Bastard Love

30 Noite Escura


Notas iniciais
desculpem de verdade pela demora,mas eu tive umas ideias loucas e mudei todo o capítulo que já estava escrito,espero que gostem,queria agradecer a Lady Mell ela recomendação maravilhosa e sincera haha continuem acompanhando,obrigada por tudo :)

Barrowlands

Jeyne sentou encolhida na cama,seus olhos cor de mel sem foco,ela sentia a mão do rei próxima a ela,ele mantinha uma distância respeitosa,dando a ela tempo de se recuperar,como ela se recuperaria daquilo ?

Ela sempre fora uma boa moça,ajudou seus pais,cuidou de seus irmãos,fez seus deveres,ajudou a plantar e a colher,acendeu velas a mãe,mesmo quando Lorde Bolton a levou como serva para sua filha,ela não reclamou,ela nunca discutia,levantava a voz,nunca era cruel,mas mesmo assim,mesmo depois de tudo,ela tinha sofrido aquilo,o toque daquele monstro,sua perseguição,perder partes do seu corpo

–O que eu fiz ?-perguntou ela pra si mesma,mas falando em voz alta

–Jeyne,você foi muito forte-disse o rei-mas o frio,você teve muita sorte,muita mesmo

Ela finalmente o olhou,seus cabelos ruivos contrastando com os olhos azuis,tão bonito,tão encantador,ela então olhou para os seus dedos mutilados,a faixa suja de sangue que os cobria e se sentiu tão suja,como um rato perto de um gato de raça.

–Senhor,eu...gostaria de um tempo sozinha,se não for nenhuma ofensa,eu só...

Robb suspirou,esticando a mão para tocá-la mas logo recolhendo

–Coma um pouco Jeyne-ele disse levantando-e descanse,durma,você estará em minhas preces hoje.

–Eu agradeço majestade-ela disse baixinho,impedindo as lágrimas de cair

Robb sorriu e saiu da tenda,logo sendo escoltado por muitos soldados

–Um de vocês-ele ordenou-fique de guarda nesta tenda,ninguém entra sem minha autorização

–Sim senhor-disse um dos soldados,tomando lugar perto da entrada

Robb continuou caminhando na noite fria,suas botas afundando na neve espessa

Norte Selvagem

Ygritte recolheu o arco rindo para si mesma,ela não atiraria naquela garotinha,não ali,não naquele momento,talvez em uma outra oportunidade.Ela virou-se quando Jon terminou de tirar seu vestido,não por ser pudica,ela não estava nem aí pra quem o moreno estava fodendo,ela só precisava achar um jeito de fazê-lo acompanhá-la até além da muralha,onde os selvagens esparavam que ela o levasse.

Ygritte sentou-se na grama,tudo ali era tão diferente de casa,ela puxou a grama entre seus dedos,descansou um pouco,ela só podia ouvir os sussurros de Jon e da garota,ela fez uma careta e puxou a grama com mais força,até que ouviu algo que a fez virar o rosto novamente

–eu te amo-dizia a garota para Jon

“Argh” pensou Ygritte,pelo menos Jon não estava dizendo isso de volta,ela sorriu até olhar pra eles,ele não precisava dizer,ela via,ela via no jeito que o corpo deles estava encaixado,como se tivesse nascido um e por acaso do destino dois seres saíram dali,ela via no modo como a boca dele descia delicada na pele dela como se fosse feita de vidro,ela via no modo como os olhos cinzas dele se enchiam de luz e ela via naquele sorriso que fazia a garota embaixo dele brilhar tanto quanto a lua no céu escuro.

Ygritte se foi,ela não sabia por que mas não podia suportar nem mais um minuto daquilo.

Atalaia da água cinzenta

O rei não estava no quarto ainda,Cersei deitava sozinha na grande cama,ouvindo os gritos de soldados e o farfalhar das árvores enquanto eles caçavam Jaime,a dor do tapa já estava há muito esquecida,ela sentia apenas a perda do irmão gêmeo,logo depois de perder Joffrey,ela tentou rezar mas percebeu que não era dada a orações,nem sabia se a mãe a escutaria,depois de tantos pecados cometidos,tantos erros...

Ela revirou-se mas não conseguia dormir,em seu peito,ela sentia que Jaime não morreria,mas Robert estaria morto logo e ela poderia respirar em paz,aquele homem era como uma pesada nuvem negra,densa e malcheirosa que acabava com tudo ao seu redor,um nuvem que agora entrava como um trovão pela porta do quarto,arrastando a perna ferida.

–Maldito Lannister,conseguiu fugir !-esbravejou ele-botei 50 dragões de ouro e um título de cavaleiro para quem achá-lo-disse ele-qualquer camponês de merda nas redondezas vai caçá-lo como um lobo.

Cersei o olhou com desprezo

–A garota Stark também fugiu-ele falou bravo-o maldito irmão virá atrás de nós,eu não queria ter que matá-lo também

–Você matou o pai dele-cuspiu ela baixo-o homem que lutou do seu lado e que você chamou de amigo,por que não mataria o filho ?

–Cale-se !-gritou ele-eu tive meus motivos

Ela ainda queria muito saber aqueles motivos

–Se me dá licença,vou pegar um ar-disse ela-a noite foi difícil.

O rei apenas resmungou, deixando seu imenso corpo cair na cama

Cersei entrou em uma porta minúscula no corredor escuro,ela não levava nenhuma vela,e assim que entrou a luz de uma quase cegou seus olhos.

–Minha rainha-disse o garoto loiro

–Mais baixo-ela reclamou-quer que alguém nos ouça ?

O garoto abaixou a cabeça envergonhado

–Me desculpe minha rainha-ele sussurrou-eu fiz o que mandou...eu...

–Eu sei o que você fez-ela esbravejou-não precisa repetir,agora,eu preciso de outro favor...quero que você...

Os dois ouviram um grito,fino e horrível

–Myrcella!-ela abriu a porta e saiu correndo,o quarto da filha era do lado do seu,nenhum guarda na sua porta,várias pessoas estavam paradas na porta,Myrcella viu a mãe entrar e olhar para o mesmo local que ela,a parede,branca,no alto o corpo do príncipe Joffrey,sua cabeça costurada no pescoço,seu sorriso moribundo,o cheiro de morte e decomposição,vermes já tinham devorado seu globo ocular esquerdo,mas o que ela percebeu primeiro foi o pano que o envolvia,brilhava tanto quanto as jóias que ela usava em suas roupas e no corpo,era ouro.

Cersei caiu de joelhos,uma voz de velha falando em sua cabeça.

“De ouro será sua coroa, e de ouro sua mortalha”

Forte do pavor

O meistre andava de um lado para o outro preocupado,tinha feito tudo que o garoto tinha pedido,abriu os portões de forte do pavor a ele,mas como saberia que a garota Fynulla não estaria no castelo,ele passara vários dias em seu quarto,estudando uma planta nova e não soube de sua partida,ele não tinha nada contra a garota Westeling,mas contra Fynulla...aquela bastarda vinha tomar o lugar que deveria ser de alguém com sangue nobre e aquele rapaz assustador,o mesmo que matou o jovem Domeric,a prole de Lorde Bolton era um perigo por si só,mas aquele bastardo o tinha ameaçado e ao olhar nos olhos cinzas e frios dele,ele teve certeza que aquele homem era capaz de tudo e que matá-lo seria tão simples quanto esmagar um mosquito na janela.

Lorde Bolton mandou procurar a garota em toda a redondeza,mais e mais soldados saíam na busca,ele esperava que estivesse onde estivesse,o bastardo não pensasse em vingança contra ele

Norte Selvagem

Ramsay entrou na caverna mal iluminada a exatos 500 metros do acampamento do auto proclamado rei do norte,suas cadelas dormiam em círculo,ele sentou-se,avaliou suas opções,entrar em um acampamento fortemente armado contra invasões para pegar uma garota boba,essa ele descartou de primeira,a segunda era ir até forte do pavor e avisar seu pai sobre a rebelião de Robb Stark,assim seu pai poderia avisar ao rei e cair nas boas graças da coroa,assim que isso acontecesse,ele veria que o herdeiro de Forte do pavor seria Ramsay Snow,Snow não,Bolton.

Ele deu um sorriso de dentes podres e saiu da caverna,só esperava que Fedor fizesse seu trabalho.

Forte do Pavor

Um forte odor de coisa estragada invadiu o nariz do Meistre,ele sentiu-se zonzo e logo viu algo sair de debaixo de sua cama,ele correu pra porta,apenas para constatar que estava trancada,o homem que estava embaixo de sua cama tinha um aspecto velho e sujo,roupas rasgadas e um odor pungente,mas o que o preocupou foi o cutelo em sua mão.

–Não me machuque-ele pediu fraco-eu não fiz nada,sou um velho Meistre,eu não tenho dinheiro

O homem o olhou dócil

–Me desculpe meistre,sirvo meu amo,devo fazer o que me mandam,saiba que não tenho nada contra você-a voz do pobre homem era doce e melodiosa,mas suas palavras significavam morte

–Socorro!-gritou o Meistre quando o primeiro golpe atingiu sua bochecha,para logo em seguida perder a voz quando o cutelo atravessou seu coração,o ataque terminou rápido,o idoso morreu dolorosa mas rapidamente,e fedor o olhou com tristeza.

–Que o pai o julgue com leveza e a mãe o conduza aos sete paraísos.

O homem voltou seu olhar para a janela,era muito alto para pular,mas se ficasse ali,iam saber quem matou o homem,ele então abriu um pouco o vidro,olhou pra baixo,pensou que nenhuma dor de membro quebrado era mais agonizante que um membro esfolado.

Então ele pulou.

Além da Muralha

–Ele não teve mais nenhuma visão desde ontem-falou a velha mulher, preocupada

–O que ele viu ?-perguntou-lhe o homem com a imensa barba castanha-algo sobre dragões novamente ?

–Não !-ela respondeu-ele disse : “Joramun gritará e a muralha se perderá no negro,até que o negro se tornará luz e a muralha se tornará pó”

O homem se arrepiou e sentou-se no chão frio

–Há cinqüenta luas que não come,nada,nem sopa,nem carne,sua boca se abre pra dizer profecias e se fecha novamente-diz ela-ele está magro como uma criança.

O homem suspirou baixo

–Ele costumava fazer isso,mas pensei que tivesse parado...faz tanto tempo...-ele falou baixo

–Mandamos Ygritte atrás daquele, como você pediu,ela não falhará

–Espero que não falhe...ele é sangue dela,de todos nós.

–Não seu.-a mulher falou firme e magoada-ele nunca será seu sangue Mance.

–Não precisa me lembrar disso-ele falou irritado-mulher amarga...você sempre a odiou

–Ela não era como nós !-gritou a mulher-ela nunca viveria aqui Mance,ela se importava mais com vestidos de seda e príncipes galantes.-ela sorriu maliciosa-você sabe disso melhor que ninguém.

Mance pegou a mulher pelo pescoço e colocou sua faca na garganta dela

–Calada!-ele gritou-não falará mais dela a partir de hoje,entendeu ?

–Sim...-gaguejou a mulher

–Bom-ele disse-eu vou entrar pra vê-lo.

A mulher resmungou qualquer coisa e saiu da casa.

Mance entrou no quarto,um homem estava deitado na cama,magro e pálido,Mance sentou-se em uma cadeira próxima.

–Ragnar... -ele chamou baixo — Ragnar, irmão, sou eu, Mance.

O homem continuava olhando pra parede, era inútil, naquele estado não ouviria ninguém, parecia apenas um corpo inerte, como se sua alma estivesse em outro lugar e nesse lugar Mance não podia segui-lo.

Norte Selvagem

O grande lobo uivava pra lua,Vento Cinzento uivava como se chorasse,como se pudesse escutar alguém chamá-lo,mas ele não podia voltar,não agora.

“Eu te escuto irmão,eu te escuto...” Pensou Ragnar enquanto uivava para a lua distante.



Notas finais
sim,eu usei o meu divo master Ragnar Lothbrok como inspiração,quem também assiste Vikings deixa um review pra eu não me sentir fã louca sozinha hahhaha
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.