Bater de Asas
11 11. Lutando para Sobreviver.
Notas iniciais
Acordo assustada e eufórica, pois tive um pesadelo com Zack, ele tentava me atacar dizendo que eu não era mais importante para ele.
Após perceber que foi só um pesadelo, olho para os lados e vejo Zack dormindo sentado, encostado na parede, reclamo mentalmente e me levanto para colocar a minha coberta nele.
Resolvi sair e ajudar a vila já que ainda teria de tirar os entulhos e corpos, não queria fazer isso, mas queria ajudar.
Chegando lá fora vejo algumas meninas varrendo o chão da pequena vila para tentar tirar um pouco do sangue do chão, mais ao lado vejo pessoas terminando de enterrar ao que parecia ser o último corpo, vejo Tomoe entre as pessoas e vou até ele.
— Eu... Eu lamento isso ter acontecido em uma vila tão boa.
Ele que estava com as mãos juntas, parecia ser algum tipo de respeito pelos que partiram, então fiz o mesmo.
— Obrigado mesmo por ajudar, se quiser pode ir, já fez o suficiente.
Ele falou com uma voz calma, mas me deixou triste já que queria ficar e ajudar mais.
— Toma para você, além disso, pegue um arco ali no armazém.
Ele me entregou um colar que na ponta tinha um dente que parecia ser de raposa, mas era bem grande, agradeço balançando a cabeça e vou em direção ao armazém.
Ao entrar vejo arcos lindos feito a mão, escolho um arco longo. Enquanto admiro o talento das pessoas, escuto gritos na parte de fora, corro para a porta.
Da porta dava para ver pessoas olhando para a mata, e Zack que saiu na porta do quarto, ele olha em volta e corre em direção as pessoas perto da mata. Pego umas flechas e vou também.
Era um urso gigante, atacando um agricultor, preparo meu arco já pensando do porque um urso atacaria um grupo de pessoas. Logo que ele levanta, disparo uma flecha que acerta seu peito, ele parecia ser muito forte, já que correu para a mata.
Algumas pessoas olham para mim para ver se onde a flecha saiu, e logo vão ajudar o agricultor, felizmente ninguém se feriu, e todos voltam para o meio da vila, Tomoe parecia ainda preocupado então vou falar com ele.
— Tomoe, o perigo já foi, ele está bem.
— Aquele urso não está sozinho, ele tem dono.
Sobe um arrepio ao pensar que essa vila não tinha sossego nunca.
— É o mesmo Clã que atacou da primeira vez, eles querem vingança.
Pelo que Tomoe me contou o pai dele atacou a vila desse cara e queimou as plantações, infelizmente é Tomoe que está arcando com as consequências.
Tomoe logo em seguida fica em alerta, parecendo que escuta algo, e grita seus guardas. Sinto algo me puxando, era Zack.
— Vem comigo.
Ele me leva até o quarto que dormimos e me deixa na porta.
— Quero ajudar!
— Não vai conseguir fazer isso morta, atire daqui, tente não matar ninguém.
Aceno intendendo oque ele quer dizer e fico de prontidão esperando, assim fico na porta do quarto, e do meu lado algumas meninas raposa usam arco e flecha também, mais a nossa frente está os guardas com espadas, e na frente deles Zack e Tomoe.
— Em posição!
Logo todos ficam em guarda, eu também, Zack apenas olha, mas continua lá na frente. Assim escutamos o balançar das árvores e uma figura enorme aparece.
Um homem que aparentemente era humano, montado em um urso, e ao lado dele mais dois ursos, um deles tinha um machucado no peito, me estremeceu.
— Guerreiro: Teu pai Tomoe não deveria ter atacado minhas terras!
— Você já fez estrago o suficiente!
A situação fica tensa, de onde estou só queria atacar uma flecha nele, mas isso poderia causar uma guerra maior, então apenas esperei um comando.
— Vou levar as mulheres para trabalhar no campo que seu pai destruiu, os homens não me importo.
As meninas ao meu lado ficam aflitas, a vila além de ser pequena, não sobrou muita gente depois do ataque, e a maioria dos homens estavam feridos.
— Vai ficar tudo bem, vamos proteger vocês.
Falo com um sorriso, mas no fundo, sei que essas palavras foram vazias.
— Atirem!
Enfim uma ordem, as meninas miram em apenas um dos ursos do lado, a estratégia de todas atacarem apenas um funcionou, o urso cai, enfim recebi a ordem que queria e atirei no cara em cima, a flecha bate em seu capacete, a cabeça dele vai para trás, mas logo volta.
— Vocês não sabem oque fizeram.
Ele tira o capacete por um segundo e olha direto para mim e as meninas, para ver de onde a flecha veio, ele franze a testa e coloca o capacete de novo.
— Olha oque temos aqui, umas raposinhas, mas também uma garota diferente, matem todos menos a garota!
Ao escutar a ordem, as meninas ao meu lado atiram mais algumas flechas, mas ao ver que não funcionou entram em pânico e correm em direção oposta, para a floresta, eu fico estática, só penso no quão minha culpa era toda a situação.
O guerreiro aponta para Zack que até então não parecia muito preocupado com a situação, então o guerreiro desce de seu urso que era maior que o outro, e o urso parte para cima de Zack e o guerreiro foi até Tomoe, o outro urso foi em direção aos guerreiros.
As espadas dos guerreiros faziam cortes no urso, mas não para derrubar ele, então a criatura pega um dos guerreiros.
— Fujam todos!
Enquanto Taito lutava com o Guerreiro da morte, os soldados foram em direção aonde as meninas correram, o urso foi atrás, mas em pânico de ver mais mortes, atiro nele.
— HEY, estou aqui!
O urso então vem em minha direção e atiro uma flecha a ele, faz uma ferida, mas ele continua a correr. Zack percebe e para de lutar com o monstro maior e tenta vir em minha direção, mas vejo uma cena horrível do urso se levantando e o pressionando no chão.
— ZACK!
Sinto um aperto no peito, mas não há tempo de ajudar ele já que o urso chega até minha porta, ele era grande também, não passava na porta.
Enquanto ele apenas consegue passar a cabeça, olho para os olhos dele, estavam escuros e sem nenhum brilho, acho estranho, mas não penso muito e apenas pego uma das flechas e segurando com as duas mãos acerto o olho dele, ele urra.
Ele se afasta e passa a pata nos olhos, sei que ele matou muita gente... Mas ele era diferente. Assim com raiva, ele fica em duas patas e arrebenta a porta onde eu estava.
— DEIXA ELA!
Escuto a voz de Zack, mas estou concentrada em não morrer. Logo que ele entra, corre para cima de mim, consigo correr para um segundo cômodo que era ligado nesse, era a enfermaria, ele não parece ligar para a porta então faz o mesmo que antes e a derruba, neste momento um cheiro de queimado é sentido no ar, mas no momento apenas ignoro.
O enorme urso vem em minha direção e tenho apenas uma flecha para me defender, corro pelo quarto, mas ele me encurrala no canto, seguro uma flecha, ele se levanta para dar oque seria o último golpe, eu recolho minhas últimas forças e finco a flecha em seu peito, sangue cai em meu rosto, ele parecia cansado, mas segura com suas garras minhas costas, assim ignoro a dor e enfio mais fundo e puxo para fora, sangue é jorrado, o urso cai no chão e seus olhos voltam ao normal, uma ira sobe em mim ao perceber que o Guerreiro apenas usava da vida para o próprio bem, e vou em direção a porta.
Chegando lá, entendo o cheiro de queimado, uma fina camada de vapor saia de Zack, exausta me encosto na porta ainda com o arco na mão, Zack sente o cheiro de sangue e olha para mim.
— Zack...
Exclamei baixo ao ver seus olhos ficando escuros de novo, mas diferia, dessa vez ele se transformou por raiva, os chifres aumentaram, e os dentes apareciam para fora da boca, ele em ira ao perceber que eu estava "machucada" atacou o urso no pescoço, e nesse único golpe o gigante caiu, mas Zack não parou, continuou a furar o urso com suas mãos mesmo ele caído.
Espantada com a situação de descontrole dele, Tomoe e o Guerreiro por um segundo param de brigar e olham também, Zack furava e passava na boca, assustada grito.
— Zack!
Corro até ele e abraço suas costas, ele fura mais devagar até parar, e fica olhando fixo o chão, não aguento a pressão de tantas mortes e choro abraçada a ele.
— Esta tudo bem Zack...
Falei calmamente a ele, mas no fundo, estava falando para eu mesma, parecia que aonde eu ia, pessoas se machucavam.
O Guerreiro ao perceber ser o último vivo, deu dois passos para trás para fugir, mas foi parado ao sentir uma parede de pelos atrás dele, uma enorme raposa branca já conhecida estava diante dele, ao apontar sua espada ainda de costas, a boca da raposa o consome até o meio, suas pernas se debatem e logo o sofrimento dele acaba, ao ver suas pernas caírem ao chão.
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