Batalha de Santin
1 Floresta afora... Cidade à vista....
O sol iluminava o começo de um novo dia...
John estava na Floresta de Saidian cavalgando tranquilamente com seu cavalo Hibion observando as flores que vinham junto com a primavera...uma dália aqui, umas rosas ali, e quando andou mais um pouco, percebeu que estava cavalgando num enorme jardim e olhando mais focado e atento, percebeu uma casa a uns 200 metros dali, simples, de madeira, dois andares, mas sem nenhuma decoração em sua parte externa.
"Quem será que mora aí?"- pensou John, questionando a si próprio.
Quando chegou à casa, foi surpreendido por uma voz que surgiu ao seu lado.
_ Quem é você e o que faz aqui?- entoou ela.
John virou-se e novamente foi surpreendido.Achava que tratava-se de um fazendeiro que era um tanto rabugento, mas se enganou. O sujeito trajava um macacão de couro e botas de couro também, ambos muito desgastados. Seu muque demonstrava o quanto era forte, com as veias sendo esmagadas pelos fortes músculos e gritando de agonia, ficando vermelhas.
Depois de olhar para a parte mais física do homem (peito, ombros, braços), John inspecionou rapidamente a parte de cima do grandalhão. Tinha uma cabeça grande, protegida por vários fios de cabelo pretos e muito desgrenhados. Uma barba negra estava crescendo mais do que devia, preenchendo em várias camadas o queixo. O nariz era grosso igual uma rocha, os lábios, carnudos, olhos que pareciam despreocupados, mas que eram atentos e ferozes a tudo. Para tornar tudo mais ameaçador, segurava uma tesoura gigante. A lâmina era de um metro e parecia mais afiada que diamante, registrou John.
_ Quem é você e o que faz aqui?- repetiu, ferozmente- Responda!
_ Eu sou John de Lugar Nenhum, um mero e ralo cavaleiro que passava por essas bandas que, quando se deparou com esse jardim, quis olhar a magnificência das flores e plantas antes de seguir viagem.Mas, por que num raio de três quilômetros eu não vi ninguém?
_ Pois bem... há muitos e muitos anos essa trilha era usada para comércio, moradia, e até para o Exército do Rei se deslocar. Mas aí o movimento parou quando vieram as guerras e muita gente fugiu para o litoral e aqui só resta essa casa e uma taverna à um quilômetro e meio, para então se chegar a primeira cidade realmente grande, Decantium. Faz uma semana que um carpinteiro passou por aqui. Desde então não chegou mais ninguém, até você chegar.
_ Entendi. Bom, você ainda não se apresentou.
O sujeito fez uma cara de "nossa-como-eu-fui-mal-educado", se desculpando.
_ Meu nome é Tarj, vim de Trunder, a última grande cidade à leste do reino, e cá estou. Aceita uma água?
_ Sim, por favor. Há dias que não vejo isso.- e John riu.
Tarj entrou na casa e foi buscar a água. Voltou trazendo um odre cheio e, perguntou:
_ Não quer ficar mesmo?
_ Não. Preciso chegar em Decantium amanhã cedo. -John respondeu rapidamente, sem deixar brechas para Tarj tentar convencê-lo. — Mas... será que teria alguns pães para que eu tenha suprimentos, caso alguma adversidade venha à tona?
_ É claro!- e foi novamente para dentro da casa.
John, que estava esperando, que tentou ter um panorama da região, foi ofuscado por uma luz forte mirando seu olho. Depois de alguns segundos, olhou para a fonte da luz e percebeu que eram moedas que refletiram a luz do sol. Moedas de ouro!
Calmamente, foi até o saquinho que armazenava elas. "Está no jardim, descuidada pelo dono tonto e, por mim, achado não é roubado...", refletiu John, rindo, e pegou-as.
_ Aqui estão os pães!- Tarj voltou mostrando, com um estranho orgulho, uma sacola cheia de pães, enquanto John escondia rapidamente a bolsinha com as moedas .- Também há um odre de água para você beber caso não alcance o rio Horn...
_ Obrigado por tudo mas agora tenho que ir...- e montou em seu cavalo.
E partiu.
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Cavalgou por mais alguns quilômetros e, quando chegou à uma clareira, decidiu descobrir onde estava. Para isso, subiu em uma árvore habilmente, sem deixar que um empecilho o atrapalhasse, enquanto o cavalo pastava na grama rala que havia no lugar.
Quando chegou ao topo do vegetal, olhou e lá avistou, forçando os olhos porque estava bem longe de onde se encontrava, a cidade de Decantium.
Construída num vale, a cidade era guarnecida ao leste e ao oeste pelos imensos montes que o cercavam. A cadeia de montanhas se estendia até onde a vista não chegava. Ao redor sul da cidade haviam muitos campos que produziam alimento para cidade e para ser comercializado em outras cidades...
Depois de contemplar o que podia da cidade, John desceu e montou em Hibion, este com o que poderia deduzir-se um largo sorriso no rosto.
Pararam para descansar, já quando o sol se punha, e John lembrou-se de que havia um vilarejo entre eles e Decantium: Hallsoom. O vilarejo em si não era o problema... o problema era quem comandava ele no momento.Necromantes.
John, desde sua infância, queria ser mago.
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