Dois jovens andavam no asfalto úmido de um templo em uma noite fria. Um loiro e com sobrancelha enrolada cambaleava por ter enchido a cara e ao seu lado estava o de cabelo esverdeado que o segurava na cintura, impedindo-o de cair.

Zoro havia bebido também, mas o álcool não fazia efeito no seu organismo (até ele não sabia por que) e ria com o jeito espalhafatoso de Sanji que, durante aquela caminhada, xingara tanto que Zoro desistiu de contar. Mas se lembrava que a maioria era para Zeff, seu padrasto e a pessoa que o fez se interessar na gastronomia.

Sanji havia pedido na volta do bar para que o levasse no templo urgentemente e, embora Zoro tivesse um péssimo senso de direção, não se importou que fosse ele. Sorte ou não, agora estavam ali.

No altar do templo.

Um maço de cigarro caiu no chão enquanto tateavam os bolsos de seus sobretudos. Sanji praguejou baixinho e se agachou para pegá-lo, enquanto Zoro já jogava sua moeda na caixa de ofertas e rezava silenciosamente, embora não acreditasse em algum deus. Contudo, gostava de tradições e havia muito tempo que não agradecia apropriadamente como naquela noite.

"Obrigado por mais esse ano de merda, pelo velhote de merda ainda não ter dado um AVC quando grita tanto e pelo meu amigo de merda que nunca me abandona"

Levou um susto ao ouvir a voz de Sanji, que de tão bêbado orou em voz alta sem perceber e, quando voltou a si, havia reparado que Sanji tocou o sino antes dele, embora sua reza ter terminado segundos antes.

O marimo se apressou e tocou o sino também.

"Você rezou xingando" disse ao se virar para o loiro.

"Marimo, você fala de um jeito como se tivesse ouvido" Se desequilibrou um pouco e Zoro o pegou imediatamente pelos ombros "Você é Deus por acaso?"

"Talvez"

Sanji riu e desprendeu-se de seus braços, saiu correndo e quase caiu contra o solo úmido do inverno. Zoro pensou que seu amigo pirou de vez e correu atrás para impedi-lo de uma loucura.

E era uma loucura que Sanji desejava fazer, assim que viu a ponte sobre o lago de carpas, subiu na amurada e permaneceu em pé com o pouco de equilíbrio que lhe restava.

"Vamos ver se você é Deus" Proferiu quando Zoro já estava perto o bastante "Se eu morrer, é porque você é um péssimo deus, mas se eu sobreviver é porque é um ótimo deus!"

Zoro praguejava o idiota das sobrancelhas enroladas, porque ele nunca morreria numa altura tão baixa, no máximo pegaria um resfriado que dificilmente se complicaria para uma pneumonia. E que diachos de teste era aquele? Nas duas ocasiões ele seria Deus.

"Cozinheiro, saia daí!"

"Oras, está preocupado de me perder, marimo?"

"Estou preocupado de algum sacerdote aparecer e chamar a polícia"

"Você é muito sem graça" Pontuou "Você sabe o que eu desejei ali no altar? Que você fosse menos emburrado..."

"Cozinheiro, eu sei o que você orou e em nenhum momento desejou isso"

"Ham?" Ele parou para pensar "Devo ter confundido com ontem então..."

Zoro riu "Tá me dizendo que tem o hábito de orar?"

"Por você sim"

A resposta de Sanji foi crua, ele nem havia se tocado que dissera algo fofo para seu amigo, quando detestava demonstrar uma espécie de preocupação a ele. Zoro piscou os olhos e seu rosto corou, mas antes que dissesse algo, o rapaz da sobrancelha enrolada finalmente se desequilibrou e caiu para o outro lado.

Zoro se apressou e o puxou pelo casaco, fazendo com que o amigo caísse em seu braço esquerdo. Quando Sanji entendeu o que se passava, estava apoiado no braço forte do marimo, que enlaçava sua cintura firmemente.

Seus rostos estavam muito próximos e Zoro não se conteve quando compreendeu que seu desejo estava sendo realizado. Tomou os lábios de Sanji, que não resistiu e retribuiu.

Porque ele desejou isso também, mas não teve coragem de dizer em voz alta.

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