Bater de Asas

20 20. Tentando Resolver.


Notas iniciais
Problemas foram criados, apesar que talvez seja solucionado, como ela vai agir em relação a ele agora?

Após escutar aquelas palavras que saíram da boca de Zack, apenas me virei e sai da cozinha em direção ao meu quarto, escuto passos atrás de mim, tento sair pela janela sem dizer nada, mas sinto meu braço sendo gentilmente segurado.

— Poderia deixar eu tentar me explicar?

Não sei oque ele pode me falar que talvez possa me fazer mudar de ideia.

Desci devagar da janela, fui ate minha cama que fica em frente a ela, afastei o tecido de seda que cobre e me sentei sem dizer nada, ainda não consigo olhar nos olhos dele.

— Eu... você não precisa me perdoar, só quero tentar te explicar meu ponto de vista.

— Pode falar, não vou lhe impedir, mas também não prometo entender.

Ainda de cabeça baixa, sinto ele se ajoelhar e colocar as mãos em cima das minhas.

— Pensa comigo, eu fugi do meu pai por anos, fiquei escondido naquela caverna por todo esse tempo, e do nada surge uma moça de uma raça ate então extinta, eu pensei que você era enviada do meu pai...

Ele fala comigo calmo, não um calmo como ele sempre fala com a voz baixa, mas calmo com voz de vergonha ou compreensão. Entendo que eu posso ter sido suspeita, ou até grudenta, mas foi a primeira pessoa na vida que eu criei um laço, e essa pessoa mentiu para mim.

— Você poderia ter me contado que isso iria acontecer comigo...

Ele é um infernal, ele deveria saber que isso ocorreria comigo, ou talvez me avisar oque ocorreria.

— Lembra do dia que eu te mordi, que eu sai sem avisar e fiquei muito bravo com você? Naquele dia eu acreditei que você fosse morrer.

Ele falou calmo, passando a mão em meus cabelos.

Levantei a cabeça com os olhos lacrimejando. Por isso ele saiu bravo, eu praticamente irritei ele para observar a transformação dele, a culpa foi minha.

Ele continua com o mesmo tom de voz, nunca vi ele tão calmo na vida, mas sinto também medo.

— Eu pensei que iria perder você ali, e não queria ver isso, eu fugi, mas quando voltei você estava bem e viva, não achei que isso iria acontecer com você, nunca quis te machucar pequena.

Ele coloca a mão em meu rosto, ele está com um olhar de tristeza, sei que não foi culpa dele, mas sei também que não vou conseguir superar isso de imediato. Olho para meus braços.

— Eu sei que aquele dia eu te irritei para ver como você se transformava, você disse que não queria e eu mesmo assim fiz, foi culpa minha... me desculpa.

Ele coloca as mãos em cima dos meus braços onde estava queimado, para eu parar de olhar.

— Esta tudo bem não foi culpa sua, eu fugi em vez de te ajudar, vou consertar isso eu prometo.

Ele puxa meus braços me fazendo levantar e olhar para ele de perto. Enxugo minhas lagrimas e entendo que ele vai sair por um tempo, para resolver o problema que eu e ele causamos a mim.

— Vai ser por pouco tempo eu prometo, não precisa me perdoar, apenas me espere.

Ele puxa meu queixo para um beijo de despedida, não recuso, foi um beijo apaixonado e melancólico. Assim ele me solta gentilmente e sai pela minha janela, me deixando apenas a olhar as cortinas balançando.

Viro-me e olho meu quarto vazio novamente, sei que ele vai voltar, mas quando não sei ainda. Se passou um dia e nenhuma notícia dele, sei que ainda é cedo para ele aparecer já que ele foi atrás da solução da minha estranha transformação.

As vezes passo a mão no topo de minha cabeça pensando que alguma hora vai começar a aparecer chifres, mas por enquanto apenas essa queimadura escura que esta subindo meus braços, e meus dentes pontudos, ainda não testei minha força desde que matei o Rei, que também é o pai de Zack, penso se devo tocar no assunto de ter matado o pai dele, ele sabe que eu matei o pai dele? Ele estava desacordado quando ocorreu ou quase desacordado.

Balanço a cabeça com o pensamento de contar isso a ele, não quero que tudo fique pior do que já esta.

No terceiro dia sem a volta de Zack acordo escudando pedrinhas batendo na minha janela. Levanto e abro minha janela ainda esfregando os olhos, o sol ainda estava nascendo, e se fosse o Zack ele só entraria.

— Quem é?

Tomoe aparece na grama acenando para mim.

— Você precisa de campainha ou escadas nessa casa.

Ele grita lá de baixo reclamando, mas em um pulo ele alcança minha janela, dou um pulo para trás no susto. Ele entra pela janela resmungando e derrubando algumas coisas, até conseguir chegar no chão.

— Desde quando você consegue fazer isso?!

— Desde sempre, você não sabe muito sobre a minha raça.

Ele fala andando até a cozinha e vou seguindo ele tentando entender oque está acontecendo. Ele fareja o ar e vira para mim.

— Vejo duas coisas nessa casa, uma Zack sumiu a um tempo, dois vejo que você esta piorando.

Olho para os meus braços, a queimadura escura está acima dos meus cotovelos.

— E seus olhos estão vermelhos desde que cheguei.

Ele aponta para meu rosto, tampo meus olhos com vergonha. Porque ele esta aqui?

— Onde esta o café da manha, não é porque ele não está aqui que você deve ficar com fome.

Ele continua andando pela cozinha, agora abrindo os armários e revirando as panelas até achar um bule. Desisti de seguir ele e sento na mesa de duas cadeiras onde eu e Zack fizemos nosso aniversário.

— Vim cuidar de você caso esteja tentando descobrir.

Ele acha o café e começa a fazer para nós dois.

— Como assim cuidar de mim?

Ele senta na mesa e arruma sua calda para não incomodar.

— Não nos falamos depois da morte do... Rei.

Começo a mexer na minha unha, me deu um sentimento de ansiedade ao lembrar do dia.

— O Zack morreu Yasmin?

Olho rapidamente para ele, já no pensamento de que algo aconteceu com o Zack quando ele saiu.

— É que ele saiu de lá desacordado e ele não está aqui agora... mas caso não queira falar tudo bem.

Ele fala e eu dou um suspiro de alívio, esqueci que não contei a ninguém que o Zack melhorou depois de 3 dias.

— Ele está bem, eu acho... ele foi atrás de uma solução para me ajudar com isso.

Levanto meus braços.

— Bom então vamos tomar o café e vamos fazer algo também, vi que você é estudiosa, deve ter algum livro sobre.

Ele levante e pega o café que estava pronto, aceno com a cabeça concordando. Tomamos o café que estava quente e delicioso.

— Tenho uma prateleira de livros no meu quarto.

Minha casa não tem paredes, apenas o grande tronco no meio da casa, mas aponto para meu quarto que fica do outro lado do tronco.

Ele levanta e vai até à prateleira e começa a ler o livro dourado que fala um pouco sobre minha raça, pelo menos até a "extinção".

Levanto e vou lavar o bule e as xicaras enquanto ele está lá incrivelmente atento ao livro. Enquanto lavo escuto ele rir.

— Vocês não vão ao banheiro?!

Viro-me surpresa com a pergunta indiscreta.

— Aqui fala que vocês absorvem todos os nutrientes e agua ingerem, assim a ajuda na cura que vocês fazem.

Aceno a cabeça concordando.

— Ue mas não é todo mundo assim? Zack também não vai.

Ele me olha com um olhar constrangido.

— Os humanos eles... é que... deixa para lá não é importante.

Ele volta ler o livro, enquanto eu levo uma xicara até a janela do meu quarto e troco com a antiga, deixo uma torrada também.

— Oque você esta fazendo?

Ele me olha confuso.

— É para o Zack, vai que ele esta com fome, ele não fica bem com fome.

Ele da de ombros.

Vou até o Tomoe e pego um livro sobre infernais para ajudar ele.

Lemos por algumas horas e nada importante sobre essa transformação é encontrada, nenhum infernal antes tentou atacar um angelical. Tomoe chega na parte da história onde minha raça foi atacada e extinta porque falavam que nosso sangue curava.

— Seu sangue é curativo?

Olho para ele pensativa.

— Nunca testei, mas sei que quando eu me machucava eu me curava mais rápido que os outros, porém não sei se é por conta do meu sangue.

Ele segura a adaga que Zack me deu e puxa da minha cintura.

— Vamos testar? Assim descobriremos se sua raça foi morta atoa.

Foi uma frase mórbida, porem também estava curiosa. Não pretendo curar pessoas com meu sangue, mas se for verdade é uma forma em casos estremos de ajudar alguém.

— Ok mas... você faz.

— Seu sangue não é mais todo angelical, então vou cortar aonde ainda não está queimado.Ele segura sua própria mão e corta a palma dela, suas orelhas vão para trás na dor mas ele não faz nenhum som.

— Vai com calma hem...

Ele acena com a cabeça e segura meu braço gentilmente, e faz um pequeno corte no meu ombro onde ainda não estava tomado. Um sangue vermelho vivo escorre e ele deixa escorrer até sua mão.

Ficamos olhando atentamente esperando algo acontecer, mas nada correu.

— Mas que droga de sangue, ele poderia curar você.

Quando terminei de falar, a mão de Tomoe começou a brilhar aquele brilho familiar, e quando parou a mão dele estava apenas com uma cicatriz.

— Mas... oque fiz de diferente?

Tomoe aperta a mão e abre algumas vezes para testar se esta boa, ignora meu questionamento e pega o livro dos angelicais rapidamente.

— Seu sangue cura, mas ele não cura sozinho, você precisa ter intenção de curar!

Ele fala extremamente empolgado. Intensão? Então o sangue só funciona se eu quiser, oque me faz pensar que todos meus antepassados foram mortos atoa já que tinham ódio de serem caçados.

Enquanto eu pensava Tomoe passa uma faixa envolta do corte no meu ombro.

Tomoe passou o resto da semana comigo e insistiu em dormir no sofá para não me deixar sozinha. Foi uma semana incrível e divertida, ele me fez parar de pensar se o Zack não estava morto em algum lugar.

Logo que acordei, Tomoe estava fazendo o nosso café, enquanto ele fazia puxei assunto sobre o baile, quando nos conhecemos.

— Tomoe você só me chamou para dançar porque queria ajuda com sua vila?

Ele continua de costas mas responde mesmo assim.


— Sim e não, eu queria falar com você mas não sabia como.

Ainda curiosa o questionei.

— Mas achei fofo você me chamar para dançar.

Ele se vira para mim sorridente.

— Desculpa mas eu não queria dançar com você e sim com o Zack.

Se eu tivesse tomando café eu teria engasgado, Tomoe estava afim do Zack?!

— Não se sinta surpresa fofa, adoro garotos do estilo marrento, mas como estava com você e minha missão era você, então tive de chamar você.

Começamos a rir enquanto ele levava o café ate a mesa onde eu estava.

Tomamos o café rindo, enquanto Tomoe contava sobre seus antigos relacionamentos que davam sempre errado, já que ele namorava os príncipes dos reinos vizinhos escondido do seu pai.

— Tomoe você tem a vida romântica mais ativa que eu na vida toda.

— E você já teve algum relacionamento sem ser o Zack?

Fico pensativa, forçando minha cabeça a tentar lembrar de algo, mas nada vem.

— Que eu lembre não.

— Mas você até que para um primeiro relacionamento começou bem, ele gosta muito de você.

Sinto meu rosto queimar de vergonha. Mas nosso café foi atrapalhado pelo barulho da xicara que deixei na janela para o Zack cair no chão.

Tomoe e eu nos levantamos rápido e demos a volta ao tronco até chegarmos ao meu quarto e vimos aquela figura que estava sumida a uma semana abaixado na janela observando meu quarto.

Ele estava com roupas diferentes, porém igualmente da cor preta. Ele desce da janela, o olho ele esta com algum machucados e uma cicatriz no olho.

— Você esta bem?!

Ele sem responder me puxa para um abraço apertado, apertado até de mais, me envolvendo por completo, coloco a cabeça no peito dele e consigo escutar o coração dele acelerado. Não sei oque ele passou, mas parece ter sido horrível.

— Não estou sozinho.

Ele termina de me abraçar e segura a minha mão me levando até a varanda, Tomoe vem atrás também curioso.

Chegando na varanda vejo uma pessoa que jamais imaginaria ver, a Rainha.

— Saudação pequena alada, seu namorado apareceu na minha residência a procura de ajuda para uma maldição, e aqui estou eu para ajudar.

Ela tem um sorriso incrivelmente amável e doce, com vestimentas de primeira linha.

— Pequena, nós achamos uma solução.

Ainda pasma com tudo isso, me pergunto qual a solução e se ela realmente vai me livrar da minha maldição.

Notas finais
A rainha esta na minha porta com meu talvez namorado. E oque o Zack passou nessa uma semana?