Batalha pelo amor
16 Capitulo 15
Notas iniciais
POV ESME
Passei a mão nervosamente em meu rosto e olhei para os lados. Mary estava deitada de costas para mim, já Alice estava de frente a mim toda encolhida. Não consegui conter um sorriso bobo ao ver essa cena, mas notei que o loiro do meu sonho nada descente não estava ali.
Recostei-me na cama ainda encarando os pequenos anjos adormecidos ao meu lado. Vê-las ali tão aquecidas, tão protegidas tendo um sono tranqüilo, fazia me sentir reconfortada, afinal nas circunstâncias em que as encontramos, não era algo fácil de ser lembrado por mim. Eu juro que já tentei entender, mas realmente não conseguia, por mais poucas condições que uma mãe tenha para cuidar de um filho, não é certo o abandonar, como se fosse um objeto que você pudesse doar ou ate mesmo vender a outra pessoa.
Dizem que o amor de mãe é incondicional e não tem preço, mas se é assim por que os dessas mães têm? E às vezes preços que poderia comprar um pacote de biscoito, vender um bebe que gerara por nove meses, que foi colocado em seu ventre através de uma noite de caricias, amor e prazeres, para alguém que você se quer sabe se é uma boa pessoa, que você não sabe para onde levara seu bebe concebido ao seu ventre com tanto amor.
Na maioria das vezes poderia sim ser um casal honesto que realmente quisesse um bebe, pois como a justiça é muito burocrática e injusta levariam anos talvez para conseguir um filho e de modo ilegal era mais fácil. Mas muitas das vezes, eram pessoas más que negociavam essas crianças para o trafico de menor ou até para o trafico de órgãos. Eu preferia acreditar que no mundo não existiam pessoas com tamanha crueldade, ao ponto de machucar uma criança, um ser inocente, um anjo. Se essa mulher não queria gerar uma vida haviam vários meios de se prevenir, pra isso existiam preservativos, seria melhor do que acabar com a vida de um ser que começara a viver.
Olhei novamente meus anjinhos adormecidos ali, com uma inocência transparecendo em seus semblantes sereno. Um sorriso bobo surgiu em meus lábios, eu sempre quis ser mãe, mas por ironia ou maldade do destino não podia. Ainda lembro como ontem a notícia dolorosa, a decepção, a rejeição e a traição.
Flashback on:
Estava esfregando as mãos nervosamente enquanto aguardava ser chamada pela medica, mas eu tinha quase certeza de que nunca poderia gerar um ser dentro de mim. Lembrava vagamente da noticia, lembrava também das lagrimas que escorriam por meu rosto enquanto as palavras daquela mulher ecoavam em minha mente.
–A senhora não pode ter filhos. Sinto muito...
Havia ido para casa desnorteada ainda perdida em minhas próprias decepções, não estava preparada para mais duas... Contaria ao até então amado e perfeito marido que me aguardava chegar, pelo menos era o que eu pensava.
Mas eu estava completamente enganada a respeito de Charles. Eu sempre pensei que ele fosse o meu príncipe encantado, o homem sonhado por toda mulher, só porque fez uma serenata e foi todo fofo pedir a minha mão ao meu pai, mas eu acho que deixei muito me levar pelo lado fofo e romântico e acabei fechando os olhos para suas atitudes asquerosas.
Ele era um homem muito rude eu não podia fazer algo errado que ele não hesitava em alterar a voz ou até mesmo em levantar a mão contra mim. Ele sentia prazer com a minha dor e como a burra que era achava que ele me amava. E naquele dia aquele desgraçado teve a coragem e crueldade de me apresentar “uma” de suas amantes. Sem se importar com a dor que eu sentia naquele momento.
Flashback off
Podia sentir minhas lagrimas escorrerem por meu rosto enquanto permanecia com meus olhos fechados.
–Mamãe... Por que você esta chorando? — ouvi a voz doce e chorosa de Mary que se aconchegava em mim. A envolvi com meus braços, ela era tão pequenina. Abri meus olhos encarando aquele pequeno anjinho que também me fitava com aqueles olhos grandes e fofos que agora estavam marejados.
–Oh meu amor não chora não... A mamãe só esta lembrando coisas ruins que aconteceram no passado, mas agora a mamãe esta muito feliz. — disse enchendo suas bochechas rosadas de beijos estalados. Ela deu um sorriso doce que me faz sorrir também, depois olhou paro lado onde Alice ainda dormia encolhidinha.
–Aonde está o papai? — ela perguntou me surpreendendo, e pra falar a verdade eu também não fazia a mínima ideia, ou ele estava lá em baixo ou havia saído pra trabalhar.
–Acho que Ele foi trabalhar meu amor. — acariciei seu rosto macio e quente a fazendo fechar os olhinhos.
–Tomara que ele volte logo — ela anunciou se sentando na cama.
–Eu não sei meu amor, mas que tal você acordar Alice, e irmos tomar café para gente ir para minha casa, porque hoje eu preciso ir à minha loja. — disse dando um beijinho no alto de sua cabeça, e me levantei caminhando em direção ao banheiro.
Disfarçadamente observei Mary se posicionando cautelosamente ao lado Alice e com a voz suave a chamando. Não pude ver mais, pois entrei no banheiro e fechei a porta ao passar pela mesma.
Olhei-me no enorme espelho que havia ali sobre a pia, ate que eu não estava tão ruim assim, pensei enquanto pegava uma escova que ainda estava guardada em uma caixinha e escovei os dentes antes de guardar a escova ao lado da de Carlisle.
Afastei-me da pia começando a me despir, coloquei as roupas em um gancho e fou caminhando preguiçosamente ate o chuveiro onde liguei o mesmo deixando a água morna cair por alguns segundos para depois entrar debaixo dela sentindo um arrepio na pele. A água morna escorreu por minha pele a aquecendo lentamente. Me ensaboei e me enxaguei, desliguei o chuveiro e peguei uma toalha que havia ali me enxugando rapidamente devido ao frio que agora me envolvia.
Pendurei a toalha onde eu havia a pegado, caminhei ate onde havia deixado minhas roupas e as vesti rapidamente enquanto meu corpo estremecia pelo ar gélido que circulava aquele ambiente. Destranquei a porta do banheiro saindo do mesmo, meus olhos de imediato percorreram a cama que agora estava vazia. Caminhei rapidamente atravessando o quarto saindo daquele cômodo, desço as escadas quase que pulando de três em três degraus de cada vez.
Quando cheguei a sala e segui na direção da cozinha e ao entrar no local encontrei Mary e Alice conversando, comendo e brincando. A senhora de antes agora estava ali servindo as meninas, e às vezes paparicando as tagarelas.
Me aproximei sentando na cadeira no centro onde eu podia ver claramente os rostinhos das duas que estavam sentadas uma de frente para a outra. A senhora dos cabelos castanhos me serviu uma xícara de café ao qual agradeci sinceramente.
Estava tomando um gole de meu café distraidamente quando fui surpreendida pela pergunta de Alice.
–Onde esta seu namorado? — eu me engasguei com o café e a encarei ainda de olhos arregalados. Não era possível uma era bom, agora duas é demais! Será que ela ajudaria Mary com suas frases constrangedoras em publico?
–Ele não é meu namorado meu anjo.
–Então por que quando o moço me achou ligou para você? – naquele momento cheguei a triste conclusão que havia achado uma Mary dois idêntica a própria.
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