Batalha de Brenna

1 A Batalha de Brenna


Notas iniciais
Extremamente recomendado ler ouvindo a música Everybody Knows - Sigrid

A terra sob seus pés estava completamente encharcada, tornando as passadas difíceis e perigosas. De qualquer modo isso não mais importava, pois Iorveth estava catatônico diante dos estandartes negros que dançavam conforme o vento. As longas lanças massacravam elfos que cavalgavam contra o inimigo nortenho. Por que?

Sua espada ainda pendia em sua mão, mas parecia deslocada. O céu, antes azul claro, era tampado pelos dedos de fumaça. A corneta soou com ordem para ataque, Iorveth conhecia as notas e as regras. Ele incitou seu cavalo e o mesmo fez a brigada que ele comandava. O trote dos cavalos ficou mais intensos e repentinamente relinchos se misturaram a gritos.

Todos sabem que o dado está viciado

Todos rolam-o com os dedos cruzados

Todos sabem que a guerra acabou

Todos sabem que os caras bons perderam

Todos sabem que a luta foi armada

Os pobres continuam pobres, os ricos ficam ricos

É assim que as coisas são, todos sabem

O assobio das flechas cortando o ar se assemelharam a uma tormenta de morte e traição. Dezenas de elfos caíram sem entender como. Teriam os nortenhos preparado uma emboscada? Os mortos nunca descobririam. Morreram com a crença de que lutavam por Dol Blathanna, por Nilfgaard.

Homens sob seu comando definhavam e gemiam até que um cavalo pisasse por cima do corpo moribundo ou um cavalheiro pesado caísse por cima do primeiro. Aos poucos as pilhas de corpos cresciam aqui e ali. Iorveth ainda não sabia o que fazer. Ainda não conseguia entender por que os cavalheiros negros estavam atacando os elfos Scoia’tael.

Todos sabem que o barco está vazando

Todos sabem que o capitão mentiu

Todos têm esse sentimento quebrado

Como se o pai ou o cachorro deles tivessem morrido

Todos conversando com seus bolsos

Todos querem uma caixa de chocolates e uma rosa de haste longa

Todos sabem

Parecia um pesadelo convertido no fedor de sangue e carne queimada, isso porque havia focos de incêndio, um mero resultado das flechas incendiárias que acertaram as vacas banhadas em piche. Os cavalos desesperavam-se e empinavam-se, fazendo os montadores caírem e quebrarem alguns ossos. Dor e desespero criaram um caos e Iorveth ainda estava paralisado.

Alguns elfos começaram a reagir e se defender, atacando os cavalheiros negros que vinham ao seu encontro. Iorveth estava surdo em meio o tilintar de aço contra aço, do vibrar das vozes que gritavam pedindo ajuda ou escapuliam pelas gargantas como último suspiro de vida. O crepitar que as chamas faziam ao consumirem mais e mais. Os cavalos relinchando e por fim os Nilfgaardianos dando ordens de extermínio em sua língua própria.

Todos sabem que você me ama, baby

Todos sabem que você realmente ama

Todos sabem que você foi fiel

Oh, tirando uma ou duas noites

Todos sabem que você foi discreto

Mas havia tantas pessoas que você precisava conhecer sem suas roupas

Todos sabem

Iorveth via dezenas de Scoia’taels morrendo, sendo massacrados pelas forças do Grande Sol. Emboscados feito ratos, atacados por duas frentes e cercados pelas falanges. Foi uma armadilha desde o princípio. Os Scoia’tael apenas foram usados quando ainda tinham alguma utilidade contra o norte e agora estavam sendo descartados como se fossem cascas de frutas.

Um elfo via as próprias vísceras escorrerem para fora do corpo após ser mortalmente cortado no abdômen. Ele tentava em vão conter o sangramento. Outro arrancava a sangue frio o braço já quase completamente amputado. E Iorveth sentiu a quentura de seu próprio sangue escorrer pela face. Tudo ocorreu de maneira muito rápida. Um espadachim lhe atacou em seu momento de descrença e isso lhe custou um olhou.

Todos sabem, todos sabem

É assim que as coisas são, todos sabem

Todos sabem, todos sabem

É assim que as coisas são, todos sabem, todos sabem

O estalo no interior de seu crânio durou um segundo, mas a dor do rompimento parecia não ter fim. Mais por instinto do que qualquer outra coisa, ela conseguiu dar um mísero passo para trás quando viu o brilho do sol refletir por uma mera fração de segundo antes do fio se deliciar com sua pele. Sua mão direita foi de encontrou ao buraco vazio de seu rosto que insistia em chorar sangue.

Foi o grito de fúria de seu atacante que o alertou a reerguer a espada, mas sua visão estava deveras debilitada e foi por pura sorte que um cavalo desgovernado atropelou o soldado negro e passou por cima de seu corpo como se fosse nada. Iorveth terminou por cair com o avanço do animal e sua cabeça bateu contra algo terrivelmente duro que lhe tirou a consciência.

E todos sabem que é agora ou nunca

Todos sabem que sou eu ou você

E todos sabem que você vive para sempre

Quando você fez uma linha ou duas

Todo mundo sabe que o negócio está podre

O velho Black Joe ainda colhe algodão

Para suas fitas e arcos

E todos sabem

As chamas se aproximavam de seu corpo, o rosto estava completamente sujo de sangue, fuligem e lama. A respiração fraca era quase imperceptível e a fumaça logo o sufocaria, não fosse por Yaevinn. Montado em seu garanhão castanho, ele se aproximou e ao constatar que Iorveth ainda respirava, retirou-o dali, mas infelizmente parte de seu cabelo já havia sucumbido as chamas. Entre as árvores e distantes do massacre, Iorveth retomou a consciência com parte do rosto encoberto e alguns elfos sobrevivente ao seu redor. Ao seu lado estava Ciaran que relatava o que de fato ocorreu.

E todos sabem que a praga está chegando

Todos sabem que está se movendo rapidamente

Todos sabem que o homem e a mulher nus

São apenas um artefato brilhante do passado

Todos sabem que a cena está morta

Mas haverá um registro em sua cama

Isso irá divulgar o que todos sabem

E todos sabem que você está com problemas

Todos sabem o que você passou

Da cruz sangrenta em cima do Calvário até a praia de Malibu

Todos sabem que está se afastando

Dê uma última olhada neste Sagrado Coração antes que ele exploda

Todos sabem

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!