Bater de Asas

13 13. Aniversário.


Notas iniciais
Um dia feliz finalmente para Zack e eu.

A volta para a quase nossa casa foi tranquila, já amanhecendo, o vento e as nuvens davam um ar calmo. Ao chegar na casa da árvore estava do mesmo jeito que deixamos, menos as folhas que entraram pela janela já que Zack nunca a fecha.

— Vamos pega a vassoura atrás da porta e limpar a sua bagunça.

— Eu deixo aberto porque duvido que você vai abrir para mim.

Balanço a cabeça que sim, ainda não acostumei com a ideia dele morando comigo.

— É... Porque não vai ao rio limpar esse sangue?

Ele olha para baixo lembrando oque havia ocorrido, pensei que ele iria resmungar, mas apenas saiu, julgo que não quer relembrar aquilo.

— Vou preparar algo para comer!

Grito da janela, ele apenas balança a mão como um tchau. Mas a questão é oque eu cozinho, carne de novo? Será que ele se recupera comendo carne? Ou se eu não der carne ele pira?...Por um segundo reparo sobre oque disse, ele não piraria só de não comer carne, ele não é assim, pensamento idiota.

Vou até à mesa e vejo que tem um bolo confeitado, comprei no dia dos caçadores, nem deu tempo de comer.

— Vai ser isso com sanduíche.

É seria isso, já que não deu tempo de comprar nada, ou de caçar, não tinha muita escolha. Cortei dois pedaços do bolo que parecia ainda estar bom.

Ao colocar em cima da mesa, escuto barulho na janela, era Zack chegando do seu banho com o cabelo todo molhado.

— Meu chão limpo... Murmurei, mas não quis dar uma de chata.

— Oque é isso?

Ele aponta para cima da mesa, para o bolo, será que ele nunca comeu? Com a vida que teve acredito que não.

— Como soube que meu aniversário era hoje?

Congelei, será que deveria fingir ser tudo armado, mas ele nunca disse a data, nem eu falei a minha para ele... Nem eu sei a minha.

— É...

— Não gosto desse dia.

O clima ruim se instaurou de novo, mas não deixaria assim.

— Tudo bem, mas não vai ser ruim hoje, vou fazer sanduíche, senta aí.

O puxei para a cadeira tentando mudar um pouco de assunto para não deixar esse dia arruinado, e fui para a pia com os ingredientes.

— E o seu... Quando é?

Como não sabia, "comemorava" um dia que parecia feliz do ano, assim aumentava um na minha idade e era apenas isso.

— Não sei... Apenas aumento um a cada ano que passa.

— O seu é hoje então também.

Ele cruzou os braços e falou aquilo bem sério, não querendo discutir o contrário, mas porque ele se importa...

— Falando nisso me deixa ajudar a fazer os sanduíches.

Ele se levantou e foi para a pia e ficou olhando atento ao que eu fazia.

— Ok, os sanduíches você monta como quer, mas me segue caso queira.

Assim ele aceitou com a cabeça, coloquei o pão e ele parecia seguir oque eu fazia, oque era uma sena engraçada pensar que havia um infernal na minha cozinha fazendo sanduíches.Eu adorava queijo, era caro, mas valia todo o meu dinheiro, após grelhar ficou lindo, nos sentamos na mesa olhando nosso trabalho que apesar de simples estávamos empolgados.

— Feliz aniversário.

Aquela frase me desmontou, além de ser ele que eu gostava, era o meu primeiro aniversário que realmente comemorava, espero ter muitos outros assim.

— Feliz aniversário Zack.

Assim abri um sorriso sincero que há muito tempo não tinha. Também vi algo como um sorriso no rosto dele. Ele estica a mão com um presente nela.

— Para você já que você é péssima em se defender.

Era uma adaga linda, prata com um tom branco, incrivelmente talhada.

Primeiro presente que ganho... estou tão feliz.

— Muito obrigada, prometo não te furar com ela.

Ele ri.

Assim comemos e rimos sobre eu contando minhas histórias engraçadas que passei caçando, ele não falava nada sobre o passado dele, então perguntei.

— E você como era você mais novo.

Fiz a pergunta já me arrependendo, pensando já em uma história triste e acabar com nosso dia, mas não foi assim, não exatamente.

— Tenho um irmão por parte de pai.

Aquilo foi uma surpresa, larguei o sanduíche e apenas fiquei escutando.

— Minha mãe morreu quando eu era novo e meu pai casou logo em seguida com uma de sua espécie, meu irmão é até parecido com você.

Fiquei chocada, quem diria que Zack teria um irmãozinho mais novo, ainda mais parecido comigo... Outro alado?

— Espero mesmo que ele fique com o trono do meu pai, aquela cidade em decadência não precisa de mim.

Enquanto ele comia e lembrava do meio-irmão mais novo, eu pensava sobre a possibilidade de eu ter irmãos, ou uma família por aí, mas o pensamento foi cortado com Zack levantando.

— Hey aonde vai?

— Para casa, não posso ficar comendo a suas custas.

Levantei rápido.

— Mas... Porque não fica aqui? Você me ajuda a caçar assim não fica de graça.

Não ligaria de caçar sozinha, mas ele não quer se sentir carregado então tudo bem, só não quero ficar sozinha, ou mais ... Sem ele.

— ... Certeza?

Ele parou na janela, pensei que ele recusaria a todo custo, mas acredito que até ele não aguenta mais aquela caverna.

— Claro fique o tempo que quiser.

Ele olhou para trás, e esticou a mão.

— Ok, mas se você me irritar eu te jogo daqui.

Segurei a mão dele mostrando a língua, acho que, no fundo somos duas crianças. Não sabia aonde ele me levaria, mas, no fundo não ligava, assim ele me puxou.

— Vamos andar um pouco nessa floresta, nosso aniversário não pode ser só comer.

Sorri ao escutar" nosso aniversário", aquele estava sendo um dia perfeito, até Zack estava feliz com a ideia de aniversário, oque era raro.

Andamos na floresta, dessa vez com Zack contando o quão chato era seu irmão mais novo, ri de rodas as situações, apensar dele parecer não gostar. Até que chegamos em um rio que parecia ser de pescadores.

— Você me ensinou a fazer sanduíche, que tau eu te ensinar a pescar?

Achei a situação meio estranha, o Zack me ensinando a pescar.

— Desde quando você pesca?

— Desde preciso de comida para viver.

Nunca tinha tentando pescar na vida, a caça sempre foi a primeira opção.

Nós sentamos na beira do rio, ele se sentou do meu lado e me deu uma varinha, ainda olhei meio espantada já que ele não tinha aparência de pescador, oque logo fui refutada já que ele pegou um peixe antes de eu ao menos tentar.

— MAS ISSO É INJUSTO.

— Se não andar logo, vai perder.

Desde quando aquilo virou uma competição? Nem parecia estarmos um fazendo 21 e o outro 20, mas o dia estava tão divertido que esqueci que em muitos anos apenas fazia coisas de adultos para sobreviver.

— ME ESPERA.

Ele ignorava todas minhas súplicas por não querer perder, mas parei de reclamar ao perceber o Zack sorrindo a cada peixe que ele pegava.

— Peguei um!

Puxei e era pesado, bati as asas para ter mais força.

— Está roubando!

Ignorei as reclamações dele, afinal acabei de pegar meu primeiro peixe, e era o maior. Segurei na frente de Zack como um prêmio.

— Quem diria que a pomba sabia pescar.

Aquilo não me abalou, estava tão feliz com meu primeiro peixe. Tirei o canivete que Zack havia me dado e amarei o peixe, ele me olhava com sua cara seria de sempre, mas senti um olhar de orgulho dessa vez.

Pescamos por um bom tempo, tudo estava indo bem até Zack me empurrar para o chão com força.

— Mas que mer...

Zack fez sinal de silêncio na minha boca. Preparei-me para dar um soco nele, mas vi que seu rosto estava diferente, ele estava com afeição de preocupação.

— Oque foi?

Sussurrei, ele apontou por cima de uma moita que tampava a gente. Era uma carruagem com um ar sombrio, não era desse reino.

Ela parou alguns metros a nossa frente, o rosto sério de Zack se transformou em raiva.

— Não...

Ele apenas levantou, pulou a moita e parecia ir tirar satisfação com suas asas arqueadas.Foi um segundo que tudo durou, dois demônios enormes saíram de dentro da carruagem segurando os braços de Zack o puxando para dentro, fechando a porta e logo o cavalo começou a andar.

Esperava a carruagem explodir e Zack matar os dois, mas nada aconteceu, um silêncio pairou e meu sangue ferveu.

Levantei-me e voei para o topo das árvores onde conseguia acompanhar e comigo, levei algumas pedras.

Ao chegar perto joguei as pedras nos arbustos fazendo a carruagem parar, um deles abriu a janela e olhou por ela, oque deu tempo de me esconder no teto da carruagem já que não tinha ninguém guiando o cavalo.

Porém, tudo escalou rápido, pois os arbustos que antes haviam se movido devido às pedras, agora se mexiam sozinhos.

A carruagem disparou e os arbustos se balançavam seguindo ela, me segurei o mais forte, mas acabei perdendo um sapato. Tudo ficou escuro, mas antes disso vi sobre as moitas um pelo branco que eu já conhecia, sabia que me achariam aonde eu fosse.

E aonde fui? Uma cidade escura e cheia de... Demônios.

Notas finais
Porque?... Era para ser um dia feliz... E quem conseguiria derrubar Zack sem ao menos ter uma briga?