadas nos olhamos sério.
— Porquê... Porque cuidou de mim? Poderia ter me dado para os caçadores em troca de dinheiro, ou devorado, ou seila.
— Não sou assim, e minha sede eu acabo com ela com os animais, os humanos eu parei.
Dei uma risada, para perceber ser sério. Parece que por ser um demônio de classe alta, ele tem muita fome, e nos primeiros anos fugindo, ele não tinha habilidade de caça aos animais então atraia humanos, parecia não se orgulhar, penso que era por isso que ele tapava o nariz perto dos meus machucados.
— Hey... Tudo bem, todos fizemos coisas que não queríamos para sobreviver.
Zack parecia estar feliz, pelo menos por dentro.
— Deixa eu ver seu machucado enquanto o cervo cozinha.
Neste momento olhei com cara de pânico, mas sabia que precisava manter um mínimo de classe, além disso, ele cuidou de mim por 2 dias.
Então ele se aproximou e puxou uma caixa debaixo da cama, que parecia um "kit" improvisado de primeiros socorros. Ele sentou do lado, colocou os dedos por baixo das faixas e cortou com a tesoura, fiquei tensa, nunca estive tão perto assim de um menino, ou de qualquer pessoa, não deu para evitar e fiquei vermelha, assim que começou a desenrolar as faixas, ainda tinha um pouco de sangue, mas o ferimento já estava bem melhor.
Percebi que... Ele ficou vidrado, os olhos ficaram escuros como no dia que conheci ele.
— Zack... Você está bem? Quer que eu faça?
Ele ainda estava vidrado, pegou o pote com algo dentro e passou no machucado, as unhas dele estavam longas, sendo passadas de leve no machucado, mas foi o bastante para ele mudar.
Os olhos ficaram mais escuros, as unhas maiores junto com os chifres, cresceram pontas como se fossem espinhos na dobra das asas dele, ele estava parado, olhando fixo.
— Zack... De novo não...
Então passei a mão na frente dos olhos dele tentando entender, assim em um movimento rápido, meu braço direito estava entre seus dentes, comecei a bater em seu ombro, mas ele não mexia.
— Zack está me machucando.
Até que percebi e parei de bater, ele estava apertando os joelhos dele, como se tentasse se controlar, percebi que não era proposital, um pouco de sangue escorreu, mas ele parecia se controlar muito para não beber.
— Está... Está tudo bem, pode ir.
Eu sabia que ele não largaria, fiquei com pena dele depois que escutei os casos de ele atacar humanos, então ele começou a tomar, assim voltou ao normal. Logo que voltou, se afastou rapidamente, encostando na parede oposta, limpou a boca e percebeu oque tinha ocorrido, assim em um conjunto de raiva, socou a parede e voou para fora da caverna.
Não falei nada, sabia que ele precisava de um tempo, pensei que poderia ter feito diferente, mas ele parecia com tanta sede... Às vezes me acho idiota de mais.
No tempo que Zack ficou fora, limpei meus ferimentos, troquei as faixas, comi um pedaço de cervo e fiquei à beirada da caverna esperando ele voltar, não sabia nem se ele voltaria.
— Nossa sou tão idiota, ele não queria aquilo... Será que perdi o mais perto de família que tive?
E logo escuto bater de asas, era Zack voltando já quase de noite, porém, ele parou na beira da caverna, fiquei na frente dele, sabia oque deveria fazer.
— Você não fez por mau.
Assim o abracei, ele ficou parado, pensativo.
— Obrigada por me ajudar, de verdade...
Assim percebi que tinha... Começado a chorar, acredito que era a situação dos caçadores e quase perder a única pessoa que troquei mais de duas palavras.
— Acreditei que não te veria mais.
Em lágrimas o abracei mais forte, assim ele retribuiu.
— Idiota... A gente mal se conhece.
Por um momento eu ri, pensando que tinha me apegado tão rápido em alguém que não fosse planta ou animal, ou apenas estava sobrecarregada emocionalmente.
— Machucou muito?
Segurou meu braço olhando, com olhar de raiva e arrependimento. Percebi que ele estava péssimo.
— Viu, acredito que tem um coração aí dentro.
Ele riu e me deu um peteleco na testa.
Ele viu que eu havia tirado o cervo da fogueira e foi pegar um pedaço, se sentou na beira da caverna. Cheguei ao lado dele.
— Hey, acredito que é hora de eu ir embora, fico devendo a estadia.
Com um pedaço de uma asa enfaixada, mal deu tempo de tentar bater as asas e senti sendo puxada pelo braço, me sentando do lado dele.
— Você nem voar consegue, só senta aí.
Assim ele quebrou um pedaço da carne que ele estava comendo e me deu, assim terminamos a noite comendo e observando a lua.
*Lembrando vocês leitores de curtir e comentar :D*
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