Bastardos de Cão Maior.
3 CAPÍTULO 5
CAPÍTULO 5 — PF. NORFOLK part2
Para que os Quyon's não atacassem o vilarejo nós esperamos sua aproximação e então saímos de lá fazendo eles nos seguirem. Rebekah e Chow deram suporte por fora pra que eles não se aproximassem da carruagem, Chow foi acompanhando mais próximo e Rebekah por conta de sua velocidade, atacava os que iam se aproximando com uma espada leve, desferindo golpes por baixo visando suas pernas pra atrasá-los.
Unuk é o mais velho tendo dezoito anos, quatro anos de diferença pra Rebekah e quase três de diferença pro Chow, mesmo assim é o mais fraco. Então ele ficou compartilhando seu Yadro com os cavalos, pra que não se cansassem ou diminuíssem a velocidade. Algo que Rebekah e Chow não poderiam fazer, pois não aprenderam a controlar seus Yadro ainda. Mas, Unuk é fraco justamente por ter pouco Yadro em seu corpo e esse também é justamente o motivo dele ter um bom controle sobre ela, por ser fraco ele decidiu aprender esse tipo de controle pra servir como suporte. Por seu bom controle, ele poderia aguentar as duas horas desta viagem. Caso não aguentasse, ele poderia drenar o Yadro de Chow e em ultimo caso, a de Fay, o que eu não gostaria que acontecesse porque Fay ainda não estabilizou seu Yadro, pois despertou há pouco tempo e por ser mais nova, será mais difícil dela sentir e controlar isso. Como ela tem uma grande quantidade, Unuk poderia se sobrecarregar e se deformar ou na pior das hipóteses, morrer.
Fay e eu ficamos dentro da carruagem, um guarda arqueiro do vilarejo ficou com meio corpo pra fora na parte de cima através de uma abertura no teto da carruagem. Nasri, meu braço direito, conduzia a carruagem sentado ao lado de Unuk. A carruagem era feita de madeira e uma liga de metal leve e era levada por quatro cavalos.
A rota que pegamos tinha um grande trecho de estrada feita de pedra remanescente das antigas civilizações, por ela ser plana e lisa o nosso a carruagem se tornou mais leve e nossa velocidade aumentou, assim também diminuímos o risco de danos na carruagem. Porém essa rota tem uma desvantagem, dos dois lados da estrada um paredão de terra vai ficando cada vez maior e assim a floresta vai ficando mais pra cima aumentando o risco de ataques por cima de nós.
Como eu temia, os mais rápidos deles se anteciparam visando esse trecho da estrada e começaram a se jogar um a um, um deles caiu ao lado de nossa carruagem e rapidamente se segurou na parte de trás dela...
{Arqueiro} — Professor, tem um deles agarrado nas costas da carruagem, estou sem visão...
Com medo daquele Quyon na carruagem, nosso arqueiro ficou mirando nas costas esperando por ele aparecer, com isso, parou de prestar atenção em sua volta. Chow que vinha rapidamente tirar aquele Quyon de nossa carruagem, logo foi impedido por outro dois que poderiam ter sido acertados pelo arqueiro.
O pior era que aquele Quyon em nossas costas era grande e pesado, ao invés dele nos atacar, ficou agarrado às costas de nossa carruagem propositalmente pra diminuir nossa velocidade. Era assustador ver Quyon's agindo de forma tão inteligente, era como se eles estivessem sendo controlados durante o percurso.
A situação não era das melhores.
Chow rapidamente cortava os Quyon's um a um e corria pra se aproximar da carroça, mas eles continuavam aparecendo em sua frente e daqueles que Rebekah tinha cortado, alguns já haviam se regenerado e se aproximavam pela estrada.
– Ei você... (Eu não sabia o nome do arqueiro)... Dê suporte ao Chow, darei um jeito contra esse Quyon em nossas costas, ele não vai atacar...
Ele tremia de medo, provavelmente era a primeira vez que enfrentava esses monstros e esse nervosismo afetava claramente sua mira. Então ele começou a desperdiçar flechas no nada.
Rapidamente peguei minha espada, é uma espada pesada, mas eu já tinha anos de experiência com ela e isso veio a calhar no momento. Então, mirei no centro das costas da carroça e enfiei minha espada. Acertei a criatura bem no meio de seu peito e por ser um golpe inesperado, ela se soltou no mesmo momento caindo e rolando pela estrada. Aproveitei e fiz uma abertura nas costas da carroça e peguei um arco de sobra, mesmo eu não sendo um arqueiro, naquele momento, minha precisão estava melhor do que a daquele arqueiro nervoso no teto. Dali eu consegui dar apoio ao Chow e ele pode se aproximar novamente da carruagem, mas seu cansaço era visível, estava ficando sem energia. Temi que ele fosse se cansar antes de chegarmos em nosso destino, se ele viesse pra carruagem ela ficaria mais pesada, eu não podia abandonar Fay e tomar o lugar de Chow, eu tinha responsabilidades e informações acima de minha vida. Chow foi treinado pra dar sua vida em momentos como esse, mesmo assim, suas habilidades eram necessárias pra todo o percurso, deixá-lo pra trás agora iria sobrecarregar Rebekah e também a perderíamos, assim, as chances de chegarmos vivos em nosso destino seriam mínimas. Eu poderia arriscar diminuir a velocidade, mas nosso inimigo pensa e sem a proteção do Chow por fora, tenho certeza de que eles danificariam a carruagem visando suas rodas ou até mesmo atacando os cavalos. Um mínimo na queda da velocidade seria o suficiente pra eles nos alcançarem.
O que fazer? O que eu deveria fazer? Sacrificar Chow? Me Sacrificar? Correr o risco de perder Rebekah?
As flechas logo chegariam ao fim, quanto mais aquele arqueiro errava, mais nervoso ele ficava e as criaturas cada vez mais se aproximavam piorando seu estado. Então um Quyon animal quadrupede semelhante a um leopardo se aproximou rapidamente das costas do carro, fora da visão do arqueiro e Chow não poderia alcançá-lo. Estava na minha mira, era meu, mas naquele momento eu vi uma solução desagradável, onde eu poderia salvar Chow sem diminuir a velocidade da carruagem e parar o desperdício de flechas. Então eu disparei...
A flecha passou ao lado esquerdo do Quyon animal e acertou o ombro de outro Quyon que atacava Chow e rapidamente soltei o arco e peguei a espada. Aquele Quyon animal pulou atacando o arqueiro e o matando, naquele momento em que ele arrancava a cabeça do arqueiro com seus enormes dentes eu desferi um golpe no teto da carruagem acertando a criatura. Ela caiu rolando pela estrada.
– Chow, perdemos o arqueiro, suba rápido na carruagem e assuma a posição dele...
{Chow} — Certo!!!
Não me orgulho de ter sacrificado aquela vida, mas não é como se eu fosse me arrepender, naquela situação, ele acabaria morrendo de qualquer jeito. Apenas dei um significado a sua morte. Obrigado Arqueiro, não deixarei seu sacrifício ser em vão.
Chow por seus sentidos aguçados de Halokat, assumiu a posição melhor do que o próprio arqueiro e então, Rebekah se aproximou dando o suporte por fora e Chow mirava nos mais distantes que vinham pela floresta.
Uma coisa eu esqueci por um momento, um erro... Não, apenas algo que o acaso, algo que não está em nosso dia-a-dia, algo que eu sabia da existência, mas não previ seu alcance, eu simplesmente ignorei aquilo por que estava fora de minha natureza e experiência.
Quando por um breve instante meus olhos passaram pelos de Fay, um juramento me veio em minha memória.
{Nasri} — Professor, estamos chegando...
Logo após o aviso de Nasri, uma onda de vento veio de ao nosso encontro, passou por nós e ao olhar pra trás pude ver o sangue dos Quyon's jorrando. Eram os Halokat's do vento, sete deles tendo os dois cavaleiros mais fortes no centro e os outros dois, um em cada ponta, uma formação semelhante a um arco, passou varrendo aqueles monstros. O meio em que havia mais Quyon's, pois vinham pela estrada os que eram golpeados, se tornou um rio vermelho. A diferença de força e poder de alguém na classe Cavaleira foi visível pra Chow e Rebekah naquele momento, um incentivo para a determinação deles que ainda estão em evolução.
Durante o resto do caminho seguimos tranquilos. Mesmo assim, dois cavaleiros, um carregando Fay e o outro apenas acompanhando eles, a levaram rapidamente pro Forte da cidade.
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