Batalha dos Sobrehumanos
16 Desconfianças, Suspense e Perigo
Notas iniciais
Kirigaya Kazuto P.O.V
– Maldito Anjo... — eu tentava chegar perto daquele cara, mas há tantos Guerreiros Camaleões ali que era difícil até respirar!
Irritado, faço meu cavalo alado voar mais alto e quando vou mergulhar...
– Kirigaya! — chama alguém.
Vejo uma imagem holográfica ao meu lado.
– O que é, pai? To meio ocupado! Esses bando de camale...
– Aborde a missão.
– O quê?!
– Quero que mate a queridinha da Demetria.
– Uhf — suspiro, mais irritado ainda. — Quem é a infeliz?
– Katherine Persye. Cabelos longos que caem na cintura, nem lisos nem enrolados, negros iguais a noite. Olhos negros sem brilho. Baixa e um corpo bonito, nem gorda nem magra. Pegue-a.
– Tá, estou indo. — e voo para outro lugar.
Lexi Roiz Toush P.O.V. (O Verdadeiro)
Avanço, avanço, avanço, avanço, avanço novamente contra as paredes de titânio — e de mais alguma coisa.
Impossível.
Caio no chão, esgotado. Droga de Jasper. Eu devia ter matado-o direito quando tive chance, na Batalha dos Sobre-Humanos passado, mesmo com a intervenção do pai dele.
Ainda me lembro da última vez que nos vimos no campo de batalha.
"Era uma pirâmide o novo desafio. No topo, rente, quadrado. Nos quatro pontos estava de pé eu, Demie a direita, Alodely em seguida e Jasper ao meu lado esquerdo. Todos se entreolhavam, mas eu dedicava meus olhos totalmente a Demetria. Linda, como sempre — mesmo depois de termos acabado de sair do pior desafio da história de Catastrítio. Água. Piranhas. Jacarés. Nossos medos. E um monstro que rouba faces (dá para imaginar o que passamos).
"Mas, voltando ao assunto, Demetria. Seus cabelos — agora — loiros, cachinhos ao vendo. Parecia uma boneca de porcelana. A única coisa que estragava tudo ali era aquele ridículo uniforme de Catastrítio, semelhante a um repolho podre refogado pintado de azul escuro. Tenho esperanças de um dia poder andar nú por aqui, de tirar esse uniforme horroroso. Imagine essa visão maravilhosa! Eu, nú, em pelos e pele, do jeito que nasci. Que lindo!
"Antes de o Porta-Voz dar-nos o sinal, Demie se aproximou e pegou minha mão. Dou um leve choquinho nela, que se afasta, sorri maliciosamente mordendo o lábio inferior.
"- Já! — grita o Porta-Voz. Mas, antes que eu avance, Jasper pula sobre mim e acabamos rolando pirâmide a baixo.
"- Seu idiota, me larga! — empurro-o, mas ele simplesmente flutua a poucos metros de mim — seus braços estão sendo segurados por espíritos. — Você não tem vergonha de escravizar esses pobres espírito?!
"- Não. — ele ri. — Eu vou te matar, Lexi Roiz. Eu posso. Meu pai é dono de tudo isso aqui. Se sobreviver hoje, amanhã pode ter certeza que acordará morto, jogado numa vala imunda e fétida.
"- Não sei, não, Jasper. Seu pai gosta muito de mim.
"- Mentira!
"De repente ouvimos alguém gritar. Sigo meus olhos na direção de quem grita e vejo Demie desmaterializando Alodely, que some em seguida em gotas de sangue. Nessa minha distração, não sei como, mas Jasper me afunda contra a pirâmide feito de mármore e sai atrás de Demie — ele não ia deixar ela ganhar.
"Fico preso naquelas pedras surpreendemente sólidas, mas isso não é problema.
"Assim que saio de dentro da pirâmide, outra pessoa grita — eu conheço essa voz. Olho para longe e vejo Demie e Jasper a-não-sei-quantos-mil-metros longe de mim. Ele estava com algo na mão. Uso meus olhos previlegiados pelo meu dom e consigo ver. Ele estava com a Maldição de Aquiles da Demie na mão.
"Sinto o calor do sol fazer borbulhar meu sangue ao ver que Jasper vai matá-la. Quando percebo que ele vai queimar o fio de cabelo da Demie com o isqueiro que tira do seu bolso, eu reajo. Envolvo minhas mãos na imagem do sol a minha frente, queimando, derretendo. Uso toda a capacidade do meu dom para trazer o sol para mais perto, posso sentir a atmosfera mudando drasticamente de 40 graus para cada vez mais quente. Consigo tirar metade do sol e, enquanto o trago para mais perto (isso em segundos), voo até Demie. Pego ela e seu fio de cabelo dourado. A parte do sol está mais perto, por isso envolvo Demie fortemente em meus braços, crio uma bolha de proteção poderosa a nossa volta e com toda minha raiva deixo cair aquela enorme bola de fogo solar em Jasper — que acaba causando uma explosão gigantesca. Demie tenta olhar, mas eu fecho seus olhos com leve beijos.
"- Está tudo bem. — sussurro.
"- Me deixa ajudar, você não vai aguentar. Pare de bancar o machinho. — ela tinha razão, a minha bolha de proteção falhava.
"Demie abre os olhos e aponta suas mãos em direção a explosão, que estava por todo lado. Como num passe de mágica o fogo vira infinito pontinhos vermelhos, que vão sumindo e vira chuva de água morna. Desativo a bolha e caio de joelhos no chão, esgotado.
"- Estou morrendo. — digo a ela. — Eu te disse, Demie. Eu acabaria com tudo por você.
"Ela me deita no chão, pairando sobre mim, chorando.
"- Lexi... não... você vai viver. Sempre vamos estar juntos, lembra? — diz, mostrado sua tatuagem em R. Eu tinha uma igual, mas em forma de D. — Você não tem o direito de me deixar, seu imbecil. Abre os olhos, vamos! Larga de ser fraco!
"Eu rio.
"- O jeito que você tem de me animar é motivador. — sorrio, mas me doi tudo por dentro.
"- Hei! — ouvimos a voz do Porta-Voz. — Sabem a destruição que vocês causaram?! Destruíram quase o Egito inteiro, que nunca esteve tão quente! — seus olhos se materializam a nossa frente. — Vocês vão pagar.
"- Todos estão vendo, todos os telespectadores. Demie ganhou, estou morrendo. Ela ganhou.
"Ele ri, seus olhos piscam.
"- Você não vai morrer, Roiz. Nem meu filho morreu, graças a mim. E sim, Demetria ganhou, mas vai pagar por isso. Façam todos esquecer dessa edição dos Sobre-Humanos, Roiz, ou... — ele se materializa por inteiro agora e abre a mão — a orelha de Demie está ali. Ele aperta, ela se contorce com dor. — Agora.
"Se eu fosse mais cuidadoso...
"- Agora! — assim que fecho os olhos, uso todo o que resta de mim para causar uma amnésia mundial, embora todas aquelas lembranças fossem ficar em minha mente. Quando abro os olhos estou deitado numa maca, Jasper está sobre mim.
"- Olá, Bela Adormecida. Sete anos dormindo hein? A alma do meu pai fez bem a você.
"- Como?
"- Só assim para você não morrer, Roiz. Meu pai se sacrificou e você agora é meu escravo, na verdade deve isso a mim, agora que usurpou a alma dele. Eu mando, você obedece e Demie... ela nunca ganhou nada. Certo?
"- Seu...! — tento me levantar, mas espíritos me seguram.
"- Ainda tenho o fio dela, Roiz, e também a alma de meu pai te prende a mim. Tem certeza que pode me confrontar? Agora você é meu e prometo que vou fazer valer a pena a vida de meu pai, seu infeliz.
Narrador P.O.V.
(coloque essa musica pra CARREGAR http://www.youtube.com/watch?v=QbiWfTDK2rc)
Os conselheiros observam todo o grupo ali. Sant'anna se encontrava ao lado de Demie, tentando-lhe sussurrar alguma coisa, mas Demetria ainda pensava no que acontecera mais cedo, nos olhos de Roiz ao ver a cena de Lily e André — ops, Andrew — se beijando.
– Demie... Demie... — ficava chamando Sant'anna
– Ah, Cale a boca. Seu espirito estupido! — gritou Demetria furiosa.
Roiz percebeu a movimentação. Abraçou os ombros de Demie, que simplesmente se esquivou, meio enjoada.
– Não toque em mim, Alex. — disse irritada. 'Roiz' ignorou e pegou a mão dela.
Demetria deu um suspiro pesado e aceitou, se sentindo calma de repente. Roiz sorriu.
– Sempre sei como te acalmar.- disse dando um sorriso. Demie sorriu e olhou para as mãos meio entrelaçadas.
Ficou ali, observando até perceber que algo definitivamente estava errado. Aquele era o braço onde deveria estar a tatuagem com um D. Mas tinha sumido. Só uma coisa poderia esclarecer aquilo.
Pequenas lagrimas começaram a escorrer dos olhos dela. Soltou os dedos dele e saiu de perto.
– Onde você está indo, Demetria? — perguntou.
– Tenho que me preparar para dizer a ultima parte. — mentiu ela, saindo de perto e indo para longe dali.
P.O.V Demie
(play na music, pfvr)
Droga, droga, droga. Malditas lagrimas que não param de cair. QUAL É O SEU PROBLEMA, DEMETRIA ADELINE DEVINE? Você sabia que isso poderia acontecer. Não foi você quem disse para ele te esquecer?
Eu sei, eu sei. Mas mesmo assim eu o amo tanto. Abaixo minha cabeça deixando ser tomada pelas lagrimas, lembranças e dor.
"Estavamos esperando para o nosso proximo desafio. Depois de eu ter saído dos espelhos e ter matado metade dos conselheiros que haviam me torturado. Roiz continuava do meu lado, como se eu não tivesse lhe dado um belo de um soco no rosto quando estavamos presos na mesma ilusão.
"'Roiz eu...' comecei pela decima vez e, como sempre, ele apenas riu e tocou meus cabelos.
"' Não precisa se desculpar, Demetria. Sei que não fez por mal. ' disse, e depois ficamos calados observando o restante dos participantes de longe.
"Sinto como se alguém estivesse me olhando, ou sei lá. Imediatamente fico arrepiada e meus cabelos começam a mudar de cor, ficando verde-limão. Roiz ria.
"' Você fica estranha desse jeito, sabia? Mas linda também. Talvez eu olhe mais vezes pra você. ' brincou, ainda rindo.
"'Isso não tem graça, Alex.' resmungo deixando meus cabelos voltarem ao normal.
"Riu mais ainda, porem depois se calou. Achei estranho aquilo, uma vez que ele conseguia falar mais do que eu! Mais do que uma mulher! Imagina que coisa estranha é um homem falar mais do que uma mulher, pelo pai! Fico calada junto com ele, mas estou ocupada demais brincando com as particulas, fazendo-as se modificarem e transformarem-se em várias coisas. Um pavão rosa, um disco antigo do Elvis, um cachorrinho verde-limão...
"'Demetria, pare de criar coisas!' escuto o grito do porta-voz e dou um pulo. Faço o cachorrinho voltar a ser ar, mas antes ele dá um aquele chorinho de cachorro, sabe? Sempre achei fofo, mas irritante.
"'Eu disse pra você não fazer esse tipo de coisa...' adverte Roiz.
"'O escambau que você disse! Ficou o tempo todo olhando para a Sunny que eu sei. ' falei irritada.
"'Eu não olharia para Sunny. Nunca. Não com você aqui, do meu lado. ' disse, me olhando sério. Inclinou-se um pouco, deixando nossos rostos tão juntos que eu podia ouvir sua respiração... senti-la,até.
"'Roiz...' comecei mas ele me interrompeu.
"'Demi, não estrague nosso momento, sim?' brincou e então seus lábios tocaram os meus com tanta doçura que senti meus cabelos ficarem vermelhos-paixão."
Toco meus lábios ao lembrar daquele momento. Nosso primeiro beijo e...
– Cala a boca, Demetria!- gritei para mim mesma.
Olhei com raiva para o 'R' tatuado em minha pele, depois para minhas unhas.
– Eu te odeio, Lexi Roiz. — falo para a tatuagem e então arrunho minha propria pele, sentindo uma dor insuportavel ao olhar o sangue começar a se desprender da arranhadura.
P.O.V Narradora
Andrew e Violet acordam no mesmo lugar, mas ela foi a primeira a acordar.
Os dois estavam na beira de um precipício... na verdade havia uma ponte logo a frente, mas caiu para morte certa a baixo de seus pés. Nevava em volta, a frente, após o precipício, tem um espelho enorme e saindo dele... Ramirez. Ela estava toda armada, sem o uniforme horrorozo de Catastrítio. Usa um peitoral feito de paládio e platina, na cor branco acinzentado, todo detalhado com desenhos que pareciam mais garras rasgando um tecido. Não havia nenhuma blusa por baixo, só um top de ginástica preto, uma saia curta frizada branco aperolado e sandálias gladiadoras douradas. Na cabeça, como uma coroa que põe sobre a testa, folhas de louros prateados intrelaçados um no outro. Para Violet foi uma visão maravilhosa, já estava cansada daquele uniforme ridículo.
Andrew acorda segundos depois, sendo sacudido por Violet.
– Olhe!! Olhe!!! — exclama sem respirar.
– O que... Violet? O que faz aqui? — pergunta antes de olhar para onde ela apontava.
– Só me lembro de estar fugindo e puf! Sumi. — murmura pensativa, mas logo volta na euforia de antes. — Andrew, olhe! Olhe, cara! Olhe! É a Ramirez!
Ele vira a cabeça e olha a diante do precipício, percebendo uma mulher status guerreira a poucos metros deles.
– Venham, não posso ficar muito tempo aqui. É a saída. — diz Ramirez. Logo começa a sumir dentro do espelho/portal.
– Mas como vamos atravessar esse precipício? Pelo jeito até tinha uma ponte de madeira — diz Andrew, olhando para os restos mortais de madeira pendurados na beirada. Aliás, ali não havia fundo... pelo menos não podia vê-lo.
– E os dons?
– Espere — Andrew aperta as mãos e toca no gelo, tentando absorver o material . Seu corpo torna-se todo de gelo, ele pode sentir o poder gelado por suas veias. Assim que estende as mãos uma ponte de gelo surge, fina, mas utilizável. — Droga, algo está interferindo ainda no meu dom... no de todos, tenho certeza.
– Posso...? Podemos?
– Vamos, mas rápido.
Andrew e Violet dão as mãos e atravessam lentamente a ponte de gelo.
– He he... esses dois ai não vão atravessar. Já basta a Ramirez. — diz Jasper, estralando os dedos.
Demie surge do nada.
– O que disse? — pergunta a ele.
– Essa Ramirez, passou que nem vi.
– Ramirez?
– É, não é esse o sobrenome dela?
– Uhum, claro. — diz, sorrindo, mas com um ponto de interrogação enorme por dentro. — O que vai fazer?
– O que mais eu haveria de fazer? — e estrala o polegar no dedo médio.
Então algo toma o corpo de Andrew.
A ponte balança, ele desmaia, seu corpo fica normal novamente.
– Andrew! Andrew! — clama Violet balançando o corpo dele caido no gelo. — Acorde ou vamos cair!
Mas ele não dá nem um sinal de vida.
A ponte começa a ruir e Violet fica desesperada, tendo de escolher entre salvar a sua vida ou a dele.
– Andrew... droga! — assim que ouve a parte da ponte atrás de si rachar, ela toma uma decisão que dá uma nova ideia para Roiz e muda totalmente o rumo do jogo. Violet obriga o seu dom a funcionar, pega o braço de Andrew e faz sua força além de sobre-humano a jogá-lo para o outro lado — o lado seguro em que a ponte acabava.
Assim que Andrew abre os olhos, ainda meio tonto, só pôde ver Violet desabando junto com a ponte de gelo.
– Vá! — exclama ela.
– Violet! — grita ele e tenta novamente controlar o gelo, mas já não dava mais tempo. Ela... ela morreu. — Meu Deus... o que aconteceu?... ela não precisava ter morrido, embora esse seja a meta da competição. Tomara que o tal Anjo do Inverno não me incontre.
Fale com o autor